4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.1. Göller Bölgesinde Derlenen Yerel Kavun Genotiplerinin Bazı Morfolojik
4.1.5. Göller bölgesinde derlenen yerel kavun genotiplerinin kalitatif özellikler
A mudança no padrão de desenvolvimento do Brasil foi um dos principais eixos que orientaram o governo FHC e, considerando que a Constituição de resguardava grande parte desse modelo, pode‐se afirmar que o seu governo empenhou‐se na aprovação de uma série de emendas constitucionais visando implementar mudanças na Carta. Explica‐se.
O ordenamento institucional brasileiro está alicerçado na constitucionalização das políticas públicas, uma vez que há na Constituição Federal uma série de dispositivos que se assemelham mais à esfera das políticas públicas policy do que propriamente a princípios constitucionais polity . Assim, quando os governantes pretendem implementar suas plataformas de governo, eles se deparam com a necessidade de alterar o ordenamento constitucional, uma empreitada nada simples, visto que a aprovação de uma emenda constitucional requer / dos votos em dois turnos de votação em ambas as casas legislativas. Essa característica do ordenamento institucional brasileiro se traduz na necessidade de construção de maiorias congressuais, tarefa
laboriosa diante de um regime presidencialista multipartidário e bicameral COUTO, , p. ; COUTO & ABRUCIO, , p. ; COUTO & ARANTES, , p. .
Couto & Arantes, em estudo realizado em , verificaram que , % dos dispositivos integrantes das emendas constitucionais aprovadas durante os anos de governo de FHC referiam‐se a políticas públicas. No seu primeiro mandato, apenas duas entre dezesseis emendas constitucionais aprovadas se caracterizavam como princípio constitucional, por se referirem a assuntos vinculados à organização política do Estado emenda referente à criação de novos municípios e emenda número relativa ao instituto da reeleição para cargos executivos . As demais emendas relacionavam‐se à implementação da agenda de reforma do governo, abordando temas econômicos, da reforma administrativa, da política fiscal e de política social neste último caso houve apenas uma emenda, a de número , de , que criou o Fundo de Desenvolvimento da Educação Fundamental COUTO, , p. ; COUTO & ABRUCIO, , p. .
Entre as mudanças constitucionais de cunho liberal moderado cf. Sallum Jr, implementadas destacam‐se, particularmente, a permissão de participação do capital privado em setores que eram definidos constitucionalmente como monopólios estatais setores de gás canalizado, telecomunicações e petróleo e a abertura da economia à participação do capital estrangeiro. Essas mudanças eram essenciais para conduzir os objetivos da agenda de governo de liberalização econômica e de privatizações. De fato, o governo FHC empreendeu um enorme programa de privatizações e de concessões. Com isso, já em seu primeiro mandato, FHC inaugurou um novo modelo da relação Estado‐ mercado no Brasil, pautado no que Sallum Jr a, p. denominou liberalismo econômico moderado , pois as medidas conduzidas visavam a reduzir a participação do Estado nas atividades econômicas, dando prosseguimento à bandeira política de rompimento com o legado varguista.
O setor bancário também passou pelo processo de privatização, mas este movimento ocorreu diante das negociações das dívidas estaduais, ponto central que pautou as
COUTO, Cláudio Gonçalves & ARANTES, Rogério Bastos. , ¿Constitución o políticas públicas? Una evaluación de los años FHC , in Vicente Palermo, Política brasileña contemporánea: de Collor a Lula em años de transformación, Buenos Aires, Siglo Veintiuno Editores.
relações entre União e Estados no primeiro mandato de FHC COUTO & ABRUCIO, , p. .
Vale mencionar ainda que, em , no segundo mandato de FHC, é aprovada pelo Congresso a Lei de Responsabilidade Fiscal, formulada com o objetivo de criar regras para o controle de gastos e o endividamento dos estados e municípios. Entre suas medidas deve‐se destacar o limite de gastos com o funcionalismo público a remuneração não deveria ultrapassar % das receitas correntes e limite para o endividamento dos entes federativos.
Mudanças constitucionais também foram conduzidas com o propósito de implementar a chamada Reforma Gerencial do Estado , conduzida pelo Ministério da Administração e Reforma do Estado MARE e capitaneada pelo Ministro Luiz Bresser‐Pereira, objetivando reorganizar a administração pública federal, conferindo‐lhe maior profissionalismo e eficiência. As emendas constitucionais nº e nº introduziram os princípios da eficiência entre as diretrizes do direito administrativo, estabeleceram limites para o gasto com o funcionalismo e promoveram alterações na rigidez e inadequação do Regime Jurídico Único. É neste sentido que se assiste a um fortalecimento das carreiras de Estado e a uma melhora nas informações da administração federal ABRUCIO, , p. .
Outras medidas relevantes, além das conduzidas pelas reformas constitucionais, foram empreendidas ainda em seu primeiro governo e assinalaram uma nova relação entre Estado e mercado. Entre elas destacam‐se a aprovação de lei complementar para regular as concessões de serviços públicos para a iniciativa privada, a preservação do programa de abertura comercial e a aprovação de lei de proteção aos direitos autorais e propriedade intelectual, conforme orientações do Acordo Geral de Tarifas de Comércio
GATT SALLUM JR, , p. .
Sallum Jr a explica que a estratégia de substituição do antigo nacional‐ desenvolvimentismo por uma orientação liberal de desenvolvimento promoveu um redirecionamento do Estado na sua relação com setores socioeconômicos, marcando definitivamente, uma nova relação entre Estado e mercado. O setor financeiro foi beneficiado com a política econômica que privilegiou juros altos e o câmbio sobrevalorizado. As privatizações e as concessões dos serviços públicos representam a
mudança de direcionamento nas funções do Estado, que diminuiu suas funções empresariais e ampliou suas funções de controle e regulação a criação das agências reguladoras setoriais demonstra esta tendência , o BNDES diversificou os setores econômicos atendidos, oferecendo linhas de crédito para além da indústria – a prioridade do nacional‐desenvolvimentismo. Passaram a ser financiadas atividades comerciais, de turismo, de serviços, as empresas estrangeiras e o setor agrícola.
É neste sentido que a agricultura empresarial também foi grande foco de atenção na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Atentos ao mercado internacional e ao forte potencial de exportação dos produtos agrícolas, o governo empenhou‐se em aprovar medidas de apoio à competitividade, reformulando os instrumentos tradicionais de política agrícola, criando, assim, condições para a ampliação dos investimentos. Houve a renegociação das dívidas dos agricultores redução dos juros e ampliação dos prazos , assistiu‐se à reforma do sistema de seguro agrícola, foi dada isenção do ICMS para os equipamentos destinados à agricultura e exportações agrícolas. Investiram‐se também em obras de infraestrutura destinadas a melhorar o escoamento dos produtos agrícolas e houve a ampliação dos programas de desenvolvimento tecnológico e de extensão rural SALLUM JR, , p. ; COELHO, , p. . No campo do comércio internacional, questões agrícolas e de combate ao protecionismo norte‐americano e europeu foram o foco da agenda diplomática comercial SALLUM JR, , p. .
Em paralelo ao apoio à agricultura empresarial, o governo de Fernando Henrique Cardoso desenvolveu um importante programa de reforma agrária, no âmbito da criação, em , do Ministério Extraordinário de Política Fundiária, pressionado por movimentos organizados da sociedade civil, em particular o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem‐Terra MST , a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTAG e a Igreja Católica, por meio da Comissão Pastoral da Terra CPT . Como afirma Sallum Jr a , as mudanças na orientação do Estado foram tão profundas que romperam um dos parâmetros básicos da velha aliança nacional‐
Em termos de acontecimentos políticos, para além da pressão dos movimentos populares, dois acontecimentos com grande repercussão nacional e internacional marcaram o período e influenciaram a criação do Ministério Extraordinário de Política Fundiária: os massacres de agricultores sem terra em Corumbiara, Rondônia em e em Eldorado de Carajás, no sul do Pará em .
desenvolvimentista: a propriedade agrária deixou de ser intocável SALLUM JR, , p. .
Com o programa da reforma agrária ampliou‐se a taxação sobre as terras improdutivas alterou‐se o Imposto Territorial Rural com a introdução de sobretaxas para terras improdutivas , aumentou‐se o poder de intervenção do poder público na estrutura fundiária e foi instituído o rito sumário nas desapropriações das terras para dificultar o uso de medidas protelatórias pelos proprietários SALLUM JR, , p. . Ademais, o programa foi responsável por promover uma série de desapropriações e assentamentos. Em termos comparativos, entre e foram assentadas . famílias; entre
e , . famílias TAVARES DOS SANTOS, apud SALLUM JR, , p.
. Por sua vez, entre e , houve o assentamento de . famílias MALIN,
, p. .
Ainda no âmbito da estruturação de políticas em prol dos pequenos produtores rurais, houve a criação, em , do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAF , a principal política pública de apoio aos agricultores familiares. O PRONAF é o resultado da reformulação, tanto em termos de abrangência como de concepção, do Programa de Valorização da Pequena Produção Rural PROVAP , criado em no Governo de Itamar Franco, com o objetivo de destinar linhas de crédito com juros acessíveis aos agricultores familiares. Como os alcances do PROVAP foram muito modestos, a criação do PRONAF veio ao encontro da demanda dos trabalhadores rurais de que fossem formuladas e implementadas políticas de desenvolvimento rural próprias para esse segmento que, por ser mais fragilizado tanto em termos técnicos como financeiros, possui dificuldades de acesso aos tradicionais mecanismos de financiamento rural MATTEI, , p. .
Com efeito, os movimentos sindicais rurais ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura CONTAG e ao Departamento Nacional de Trabalhadores Rurais da Central Única dos Trabalhadores DNTR/CUT atuaram ativamente em prol dessa causa. Entre suas principais ações, destaca‐se a promoção das manifestações em
Note‐se que os dados sobre os números de assentamentos no Brasil são polêmicos e contestados por diferentes instituições.
Brasília denominadas, na primeira metade da década de , Jornadas Nacionais de Luta e a partir de , Gritos da Terra Brasil CAZELLA et al, , p. .
Em o PRONAF deixou de ser um programa do Ministério da Agricultura onde era vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Rural passando a fazer parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA , ministério recém criado para substituir o Ministério Extraordinário de Assuntos Fundiários. Na estrutura do MDA incorporou‐se o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA , encarregado da política fundiária e de assentamentos da reforma agrária, e foi criada a Secretaria da Agricultura Familiar SAF , em substituição à Secretaria de Desenvolvimento Rural, responsável por conduzir as linhas de ação do PRONAF e demais programas ligados à agricultura familiar
CAZELLA et al, , p. .
Verifica‐se, portanto, que a gestão FHC de fato empenhou‐se em romper com o modelo nacional‐desenvolvimentista, por meio da introdução de medidas em prol da redução da intervenção direta do Estado na economia e da diversificação do apoio a setores econômicos, articulando‐se com atores políticos até então negligenciados.
A articulação com os setores da agricultura familiar e pequenos produtores aproxima‐se da vertente de cunho social‐liberal que também marcou a gestão FHC, e que representou um conjunto de medidas tomadas no âmbito das políticas sociais.
Na análise de Draibe , este leque de reformas conduzido na área social no governo FHC foi significativo, pois veio a alterar o sistema brasileiro de proteção social DRAIBE, , p. . As reformas foram concentradas na estruturação de programas focalizados e na regulação das transferências federais nas áreas da educação e saúde. De fato, uma das vertentes que nortearam a reforma social foi a introdução de novos parâmetros de alocação de recursos, recorrendo tanto ao critério per capita na definição de valores a serem repassados para Estados e municípios, como ao uso de valores diferenciados, respeitando a carência dos entes federativos DRAIBE, , p. . Costa explica que essas medidas procuravam corrigir as falhas alocativas, tornando mais precisas as definições do público beneficiário das políticas sociais e dos critérios de acesso aos benefícios destes programas COSTA, , p. .
No que tange aos programas universais, houve reformas tanto na área da educação como na saúde. Na educação, a reforma esteve restrita ao ensino fundamental e se consolidou por meio da Emenda Constitucional nº de , que criou o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério Fundef . O Fundef modificou o sistema de financiamento de ensino público do nível fundamental ao garantir recursos mínimos para a educação. Estabeleceu como critério de transferência o número de alunos matriculados nos Estados, deixando de haver diferença de gastos no ensino fundamental entre estados e municípios e entre os municípios. Definiu‐se também que pelo menos % do valor recebido pelos entes federativos deveriam ser destinados à remuneração dos professores, e que % de suas receitas anuais deveriam ser investidas em educação recursos retidos e contabilizados no Fundef ARRETCHE, , p. ; DRAIBE, , p. . A literatura aponta que o Fundef contribuiu com a municipalização do ensino .
O Sistema Único de Saúde, criado no âmbito da Constituição de , sofreu uma série de inovações na gestão FHC. Entre as principais medidas deve‐se mencionar às relacionadas à edição da Norma Operativa Básica NOB / , que promoveu a descentralização da gestão e do gasto ampliando a municipalização da saúde e a criação do Piso da Atenção Básica em substituição ao Piso de Assistência Básica que, além de ampliar a abrangência da cobertura, dividiu a transferência dos recursos em uma parte fixa e outra variável. Com isso, buscou‐se reduzir a disparidade de transferências, antes focadas exclusivamente no critério de oferta, passando‐se a considerar também o critério da demanda habitante/ano SANO, , p. . Como programas prioritários, elegeram‐se os de cunho focalizado, como o Programa Saúde da Família – Agentes Comunitários da Saúde e Programa Bolsa‐Alimentação. Outra medida de destaque refere‐se à Emenda Constitucional nº , de , que estabeleceu a vinculação de % das receitas dos Estados e de % das receitas dos municípios com gastos na saúde. Observa‐se que as medidas de aperfeiçoamento do SUS combinaram tanto a ampliação dos princípios da universalização, como critérios de focalização e redistributividade dos gastos com a saúde DRAIBE, , p. .
Note‐se que o Fundef teve vigência até , sendo substituído pelo Fundeb Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação .
No que se refere às políticas focadas no combate à fome, foi formada a Rede Social Brasileira de Proteção Social, que se apoiou na implementação do Cadastro Único mecanismo de unificação das transferências , que contemplava treze programas focalizados, coordenados por diferentes ministérios: Bolsa‐Escola MEC , Bolsa‐ Alimentação MS , Programa de Erradicação do Trabalho Infantil MAS , Programa do Agente Jovem, Bolsa‐Qualificação MT , Benefício Mensal‐Idoso MAS , Benefício Mensal‐Portadores de Deficiência MAS , Renda Mensal Vitalícia MAS , Bolsa‐Renda / Seguro‐Safra MA , Auxílio‐gás, Aposentadorias Rurais MAS , Abono Salarial PIS/Pasep
CEF , Seguro‐Desemprego MT . A seção a seguir irá discorrer sobre a dimensão tecnocrática presente na gestão de FHC, em particular nas decisões da área econômica. Todavia, esta vertente tecnocrática não esteve restrita apenas às decisões do âmbito econômico, alcançando também as decisões na área social: as transformações ocorridas no âmbito da saúde e da educação não foram acompanhadas de amplas discussões e debates envolvendo entidades da sociedade civil e dos demais entes federativos. Sano explica que as discussões sobre o Fundef ocorreram apenas no momento da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional, e não durante sua formulação SANO, , p. . Por sua vez, a edição da NOB / foi marcada pela centralização decisória do Ministério da Saúde, cuja edição foi acompanhada pela publicação de diferentes portarias que também alteraram seu conteúdo SANO, , p. .
Deve‐se observar ainda que ao lado do perfil decisório razoavelmente tecnocrático observado nas decisões na área social, a temática social não cortou diagonalmente as políticas do governo FHC, estando o tema restrito apenas à área social. Enquanto o social foi a marca do governo Lula, a temática não adquiriu esta envergadura na gestão FHC, tanto do ponto de vista político como simbólico. MEC: Ministério da Educação; MS: Ministério da Saúde; MT: Ministério do Trabalho; MAS: Ministério da Assistência Social; CEF: Caixa Econômica Federal.