4. RESULTS
4.3. Standard Multiple Regression Analysis
4.3.2. Results of Standard Multiple Regression Analysis
4.3.2.2. Findings of Multiple Regression Analysis
A abordagem qualitativa começou já no final do século XIX, quando se passou a questionar a utilidade do método das ciências físicas e naturais, de base positivista, para o estudo dos fenômenos humanos e sociais. Estudiosos como Dilthey (1949) e Weber (1982) procuraram uma abordagem metodológica diferente, que respondesse à complexidade e ao dinamismo dos fenômenos humanos e sociais. Para o primeiro autor, ater-se ao estabelecimento de leis gerais (como as da Física) não proporcionava uma compreensão mais abrangente dos fenômenos humanos, explicando apenas suas causas. Weber, por sua vez, defendia a compreensão como marco diferenciador das ciências sociais e da natureza, postulando que “o foco da investigação das primeiras deve se centrar na compreensão dos significados atribuídos pelos sujeitos às suas ações” (ANDRÉ, 1998, p. 17).
No final da década de 1980, a comunidade científica retomou esse debate e começou a defender uma nova perspectiva de conhecimento, criticando a concepção das ciências naturais e iniciando um estudo mais aprofundado das abordagens qualitativas, também denominada por alguns de naturalística. Essa última denominação decorre do entendimento de que, nela, não há manipulação de variáveis nem tratamento experimental.
Na abordagem qualitativa, considera-se que aquilo que o sujeito faz em seu mundo cotidiano – e os significados atribuídos por ele a suas ações – constitui o foco de preocupação nas ciências humanas. No início do século, a pesquisa educacional era influenciada pela Psicologia e orientada pelos pressupostos positivistas de Comte, de “forte tendência experimental” (ANDRÉ, 1998, p. 20). No final da década de 1960, o cenário social,
movimentado pelo combate ao preconceito racial e socioeconômico e pela luta por igualdade de direitos, despertava novo interesse pelo dia a dia escolar, tido como local propício para a difusão das ideias democráticas. Os estudos a respeito da abordagem qualitativa ressurgiram e intensificam-se no final dessa década, indicando novas formas de entendimento da realidade.
Na década de 1980, já popularizada entre os pesquisadores da área da educação, cresceu o número de publicações que tratavam dos fundamentos teóricos e metodológicos da abordagem qualitativa. Esse crescimento trouxe críticas e defesas de alguns estudiosos, muitas vezes sem as devidas explicações, de modo que seus críticos se questionavam sobre a natureza dos estudos qualitativos, uma vez que permaneciam grandes dúvidas quanto a seu tratamento teórico e metodológico.
Com o passar do tempo, a dicotomia entre o quantitativo e o qualitativo foi deixando de existir, pois se foi paulatinamente percebendo o caráter reducionista da divisão, que ignora o fato de quantidade e qualidade se relacionarem intimamente. Todo estudo, em qualquer vertente, tem a marca do constructo teórico do pesquisador, está impregnado por seus valores e sua visão de homem e de mundo. Desse modo, segundo André (1998, p. 25), os termos quantitativo e qualitativo devem ser utilizados apenas quando buscam especificar as diferentes formas de coleta de dados e determinar o tipo de pesquisa: “histórica, descritiva, participante, etnográfica, fenomenológica etc.”.
Triviños (1987) afirma que, na pesquisa qualitativa, o pesquisador deve estar preocupado com o processo e não apenas com seus resultados e/ou produtos. É também importante considerar o que os sujeitos pensam acerca de suas experiências, de sua vida profissional e de seus projetos, algo que a abordagem qualitativa tem como preocupação essencial: o significado atribuído pelos sujeitos a determinados fenômenos e eventos, em seus cenários sócio-históricos.
Para Ghedin e Franco (2011), estudos que seguem a perspectiva qualitativa em educação – como aqueles em que o professor é o protagonista, com suas falas, suas necessidades, suas expectativas, seu olhar e seu cotidiano – permitem enxergar melhor a realidade que constitui e é constituída por esse professor:
À medida que a pesquisa qualitativa favorece que a cotidianidade seja percebida, valorizada, mostre-se como gestadora e germinadora dos valores e papéis sociais, vai possibilitando aos pesquisadores a apropriação das relações entre a particularidade e totalidade, entre indivíduo e o ser humano genérico, entre cultura e história. O olhar sério, comprometido, constante dos pesquisadores sobre o cotidiano das práticas educacionais permitiu-lhes, por certo, liberar seu pensamento de muitos raciocínios supostos e defrontar-se
com realidades jamais suspeitadas, embora sempre presentes. (GHEDIN; FRANCO, 2011, p. 62).
A perspectiva quantitativa, que incide sobre um conjunto de atores, não permite o foco em processos, limitando o acesso à subjetividade, aos desejos, frustrações, questionamentos e emoções daqueles que informam o estudo e que fazem parte e têm impacto no cenário em que atuam. No caso do presente estudo, a apreensão dos sentidos e significados atribuídos à indisciplina pelos professores e alunos da educação superior privada só poderia ser alcançada por meio de um método não linear, não objetivo (em termos das ciências naturais), sem controle de variáveis, de modo a compreender o fenômeno em toda a sua complexidade e em seu contexto sócio-histórico. Só caberia, portanto, um estudo qualitativo, por ser uma “[...] investigação que enfatiza a descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das percepções pessoais” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 11).
Na pesquisa qualitativa, a produção das informações acontece no contato direto do pesquisador com a situação estudada, o que possibilita uma melhor compreensão da realidade em seus contextos sócio-históricos: “[...] a melhor maneira para se captar a realidade é aquela que possibilita ao pesquisador colocar-se no papel do outro, vendo o mundo pela visão dos pesquisados” (GODOY, 1995, p. 62, grifos da autora). Essa abordagem deve ser estudada em uma perspectiva integrada e processual, considerando o ponto de vista dos sujeitos envolvidos e, em especial, o significado e sentido que atribuem à indisciplina na educação superior privada. As ações realizadas pelos sujeitos devem ser analisadas dialeticamente, não devem ser reduzidas a aspectos invariantes, mas vistas em sua constante transformação e interação, já que “os pesquisadores qualitativos estão preocupados com o processo e não simplesmente com os resultados ou os produtos” (GODOY, 1995, p. 63).