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Como explicitado pela análise marxiana o homem é um ser social, sua natureza humana é essencialmente natureza social. O homem possui na sua capacidade de trabalhar a sua força criadora, a força fundadora da essência humana, ou seja, fundadora de si mesmo a partir do intercâmbio dele com a natureza. Portanto, encontramos já nos Manuscritos de 1844 o caráter ontológico do trabalho.

É Georg Lukács, filosofo húngaro, contemporâneo da revolução russa, quem recobra o caráter ontológico do trabalho presente nos escritos de Marx, e desenvolve em sua obra os fundamentos da ontologia humana, ao realizar uma análise onto-histórica da sociedade humana.

Portanto, é nos rastros dos escritos marxianos, e da análise do trabalho como fundante do ser social desenvolvidos por Engels, que Lukács continua a afirmar que a existência presente no homem, em seu corpo, é uma parte da existência da própria natureza. As evidências de tal afirmação estão no próprio homem, na base inorgânica dos elementos constitutivos de seu corpo, já que as substâncias formadoras do corpo humano estão presentes na natureza, tanto na forma inorgânica, quanto na forma orgânica. Assim como os seres orgânicos desenvolvem-se de uma base inorgânica, o homem desenvolve-se de uma base orgânica mais avançada (embora portador de uma natureza social que o distingue essencialmente das demais esferas ontológicas, o homem mantém com os seres orgânicos e inorgânicos um caráter de unitariedade, de incessante intercambio, mas,ao mesmo tempo, de heterogeneidade expressa na constante produção do novo).

Para confirmar tal preposição, Lukács afirma que basta estender nossas observações aos animais, pois percebemos facilmente que as qualidades superiores do corpo humano são também características constitutivas dos seres orgânicos mais desenvolvidos. Verificamos isso comparando a mão de um chimpanzé com a mão do homem. No entanto, o mesmo autor segue afirmando que ocorre sempre uma transformação qualitativa de uma forma à outra, na passagem do inorgânico para a forma orgânica e, por sua vez, da passagem do ser orgânico para o gênero humano.

Tamanha mudança qualitativa pressupõe “uma passagem que implica num salto – ontológico necessário – de um nível de ser a outro, qualitativamente diferente”24.

Lukács afirma que tanto os animais como o homem possuem uma característica comum de exercer a atividade perante a natureza para atenderem as necessidades essenciais à sua existência. Mas o que vem diferenciar o homem dos demais animais é que a sua atividade perante a natureza torna-se qualitativamente superior ao tornar-se uma atividade vital consciente, ou seja, ao adquirir um caráter teleológico. É este fato que determina o momento exato do salto ontológico, eliminando o caráter de escravidão do homem às suas necessidades fisiológicas. Essa condição, que os seres orgânicos não podem superar, separa qualitativamente a existência humana da existência animal, vêem constituir o homem enquanto ser genérico.

Essa atividade consciente de caráter teleológico, como atividade exclusiva dos homens, é definida por Lukács como o próprio ato de trabalho, no qual o homem exerce o intercâmbio com a natureza. Como não poderia ser diferente, tanto a atividade de trabalho quanto a atividade animal tem por fim primeiro a sobrevivência e reprodução da vida, mas o ato de pôr teleológico é o ato que distingue tais atividades, a do homem e do animal, como afirma Lukács:

É claro que o primeiro impulso para a posição teleológica provém da vontade de satisfazer uma necessidade. No entanto esta é uma característica comum tanto à vida animal como humana. Os caminhos começam a divergir quando entre necessidade e satisfação se insere o trabalho, a posição teleológica. E neste mesmo fato, que implica o primeiro impulso para o trabalho, se evidencia a sua a sua natureza marcadamente cognitiva, uma vez que é indubitavelmente uma vitória do comportamento consciente sobre a mera espontaneidade do instinto biológico o fato de que entre a necessidade e a satisfação imediata seja introduzido o trabalho como elemento mediador. 25

A análise marxista de Lukács apenas reafirma o trabalho como uma atividade necessariamente humana, não importa quão perfeitos possam ser os feitos dos animais. Dos seres orgânicos, o homem é o único ser capaz de visualizar em sua mente o objeto a ser criado. Apenas o homem, através do pôr teleológico, pode antever o produto futuro em sua consciência e torna-se capaz de planejar a sua atividade, refletir sobre o processo

24 LUKÁCS, Georg. “O trabalho”, In: Ontologia do Ser Social. Tradução Ivo Tonet. 2007, p.2,

(mimeografado).

e conceber o objeto antes mesmo de efetivá-lo. Em relação ao animal, a atividade deste possui um caráter essencialmente instintivo, uma atividade na qual ele é escravo da natureza, atividade essa distinta do ato de trabalho. Marx possui uma passagem muito conhecida quando diferencia a atividade humana, o ato de trabalho, da atividade de uma aranha e de uma abelha. Ele afirma que:

Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la em realidade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia antes idealmente na imaginação do trabalhador. 26

Retornando aos escritos do teórico húngaro podemos aferir o ato de trabalho, como atividade consciente e planejada, ou seja, essa é a atividade que distingue o homem dos animais, é o meio através do qual o primeiro domina os seus instintos e passa a construir uma natureza distinta da natureza animal, a construção da essência humana como sua natureza social. O momento exato do salto ontológico é o momento exato em que surge esse novo homem, uma nova forma de ser vivo. Portanto, como nos relata Lukács:

o trabalho revela-se como o instrumento da autocriação do homem pelo homem. Como ser biológico ele é um produto do desenvolvimento natural. Com sua auto-realização, que também implica, obviamente, nele mesmo um retrocesso das barreiras naturais, embora jamais um completo desaparecimento delas, ele ingressa num novo ser: o ser social.27

No processo contínuo de efetivação da autoconstrução humana e de formação da natureza humana, o ser social constitui, ao longo de sua história, várias formas de organização social. Mas é importante compreender que o homem nunca é um ser acabado ou terminado. Desde o salto ontológico, ele continua se construindo na mesma medida em que constrói e reconstrói suas formas de organização social e de reprodução da vida. A história do homem é a história de um movimento incessante que chega à atual forma de organização da vida, este que é o modo capitalista de produção, como simplesmente resultado do trabalho humano.

26 MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I. Tradução de Reginaldo Sant’Anna –

24º ed. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p. 211 - 212.

Marx em sua tarefa teórica de estudar a fundo a forma capitalista de produção, analisa a realidade dessa forma de organização social com o propósito de compreender a sua realidade, e parte da totalidade da natureza humana para capturar abstratamente a totalidade em movimento e, assim, descrever o movimento do movimento. O resultado desse estudo e dessa pesquisa rigorosa que inicia-se já nos escritos de sua juventude, está consubstanciado em sua obra última, O Capital. É nessa obra, concluída já na sua chamada fase de maturidade, que o filosofo alemão executa uma crítica radical ao modo de organização capitalista e também dá as indicações para a construção de uma nova forma de sociabilidade humana.

Portanto, é em O Capital que Marx desvela o caráter particular da forma de produção na sociedade capitalista e desvenda os mistérios da forma de trabalho no seio dessa sociabilidade. Mesmo nessa forma de organização social, o trabalho persiste em sua forma ontológica, em seu caráter útil, como meio de produção de objetos úteis ao ser humano, meio para criação de valores-de-uso. A forma trabalho como dispêndio de força humana de transformação da natureza; Marx descreve esse processo de produção como o meio do homem se apropriar dos elementos naturais para atender às necessidades humanas. Essa “é condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a natureza; é condição natural eterna da vida humana, sem depender, portanto, de qualquer forma dessa vida, sendo antes comum a todas as formas sociais.”28.

Podemos aferir no trabalho, tal como descrito por Lukács, o elemento fundante da substancia humana a qual persiste como forma de intercâmbio eterna do homem com a natureza em todas as formas de organização da vida produzidas pela natureza humana, uma vez que o homem apenas pode produzir e reproduzir a sua existência ao atuar com a própria natureza e, como ela, mudando-lhe as formas, dando-lhes forma de natureza humanizada. Os escritos de Marx confirmam essa tese, quando este expressa que os avanços da ciência, da tecnologia e da técnica presentes na sociedade capitalista qualificam essa relação entre homem e natureza, mas a forma original, a essência deste intercâmbio, é eterno. O homem tem na natureza a gênese de sua existência e com ela

perpetua essa existência. Como afirma o próprio Marx citando William Petty, “o trabalho é o pai, mas a mãe é a terra.”29.

Essa forma originária de trabalho presente em todas as formas de sociabilidade humana é o trabalho concreto, meio através do qual o homem incorpora à natureza um caráter de humanidade, trabalho concreto como meio que possibilita a fixação no objeto de qualidades humanas, dando cria a objetos distintos da simples natureza, objetos que atendem a uma necessidade específica humana ao serem transformados pelo trabalho humano em natureza humanizada. O trabalho concreto é sempre dispêndio de cérebro e músculo humano, é o ato originário e eterno de pôr “em movimento as forças naturais de seu corpo – braços e pernas, cabeça e mãos – a fim de apropriar-se de recursos humanos da natureza. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza.”30.

Portanto, como afirma o teórico alemão, o trabalho concreto é a forma de produção das riquezas materiais e espirituais. Como forma de objetivação humana, o trabalho é produtor de objetos úteis ao homem, objetos esses que apenas têm o seu valor reconhecido, confirmado no ato de sua utilização, no momento exato em que este atende a uma necessidade humana específica. Essa utilidade valorosa à existência humana presente nos objetos é o seu valor-de-uso que constitui “o conteúdo material da riqueza, qualquer que seja a forma social”31, desses objetos, produtos do trabalho concreto.

Mas, apesar do caráter eterno da forma concreta de trabalho e da produção de valores-de-uso, o autor afirma que o trabalho como ato produtivo possui especificidades postas em cada forma de organização social, é, portanto, também determinado historicamente. É na forma específica de organização social capitalista que o trabalho surge em sua forma estranhada mais complexa, qual seja: o trabalho posto como produtor de mercadorias.

A riqueza surge como a “imensa acumulação de mercadorias”32, mas a mercadoria nada mais é do que um objeto útil ao homem é, “antes de mais nada, um objeto externo ao homem, uma coisa que, por suas propriedades, satisfaz necessidades

29 Ibidem, p. 65. 30 Ibidem, p. 211. 31 Ibidem, p. 58. 32 Ibidem, p. 57.

humanas, seja qual for a natureza, a origem delas, provenham do estômago ou da fantasia.”33

A reconstrução do real formulada por Marx afirma que a forma mercadoria é, portanto, um objeto útil, um objeto possuidor de valor-de-uso. Mas essa forma específica do produto do trabalho apresenta uma outra qualidade, a de ser também possuidor de valor-de-troca, já que o próprio valor-de-uso é também “ao mesmo tempo, o veículo material do valor-de-troca”34.

Esse segundo caráter da mercadoria, descrito pelo teórico, o valor-de-troca, apenas se manifesta na relação em que ela exerce com uma outra mercadoria, outro objeto útil distinto do primeiro, uma relação de troca entre si.

Essa relação, na qual objetos com utilidades distintas são trocados entre si, e portanto, são equiparados em sua forma de valor, apenas é possível porque os seus respectivos valores-de-uso sofrem de uma abstração real. Então, o valor-de-troca é apenas expressão de uma outra substância presente nos objetos que permite que esses sejam igualados entre si, que, por sua vez, é a origem do próprio valor-de-troca.

Essa substância, invisível ao olho humano, presente na mercadoria, que permite equiparar as diferentes mercadorias, descrita na obra marxiana como exatamente a característica presente em todo o objeto produzido pelo homem, é o próprio trabalho humano. Portanto, Marx desvenda o mistério da mercadoria ao explicitar que é justamente na contabilização da quantidade de trabalho igual, dispendido na produção de diferentes objetos que permitem que eles possam ser trocados como coisas equivalentes. A quantidade de trabalho é medida pela quantidade de tempo de trabalho, o quantitativo de minutos, horas ou dias, determinados socialmente.

Assim como mercadorias de diferentes qualidades e utilidades são igualadas entre si, todos os trabalhos em suas diversas qualidades passam a ser contabilizados como determinantes do valor das mercadorias e, para tanto, esses trabalhos são também transformados em uma única espécie de trabalho determinado historicamente. Trata-se da forma de trabalho abstrato35.

33 Ibidem, p. 57. 34 Ibidem, p. 58.

35 O conceito de trabalho abstrato surge nas obras de maturidade de Marx, em especial no “O Capital”,

Essa é, portanto, uma particularidade da sociedade capitalista descrita nos escritos do teórico alemão, o trabalho produz mercadorias que possuem um duplo caráter, possuidoras de valor-de-uso e valor-de-troca. O caráter valor-de-uso é o resultado lógico da forma eterna de trabalho. Mas a produção de valor-de-troca é resultado dessa forma particular de trabalho, o trabalho abstrato. O próprio trabalho adquire, portanto, um duplo caráter na sociedade capitalista.

A teoria marxiana nos descreve que essas duas formas de trabalho coexistem, estão presentes no mesmo ato de trabalho, na mesma ação humana perante a natureza. Nessa relação de unidade contraditória entre as duas formas de trabalho, a sua forma abstrata jamais supera a forma concreta, mas na relação em que o trabalho assume a forma de produtor de mercadorias, o trabalho concreto fica subsumido à forma abstrata.

A subsunção do trabalho concreto à forma do trabalho abstrato confirma-se no fato de que todos os trabalhos humanos, em suas distintas qualidades de produzir diversos valores-de-uso, passam a ser equiparados em uma única qualidade: a de serem tempo de trabalho humano. Desta feita, o trabalho é abstraído de suas qualidades específicas, o que explica nas relações de troca os produtos do trabalho do marceneiro, do pedreiro, do carpinteiro, serem todos equiparados em seus valores.

O valor é inserido no objeto justamente no ato de trabalho. É a magnitude de trabalho abstrato, ou seja, a quantidade de tempo de trabalho humano gasto na fabricação de uma mercadoria que determina o seu valor.

Portanto, o valor de uma mercadoria não se trata de algo inerente a ela, ou algo sobrenatural, pois, na verdade, o caráter do valor é algo socialmente constituído. Como assevera Marx, qualquer mercadoria apenas possui valor porque nela “está corporificado, materializado, trabalho humano abstrato”36. Logo em seguida, Marx põe um fim ao mistério da origem do valor, ao desvendar que o caráter quantitativo ou a grandeza do valor é, na verdade, determinado pela “quantidade de trabalho socialmente

pelos economistas clássicos. Nos Manuscritos de 1844, Marx apenas havia iniciado os estudo das obras dos economistas clássicos, e tal conceito significa um salto qualitativo em sua obra e na análise da realidade objetiva.

necessário ou o tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de um valor- de-uso”37.

Ainda sobre o trabalho abstrato, Marx explica que esta forma histórica de trabalho constrói uma igualdade abstrata dos diferentes trabalhos humanos, é exatamente essa capacidade de abstração real que permite a socialização das diversas qualidade de trabalho

na medida em que cada espécie particular de trabalho privado útil pode ser trocada por qualquer outra espécie de trabalho privado com que se equipara. A igualdade completa de diferentes trabalhos só pode assentar numa abstração que põe de lado as desigualdades existentes entre eles e os reduz ao seu caráter comum de dispêndio de força humana de trabalho, trabalho abstrato.38.

Portanto, o trabalho em sua forma concreta, como produtor de valor-de-uso, nada interfere na determinação do valor das mercadorias. Pois como demonstra o teórico alemão, as relações de troca, onde uma mercadoria B exerce a função de equivalente de uma outra mercadoria “A” a ser trocada, significa que quando essas duas mercadorias são permutadas entre si, e, portanto, o valor-de-troca da mercadoria “A” é equiparado ao valor-de-uso da mercadoria “B”, que ocupa a posição de equivalente, ocorre na verdade a efetiva representação do valor-de-troca da mercadoria “A” no valor- de-uso da mercadoria “B”. O valor-de-uso de “B” surge na relação de troca como a materialização do valor-de-troca de uma mercadoria de “A” de igual valor, portadora da mesma quantidade de trabalho. Portanto, o valor-de-uso da mercadoria equivalente apenas exerce a função nas relações de troca de representação do valor das demais mercadorias, o que nos aponta que na sociedade das mercadorias o próprio valor-de-uso encontra-se subsumido ao valor-de-troca.

Um valor-de-uso qualquer que assume a forma de equivalente em uma relação de troca com uma segunda mercadoria é apenas a expressão do valor dessa segunda mercadoria. É exatamente nessa relação de troca simples, em que os objetos com utilidades diferentes são equiparados entre si, que se evidencia a condição específica do

37 Ibidem, p. 61. 38 Ibidem, p. 95.

trabalho como criador de valor, ao mesmo tempo em que esses diferentes trabalhos são socializados.

Marx descreve o desenvolvimento das relações de troca ao apontar que, das relações de trocas simples, com equivalência simples, as relações de troca progridem para a forma de equivalência extensiva e, conseqüentemente, para a forma de equivalência geral, como mecanismos desenvolvidos de intercâmbio e socialização dos diferentes trabalhos, característica de um determinado momento histórico, o que podemos distinguir como o desenvolvimento do mecanismo de circulação de mercadorias necessária ao desenvolvimento do sistema do capital.

Na forma de equivalente geral, constituída na totalidade das relações sociais, uma mercadoria assume a forma de equivalente de todas as mercadorias. Na expressão do valor todas as mercadorias adquirem uma única forma, a forma de uma mercadoria específica, à qual todas as outras mercadorias são equiparadas. A respeito da forma de equivalente geral, Marx expressa que:

A forma geral do valor [...] surge como obra comum do mundo das mercadorias. O valor de uma mercadoria só adquire expressão geral porque todas as outras mercadorias exprimem seu valor através de um mesmo equivalente, e toda nova espécie de mercadoria tem de fazer o mesmo. Evidencia-se, desse modo, que a realidade de suas relações sociais, pois essa realidade nada mais é que a existência social deles, tendo a forma do valor, de possuir validade social reconhecida. 39

A análise marxiana define a passagem para a forma de equivalente geral, como resultado da complexificação das relações sociais no interior da sociedade capitalista, o que possui um peso histórico, já que é apenas no processo incessante de trocas particulares de diferentes mercadorias que se socializam os diferentes trabalhos humanos particulares. O que antes era a relação entre produtores, torna-se agora apenas a relação entre as mercadorias. Portanto, as relações das mercadorias passam a mediar as relações humanas, o processo de circulação de mercadorias instituído sobre o domínio do capital, determina as próprias relações humanas.

É, pois, com a complexificação e o desenvolvimento dessas relações de troca que se desenvolve a socialização dos diferentes trabalhos humanos, uma vez que no