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Gérard Genette ve ‘Metinsel-Aşkınlık(Transtextuality)’ Kavramı

1.5. Tezin Kuramsal Çerçevesi

1.5.5. Gérard Genette ve ‘Metinsel-Aşkınlık(Transtextuality)’ Kavramı

Sendo a separação dos poderes um dos primados do Estado de Direito, a abordagem dessa temática também se mostra imprescindível ao desenvolvimento do presente trabalho. Isso porque o que não é o controle da Administração Pública pelo Poder Legislativo, com o auxilio do Tribunal de Contas, que uma das formas de exercício do sistema de pesos e contrapesos (checks and balances), tão característico do princípio da separação dos poderes?

Em que pese alguns pensadores que o precederam terem tratado do tema separação dos poderes, deve-se ao gênio de Montesquieu, por meio de sua obra “O Espírito das Leis”, de 1748, a melhor sistematização do princípio, o qual passou a constituir um dos alicerces de maior prestigio do Estado liberal. Tal princípio tornou-se uma garantia das liberdades individuais ou, mais especificamente, dos recém-adquiridos direitos políticos da burguesia, frente ao antigo poder das realezas absolutas. Conforme a versão de Paulo Bonavides, afirma o mestre francês que, em todos os Estados, há três espécies de poder público: o Poder Legislativo, o Executivo, para assuntos exteriores e o Executivo para a política interna. Pelo primeiro, o príncipe ou autoridade emite novas leis para um certo tempo ou para sempre, ou acresce ou derroga as antigas. Por meio do segundo, declara a paz ou a guerra, envia embaixadas e as recebe, vela pela segurança e previne-se dos ataques dos inimigos. Por meio do terceiro, castiga os crimes e dirime os litígios civis. Esse último é o Poder Judiciário. 140

Ressalte-se que o princípio da separação dos poderes, ao lado dos direitos fundamentais, passou a caracterizar o conteúdo mais marcante das constituições modernas, após o advento da burguesia ao poder político. Nesse sentido, foi insculpido no art. 16 da Constituição Francesa de 1791, na parte relativa à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a frase: "Toda sociedade na qual não esteja assegurada a garantia dos direitos do homem nem determinada a separação de poderes, não possui constituição".

140

Destaque-se que, entre as experiências estrangeiras iniciais mais marcantes de separação dos poderes, deve-se citar a Constituição dos Estados Unidos, de 1787. Essa Carta, não só acolheu a tese, pondo em prática conscientemente um sistema de freios e contrapesos, bem como implantou efetiva separação estrutural das funções estatais. Sobressai também a Constituição Francesa de 1791, que foi a primeira que expressamente adotou a expressão "separação de poderes", no lugar de divisão.

Assim, estabeleceu-se o clássico princípio da divisão ou separação dos poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, os quais, respectivamente, detêm as funções precípuas de elaborar as leis, executar as leis e fazer cumpri-las. No Brasil, esse princípio está expresso no art. 2a da Lei Maior, o qual dispõe que são poderes da União, independentes e harmônicos. Ressalte-se que, na prática, cada um dos Poderes, embora subsidiariamente, exerce funções típicas dos outros, tais como, no Brasil: o Executivo edita medidas provisórias, exercendo, assim, função de legislar; o Judiciário elabora seus regimentos internos, exercendo, assim, também a função de legislar; o Executivo julga processos administrativos, exercendo, dessa forma, função judicante; e o Legislativo julga crimes de responsabilidade de alguns agentes políticos, exercendo, nesse sentido, função também judicante.

Cabe destacar que a expressão “divisão de Poderes” mostra-se imprópria, vez que o poder estatal ou poder político, materializado na soberania do Estado é uno, indivisível e indelegável, conforme afirma José Afonso da Silva.141 Mais correta seria a denominação “funções do Poder”. Para o referido autor, divisão dos poderes consiste em confiar cada uma das funções governamentais (legislativa, executiva e judiciária) a órgãos diferentes, os quais tomam o nome das respectivas funções.142

141

SILVA. José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 19. ed. ver. e atual. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 111.

No entanto, em que pese a impropriedade da

142

SILVA. José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 19. ed. ver. e atual. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 112.

denominação divisão (separação) dos poderes, por força da tradição, no presente trabalho, far-se-á uso dessa expressão.

Carl Schmitt afirma que a distinção dos poderes há de considerar dois pontos de vista: primeiramente a separação das autoridades superiores do Estado e de sua competência; depois, o estabelecimento de um sistema de pesos e contrapesos recíprocos entre esses Poderes diferenciados. Ressalta, porém, que certa separação é necessária, sem, contudo, haver um isolamento.143

Nesse sentido, o sistema de freios e contrapesos destina-se a assegurar, a por em prática, a moderação e o controle de todos os órgãos do poder do Estado, colocando um Poder frente aos outros, de modo a alcançar um equilíbrio, um contrabalanceamento de forças.

Ressalta Carl Schmitt que a idéia de equilíbrio, de contrapeso de forças opostas, já dominava o pensamento europeu desde o século XVI, por meio da teoria do equilíbrio internacional (primeiramente, os cinco Estados italianos entre si, depois, o equilíbrio europeu), a idéia de equilíbrio de importações e exportações na balança do comércio, a teoria do equilíbrio entre egoístas e altruístas na filosofia moral de Shaftesbury e o equilíbrio da atração e repulsão na teoria da gravitação de Newton.144

No Brasil, o sistema de freios de contrapesos, ou seja, de controles recíprocos de um Poder sobre outro está expresso em diversos dispositivos de nossa Carta Constitucional, podendo-se citar, a título de exemplo: a nomeação dos membros dos tribunais judiciários pelo Chefe do Poder Executivo; o controle judicial dos atos administrativos e legislativos; o poder de veto do Chefe do Executivo sobre as leis emanadas do Poder Legislativo; a apreciação de medidas provisórias pelo Poder Legislativo etc. Assim, estabelecem-se mecanismos em que um Poder exerce controles sobre outro, de forma a imprimir um equilíbrio de forças entre os titulares das funções estatais.

143

SCHMITT, Carl. Teoria de la constitución. Madri: Alianza, 1996, p. 189.

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Nesse contexto, conforme já afirmado, o controle externo da Administração Pública pelo Congresso Nacional, com o auxilio do Tribunal de Contas, constitui mais um dos diversos exemplos do sistema de freios e contrapesos entre os Poderes, característico dos Estados de Direito.

3.3 O CONTROLE COMO FORMA DE EXERCÍCIO DO DIREITO E DA