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Finansal Liberalizasyon ve Ekonomik Büyüme li kisi

BÖLÜM 2: GEÇ EKONOM LER NDE L BERAL ZASYON VE EKONOM K

2.6. Finansal Liberalizasyon ve Ekonomik Büyüme li kisi

Este estudo representou a primeira evidência sorológica de que FHV 1, FCV, FPV e a bacteria intracellular obrigatória E. canis (ou agentes antigenicamente relacionados) estejam presentes entre felídeos de vida livre no Brasil. Os resultados indicam que a co-infecção com os patógenos virais estudados não é comum para felídeos neotropicais brasileiros de vida livre: a maioria dos animais (76%) foram soropositivos para apenas um ou dois dos vírus selecionados. A única exceção foi uma jaguatirica amazônica (animal 18, Fig. 1, Apêndice A) que se apresentou soropositiva para quatro dos vírus pesquisados: FHV 1, FCV, FCoV, FPV (Apêndice E).

A alta prevalência de anticorpos demonstrada para parvovírus (aproximadamente 48%), como pode ser observado na tabela 2, pode estar relacionada com a grande resistência ambiental destes vírus não envelopados. Desta forma, animais de vida livre podem ser expostos em áreas contaminadas por fezes, ainda que os felídeos sejam solitários, esparsamente distribuídos e suas populações tenham baixa densidade (BARKER; PARISH, 2001). Em contraste, o FCoV não persiste no ambiente, o que pode explicar o único animal soropositivo encontrado neste estudo.

Entretanto, os vírus respiratórios FHV 1 e FCV são lábeis no ambiente, requerem contato direto para serem transmitidos, e ainda assim resultados positivos para ambos agentes foram relativamente comuns neste estudo (aproximadamente 29%). Esta situação é similar à de leões de vida livre na África, em que altas prevalências para FHV 1 e FCV são relatadas (HOFMANN-LEHMANN et al., 1996). No caso dos leões, o comportamento grupal, que permite a transmissão horizontal, pode explicar a alta soroprevalência. No presente caso, os resultados para FHV 1 e FCV podem refletir a persistência de anticorpos em função de infecção quando filhotes, durante acasalamento ou ainda devido a contato com gatos domésticos.

O encontro de anticorpos para retrovirus (FeLV, FIV e PLV) chama a atenção para a necessidade de monitoramento. Um total de três animais apresentaram anticorpos para FeLV (um animal para a glicoproteína gp 70 do vírus no ELISA; outro animal apenas para a proteína p27 do vírus no Western blot; e dois destes animais para gp 70 e p27), como pode ser observado no apêndice E, para os animais identificados como 6, 9 e 10. Entretanto, o antígeno p27 não foi detectado no ELISA direto para nenhum dos três animais, indicando que não havia infecção ativa, com replicação viral e sugerindo que estes animais tenham

desenvolvido infecção regressiva, montando respostas imunes específicas. Todavia, o encontro de animais soropositivos é preocupante. Não se sabe se felídeos neotropicais são susceptíveis à doença; há relatos de felídeos filogeneticamente distantes dos gatos domésticos susceptíveis às enfermidades (JESSUP et al., 1993; MARKER et al., 2003), ao passo que para o gato-selvagem-europeu, tão filogeneticamente próximo do doméstico, o FeLV é consistentemente encontrado em populações de vida livre e não apresenta alta patogenicidade. A alta prevalência de infecções por FeLV em gatos-selvagens-europeus sugere que o vírus seja mantido nestas populações. A possibilidade de que a infecção seja constantemente adquirida através do contato com gatos domésticos nestas populações selvagens européias não parece provável, uma vez que as prevalências são constantemente mais altas que aquelas dos domésticos em todas as áreas estudadas de ocorrência natural da espécie. (HOFMANN-LEHMANN, comunicação pessoal; DANIELS et al., 1999; FROMONT et. al., 2000; LEUTENEGGER et. al. 1999a).

Uma única suçuarana apresentou-se soropositiva para FIV (animal 2, Apêndice E). Este animal e um segundo animal também apresentou anticorpos para PLV (animal 8, Apêndice E). A única forma de se determinar a natureza e origem destes virus seria uma análise de seqüências gênicas; porém não houve material disponível para execução de tais análises.

Anticorpos para E. canis mediante IFA foram detectados em amostra de soro de uma única suçuarana (animal 19, Apêndice E). Embora o título tenha sido muito alto, a interpretação deste resultado é difícil. Pode representar evidência de infecção por E. canis ou os anticorpos detectados podem ter sido resultado de infecções por outras espécies relacionadas de Ehrlichia, como E. chaffeensis ou E. ewingii. Carrapatos, potenciais vetores na transmissão das erliquioses, são comuns na região (Barão de Melgaço, Mato Grosso) onde este animal foi capturado e numerosas espécies, incluindo Amblyomma ovale, A. parvum, A. cajennense, Boophilus microplus e Ixodes aragaoi foram relatadas parasitando suçuaranas (LABRUNA et al., 2005). Pesquisas genômicas das diversas espécies de Ehrlichia em carrapatos colhidos nos locais de captura seriam importantes para elucidar seu papel como vetores. Análises moleculares em amostras de sangue desta suçuarana soropositiva poderiam determinar as espécies de Ehrlichia envolvidas. Entretanto, não havia amostras de sangue disponíveis para a execução destes testes. Estudos posteriores com amostragens maiores de sangue de felídeos de vida livre poderiam eventualmente caracterizá-los como potenciais reservatórios dos agentes, da mesma forma que recentemente cervídeos de vida livre foram implicados como potenciais reservatórios de erlíquias (MACHADO et al., 2006). A

implicação zoonótica de tais agentes é evidente, uma vez que várias espécies dentro dos gêneros Ehrlichia e Anaplasma têm sido associados com doenças emergentes transmitidas por vetores em em humanos (PAROLA; DAVOUST; RAOULT, 2005).

Foi detectada uma prevalência muito alta de anticorpos para B. henselae (95%) mediante IFA nas amostras de 20 animais analisadas, constituindo a mais alta prevalência já relatada para qualquer espécie de felídeo (CHOMEL et al., 2004b). Estes resultados sugerem que felídeos brasileiros de vida livre podem ser reservatórios do patógeno zoonótico B. henselae, que causa a doença-da-arranhadura-do-gato em humanos (CHOMEL et al., 2004a). Esta zoonose deve ser considerada nas capturas de felídeos devido ao risco representado (ROTSTEIN et al., 2000). Diretrizes em zoológicos e programas de manejo de vida selvagem devem enfatizar as recomendações para o manejo seguro de animais. O patógeno B. henselae é transmitido principalmente através de pulgas (C. felis) em gatos domésticos (CHOMEL et. al 1996) e é potencialmente transmissível entre felídeos domésticos e selvagens (CHOMEL et al., 2004b). O contato entre felídeos de vida livre e gatos domésticos, todos hospedeiros para C. felis (LINARDI; GUIMARÃES, 2000) deve ser previsto. O controle de pulgas em gatos domésticos é recomendado pelo menos onde os territórios dos felídeos de vida livre se sobrepõem aos assentamentos humanos. Além de pulgas, há indícios de que carrapatos do gênero Ixodes sejam vetores para Bartonella sp (CHANG et al., 2001; CHOMEL et al., 2004b; SCHOULS et al., 1999) e carrapatos da espécie Ixodes aragaoi foram identificados parasitando uma suçuarana em Barão de Melgaço/ Mato Grosso (LABRUNA et al., 2005). Nesta localidade, a maioria das suçuaranas ( Figura 1, Apêndices A e E) apresentou-se soropositiva para B. henselae.

Os resultados dos testes TaqMan® PCR e RT-PCR realizados para amostras de soro de seis felídeos de vida livre evidenciaram três suçuaranas soropositivas para FPV (Tabela 5), que apresentavam viremia aguda por ocasião da contenção/colheita (animais 3, 4 e 5, Apêndice E), enquanto uma amostra de soro analisada de um animal soronegativo apresentou resultados negativos (animal 6, Apêndice E). Infelizmente, não havia amostras de fezes disponíveis dos animais 3, 4 e 5 para pesquisa de eliminação viral. Os demais testes de detecção viral realizados nas demais amostras disponíveis de sangue e fezes não detectaram a presença de nenhum dos agentes investigados. Estes testes foram executados apenas para amostras desta população que não haviam sofrido descongelamento prévio; do contrário a previsível degradação dos ácidos nucléicos não traria resultados informativos.

De acordo com os exames físicos realizados no momento da colheita das amostras, não houve sinais das infecções ou doenças relacionadas nos animais. O único animal

necropsiado, um gato-do-mato-pequeno (animal 20, Figura 1, Apêndice A), apresentava excelente condição corporal, com exceção de intensa parasitose, incluindo Dirofilaria immitis (FILONI et al., 2004; 2003b). Até o momento, o significado destes patógenos para a saúde geral das populações destes felídeos selvagens é desconhecida. Para todos os agentes infecciosos avaliados neste estudo, incluindo CDV e A. phagocytophilum, a importância destas infecções podem ter sido subestimadas, pois é possível que muitos animais infectados tenham desenvolvido sinais clínicos ou morrido sem serem notados, não permitindo a detecção das infecções. Uma vez que os agentes infecciosos investigados no presente estudo são patógenos comuns em carnívoros domésticos, não é possível determinar se estes agentes são historicamente associados com populações de felídeos neotropicais ou foram introduzidos através de interações com carnívoros domésticos. O isolamento e caracterização molecular destes patógenos, tanto em carnívoros domésticos como selvagens, poderiam fornecer respostas a estas questões.

A exposição de felídeos a agentes infecciosos na natureza, por um lado, pode significar que a soltura ou reintrodução de animais procedentes de cativeiro, potencialmente infectados, não representaria risco de se introduzir tais agentes (LEUTENEGGER et al., 1999a). Por outro lado, o potencial patogênico destes agentes não está estabelecido e translocações de animais soropositivos e/ou infectados pode apresentar efeitos deletérios na regulação natural de populações que podem estar indenes; devendo ser avaliadas muito cuidadosamente (HOFMANN-LEHMANN et al., 1996).

O bioma da Floresta Amazônica ainda é o mais preservado e com maior cobertura vegetal e ocupa a maior área espacial. Apesar disso, tivemos acesso a amostras de apenas duas localidades diferentes dentro deste bioma. Isto coincide com o fato de que projetos de campo acerca de conservação de felídeos estão concentrados nas proximidades de áreas de conflito entre humanos e grandes felídeos nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste. Seria importante a obtenção de mais incentivo econômico para que projetos de campo fossem conduzidos na região amazônica. Além disso, seria recomendável promover a obtenção de dados para o desenvolvimento de programas direcionados à prevenção e mitigação de doenças infecciosas, seja em projetos de campo já em andamento ou futuros, de acordo com recentes iniciativas governamentais e não-governamentais (BRASIL, 2004). Em todas as áreas naturais amostradas, alterações nas paisagens devido a pressões antrópicas são um importante ponto de preocupação, principalmente nos biomas do Cerrado e Floresta Atlântica, onde o desmatamento, agricultura, industrialização e urbanização são especialmente acentuados. Neste cenário, carnívoros domésticos, entre outros, estão

amplamente distribuídos como espécies exóticas introduzidas. Uma vez que os agentes infecciosos investigados no presente estudo são patógenos comuns de carnívoros domésticos, não é possível determinar se as infecções detectadas são originárias das populações de felídeos neotropicais ou os carnívoros domésticos transmitiram estes agentes aos selvagens. O isolamento e caracterização molecular dos patógenos, tanto nos carnívoros domésticos como selvagens, seriam úteis em ajudar a encontrar uma resposta para esta questão.

5.3 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS PARA FELÍDEOS MANTIDOS EM