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Görme Engelli Kişinin Yönelim ve Bağımsız Hareket Teknikleri

3.4 Görme Engelli Kişinin Mekan Okuması

3.4.1 Görme Engelli Kişinin Yönelim ve Bağımsız Hareket Teknikleri

Ao se fazer a discussão sobre os princípios da educação soviética um elemento importante é o trabalho. O trabalho como princípio educativo permeia toda a experiência das obras de autores soviéticos. Pistrak inclusive escreveu um livro dedicado a essa discussão chamado Escola do Trabalho, no qual ele argumenta como devem ser desenvolvidas ações que envolvam o trabalho desde a infância e que este permite comportamento de auto-organização que é um elemento importante no fortalecimento do coletivo.

O significado do trabalho que alia teoria e prática se concretiza por meio do trabalho produtivo, ou seja,

O trabalho como princípio educativo também não poderia ser tomado como concepção abstrata. Para Makarenko o trabalho deveria fazer parte de um sistema geral da coletividade, separado do estudo, como trabalho produtivo. A vida escolar deveria ser capaz de atender à necessidade geral do coletivo e a cada uma das necessidades particulares das crianças. (LUEDEMANN, 2002, p. 26).

Ao falar do trabalho como um elemento que educa ele deve tocar na realidade dos sujeitos, assim este é um elemento central do processo pedagógico, e não se limita aos ambientes institucionalizados (como a fábrica, a escola) ele se estende a

todas as instituições de organização social, entre elas a família. Makarenko inclusive expõe o papel que a família tem na formação dos sujeitos dessa nova sociedade por meio de Conferências sobre a Educação Infantil. Nessas palestras, ele mostra o papel dos pais no planejamento da educação dos filhos. Os pais são membros de uma sociedade sem classes, mas se a educação dos pequenos seguir a moda antiga do antigo regime de nada adianta uma nova organização fora do ambiente familiar. A nova educação familiar deve formular objetivos e programas precisos na tarefa educativa, e isso significa entender que a criança não é um mero instrumento de alegria dos pais, mas ela é um futuro cidadão dessa nova sociedade e necessita ser educada no seu lar por meio do trabalho. No que se refere ao trabalho no ambiente familiar este autor coloca a importância do jogo na vida da criança, pois este é semelhante à atividade de trabalho e de emprego do adulto. Para Makarenko:

A atuação do homem em suas diferentes atividades reflete bastante a maneira como se comportou nos jogos durante a infância. Daí que a educação do futuro cidadão se desenvolva antes de tudo no jogo. Toda a história do homem nas diversas manifestações de sua ação pode ser representada pelo desenvolvimento do jogo na infância e em seu trânsito gradativo para o trabalho. Essa transição é muito lenta. (MAKARENKO, 1981, p.47)

Percebe-se que existe uma preocupação desde a infância de forma gradativa apresentando à criança o papel que ela tem enquanto construtora e quais os valores que ela deve ter, pois por meio do jogo a criança inicia um trabalho em coletividade e assim resolve problemas referentes àquele trabalho ali desenvolvido e esse fator educa. Esse elemento que se coloca no ambiente familiar tem a finalidade de promover a valorização do trabalho social, pois como expõe Makarenko:

Os pais devem lembrar antes de tudo que o filho será membro de uma sociedade de trabalhadores, e que seu desempenho nessa sociedade e seu valor como cidadão dependerão exclusivamente do grau de sua participação no trabalho social, de sua capacitação para o trabalho. [...] Sabemos que, por natureza, todos os indivíduos têm propensões aproximadamente iguais para o trabalho, mas, na vida real, uns trabalham melhor que os outros; enquanto somente alguns são capazes de realizar tarefas muito simples, outros podem efetuar as mais complexas, e consequentemente as de mais valor. Essas diferentes capacidades de trabalho não são inatas, forma-se no curso da vida e em especial durante a juventude. (MAKARENKO, 1982, p. 57)

Por essa citação percebe-se o papel central que o trabalho assume na formação dos sujeitos da URSS, significando assim ter o trabalho como uma atividade criadora,

até mesmo pelo o entendimento que este tem na sua totalidade, pois cria a riqueza social assim como amplia a cultura do país. Busca-se com essas ações que os homens e mulheres do novo país socialista tivessem na sua prática atitudes coletivas, pois ao se ter amor e entender o trabalho como um bem comum, reforça- se o trabalho para toda a coletividade que estes pertencem. O trabalho na perspectiva soviética permite ao homem se ver enquanto indivíduo pertencente a um coletivo, onde cada um tem seu papel e sua função buscando um fim comum.

Pistrak ao dissertar sobre a importância do trabalho como elemento de auto- organização e formação humana no seu aspecto prático e teórico expressa de forma mais contundente como o trabalho, no espaço escolar, é de grande importância, por ser um espaço que de forma sistemática e explícita ensina comportamentos, ideais que são valorizados socialmente. Mas a escola não é um fim absoluto, e nem pode ter finalidades educacionais absolutas, pois ela é reflexo de seu tempo. Além disso, essa instituição está a serviço das necessidades de um regime social determinado e isso a justifica como sendo um instrumento importante do Estado. Esse papel que a escola exerce é assim um fortalecedor à teoria desenvolvida nesse período sobre as funções que o trabalho tem na formação do novo homem que tem como princípios: a relação com a realidade atual e a auto-organização dos educados. O trabalho não é só um ato de fazer algo por fazer, ele é elemento integrante da relação da escola com a realidade atual e promove assim a fusão entre ensino e educação. O espaço escolar estuda o trabalho, mas:

Não se trata de estudar qualquer trabalho humano, qualquer tipo de dispêndio de energias musculares e nervosas, mas de estudar apenas o trabalho socialmente útil, que determina as relações sociais dos seres humanos. Em outras palavras, trata-se aqui do valor social do trabalho, como já foi referido acima, isto é, da base sobre a qual se identificam a vida e o desenvolvimento da sociedade. O programa fala apenas do estudo do trabalho humano. Mas isto não significa estudar exclusivamente o trabalho exterior à escola, o trabalho dos adultos; se a escola ficar nesses limites, não recolherá nenhum benefício do valor educativo do trabalho; é preciso modificar essa concepção, e a modificação necessária pode ser formulada da seguinte forma: na base do trabalho escolar devem estar o estudo do trabalho humano, a participação nessa ou naquela forma de trabalho, e o estudo da participação das crianças no trabalho. (PISTRAK, 2003, p. 50)

A visão de Pistrak se assemelha a de Makarenko ao colocar que o trabalho deve ser produtivo, e que ele deve ser ensinado desde tenra idade com a finalidade de formar o novo homem com valores que despertem uma prática coletiva no indivíduo, pois:

A vida coletiva ainda é uma coisa de realização bastante difícil para nós. Entretanto, é claro que essa aptidão é agora particularmente necessária porque significa não apenas uma melhoria das condições atuais de vida, mas também a possibilidade de começar um novo modo de vida. Se quisermos desenvolver a vida coletiva, os restaurantes coletivos, os clubes, etc., devemos formar entre os jovens não somente a aptidão para este tipo de vida, mas também a necessidade de viver e trabalhar coletivamente na base da ajuda mútua, sem constrangimentos recíprocos. Este é o único terreno que podemos escolher se quisermos obter resultados positivos na luta que se trava por um novo modo de vida. O costume de viver coletivamente pode e deve ser formado entre as crianças tendo como base as tarefas domésticas coletivas, desenvolvendo-se entre elas o sentimento e a compreensão da necessidade e da utilidade sociais destas tarefas: é preciso que as crianças percebam o grande papel social desempenhado por todos estes pequenos hábitos na transformação do conjunto de nossa vida. (PISTRAK, 2003, p. 55)

Essa análise do trabalho como instrumento de construção e valorização da vida social é apresentada por Saviani (2011) ao colocar que para Krupskaia:

A Escola deve desenvolver, por todos os meios, a compreensão e a valorização da vida social. Desenvolver práticas de trabalho coletivo e de autogestão. Contribuir para a formação de uma moral nova (interesses gerais acima dos particulares). Preparar a jovem geração para valorizar e realizar tanto o trabalho manual quanto o intelectual. (SAVIANI, 2011, p. 32)

Percebe-se assim que existe a preocupação que o trabalho produtivo se alie ao estudo. No caso da URSS existia nesse contexto, uma inquietação no sentido que a educação politécnica, responsável por formar profissionais com uma base sobre os conhecimentos gerais, entendesse a produção no seu conjunto, ou seja, conhecer todo o processo produtivo de uma fábrica. Esse conhecimento não deveria surgir no momento que os estudantes têm de forma organizada acesso a eles, ou seja, na escola, mas desde a infância era necessário se ter uma formação baseada nesses pressupostos. Krupskaia entendia que é

Fundamental nessa formação é garantir a compreensão do surgimento e do desenvolvimento da indústria moderna, em seus vários ramos e nas suas múltiplas relações. A indústria têxtil, por exemplo. O que cabe à escola? “Não ensinará a tecer ou fiar à mão ou com máquinas” – diz a autora – mas aquilo “que é necessário saber sobre a produção” (p.164). Assim, deve garantir o estudo do papel da indústria têxtil na economia do mundo inteiro e na do país – seu desenvolvimento histórico (desde as formas artesanais às manufaturas e às maquinarias recentes, na grande indústria). Quanto às especificidades dessa produção na URSS, ensinar: onde se localizam as fábricas; matérias primas utilizadas (linho, algodão, lã, seda) e onde/como são produzidas; características dos métodos de produção e perspectivas de seu aprimoramento; profissões/tarefas envolvidas nessa produção, condições de desempenho e necessidades formativas; organização do trabalho nas fábricas – na produção têxtil e em outras – e sua relação com a organização do trabalho em geral; condições de trabalho (seguridade,

remuneração, jornada); trabalho infantil e trabalho da mulher; história e desenvolvimento atual do movimento operário e sindical (na URSS e nos países capitalistas); relações internacionais. (Cf. KRUPSKAYA, s/d, 164- 165). (SAVIANI, 2011, p. 33)

Os elementos apontados nesse tópico se entrelaçam com a construção do coletivo, elemento que trataremos no ponto a seguir.

Benzer Belgeler