in loco, ou seja, nas empresas de vínculo dos segurados. Já a avaliação de compatibilidade das funções indicadas pelas empresas para a reinserção dos segurados é mais abrangente, podendo ser realizada com a análise de posto de trabalho, mas também de outras maneiras, como por meio de relatórios de descrição das atividades enviados pelas empresas.
Nas entrevistas, verificou-se que o formulário para Análise de Posto de Trabalho – um dos anexos do Manual Técnico de Atendimento na Área de Reabilitação Profissional de 2005 (e que foi retirado do mesmo em sua edição de 2011) vinha sendo utilizado pelas terapeutas ocupacionais para embasar sua análise de postos de trabalho, não ocorrendo o preenchimento completo desse instrumento pelas entrevistadas. Para tanto, elas também lançam mão dos conhecimentos que possuem acerca da análise de atividade e de conhecimentos sobre análise de posto de trabalho, presentes na terapia ocupacional e em áreas como a Ergonomia e adquiridos em sua formação profissional na graduação, pós-graduação e/ou nas experiências profissionais.
A gente tem uma identidade muito forte com a questão da análise de posto, (...) isso deveria ser só nosso (...). TO, se fizer Ergonomia, tem a visão muito mais aberta. Acho que a gente tem isso na nossa formação, pela análise de atividade, não estou nem falando por uma disciplina ‘Saúde do Trabalhador’,
Avaliação do potencial laborativo Formulação do ofício de readaptação profissional Análise de posto de trabalho Avaliação de compatibilidade da nova função Investigação de interesses em nova área profissional Atendimentos aos segurados/retorno ao trabalho Treinamento de reabilitação profissional nas empresas Cursos de capacitação profissional
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 5 2 23 10 4 6 6 3
Gráfico 16 - Ações consideradas como devendo ser exercidas somente pelas terapeutas ocupacionais, em número de citações
estou falando pela nossa formação de base mesmo, isso é muito próprio da TO (E2, p. 21).
Conforme os dados apresentados nos gráficos 14, 15 e 16, nota-se que a terapia ocupacional atua de maneira significativa na análise de posto de trabalho, enxergando nessa ação desenvolvida pelo Programa uma forte especificidade da profissão, bem como na avaliação de compatibilidade das funções indicadas pelas empresas. Nos relatos das entrevistadas, percebe-se que tais ações são geralmente desenvolvidas em conjunto com os médicos peritos.
Quanto à participação dos segurados, eles podem ou não estar presentes no momento de avaliação do posto de trabalho e fornecer elementos para a avaliação de compatibilidade da função. O que se observa, no entanto, é que essa definição costuma ser realizada pela equipe do Programa, mesmo quando há a participação dos segurados durante todo esse processo, visto que costuma ser priorizada, conforme dados do gráfico 17, a adequação das atividades às suas limitações físicas/funcionais. Podem ser desenvolvidas novas estratégias quando as atividades não ficam claras aos segurados ou lhes geram insegurança, como visitas dos segurados para conhecer as atividades na empresa, telefonemas dos responsáveis pela orientação profissional para esclarecimentos de dúvidas, rediscussões da equipe sobre as atividades oferecidas pelas empresas, orientações aos segurados, construção junto aos segurados de ações para enfrentamento da situação de retorno ao trabalho, dentre outras.
A análise do posto de trabalho constituiu-se como ação fundamental para o reconhecimento da importância da terapia ocupacional no Programa de Reabilitação Profissional, sendo um dos componentes principais para se justificar a contratação de 183 novos terapeutas ocupacionais nos anos de 2008 e 2010, conforme colocado por Struffaldi (2011).
Com relação aos aspectos considerados pelas equipes para a avaliação de compatibilidade das funções indicadas pelas empresas, tem-se:
Quando questionadas se é priorizada a tentativa de retorno dos segurados ao trabalho em sua função habitual, 51,3% das participantes referem existir essa prioridade. As entrevistadas consideram que a forma ideal de se avaliar as funções seria através da ida à empresa para análise de posto de trabalho, em todos os casos. Como isso nem sempre ocorre na prática profissional, adotam-se outras formas de realização dessa avaliação, tais como o envio de fotos do posto de trabalho e de relatórios de descrição das atividades pelas empresas e a descrição das atividades pelos segurados, quando eles as conhecem a partir das experiências profissionais anteriores em suas empresas de vínculo.
A gente avalia (...) como é, para a pessoa, fazer aquilo, e às vezes a descrição da empresa é suficiente para a gente avaliar. Às vezes a pessoa conhece o posto de trabalho, então também ajuda a gente a entender. (...) Ideal mesmo seria a gente poder se deslocar para toda empresa, (...) alguém fazendo aquela atividade lá e até avaliar o próprio segurado (...) pelo menos uma vez durante o treinamento (E4, p. 11).
Pode-se constatar, com as entrevistas, que tem havido um esforço para a ampliação tanto dos aspectos a serem considerados para analisar se uma função é realmente compatível a determinada pessoa, quanto da consideração das opiniões e questões dos segurados nessa definição, como se vê nos relatos abaixo:
Qualquer dúvida que tenha com relação à análise do posto de trabalho (...), eu tento conversar com a empresa (...). E a visita mesmo, se não esclarece, e de teimar também com o médico para que ele entenda o porquê da gente estar vendo outras coisas (E4, p. 12).
As questões físicas, as questões cognitivas e a condição emocional da pessoa. (...) eu saí desse posto certa de que ela tinha condições cognitivas e
físicas e falei para o médico “olha, não vai dar certo, porque ela está muito revoltada” (E2, p.14).
Tal ampliação se constitui em um importante desafio, visto que para o Instituto, a concessão do benefício de auxílio-doença – como sua própria nomenclatura explicita – é devida aos segurados que estão comprovadamente impossibilitados de exercerem suas atividades habituais de trabalho por motivo de doença ou de sequelas de acidentes, não havendo o devido espaço para questões de outras ordens. No caso da Reabilitação Profissional, destinada prioritariamente aos segurados que estão recebendo essa modalidade de benefício, o motivo que leva ao encaminhamento deles ao serviço é sempre referente à redução da capacidade laborativa pelos motivos acima citados; no entanto, as terapeutas ocupacionais colocam a necessidade de que sejam levados em conta outros aspectos que com eles interagem e que podem ser igualmente determinantes do processo de retorno ao trabalho, como as intercorrências sociais, as dificuldades impostas pelo mercado de trabalho, dentre outros.