6. FİNANSAL OKURYAZARLIK VE MAKRO EKONOMİ İLİŞKİSİ
6.2. Finansal Okuryazarlığın Para Politikası Açısından Önemi
Juazeiro do Norte foi um lugar específico de centro de região, localizado no Sul do Ceará, espaço de agricultura e entreposto com os estados vizinhos; importante por ter suas terras como passagem de entre Bahia, Pernambuco, Piauí e o Maranhão. Hoje recebe peregrinações de todas as partes do Nordeste em pagamento de promessas e em louvor ao Padre Cícero. A cidade vive em função desse papel místico-religioso. Neste ambiente, o candomblé acaba por ser, com certo grau de proporção41, invisibilizado
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Neste exato momento toma-se o cuidado de ressaltar que essa invisibilidade foi um dos frutos que alimentaram o foco da pesquisa, todavia, após ingressar no curso de mestrado foi possível perceber notável aparecimento dos praticantes de Candomblé em Juazeiro do Norte. No decorrer da pesquisa a
como manifestação de um número expressivo de seguidores. O Candomblé na cidade, surgido em casas, segundo notícias dos frequentadores, da década de 70 e 80. Entretanto essas fecharam e hoje tem o terreiro mais antigo, aberto no início de 80, e que permanece em exercício e já passa dos trinta anos de fundação.
O Candomblé da cidade tem se mantido através de oito casas de culto; salientamos que aqui trabalhos com a auto-identificação. Assim sendo, o número de 8 terreiros de candomblé é dado a partir da visão do seus sacerdotes e frequentadores, eles se auto-identificam como praticantes do Candomblé. As raízes de referências da maioria são oriundas da Bahia e São Paulo, porém a casa que está sendo investigada nesta pesquisa é da nação Angola e sua origem é de Maceió (AL) e Aracaju (SE). Em capítulos posteriores nos deteremos em detalhar a História desse terreiro.
Nossas visitas e conversas com algumas lideranças tem demonstrado, que há pouca receptividade da sociedade juazeirense para com as casas de culto de matrizes africanas. Embora, evitando dar maior ênfase ao fato, algumas de nossas informantes falam da presença de policiais, em algumas ocasiões, propondo encerrar os momentos de função religiosa diante da argumentação de estarem desrespeitando as leis relativas ao silêncio. Outra informação nesta ordem refere-se a momentos em que são interrompidas oferendas em áreas públicas, pela mesma força policial.
O que nos move na direção desta investigação é o fato de residirmos na região, em Juazeiro do Norte, e perceber um grande número de pessoas adeptas do Candomblé que abrange, até onde temos observado, dois perfis diversos. Primeiro, um dado marcante é o número expressivo de praticantes das religiões afro-brasileiras, na cidade, que não revelam aos seus familiares sua inserção no Candomblé.
A explicação sobre tal negação repousaria no medo destas pessoas diante da retaliação advinda de um grupo familiar tradicionalmente oriundo das religiões cristãs. Isto é, aquelas que são seguidores, em muitas vezes iniciadas, guardam segredo e continuam como católicas, aos olhares das famílias e da sociedade em geral. Fato que veio mudar um pouco com as duas caminhadas anteriormente citadas.
sociedade juazeirense presenciou duas passeatas que visaram o combate a intolerância religiosa no município. Em janeiro de 2010 e a outra em janeiro de 2011.
Outro tipo é o das pessoas que se comprazem em anunciar o seu pertencimento religioso fazendo disto alvo de manifestação de pessoas que não são de religiões afrodescendentes. Ainda assim, as praticantes e iniciados têm papel preponderante na manutenção da existência do Candomblé em Juazeiro do Norte. Os cargos, as posições nobiliárquicas e as hierarquias tradicionalmente legadas aos seguidores nas religiões afro-brasileiras são mantidas ali.
Juazeiro do Norte, carregada daquele “mito” brasileiro e cearense, dos séculos XIX e XX, de um Brasil miscigenado, sem negro e consequentemente sem racismo. É muito freqüente ouvir-se “no Ceará não tem negro”. Frase que traz uma carga de ironia e marca de um equívoco histórico (CUNHA Jr., 2009; FUNES, 2004).
A idéia de que no Ceará não tem negro porque a escravidão foi pouco significativa é uma lógica incoerente e perversa, uma vez que assim sendo só é possível associar o negro à escravidão criminosa. Logo, acredita-se que no Estado cearense não teve negros por que a escravidão não existiu e quando existiu foi mínima, quase insignificante, foi um escravismo relativamente pequeno com relação a outros estados brasileiros (FUNES, 2004).
A população juazeirense ignora a maioria negra ou afro-descendente. É difícil aceitar a afirmação de que não há cultura e característica negras na cidade, pois essa negritude se confirma pelas reminiscências arraigadas hoje, as quais vieram do período colonial (NUNES, 2007). Apesar da região ter sido ocupada de forma diferente do restante do Nordeste, com a criação do gado, isso não significa dizer que não houvessem pessoas escravizadas.
O gado e em seguida a produção do algodão no século XVIII, trouxeram mão- de-obra escravizada e/ou afro-descendentes (FUNES, 2004). Porém, não serão apenas essas duas razões apontadas que configurarão a presença negra, mas também nos engenhos de açúcar em que estava presente o negro na produção de água-ardente e rapadura (NUNES, 2007).
No seu trabalho que se dedicou a estudar os Reisados do Juazeiro do Norte, Nunes (2007) demonstra que a alta representação demográfica de população negra na Região contribuiu para a continuidade e resistência dos afro-brasileiros no Ceará. O que
subsidia nossa pesquisa sobre a presença de religiões de matrizes africanas na cidade de Juazeiro do Norte, foco de nossa pesquisa. Pois a presença de manifestações culturais nos leva a crer na existência de uma continuidade, tanto da cultura quanto da própria presença negra na cidade. A existência destes hoje é expressiva na cidade e a confirmação é constatada pela presença de várias formas culturais, como o Reisado de Congo, e dentre essas manifestações também estão inseridos os cultos afro-brasileiros.
Os dados logo abaixo nos darão uma certeza com relação à presença dos negros no Ceará e conseguintemente seus resquícios culturais e religiosos na contemporaneidade. As estatísticas confirmam a presença de negros no ceará no início do século XIX e consequentemente suas práticas humanas. No século XIX a presença de afro-brasileiros já era significativa, onde negros, pardos e libertos somavam 60,7% de uma população total de 77.375 (FUNES, 2004).
Neste universo, a população negra e parda cativa somava 12.254, ou seja, 15,8% da população. Em 1991, a representação étnica cearense do total da população predominou o mestiço-pardo. Nesse ano, a população total no Estado do Ceará que somava 6.366.647, 187.750 era preta; parda somava 4.290.828 e sem declaração 13.617 (FUNES, 2004). Os dados são condições que ajudam a comprovar a existência de um grande contingente de negros no Ceará no período escravocrata.
Se não bastasse toda uma expiação sofrida, na época do escravismo criminoso, pelo negro, ainda permanecem na atual sociedade ações que degradam a imagem dos afrodescendentes e sua cultura. Líderes evangélicos fanáticos e cheios de ações preconceituosas dizem que a cultura negra é coisa do diabo e desprezível para uma sociedade que tem como fundamento de vida o cristianismo (JESUS, 2003).
O que tem sido pregado atualmente é resultado de uma forma racista de conceituar as religiões africanas e os elementos da cultura negra. Se da forma que tratam o escravismo já é causa para a autonegação do afrodescendente, imaginemos quando se buscam as discussões de cunho religioso, pois “a macumba e o candomblé têm sido estigmatizados como coisa do demônio” (CUNHA Jr., 2007, p. 5).
A maior parte da sociedade local não dá a “mínima atenção” para as ações aviltantes e humilhantes que os afro-descendentes e seus locais de culto sofrem. As
ações verbais depreciativas são constantes para com os praticantes. Atitudes essas vindas, com mais freqüência dos evangélicos pentecostais e os neopentecostais, que são vistas como atitudes comuns, não sendo consideradas como práticas de racismo na visão de muitos (JESUS, 2003).
Realidade essa, repleta de preconceito racial, em que o fato de participar de práticas religiosas afrodescendentes é motivo para “chacotas”, apelidos pejorativos, ações depreciativas e que levam consequentemente à negação dos seguidores. Assim sendo, negar a identidade, a cultura e a religião de origem africana é a melhor maneira de ser aceito na sociedade (Id, Ibidem).
Então, diante dessa forma de ver o mundo que pertence aos afrodescendentes, ao qual pronuncio pertencer, despertou-me o desejo de pesquisa, pois como diz Cunha Jr. (2006), a nossa evidência é construção do conhecimento que nos leve a interferir na conjuntura estrutural que molda a vida da população de origem africana. A partir daí, iniciamos nossa participação no grupo de estudos anteriormente citado, coordenado pela professora Dra. Joselina da Silva, que tinha como um das áreas de pesquisa a religiosidade de raízes africanas.
Um dos intuitos, entre outros, que despertaram a edificação desta pesquisa é quebrar paradigmas e preconceitos eurocêntricos que ainda predominam na sociedade corrente e que subjugam e estereotipam as pessoas e a cultura de origem africana, sendo Juazeiro do Norte um exemplo desta prática.
A busca por romper com a hegemonia se mostra através de vários projetos de cunho científico e a utilização da pluralidade cultural e do uso da base africana é um deles. Visto que a “retomada do pensamento africano foi um grande passo para a crítica e formulação de um processo de ruptura com a hegemonia do eurocentrismo e sobre- tudo como o brancocentrismo brasileiro” (CUNHA Jr., 2006, p. 6).
Dessa maneira, só que no ano de 2003, peguei uma pequena carona naquele bonde em que os estudos sobre a população afrodescendente realizado pelos mesmos ganharam amplitude na década de 80 do século passado. Pois ainda continua pequeno o interesse acadêmico pelos temas voltados para as questões étnico-raciais. Sempre diminuto e encarando os diversos obstáculos (Id, Ibidem).