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2. GENEL BİLGİLER

2.5. Yoga

2.5.3. Yogada Kullanılan Nefes Teknikleri ve Yararları (Pranayama)

2.5.3.2. Göğüs Nefesi

A partir de janeiro de 1962, passaram a ser realizados acampamentos junto a áreas que os integrantes do Master pretendiam que fossem desapropria- das pelo governo estadual, baseados nos artigos 173 e 174 da Constituição estadual.9

Segundo Schilling (1967), a proposta de formação de acampamentos:

contou não somente com o beneplácito e o apoio, senão com a participação direta e notória de Brizola, então governador do estado. O plano consistia na formação de acampamentos de camponeses no perímetro de grandes latifúndios, previamente eleitos entre aqueles de mais baixo índice de aproveitamento, em regiões onde o número de camponeses sem-terra fosse elevado.

Essa opção justifi cava-se tendo em vista o parágrafo 1o do artigo 173 da

Constituição do estado que determinava: “o Estado combaterá a propriedade improdutiva, por meio de tributação especial ou mediante desapropriação”.

De acordo com Schilling (1967, p.97-8), feita a escolha da área, “pacífi ca e ordenadamente, os camponeses acampavam em tendas de campanha e ranchos improvisados, na estrada que servia de limite à propriedade eleita, estabelecendo o acampamento”. A seguir, baseados nos artigos da Consti- tuição, os agricultores reivindicavam sua desapropriação e posterior divisão. Estabelecido o acampamento, “Brizola mandava acampar um destacamento da Brigada Militar nas imediações do mesmo, pondo os camponeses a salvo de qualquer violência dos latifundiários e de seus capangas”. A desapro- priação “previamente combinada com o governador” não era executada imediatamente, mas era “às vezes, atrasada ex professo”, ou seja, atrasada deliberadamente, como forma, inclusive, de despistar os acordos prévios feitos com o governo do estado.

Segundo entrevista realizada com Ari Saldanha em novembro de 1983, foi sua a idéia de realização de acampamentos. De acordo com o entrevis- tado, a delegação gaúcha, ao retornar do Congresso de Belo Horizonte, foi

9 O artigo 174 autorizava o Estado a prover, mediante desapropriação, a justa distribuição

da propriedade, de maneira que o maior número possível de famílias tivesse acesso a terras e meios de produção, a promover planos especiais de colonização (sempre que a medida fosse pleiteada por um mínimo de cem agricultores sem-terra, de determinada região), podendo também organizar fazendas coletivas destinadas à formação de elementos aptos às atividades agrícolas.

até o governador Brizola para agradecer sua colaboração (que consistiu na cessão de ônibus para o transporte da delegação). Naquele momento, o go- vernador teria despertado para o problema agrário, passando a encaminhar discussões com Milton Serres Rodrigues sobre possibilidades de realizar “um movimento rural de envergadura estadual, que tivesse infl uência positiva para atrair o trabalhador para o processo político”. Conforme Saldanha (1982/1983), foi então que sugeriu que “o negócio era acampar. Fazer grandes acampamentos com enxadas, com ferramentas, se possível até com arado, de carreta num grande terreno baldio, nas margens de cidades reivindicando a Reforma Agrária”. A partir de então, segundo o entrevistado, Milton S. Rodrigues “voltou ao Palácio, conversou com Brizola. Depois não retornou a nós, não se reuniu conosco, e instauraram o acampamento do Banhado do Colégio e de Sarandi”.

O primeiro acampamento formado na época foi o do município de Sarandi, montado em 8 de janeiro de 1962. A área visada ocupava 25 mil hectares de propriedade de três sócios de uma fi rma uruguaia que a haviam adquirido havia quarenta anos. De acordo com matéria do jornal O Nacio-

nal, de Passo Fundo (15/01/1962), diversas famílias pertencentes às Ligas

Camponesas e oriundas de Nonoai fi xaram-se em Ronda Alta, no município de Sarandi. Organizadas, essas famílias utilizaram uma tática para impedir que a repressão fi zesse uso da argumentação de “invasão à propriedade” para retirá-las do local: montaram seu acampamento no corredor de acesso à fazenda, sob o comando do prefeito de Nonoai, Jair Calixto, em vez de invadirem diretamente a área. Os acampados receberam o apoio de setores da população local através do fornecimento de gêneros alimentícios. A matéria do O Nacional chegou a divulgar informações contraditórias e não confi rmadas sobre a existência de armas no acampamento.

A concentração de agricultores aumentou signifi cativamente, pois após cinco dias de acampamento, no dia 13, já eram cerca de 1.300 pessoas. Esse crescimento certamente estava vinculado à propaganda que anunciava a doação de terra a quantos não a tivessem (O Nacional, 13/01/62). Enquanto isso, a Brigada Militar, de sobreaviso desde antes do início da concentração, mantinha-se em prontidão, apesar de não intervir, já que o movimento era pacífi co.

No dia 15, perante cinco mil agricultores, Brizola, acompanhado de uma comitiva de Porto Alegre composta de parlamentares, prefeitos e jornalis- tas, comunicou a desapropriação dos 25 mil hectares da Fazenda Sarandi. As terras desapropriadas foram divididas na forma de 62 lotes rurais do tipo familiar (cerca de 25 hectares) e 16 propriedades de 250 hectares para triticultores mecanizados (Rio Grande do Sul, 1963).

Além do estímulo fornecido pela experiência desse primeiro acampa- mento, o governador, no dia 11 de janeiro, declarou de utilidade pública para fi ns de desapropriação uma área de 596 hectares em Canguçu, e outra

de 211 hectares no município de São Jerônimo (O Nacional, 16/01/62). A partir daí foram surgindo, ao longo do mês de janeiro, inúmeros acampa- mentos, concentrações de agricultores e pressões sobre o governo estadual em outros municípios, entre eles Taquari.

No dia 21, em Camaquã, surgiu o acampamento do Banhado do Co- légio. Cerca de dois mil agricultores sem-terra, liderados pelo presidente da Associação dos Agricultores Sem-Terra e pelo padre da localidade, reivindicaram as terras do Banhado do Colégio, com cerca de 20 mil hec- tares, que haviam sido drenadas pelo Departamento Nacional de Obras de Saneamento, e incorporadas pelos proprietários lindeiros (O Camaquã, 27/01/62, e Última Hora, 24/01/62). O decreto desapropriatório foi assinado no dia 30 de janeiro, sendo o depósito regulamentar meramente simbólico por não existirem, segundo o governo estadual, razões para maiores dis- cussões sobre a avaliação.

Nesse mesmo mês de janeiro surgiram, ainda, os acampamentos de Santa Maria e de Caçapava do Sul (este último dissolvido em 29 de janeiro, atendendo à solicitação do governador).

Ao longo do mês de fevereiro surgiram também vários acampamentos e sucederam-se mobilizações em vários municípios como Pelotas, Alegrete (na barragem do Ibirapuitã), Sapucaia,10 em São Leopoldo, São Jerônimo

e Itapoã.

As ações em prol da reforma agrária por parte do governo de Leonel Brizola tiveram continuidade com a efetivação de outras desapropriações de terras, como em Sarandi, no Banhado do Colégio, em Canguçu e em Quitéria, no município de São Jerônimo. É importante destacar que o go- vernador solicitou que os proprietários cedessem 10% de suas terras aos camponeses pobres, anunciando que o próprio presidente João Goulart tomaria essa iniciativa e que ele próprio, governador, já havia cedido a fazenda do Bacopari, de sua propriedade. Brizola justifi cava o apelo alegan- do a injustiça da má distribuição da terra no estado: enquanto as grandes propriedades pertenciam a apenas nove mil pessoas, 267 mil detinham pequenas propriedades; ademais, 70% das terras ocupadas pela lavoura capitalista do arroz eram exploradas sobre terras arrendadas.

A partir daquele apelo do governador para que proprietários cedessem suas terras, foram realizadas negociações entre o governo do estado e a Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul (Farsul), para acertar um programa de atividades tendo em vista o encaminhamento da questão agrária no estado e no país. Esse acordo pressupunha que o governo estadual tivesse força para suspender a realização de novos acampamentos. No entanto, eles continuaram a ocorrer.

10 Os sem-terra reivindicavam as terras da Fazenda Itapuí, propriedade de Ildo Meneghetti

A nota assinada pelo governador Brizola, recomendando a todos os agricultores que reivindicavam terras que se abstivessem de movimentos rei- vindicatórios ostensivos, foi publicada na imprensa (Última Hora, 12/02/62). Mas manifestações de agricultores sem-terra foram ainda organizadas em 11 de fevereiro e nos dias seguintes. Esse acordo, aparentemente, reforça a tese que enquadra o Master como um movimento ofi cialista, organizado por Brizola. Indicando, portanto, que o governador pudesse, também, sus- pender suas ações quando bem entendesse. Entretanto, as evidências do momento demonstraram ser relativa a capacidade de Brizola de determinar o andamento das manifestações, uma vez que muitas continuaram a ocorrer apesar dos apelos do governador.

A primeira concentração ocorreu em Gravataí, onde mais de mil agricul- tores se reuniram para fundar a Liga Camponesa de Vista Alegre.11 Outra

concentração ocorreu em São Lourenço do Sul, reunindo igual quantidade de agricultores. Em Itapoã, os acampados, inconformados com a trégua acertada entre o governo do estado e a Farsul, ameaçaram invadir a fazenda Lagoa Negra se, até o dia 14, o governo não atendesse a suas reivindicações. Em fevereiro, ainda, ocorreram novas mobilizações em Pelotas, além do surgimento de outros acampamentos: em São Francisco de Paula, mobili- zando mais de três mil agricultores; em Taquari,12 reunindo cerca de 300

camponeses. No dia 21, ocorreu um acampamento com 800 agricultores em São Francisco de Assis, que logo foi dissolvido atendendo à solicitação feita pelo governador.

Assim, durante o mês de fevereiro, mesmo com a existência do acordo entre o governo do estado e a Farsul, os agricultores continuaram pressio- nando por terra, apesar de muitos acatarem a solicitação do governo de não realizar acampamentos. Foi o caso da desistência de montagem de acampamentos em Gravataí, em São Lourenço do Sul e em São Francisco de Assis. Em Itapoã e em Taquari, os agricultores mostraram-se inconfor- mados com o acordo entre o governo e a Farsul e não acataram o pedido de suspensão dos acampamentos. Em Itapoã, o acampamento somente foi dissolvido depois que o governo aceitou as reivindicações dos agricultores. Isso mostra que o governo estadual não tinha força nem controle sobre o movimento, que esse se alastrava à sua revelia. Em março, os acampamentos e as manifestações de inconformidade com a trégua tiveram continuidade no Banhado do Colégio, Tenente Portela, Cachoeira do Sul, São Luiz Gon- zaga, Itaqui e Giruá. Neste último, existiam dois acampamentos, um dos

11 Essa Liga Camponesa fazia parte das Ligas Camponesas criadas segundo a orientação das

Ligas do Nordeste.

12 Conforme já mencionamos, nessa área ocorreram mobilizações anteriores, em 1961, quando

reagiram a tentativas de expulsão e, em janeiro de 1962, quando realizaram manifestações reclamando a posse dessa terra.

sem-terra e outro dos proprietários e dos grandes produtores mecanizados, cada um localizado em um lado da estrada. Para separá-los, foi colocado um batalhão da Brigada Militar. Os sem-terra reivindicavam a desapropriação dos 11.250 hectares do Rincão dos Vieira.

O último acampamento durante o governo Brizola foi o de Cruz Alta, em maio de 1962, quando cerca de 500 agricultores sem-terra reivindica- ram uma propriedade particular considerada improdutiva. Enquanto uma comissão representando os sem-terra reivindicava junto ao governo Brizola a desapropriação da área, a Farsul enviava uma mensagem ao comandante do 3o Exército com o pedido de proteção para a propriedade privada que

estava ameaçada. De acordo com Ari Saldanha, o governador Brizola não apoiou essa ação porque o PTB local também não o queria e porque havia a ameaça de o Exército atacar o acampamento. Apoiando a posição do governador, Milton S. Rodrigues teria se dirigido a Ari Saldanha reafi r- mando a posição de não acampar. O acampamento saiu, mas não sem que o Exército, por solicitação da Farsul, parasse na estrada os manifestantes quando se dirigiam ao local em dois caminhões. No dia seguinte, quando o governador Brizola soube que o acampamento tinha sido instalado, pediu que o dissolvessem. Entretanto, os agricultores somente o fi zeram após o governador comprometer-se a desapropriar a área (Entrevista com Ari Saldanha, novembro de 1983).

Conforme exposto acima, nem todos os acampamentos obtiveram o mesmo grau de apoio do governador Brizola, apesar de Schilling afi rmar que eram programados com o apoio do governo estadual. Enquanto alguns acampamentos resultaram em desapropriação das áreas visadas ou, pelo menos, em tentativas de desapropriação e, também, em apoio com alimento, dinheiro e cobertura da Brigada Militar, em outros isso não ocorreu. Por exemplo, pelas informações levantadas, os agricultores sem-terra de Sa- pucaia, que visavam a fazenda Itapuí, de propriedade de Ildo Meneghetti, não receberam nenhum estímulo por parte do Executivo. Também em Taquari, os agricultores, apesar de pressionarem por medidas efetivas em favor da desapropriação da área visada, não obtiveram resultados. Tende- se a considerar que, em alguns locais, os acampamentos realizados, ou as tentativas de acampamentos, não foram resultado de planejamento prévio com a participação do governo do estado, mas resultado de iniciativas das próprias associações.

A Brigada Militar, não em todos, mas em vários acampamentos fez-se presente com o objetivo de assegurar a calma e a tranqüilidade: é o caso de Sarandi, Banhado do Colégio, Fazenda Rincão dos Vieira em Giruá. Mesmo com esse apoio, a violência fez-se presente em alguns acontecimentos a partir da ação dos ruralistas. Represálias de fazendeiros contra seus agrega- dos que participavam de acampamentos ocorreram em Giruá e no Banhado do Colégio. Além disso, desde janeiro de 1962, quando se iniciou a prática

dos acampamentos no estado, Milton S. Rodrigues, presidente do Master, denunciava pressões (inclusive armada) contra agricultores sem-terra em Encruzilhada do Sul.

Também há episódios de violência envolvendo posseiros, em Taquari e em São Francisco de Paula, tanto na Fazenda Velha de propriedade do Estado como na Fazenda Mato das Flores, onde, durante os anos de 1963 e 1964, a perseguição do proprietário contra os agricultores foi uma cons- tante, inclusive armada.

A VIDA ORGANIZATIVA DO MASTER

Benzer Belgeler