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3- Güç Sistemleri ve Proje Yönetimi
Fevereiro de 2000, a Espanha assistiu a cenas de violência extrema na cidade de El Ejido, Almeria, quando centenas de manifestantes espanhóis saíram às ruas, gritando frases racistas e ateando fogo em estabelecimentos pertencentes a marroquinos, para protestar a morte de três pessoas espanholas, vítimas de esfaqueamento perpetrado por imigrantes provenientes de Marrocos. Esse incidente deu sequência a uma serie de estudos sobre a violência xenófoba na Espanha e no mundo.
Após o ocorrido em El Ejido, a Lei que regia a imigração desde 1985 foi revisada e publicada a Ley Orgánica sobre Derechos y Liberdades de los Extranjeros en España y su Integracíon Social (Número 4/2000/ 11 de enero), que assinalavam os seguintes pontos: 1. Igualdade com os espanhóis e interpretação das normas, 2. Direito a documentação, 3. Direito a liberdade de circulação, 4. Participação pública, 5. Liberdade de reunião e manifestação, 6. Liberdade de associação, 7. Direito a circulação, 8. Direito ao trabalho e a seguridade social, 9. Liberdade de sindicância e greve, 10. Direito a assistência sanitária, 11. Direito a ajuda à moradia, 12. Direito a seguridade social e serviços sociais, 13. Sujeição dos estrangeiros aos mesmos impostos que os espanhóis (Calvo Buezas, 2000).
Sobre as medidas antidiscriminatórias, no capítulo IV foi promulgado que é considerado discriminação todo ato que direta ou indiretamente resulte em distinção, exclusão, restrição contra um estrangeiro baseado na raça, na cor, na ascendência ou origem nacional ou ética, às convicções e práticas religiosas, e que tenha como fim o objetivo de limitar o reconhecimento do exercício, em condições de igualdade, dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no campo político, econômico, social ou cultural.
Assim, a nova Lei visou regulamentar e conter quaisquer outros eventos explícitos ou não de xenofobia. No entanto, devido à crise econômica enfrentada pela maioria dos países da Europa, houve corte tanto na Lei de Asilo, quanto na Lei de Extranjería, principalmente no que se refere aos direitos dos imigrantes em situação irregular.
Segundo Reher, Requena e Rosero – Bixby (2009) o ano de 2000 foi decisivo em termos de imigração na Espanha, que até o século XVII era fundamentalmente um país migratório, passou atrair cada vez mais um enorme contingente de imigrantes provenientes, sobretudo das Américas. Os autores apontam que a porcentagem da população não nativa que vivia na Espanha até o ano de 1999 era de somente 3%, um dos mais baixos da Europa. No inicio de 2008, o número já havia subido para 13%.
Stephan, Ybarra, Martinéz, Shwarzwald e Tur-Kaspa (1998) afirmam que a maioria dos países que não tinha a tradição de receber imigrantes sente que precisam ter controle sobre a imigração. Segundo os autores, em muitos países os imigrantes são desprezados, odiados, discriminados, muitas vezes de formas violentas, e duas razões são propostas para compreender essas relações de tensão. A primeira considera a imigração motivada por razões econômicas, e entende que para os cidadãos do país de acolhida, a imigração ameaça a oferta de emprego. A segunda razão ressalta a não assimilação aos costumes locais por parte de alguns grupos de imigrantes, de modo a não compartilharem a cultura do país da acolhida.
Desta forma, o tema da xenofobia tem aparecido de forma recorrente no cenário internacional, notadamente na Europa, devido ao grande fluxo migratório e a mobilidade internacional, e a atual crise econômica que assombra o continente, sobretudo nos últimos dois anos. Como resultado dessa globalização, tem-se percebido o aumento da intolerância – seja ela política, religiosa ou étnica - dentro e fora do espaço europeu.
Segundo Cea D´Ancona (2009) o termo xenofobia vem do grego xenos, que significa estranho e phobos, temor, fobia. As principais manifestações de racismo e xenofobia vão desde ações individuais diretas (violência física, assassinato, discriminação), passando pela discriminação no trabalho, na escola, nas relações sociais e afetivas. Verificam-se também essas atitudes ao nível institucional, como por exemplo, as “limpezas étnicas”, mortes, deportação ou imigração forçada, conforme afirmam Folgôa, Palma e Pessoa (2000).
Cea D´Ancona (2009) indica a presença de um tipo de racismo na Europa contemporânea, contrário ao racismo genético que prevaleceu na primeira metade do século XX – o racismo cultural. Este ocorre quando a identidade cultural do imigrante é
contrária à identidade da população nativa, como é o caso do imigrante marroquino na Espanha, por exemplo. Sendo assim, o imigrante é percebido como uma ameaça à perda de uniformidade cultural, ao ser considerado como inassimilável: dito de outra forma, o imigrante só é aceito se renunciar a sua cultura – costumes, religião, idioma – e passar a adotar a cultura oficial como sua.
Este conceito de racismo cultural se aproxima do conceito de preconceito sutil, proposto por Pettigrew e Meertens (1995). Este tipo de preconceito tem sido estudado na Europa e tem como grupo alvo as minorias culturais advindas de antigas ex-colônias de países europeus (Lima & Vala, 2004). Pettigrew e Meertens (1995) distinguem dois tipos de preconceito: o flagrante e o sutil. O preconceito flagrante é mais aberto e se refere a duas dimensões: ameaça e rejeição ao exogrupo, e rejeição da intimidade. O preconceito sutil é mais disfarçado e se manifesta em três dimensões: defesa dos valores tradicionais; exagero das diferenças culturais do exogrupo e negação de emoções positivas em relação ao exogrupo.
Conforme distinguiu Nogueira (2006) para diferenciar o preconceito racial de marca e de origem, parece ser possível pensar em uma extrapolação da temática racial para a temática das relações internacionais pautadas pela imigração. Como aconteceu no processo de formação brasileira com os imigrantes japoneses, considerados menos brasileiros por sua aparência e por tentar manterem seus costumes – e por isso – serem considerados como inassimiláveis, parece haver na Europa um processo similar, onde a marca também desempenha papel importante para identificar aqueles imigrantes mais diferentes.
Os níveis e expressões de xenofobia variam muito de país para país, variando não só nas diferentes posturas e modos de lidar com a presença de imigrantes, minorias étnicas, e estrangeiros, como também políticas mais ou menos consistentes de combate
à discriminação (Silva, 2000). Importante ressaltar que se a existência de diferenciação entre o significado atribuído às palavras imigrante e estrangeiro, segundo Cea D´Ancona e Valles Martínez (2009). Segundo tais autores, em geral pessoas procedentes de países de primeiro mundo quase nunca são identificados como imigrantes, mas sim como estrangeiros. A acepção do termo imigrante se refere ao que se entende por “imigrante econômico”, que são aqueles que têm procedência de países com níveis de desenvolvimento mais baixo, com características étnicas, culturais e de costumes que os diferencia da população autóctone.
Para Calvo Buezas (2000), uma imagem distorcida pode contribuir para um estereótipo falso que incita e sustenta a xenofobia e segundo Gonzáles-Castro e Ubillos (2011), os meios de comunicação exercem influência direta para a manutenção dos estereótipos negativos em relação aos imigrantes, através da forma depreciativa pela qual reportam as notícias relacionadas a eles. Em um estudo sobre o impacto psicossocial da imigração na Espanha, González-Castro, Ubillos, Bilbao, Techio e Basabe (2009) destacam o estresse de aculturação, preconceito e discriminação experimentados pelos imigrantes em função das mudanças de vida ocasionadas pelo processo imigratório.
Baseado num estudo realizado pela Eurostat, agência de estatísticas da União Européia, a Espanha em 2007 ocupou a primeira posição no ranking de países com maior migração liquida, alcançando o número de 74,86 imigrantes por 1.000 habitantes, seguida da Itália. Em relação à taxa que representa a população estrangeira por país, a Espanha ocupa a sexta posição, no entanto, já está no segundo estado do ciclo imigratório, que se assegura tanto pela permanência dos que chegaram ao país há mais de uma década, quanto pela política de reagrupação familiar aplicada. (Cea D´Ancona & Valles Martínez, 2009).
Em pesquisas desenvolvidas pelo Observatorio Español del Racismo e La Xenofobia (OBERAXE) e Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) desde o ano 2000 se observa um padrão de identificação do imigrante. Quando perguntados “Quando se fala de imigrantes estrangeiros que vivem na Espanha, em quem você pensa imediatamente?”, os marroquinos têm aparecido no topo da identificação, seguido dos sulafricanos e latinoamericanos em geral. Corroborando com esses resultados, desde 1997, o Marrocos é o país que possui a maior comunidade de estrangeiros com permissão para morar na Espanha, colaborando com a imagem atual do imigrante econômico.
A União Europeia considera que deve combater as discriminações em razão do sexo, raça, origem étnica, religião e crença, deficiência, idade ou orientação sexual. Segundo inquérito realizado em 1997, essa necessidade de combate às discriminações têm razão de ser: a xenofobia atingiu um nível alto, com 33% dos inquiridos descrevendo-se abertamente como “bastante racistas” ou “muito racistas”. Estas pessoas que se declaram racistas estão mais descontentes com as suas condições de vida do que a restante população. Essa preocupação exposta por uma parcela da população autóctone se referia diretamente à ainda associação da imigração com a busca de melhores condições de vida em terras estrangeiras. Mais de dez anos depois, outra pesquisa realizada pela CIS-OBERAXE em 2008 sobre a que as pessoas associavam a imigração, os resultados da pesquisa revelou que os termos pobreza e gente sem dinheiro foram as mais utilizadas, juntamente com desespero, necessidade, buscar uma vida melhor, delinquência, insegurança, invasão.
Apesar disso, coexistem fortes convicções favoráveis ao sistema democrático e ao respeito pelos direitos e pelas liberdades fundamentais dos imigrantes, segundo Fôlgoa, Palma e Pessoa (2000). Para tais autores, a maioria dos inquiridos considera que
a sociedade deve ser integradora e conceder igualdade de direitos a todos os cidadãos, incluindo os imigrantes legais e os pertencentes a grupos minoritários.
No entanto, as opiniões dividem-se quando se pergunta se todos os membros das minorias devem se beneficiar destes direitos em todas as circunstâncias, pois muitos estão de acordo em limitar os direitos dos membros de minorias, considerados “causadores de problemas”, isto é, os imigrantes em situação ilegal na União Europeia, os autores de delitos e desempregados.
Em consonância com ambiguidade que o tema suscita, diversos estudos foram desenvolvidos, buscando entender melhor a temática da imigração. Moleros, Navas e Morales (2001) afirmam que em termos gerais, as atitudes em relação à imigração na Espanha parecem favoráveis, no entanto, quando as pessoas são convidadas a refletir sobre as implicações econômicas provenientes da imigração, as atitudes se mostram mais negativas.
Oliveira, Herranz, Techio e Paéz (2005) analisaram diferentes indicadores de atitude anti-imigração e preconceito contra os imigrantes, a partir de perspectivas clássicas sobre atitudes intergrupos, e destacaram fatores psicossociais explicativos do preconceito como: o conflito real por recursos escassos e a ameaça percebida, a ameaça simbólica, os estereótipos negativos, a ansiedade com o contato com grupos diferentes e valores culturais autoritários e normativos.
Em linhas gerais, a ameaça realística se dá frente a situações de competição real por recursos escassos, como por exemplo, emprego, terra, poder. A ameaça simbólica refere-se à visão de mundo do grupo e como ele se diferencia de outros em termos de moral, normas, valores, padrões. Assim, seria uma manifestação de preconceito etnocêntrica baseada proteção das crenças que subjaz o sistema de valores do grupo (Stephan et. al., 1998). Estudos recentes realizados sobre a percepção de
justiça e atitudes para com os imigrantes reforçam a ideia de que ameaça realística pode de fato suscitar atitudes de preconceito contra o grupo com o qual se compete (Rodriguéz, Willis, Brambilla & Rodríguez- Bailón, 2013).
Dados mais recentes apontam a imigração como responsável pela perda do poder aquisitivo do trabalhador autóctone e da perda de valor de algumas profissões, como por exemplo, trabalho com obras e construção, cuidadores (de idosos), pela presença majoritária de imigrantes (CIS, 2008). Resultados do Barômetro de abril de 2012 confirmam esses dados e indicam que a imigração é apontada como sendo um dos temas que mais causam preocupações para os espanhóis atualmente. Quando perguntados sobre a opinião pessoal em relação ao principal problema na Espanha atualmente, a imigração aparece em quarto lugar, atrás apenas do desemprego, problemas de ordem econômica e partidos políticos e política. Quando perguntados sobre qual problema os afeta mais pessoalmente, a imigração aparece entre os dez principais problemas.
2.6. Marroquinos e ciganos no cenário das minorias sociais na Espanha: breve