BÖLÜM 3 ARAŞTIRMA ALANI
3.1 Dikey Bahçe Uygulamalarının Bulunduğu Alanlara Ait Özellikler
3.1.1 Doğal Peyzaj Özellikleri
3.1.1.3 Flora ve Fauna Özellikleri
A ação econômica que envolve os produtores estudados é ela própria
uma ação social50. As relações sociais que se configuram
continuamente permitem o dinamismo do mercado. Os benefícios de estar inserido em um arranjo produtivo, além da proximidade atuante nas relações que envolvem os produtores, têm um papel importante nas transações comerciais, podendo-se detectar o ideal de atmosfera industrial marshalliana, como observa um antigo produtor.
É porque se tivesse duas fábricas de calçado aqui, não vinha o pessoal que hoje vem pra comprar, mais tem 10, aí aumenta o volume de gente que vem comprar. E aí começa, um diz: “olhe fulano fabrica isso, sicrano fabrica aquilo.” Aí todo mundo vem. Quando chega aqui, sabe que encontra muitas fábricas. Eu acho que juntando
50 Recuperação da idéia weberiana da ação econômica como categoria particular da ação
fabriqueta com fábrica grande e tudo, eu acho que dá umas 200 a 300 (Antigo produtor).
O arranjo é rota de compradores que vêm de várias partes do Nordeste e do Brasil que, pela diversidade da produção do lugar e pela proximidade, encontram boas formas de transação, tornando-se referência para os produtores.
Porque é o seguinte: antes era Caruaru, já faz muito tempo isso, depois começou aqui. Porque aqui fica mais perto do Maranhão, do Pará. A região se tornou uma rota para sair para outros Estados. A gente vende muita mercadoria para o Maranhão, o Pará, o Piauí, para esse lado daqui. Tudo isso sai daqui, quando eles passam daqui para a Paraíba, isto é, se não tiver preço aqui, porque se lá tiver um preço bom, eles já vão pra lá, mas aqui sempre tem. Tem muito fabricante, eles já se arrumam aqui. Depois daqui vão embora, ou daqui vão pra São Paulo para comprar outras mercadorias melhores, mas nem pra Fortaleza eles vão. Porque eles vêm atrás da mercadoria popular, que é essa que eu faço aqui, aí já não vão mais para Fortaleza (Pequeno produtor).
As redes de negociações mais diretas entre os agentes recompõem relações baseadas na confiança e no diálogo, e guardam expectativas e obrigações com significados socialmente construídos. As informações difundidas no circuito formado entre produtores e compradores tanto servem para criar laços e relações de confiança como para o uso da má-fé.
Um antigo produtor, ao explicar por que colocou o nome da sua empresa de “D moda”, falou de uma relação profícua com um grande comerciante de calçados na década de 1980, e da sua produção que esteve no auge em decorrência desses contatos.
É Tico Amorim da Arca da Aliança, uma vez ele estava em São Paulo e ligou para mim. Mandou a passagem e pediu pra eu ir para São Paulo. Quando eu cheguei lá, aí ele foi e disse: compadre eu quero que você veja ali um modelo ali pra gente fazer umas modinhas que tem ali, aí nós fomos, quando nós chegamos, aí eu fui e botei o nome D’ moda. Já era modinha 86. Eu sofria demais
pra dar conta do pedido. Eu fazia 7 mil pares. Ele era fechadinho, era um sapatinho bem molinho e tinha um nomezinho de serigrafia de lado. Bom, isso a gente fazia por semana, eu só fazia 7 mil pares, e ele vendia tudinho (Antigo produtor).
O produtor ressalta que eram muito na base da amizade as
negociações entre quem produzia e quem vendia. “Todo tempo teve.
Tem que ter se não tiver a gente não existe.” Neste caso, a identidade é um ponto a ser considerado, evidenciando a preferência de se negociar com indivíduos de reputação conhecida. O conhecimento é adquirido mediante relações sociais concretas e das estruturas ou redes de ações econômicas. Neste caso, a confiança está relacionada a uma situação específica, envolvendo dois atores em um contexto e relacionamento particular.
Entre os produtores, o conhecimento é elemento importante, eles se utilizam de informações repassadas de um para outro para se livrarem dos calotes e se protegerem dos maus compradores. As informações são repassadas a partir das experiências que eles tiveram com os compradores. Vender sem conhecer é meio perigoso, é estar sujeito aos calotes e ao uso de má-fé, dizem os produtores.
Sem conhecer é arriscado. Mas o cara diz: “não, pode consultar o cheque!” O problema de cheque é, se você consultar, não tem problema, mas, no dia de entrar o cheque, ele cancela seu cheque, faz qualquer sacanagem, dá contra-ordem e tudo. Uma fábrica pequena dessa, eu tenho em média de quase 80 mil reais de cheques que voltaram (Pequeno produtor). Hoje, na área de calçado está bem melhor, hoje você só vende àquele que você conhece. Quem não conhece, aí tem que ter informação (Pequeno produtor).
A confiança e a reciprocidade são recursos utilizados pelos produtores para enfrentarem as externalidades negativas, mas nem sempre esses recursos são suficientes para eliminar a má-fé.
Os pequenos produtores dizem que, hoje, estão mais cautelosos com os compradores desconhecidos que chegam de fora querendo comprar. Eles dizem que, hoje, está diferente. Antes, a necessidade de vender e a inexperiência, levavam-nos a vender logo na primeira investida, não procuravam nem mesmo referências a respeito do comprador. Ademais, eles têm que lidar com o jogo da má-fé. Alguns compradores desconhecidos tentam forjar informações, dizendo que vendem para outro produtor conhecido para passar confiança.
Um dia desses, eu estava lá numa loja, aí o cara disse: “Cícero, você está vendendo a “fulano de ta?l” Eu disse: “estou não”. “Mas o cara disse que você está vendendo a ele!” Aí eu disse: “não, é mentira dele”. Porque ele disse que eu estava vendendo a ele para o cara lá vender (Pequeno produtor).
Antigamente, quando o pessoal via assim um cara que chegava aqui querendo comprar, ia todo mundo doido para vender! O produtor não queria nem saber quem era! Você vendia, achava que aquele cheque ali que você pegou já era dinheiro e já comprava. Depois o cheque voltava, e o cabra não via mais ninguém e era só perdendo. Era muito problema, mas hoje, graças a Deus, hoje em dia, para um cheque voltar eu acho que é 1% (Pequeno produtor).
A posição de Granovetter (2003) é a de que as relações sociais concretas, mais do que os dispositivos institucionais ou a existência de uma moral generalizada, são os atributos fundamentais para a produção de confiança na vida econômica e constituem as estruturas que asseguram a função de manutenção da ordem. Mas essa não seria, porém, uma posição excessivamente otimista? O próprio Granovetter admite que se corre o risco de trocar um funcionalismo otimista por outro. Para tanto reconhece que:
a) Enquanto solução para o problema da ordem, a perspectiva da incrustação é menos universal do que qualquer um dos argumentos alternativos, visto que as redes de relações penetram irregularmente e
em diferentes graus nos vários setores da vida econômica, permitindo assim todo o tipo de fenômeno que bem conhecemos: desconfiança, oportunismo e desordem que não estão, de forma alguma, ausentes. b) A segunda forma é realçar a idéia de que as relações sociais — em muitos casos uma condição realmente necessária à confiança e ao comportamento honesto — não são suficientes para garanti-los e podem, inclusive, fornecer ocasião e meios para situações de má-fé ou conflito numa escala superior às que ocorrem na sua ausência ( p. 80). Esta perspectiva situa-se entre a proposta sobressocializada da moral generalizada e a proposta subsocializada dos dispositivos pessoais e
institucionais. Ao contrário dessas visões, que partem de
generalizações, as particularidades da estrutura social é que determinam, em concreto, cada situação.