2. BÖLÜM
3.3. HZ ASİYE VE HZ MUSA’NIN ANNESİ
3.3.3. Firavun Dönemi ve Hz Musa
Englobando os principais avanços e diretrizes das leis anteriormente mencionadas, foi criado o Estatuto da Cidade, ou Lei 10.257/2001. Depois de mais de dez anos tramitando no Congresso Nacional, o Estatuto da Cidade tem a função de efetivar o capítulo da política urbana da Constituição Federal de 1988 (arts. 182 e 183), estabelecendo suas diretrizes e regulamentando a aplicação de importantes instrumentos de gestão e reforma urbana, como por exemplo, o Plano Diretor, dentre outros (Brasil, 2001).
Em termos gerais, pode-se considerar que o Estatuto da Cidade possui três objetivos principais. O primeiro é colocar em prática a reforma urbana e combater a especulação imobiliária. O segundo é promover a ordenação do uso e ocupação do solo urbano. O terceiro é subsidiar a gestão democrática da cidade. Desse modo, ao definir os fundamentos da política urbana, o Estatuto da Cidade torna- se também um importante instrumento de gestão ambiental, já que a urbanização tem se configurado num dos processos mais impactantes no meio ambiente (Braga e Carvalho, 2000).
As partes que interessam a esta dissertação são mencionadas no capítulo I, que dispõe das Diretrizes Gerais da Lei:
Art. 1º - Parágrafo único. Para todos os efeitos, esta Lei, denominada Estatuto da Cidade, estabelece normas de ordem
pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental.
Art. 2º - A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:
I - garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações;
(...)
IV - planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da população e das atividades econômicas do Município e do território sob sua área de influência, de modo a evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente;
(...)
VI - ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar: a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos; b) a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes; c) o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana; (...) f) a deterioração das áreas urbanizadas; g) a poluição e a degradação ambiental;
(...)
VIII - adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental, social e econômica do Município e do território sob sua área de influência;
(...)
XII - proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído, do patrimônio cultural, histórico, artístico, paisagístico e arqueológico;
(...)
XIV - regularização fundiária e urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda mediante o estabelecimento de normas especiais de urbanização, uso e ocupação do solo e edificação, consideradas a situação socioeconômica da população e as normas ambientais;
Seguindo essas Diretrizes Gerais, a Lei 10.257 reforça os princípios ambientais da atividade econômica presentes desde a Constituição Federal e inova ao incorporar o conceito de Cidades Sustentáveis. Braga e Carvalho (2000)
mencionam que este conceito consolidou-se a partir da 2ª Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II), realizada em 1996, na cidade de Istambul (Turquia). Esse encontro resultou em uma Agenda que propunha uma abordagem das questões urbanas tendo em vista um desenvolvimento urbano mais sustentável:
“Os assentamentos humanos sustentáveis dependem da criação de um entorno melhor para a saúde e o bem estar humanos, que melhore as condições de vida das pessoas e reduza as disparidades em sua qualidade de vida. A saúde da população depende pelo menos do controle dos fatores ambientais que prejudicam a saúde, como das respostas clínicas às enfermidades. As crianças são particularmente vulneráveis a um meio urbano daninho e devem ser protegidas. As medidas preventivas são tão importantes como dispor de tratamento e atenção à saúde apropriados. Portanto, é essencial dar um enfoque integrado à saúde, no qual a prevenção e a atenção se situem no contexto da política ambiental e recebam apoio de sistemas eficazes de gestão e planos de ação que prevejam objetivos fixados em função das necessidades e capacidades locais.” (UN- Programa Habitat, Parágrafo 128, citado em Braga e Carvalho, 2000).
Dos Instrumentos da Política Urbana (Capítulo II), vale ressaltar a inclusão do zoneamento ambiental como instrumento de planejamento municipal. A possibilidade de um zoneamento urbano com fins explicitamente ambientais (embora o zoneamento urbano tradicional também tenha um forte componente ambiental) consiste num avanço, na medida em que pressupõe o estabelecimento de zonas especiais visando a preservação, melhoria e recuperação ambiental, o que inclui as áreas de proteção ambiental e as áreas verdes urbanas. Também é digno de nota o parágrafo 3, que menciona obrigatoriedade na participação da sociedade civil no processo de planejamento (Brasil, 2005).
O Capítulo III, que trata do Plano Diretor, por ser o instrumento básico da política urbana municipal, conforme o artigo 40 do Estatuto da Cidade, configura-se também como o instrumento fundamental da política ambiental urbana. Além disso, a implementação dos instrumentos de gestão urbana previstos no Estatuto da Cidade depende, direta ou indiretamente, do Plano Diretor (Brasil, 2005).
Recentemente, o Governo Federal deu uma intimação para que todos os municípios com população acima de 20 mil habitantes apresentassem seu Plano Diretor até o mês de outubro de 2006. No início de novembro, muitos municípios
já haviam apresentado suas propostas, e grande parte comprovou que seu Plano Diretor está em andamento. Esse é um grande marco para o planejamento urbano do país, dado que o Estatuto da Cidade está começando a ser colocado em prática em larga escala.