31.12.2020 Bağımsız Denetim Raporu
TMS 1 ve TMS 8 önemlilik tanımındaki değişiklikler;
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O estudo I utilizou-se da técnica da lista de adjetivos (checklist), inaugurada por Kartz e Braly na década de 1930, para analisar os cinco adjetivos consideramos como mais característicos para cinco grupos no Brasil e cinco grupos na Espanha. No entanto, os estereótipos não se fundamentam em apenas uma lista de características atribuídas pelas pessoas, mas, sobretudo, nas explicações subjacentes que unem esses adjetivos. Através dos resultados obtidos, é possível perceber aproximações ideológicas sobre quais são as características preferencialmente associadas aos grupos considerados majoritários e àqueles considerados minoritários, tanto pela escolha dos adjetivos, quanto pela “não escolha”, expressa pela contra imagem.
No Brasil, aos negros e aos nordestinos – grupos considerados minoritários – foram atribuídos os mesmos adjetivos: alegre, batalhador, trabalhador, simpático, sonhador. Da mesma forma. para as duas temáticas, esses mesmos adjetivos se repetiram para o grupo nacional. Deste modo, parece haver uma identificação aparente
entre as características atribuídas aos brasileiros com as atribuídas aos grupos minoritários. Por outro lado, os adjetivos inteligente, independente e civilizado foram utilizados apenas para descrever os brancos e os sulistas, grupos considerados majoritários.
Enquanto no Brasil, o grupo nacional foi avaliado de forma semelhante aos grupos minoritários, na Espanha observou-se uma distinção nitidamente marcada entre todos os grupos avaliados. Na comparação entre espanhóis, ciganos e marroquinos, os adjetivos associados aos espanhóis – considerados como grupo majoritário na temática étnica – não coincidiram com nenhum adjetivo associado aos dois grupos. Para essa comparação, os adjetivos atribuídos aos espanhóis foram buena gente, alegres, vividores, orgullosos, juerguistas. Aos ciganos e aos marroquinos foram associados aos adjetivos machistas, pobres, cerrados, tradicionalistas e religiosos.
Quando comparados aos andaluzes e catalães, aos espanhóis foram atribuídos os mesmos adjetivos utilizados na temática étnica, no entanto, houve uma aproximação entre àqueles e os atribuídos aos andaluzes. Os andaluzes foram descritos como buena gente, hospitalarios, alegres, graciosos e vividores. Já aos catalães foram atribuídos os adjetivos competentes, tacaños, cerrados, orgullosos e nacionalistas.
Considerando as especificidades da escolha destes, tem-se em estudos anteriores (Camino et.al., 2001; Fiske et. al., 2002; Gonzaléz, 2001; Lima, 2004; Moya, 1994; Zárate, Garcia, Garza & Hitlan, 2004) uma tentativa de compreensão e classificação dos adjetivos, com base na semântica e na valorização social distinta que se aplica a cada um deles. Deste modo, para estudos posteriores, é importante ressaltar a diferença entre adjetivos serem considerados enquanto positivos, e dentre esses, quais são os mais valorizados socialmente. No entanto, é possível observar que houve, nos dois países, a
tendência em atribuir aos grupos considerados majoritários características tidas como instrumentais, que se referem à competência e a sucesso profissional, como por exemplo, “inteligente”, “competentes”, “independente”, “rico”.
Outro ponto comum entre Brasil e Espanha, se refere aos resultados atribuídos à temática regional. Podemos verificar que, em acordo com Gonzaléz (2001), as dimensões adquiridas através dos estereótipos regionais se organizaram de uma forma muito semelhante aos eixos por ele definido como rural/urbano e atrasado/moderno. Assim, tem-se que no Brasil, os nordestinos e na Espanha os andaluzes, se situariam nos eixos “rural” e “atrasado”, do mesmo modo que os sulistas e os catalães estariam nos eixos “urbano” e “ moderno”.
No que se refere à descrição dos conteúdos autoclassificatórios, em ambos os países houve a confirmação do favoritismo endogrupal, que segundo Tajfel (1982), da comparação grupal não resulta necessariamente em avaliação negativa do outro grupo, mas sim em uma tendência a avaliar mais positivamente o próprio grupo. Os participantes tanto no Nordeste quanto no Sul atribuíram uma maior porcentagem de adjetivos positivos para caracterizar o próprio grupo, da mesma forma que os andaluzes e os catalães na Espanha. No entanto, a comprovação estatística através dos testes da ANOVA para Medidas Repetidas asseverou esses resultados apenas para amostra brasileira.
Os resultados dos testes estatísticos para a temática étnico –racial nos dois países apresentam padrões distintos. Enquanto no Brasil, há um mascaramento do racismo, sob a justificativa forjada de igualdade, na Espanha, os imigrantes marroquinos e ciganos são abertamente percebidos como estrangeiros à formação cultural espanhola e ambos os grupos obtiveram baixas médias no que concerne à atribuição de adjetivos positivos
em todas as Comunidades Autônomas. Esses dados não são necessariamente bons, no entanto, sabê-los torna mais fácil o combate e a prevenção de atitudes etnocêntricas e discriminatórias.
Por outro lado, os resultados para a temática racial no Brasil indicaram uma diferença estatisticamente significativa em função da média de atribuição de adjetivos positivos, sendo os negros avaliados de forma mais positiva que os brancos. Esses resultados vão ao encontro às novas expressões do racismo, uma vez que pelas normas antirracistas, o racismo se revelaria não mais pela atribuição de traços negativos, mas sim pela negação de traços positivos (Lima, 2004; Pettigrew & Meertens, 1995; Vala, Lopes & Brito). Entretanto há de se assumir que esses resultados podem ter sido dados em função da norma da desejabilidade social, uma vez que ficou clara a comparação entre os grupos neste estudo.
No próximo estudo, passaremos a avaliar o conteúdos dos estereótipos, a partir do método da associação livre de palavras. Deste modo, analisaremos os dados fornecidos por uma nova amostra de estudantes no Brasil e na Espanha, com a finalidade de observar se há semelhanças com os resultados aqui encontrados.
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ESSTTUUDDOOIIII::““EEVVOOCCAANNDDOOOOSSOOUUTTRROOSS””DDOOBBRRAASSIILLEE
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3.2. “Evocando os outros” do Brasil e da Espanha 3.2.1. Método
O estudo II tem como objetivo analisar o conteúdo dos estereótipos através das representações sociais dos grupos considerados majoritários e daqueles considerados minoritários no Brasil e na Espanha, por meio de associação livre de palavras, evocados a partir das palavras indutoras: “brasileiros”, “negros” e “brancos”, “nordestinos” e “sulistas” no Brasil e das palavras indutoras “españoles”, “gitanos” e “marroquís”, “andaluces” e “catalanes”, na Espanha.
A teoria das representações apresentou-se como sendo teorias do senso comum, uma vez que tem como objetivo tornar familiar algo que conceitualmente nos é distante, através dos processos de ancoragem e objetivação (Farr, 1995; Moscovici, 2003). Trata-se então de uma abordagem psicossociológica sobre como se constrói o pensamento social (Álvaro & Garrido, 2006; Camino, 1996; Chaves & Silva, 2011).
Deste modo, essa teoria se constitui enquanto construção do conhecimento social, e sendo assim, o preconceito compreendido como pensamento social e como um fenômeno nascido no interior das relações intergrupais, pode ser analisado em suas dimensões cognitivas, afetivas, avaliativas e simbólicas, a partir do modo como o conhecimento sobre os grupos são organizados em termos de imagens e conceitos e como estes estão vinculados ao comportamento das pessoas.
No terreno das R.S, a teoria do Núcleo Central, proposta por Jean Abric em 1976, é uma abordagem estrutural cujo cerne apoia-se na ideia de que as representações podem ser hierarquizadas em torno de um sistema central e um sistema periférico. Esses sistemas são complementares e correspondem, respectivamente, ao conteúdo estável e ao conteúdo flexível das representações.
Em linhas gerais, a abordagem estrutural da Teoria do Núcleo Central é complementar a teoria das representações sociais e sustenta que toda representação social se organiza em torno de um sistema central e de um sistema periférico. Segundo Sá (1996), o sistema central é o onde se situa o núcleo central - lócus hierarquicamente mais importante da representação social. O núcleo central estaria ligado à memória coletiva e a história do grupo, por conter elementos consensuais, estáveis e mais permanentes, sendo menos passíveis de mudança. Estes também determinariam o comportamento do sujeito em relação ao objeto da representação social.
Já no sistema periférico haveria a integração de elementos provenientes de experiências e histórias individuais. Para Sá (op. cit.), o sistema periférico tem um caráter funcional, por ser mais sensível ao contexto imediato, tem funções de regulação e de adaptação e serve de proteção para o sistema central. Deste modo, na prática, os elementos centrais seriam aqueles mais acessíveis à nossa memória evocativa, e os elementos periféricos, menos acessíveis, porém, importantes para dar sentido a representação.
Em resumo, o sistema central corresponde às ideias mais recorrentes e acessíveis à memória coletiva do grupo, e sendo assim, representa as representações consensuais e homogêneas. Por ser consensual, o sistema central abriga as ideias estáveis e mais resistentes à mudança, enquanto o sistema periférico permite a integração de representações contraditórias e seu conteúdo é flexível e mais heterogêneo.
A teoria do Núcleo Central nos permite conhecer hierarquicamente de que forma estão organizados os conteúdos das representações, e precisamente nesse estudo, avaliar os conteúdos centrais e os conteúdos periféricos dos grupos aqui estudados. Para a análise da estrutura representacional dos grupos, utilizou-se o software EVOC 2000,
desenvolvido por Vergès (2003). O programa realiza a distribuição do conjunto de palavras – respostas através da combinação dos critérios de frequência de evocação e ordem média de evocação de cada palavra e a com isso, possibilita a configuração daquelas que possivelmente pertencem ao núcleo central da representação e do sistema periférico. Assim, são a partir desses critérios que são definidos quatro quadrantes que conferem diferentes graus de centralidade as palavras que os compõem (Sá, 2002).
Embora se assuma aqui não termos a intenção de uma análise dos estereótipos baseada estritamente na teoria das representações sociais, a Teoria do Núcleo Central se mostra metodologicamente coerente com os objetivos desta tese, uma vez que compreende a importância das representações e de sua função simbólica da construção do real. As hipóteses específicas deste estudo orientam a busca de resultados em função do método proposto deste estudo II.
Hipótese 1: Em relação ao conteúdo dos estereótipos raciais no Brasil, espera-