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BÖLÜM 3 ARAŞTIRMA ALANI

3.2 Araştırma Alanında İncelenen Dikey Bahçeler

3.2.3 Konut Çevrelerindeki Dikey Bahçe Uygulamaları

3.2.3.3 Koru Florya AVM Rezidans (Bakırköy)

As ações desenvolvidas pelas instituições que atuam diretamente no arranjo, na opinião dos produtores e representantes de instituições, provocam sinergias positivas neste espaço produtivo, resultando em maior dinamismo, ampliação de mercado, aumento da qualidade dos produtos e articulação interna e externa.

Considerando que este comporta empresas de portes variados quanto ao tamanho e ao uso de tecnologias, com estruturas bastante heterogêneas e a complexidade que envolve a atuação de instituições

e atores, interesses e necessidades distintas, resta saber: de que maneira acontece a apropriação dos resultados dessas sinergias por parte dos produtores? Quais seus limites e alcances? Como os caminhos assumidos pelas instituições interferiram na apropriação de conhecimentos tácitos e codificados e, conseqüentemente, no desenvolvimento do arranjo?

Para a análise e a compreensão das questões levantadas, busco, inicialmente, alguns elementos da primeira experiência de organização institucional dos produtores, no caso a AFABRICAL e o seu

arrefecimento.

O primeiro aspecto diz respeito à abrangência das relações sociais tecidas pela Associação. Esta não conseguiu ampliar a sua rede de atuação com outras instituições públicas e privadas no sentido de fortalecer o poder de articulação e de negociação, permanecendo restrita aos laços pessoais locais e ao suporte do Estado. Quando este suporte deixa de existir, a Associação perde o seu poder de mobilização e a sua capacidade de se articular em torno dos objetivos coletivos, restringindo-se às conquistas anteriores, no caso, a Central de Serviços.

Autores como Putnam (2002) e Evans (1996) discutem o papel do capital social e das instituições como impulsionadores de mudança social, demonstrando que, a partir de determinadas circunstâncias, instituições públicas podem mobilizar recursos sociais na perspectiva de aumentar o bem-estar coletivo.

Para Putnam, as diferentes histórias podem explicar por que algumas sociedades são culturalmente mais propensas a estabelecer relações associativas do que outras. Ele partiu da compreensão dos fatores da distinção de comprometimento cívico e eficácia dos governos regionais no sul e no norte da Itália, utilizando-se das diferenças entre os tipos de capital social existentes em cada região. Na avaliação de Putnam

a maior eficiência dos governos regionais, ao norte, está relacionada às tradições cívicas mais bem desenvolvidas, ao passo que, no sul, os governos são falhos por não disporem de tradições históricas semelhantes de associativismo, reciprocidade e confiança. O capital social, elemento fundamental da análise de Putnam, expressa uma acumulação de relações sociais empenhadas numa comunidade, que apóia seu êxito no fortalecimento da cooperação e da confiança mútua. Para o autor, um estoque razoável de capital social atua na superação dos dilemas da ação coletiva e do oportunismo, servindo de cimento à consolidação e enraizamento das instituições formais e assim aumenta a eficácia de uma comunidade no enfrentamento de tais dilemas.

Numa perspectiva neo institucionalista, Peter Evans (1996) representa uma alternativa à visão culturalista de Putnam, ao salientar o papel terminante da burocracia estatal na formação de capital social. Para Evans, o Estado passa de regulador da interação social para indutor e mobilizador do capital social. A ação envolve a articulação de agências públicas, de modo a estabelecer sinergias entre Estado e sociedade civil como um apanhado de relações que extrapola a divisão público - privado. Partindo desta premissa, o autor traz à colação o fato de uma sinergia depender de forma elementar de requisitos socioculturais preexistentes e com raízes históricas. Para este, o Estado e a sociedade civil podem acionar um círculo virtuoso de mudança institucional, desde que haja o engajamento de instituições públicas na mobilização social.

O que parece se configurar a partir dos dois enfoques é uma oposição entre intencional/espontâneo, que me parece pouco proveitosa se fixarmos apenas nessa dicotomia. Entendendo que configurações sociais apresentam estruturas complexas, não é possível pensá-las como simples resultado do planejamento, mas a partir de construções sociais erigidas ao longo de processos históricos de cooperação,

competição e conflito. Desta forma, esta oposição apresenta-se bem mais como uma dicotomia apenas aparente.

No caso da AFABRICAL, o seu poder de articulação não foi suficiente para enfrentar desafios relacionados às questões burocráticas, que envolvem comportamentos além de uma ação coletiva, mas está ligada à formação de competências e habilidades dos atores envolvidos, no sentido de lidar com questões mais burocráticas ou técnicas. Quando as relações extrapolaram certo nível de complexidade (no caso, os financiamentos), a confiança não foi suficiente para manter o grupo coeso. Não houve sinergia suficiente entre as instituições públicas e privadas para mediar essas relações. O ambiente institucional não proporcionou a apropriação e a ampliação de conhecimentos, competências e habilidades para os produtores que lhes permitissem a instrumentalização para o enfrentamento das dificuldades postas. Essa falta de habilidade está expressa na fala dos depoentes, fazendo com que se entendam perdidos diante de questões mais complexas que envolvem o mundo da produção, principalmente as questões relacionadas à gestão da produção e ao entendimento acerca dos meandros que envolvem os empréstimos e financiamentos. Este é um campo de enfrentamento difícil, seja individual ou coletivamente, tendo a associação como mediadora, pois envolve questões de custosa compreensão por parte dos produtores, haja vista o baixo nível de escolarização destes, o que origina medos e desconfianças, inviabilizando neste caso uma ação coletiva dos produtores.

A gente trabalha num sufoco grande, hoje graças a Deus

eu estou mais estruturadozinho. Eu tenho um

capitalzinho de giro que eu consegui, graças a Deus, mas não foi com a ajuda do Banco, não. Quando se fala de Banco, eu não gosto, porque o Banco é muito complicado. Você vai com a melhor das intenções, mas quando você vai atrás, ele quer um carro como garantia, sua casa, se tem algum terreno, e quer saber da sua conta bancária e quer saber de tudo. Então meu amigo, é muito risco, você não sabe o que pode acontecer (Pequeno produtor).

Eu, graças a Deus, nunca precisei! Eu não vou dizer que talvez não precise, mas eu acho que o banco trabalha de um jeito desonesto demais. Às vezes, quando eles pegam uma pessoa leiga no negócio, uma pessoa que não tem muita formação, eu me coloco nessa parte. E ele fala com você, e ele tenta fazer um negócio que, às vezes, você não entende, e acha que entendeu, e ele diz que é bom pra você e, às vezes, não é. Que nem eu tenho um amigo, que tem uma fabricazinha aqui, bem organizada, e ele tem um financiamento de banco. Ele está sentindo na pele. Ai, o que ele está sofrendo! Ele não teve condições de pagar aquelas prestações fixas, atrasou, negociou, atrasou, negociou. Foi um negócio absurdo! Então o banco é muito difícil, o banco não ajuda aos pequenos, não (Pequeno produtor).

Estes exemplos, de muitos produtores não se sentirem em condições para realizarem empréstimos, é apenas um caso, que se soma a outros — da não-captação de vantagens proporcionadas pelas sinergias — presentes no arranjo.

Estes aspectos nos remetem ao caráter das políticas desenvolvidas por determinadas instituições públicas, que, ao tomarem por base certos

padrões, desconsideram as especificidades de determinadas

experiências produtivas, ocasionando uma necessidade de adequação dos atores às políticas e não das políticas às necessidades dos atores. Lastres et al (2003) chamaram essa inadequação de “Síndrome do

Leito de Procusto”58.

Se, por um lado, a rede tecida pela Associação não permitiu uma apropriação de conhecimentos e de competências, por outro, as instituições públicas que atuam junto a esta instituição, eximem-se do papel de mediação, refletindo uma falta de sintonia entre parceiros e

58 Conta a mitologia que o salteador ático Procusto, após convidar os viajantes que

percorriam os caminhos da antiga Grécia a passar a noite em sua casa, seduzia-os com uma recepção calorosa. Depois de vencidas pelo cansaço, ele obrigava suas vítimas a deitarem-se num leito de ferro e cortava-lhes os pés, quando ultrapassavam o tamanho deste, e estirava-os com uma corda quando não lhe alcançavam o tamanho. Seu objetivo era que ficassem na medida exata do seu leito. Procusto teve o mesmo fim de suas vítimas: seus pés foram cortados por Teseu (LASTRES et al, 2003, p. 529).