1. CİLT TEMİZLEME KOZMETİKLERİ
1.8. Fiziksel Soyucular (Peeling)
Antes de iniciar o estudo dos contratos de reprodução humana assistida e da responsabilidade civil do médico deles decorrente, é mister determinar o status jurídico do embrião in vitro no ordenamento jurídico brasileiro, condição sine qua non para o desenvolvimento desta pesquisa. Destaque-se, como visto, que não se tem a pretensão de discutir os aspectos éticos que permeiam a questão, mas sim verificar as respostas que são dadas pelo sistema jurídico à mesma.
Para tanto, a abordagem constitucional do direito à vida se faz necessária, a fim de que se possa esclarecer se o ordenamento jurídico concede ao embrião in vitro o status jurídico de vida humana. Cabe frisar que não se pretende fornecer um conceito de vida que seja incontestável, porém identificar, a partir da análise de sistemas jurídicos nacionais e estrangeiros, o posicionamento do ordenamento nacional sobre o status jurídico do embrião in vitro.
Não há dúvida que a Constituição Federal brasileira é terminantemente favorável ao direito à vida, o que assegura em seu artigo 5° caput. Esse direito constitui cláusula pétrea que, aliada ao postulado de aplicabilidade imediata dos direitos fundamentais (§ 1° do art. 5° da CF), caracteriza sua força jurídica no ordenamento pátrio.110
Flávia Piovesan ensina que a Constituição de 1988 instituiu o princípio da aplicabilidade imediata das normas que traduzem direitos e garantias fundamentais, com o intuito de reforçar a sua imperatividade. Esse princípio realça a força normativa de todos os preceitos constitucionais referentes a direitos, liberdades e garantias dessa ordem, fixando um regime jurídico específico endereçado a tais direitos. Cabe ao Poder Público conferir eficácia máxima e imediata a todo e qualquer preceito definidor de direito e
110 Ingo Wolfgang Sarlet, A eficácia dos direitos fundamentais, 7. ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado,
garantia fundamental. Assegura-se com esse princípio constitucional a aplicação imediata dos direitos e garantias fundamentais pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.111
Em dispositivo semelhante ao da Constituição Federal brasileira, a Constituição portuguesa prevê, no artigo 18º.1, que “os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas”. Segundo José Joaquim Gomes Canotilho, deve-se rejeitar a doutrina tradicional que exigia a “regulamentação da liberdade”. A exigência de uma
réglémentation de la liberté põe em perigo a eficácia dos direitos fundamentais, pois bastaria a inércia do legislador para que direitos dessa magnitude se transformassem em conceitos vazios de sentido e conteúdo.112
O direito fundamental à vida é, portanto, de aplicabilidade imediata e deve ser garantido nas suas duas acepções: o direito de continuar vivo e o de ter uma vida digna. A primeira acepção orienta no sentido de se assegurar esse direito fundamental desde o início da vida até o óbito da pessoa, não importando o fato de a pessoa ser idosa (art. 230 da CF/88) criança ou adolescente (art. 227 da CF/88), portadora de anomalias físicas ou psíquicas (arts. 203, IV e 227, § 1°, II da CF/88), ou nascituro113. Ninguém pode ser privado arbitrariamente de sua vida.
A segunda significação – direito de ter uma vida digna − reclama, segundo Celso Antonio Pacheco Fiorillo, a satisfação dos valores (mínimos) fundamentais previstos no artigo 6° da Constituição Federal de 1988, “de forma a exigir do Estado que sejam assegurados, mediante o recolhimento dos tributos, educação, saúde, trabalho, moradia, segurança, lazer, entre outros direitos básicos, indispensáveis ao desfrute de uma vida digna”. É o que o autor denomina de piso vital mínimo de direitos, para o desfrute da sadia qualidade de vida114. De forma que não basta que seja resguardada a vida do indivíduo, é preciso que seja assegurada sua dignidade.
111 Flávia Piovesan, Direitos humanos e o direito constitucional internacional, 7. ed., São Paulo: Saraiva,
2006, p. 36.
112 José Joaquim Gomes Canotilho, Direito constitucional, 4. ed., Coimbra: Almedina, 1986, p. 133.
113 Olga Jubert Gouveia Krell, Reprodução humana assistida e filiação civil: princípios éticos e jurídicos,
Curitiba: Juruá, 2006, p. 122.
114 Celso Antonio Pacheco Fiorillo, Curso de direito ambiental brasileiro, 4. ed. ampl., São Paulo: Saraiva,
É reconhecida ao direito à vida uma eficácia negativa, por vedar qualquer lei estatal que lhe seja contrária. Cabe frisar que, apesar de a Constituição não ter assegurado expressamente o direito à integridade física, ele é englobado pelo direito à vida, tendo em vista que agredir o corpo humano é uma forma de afrontar a própria vida.115
Importante apontar a diferença existente entre o direito à vida e o direito sobre a vida. Conquanto os avanços tecnológicos e científicos elasteçam a vida, não se concede o direito às pessoas de manipularem suas vidas indiscriminadamente, de maneira que não se reconhece um direito sobre a vida. As declarações de direitos humanos e a ordem jurídica nacional e internacional consideram, cada vez mais, a vida como um patrimônio do Estado, devendo este zelar por ela.116
Biologicamente, a vida se inicia quando ocorre a fusão de duas células altamente especializadas chamadas gametas. A partir dessa fusão, uma nova célula se forma, o ovo ou zigoto, com um código genético distinto do óvulo e do espermatozóide. A partir desse momento, segue-se a transformação morfológico-temporal, passando pelo nascimento até a morte, sem que, nesse caminho, haja qualquer modificação do código genético.117
Na concepção natural, a fecundação do óvulo com o espermatozóide ocorre nas trompas de Falópio, doze a vinte e quatro horas após a ovulação. Depois de fecundado, o zigoto segue através da luz tubária com destino à cavidade uterina. Entre o terceiro e quarto dias, o embrião, sob a forma de mórula com dezesseis a trinta e duas células, chega finalmente ao interior do útero. Entre o sexto e oitavo dias, inicia-se a nidação, ou seja, a implantação do concepto, sob a forma de blastócito118, no endométrio, mucosa que reveste o útero. No décimo segundo dia, inicia-se a formação dos vasos sangüíneos. A partir do décimo oitavo ao vigésimo dias, o coração começa a pulsar.119
115 José Afonso da Silva, Curso de direito constitucional positivo, 28. ed., São Paulo: Malheiros, 2007, p.
198.
116 Hildegard Taggesell Giostri, A morte, o morrer, a doação de órgãos e a dignidade da pessoa humana, in
Elídia Aparecida de Andrade Corrêa; Gilberto Giacoia; Marcelo Conrado (Coords.), Biodireito e dignidade da pessoa humana: diálogo entre a ciência e o Direito, Curitiba: Juruá, 2007, p. 155.
117 Maria Helena Diniz, O estado atual do biodireito, cit., p. 25.
118 É a denominação dada ao óvulo inseminado pelo espermatozóide, quando é implantado no útero da
mulher e está com 14 dias. Segundo a Doutora Patrícia Varejão, a denominação dada ao óvulo implantado é: a) zigoto: entre o 1° e 14° dias; b) blastócito: do 14° dia aos 2 meses; c) criança prematura: 21 semanas a 34 semanas; d) recém-nascido: no termo da 35ª semana (Informações obtidas em 23.12.2007).
Na reprodução assistida, especificamente na fertilização in vitro, como já estudado, a fecundação ocorre fora do corpo humano. Nesse momento é possível dizer que há vida?