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Fillerin Basit Zaman Şekilleri .1 Bildirme Kipleri

2.7 Eylem Çekimleri

2.7.1 Fillerin Basit Zaman Şekilleri .1 Bildirme Kipleri

A mais calada do grupo, Édina revelou ter tido uma infância difícil, principalmente pelo fato de sua mãe ser muito cuidadosa com os filhos. Naquela época, o carinho era diferente e a luta do cotidiano na roça determinava a dureza da vida.

Édina cresceu na roça e só teve acesso à escola durante um curto período na adolescência: enquanto havia a companhia de um irmão e um tio, ela e sua irmã puderam freqüentar uma escola noturna na cidade. Tão logo, eles completaram a quarta série, escolaridade máxima naquele tempo e lugar, as meninas tiveram que abandonar os estudos: “Eu tinha vontade de estudar. Quando falava de estudar, o pai respondia: ‘Não pode estudar porque tem bastante moleque lá.’ Então, não deixava menina estudar na mesma sala de moleque.”

A breve experiência escolar rendeu-lhe a capacidade de assinar o próprio nome: Foto 9

28/06/2006

Édina descansando no parquinho, durante visita à Hípica Recanto dos Cavaleiros.

Com esse pouquinho que eu aprendi, nem dava para eu me considerar uma pessoa alfabetizada. Eu queria aprender a ler e não sabia. Então, eu achava que não sabia nada porque para ser uma pessoa alfabetizada tem que saber ler. Só o nome não vale. Serve só para não ter que pôr o dedo. Eu assinava, mas não sabia ler, era que nem não saber nada.

Depois de casada, Édina tentou estudar novamente e começou a freqüentar uma escola, em Bauru, juntamente com a mesma irmã que a acompanhou na primeira experiência. Porém, o ciumento marido colocou diversos obstáculos e a evasão efetivou-se em um mês: com os filhos todos pequenos como freqüentar aulas noturnas diante da recusa do marido de cuidar das crianças? Mesmo sabendo que as crianças já tinham condições de cuidar umas às outras, Édina sucumbiu à aversão do esposo quanto à sua saída noturna.

Quando ficou viúva, há 10 anos, nem documento de identidade Édina possuía: “Até meus parentes diziam que, se eu morresse, seria enterrada como indigente porque não tinha nenhum documento. Eu não precisava de documentos porque só vivia em casa e tudo quem cuidava era o meu marido. Depois que ele morreu, eu tive que providenciar tudo.”

Mesmo depois de viúva, levou um tempo para Édina se conformar e recomeçar a vida. Sua trajetória no MOVA-Guarulhos é semelhante à de Daura, pois ambas freqüentaram as mesmas três salas: primeiramente, a sala do bairro Seródio, freqüentada por um ano:

Fui para a sala dela porque gostava dela. Amo a Ciça até hoje! Mas, lá era muito longe. Como não tinha aqui perto, comecei a ir lá. Todo dia, todo dia... seis e meia da manhã eu ia para lá. Aí, eu não agüentei. Parei. Chegava em casa cansada, às dez horas, só o pó! O serviço de casa todo para fazer! Foi aí que eu cansei e parei. O primeiro dia lá com a Ciça foi muito bom. Eu vi todo mundo igual a mim e pensei: “aqui eu vou aprender.” Aprendi pouquinho. Acho que eu tinha dificuldade, foi no tempo que meu filho morreu e eu não andava com a cabeça muito certa. Perder marido e um filho num período de quatro anos não é fácil... Nem gosto de falar sobre isso47. Não sou muito de contar os meus problemas, se não eu choro.

A segunda experiência foi na sala noturna da Comunidade Santa Teresa D’Ávila, na qual permaneceu, aproximadamente, por três meses: “Ela só dava matemática e eu falava que queria aprender a ler porque eu não gosto de matemática: não é para minha cabeça, não! Eu faço conta de cabeça, mas no lápis não vai. Desisti de estudar com ela mais por causa da matemática.”

Por fim, Édina foi convidada por uma conhecida para estudar na sala matutina da qual é uma das educandas veteranas:

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Aproveitamos para comentar que o tema da morte foi explicitamente vetado pelo grupo como desencadeador de narrativa, conforme registrado nos relatórios dos encontros.

Eu gostava quando éramos só nós duas porque ela dava mais atenção. Ficávamos só nós duas ali, ela ensinava mais. Agora tem bastante gente. Tem uma mulherada lá que fala muito... Quando começa a falar muito, a cabeça da gente embanana. Começa a embolar tudo! Mas a lição hoje está boa. Tenho fé em Deus que ainda vou mais longe.

Os dois anos de freqüência ao núcleo atual têm sido interrompidos pela necessidade de visitar a mãe cuja saúde, aos 92 anos, passa por períodos críticos.

Mesmo com as idas e vindas, Édina já se considera uma pessoa alfabetizada:

Agora eu já vejo placa. Leio muitas coisas. Antes, eu não lia o nome do ônibus, nem sabia ver meu nome nas coisas quando precisa. Por exemplo, no papel do médico do INPS. Meu nome eu conseguia, mas outra coisa eu não conseguia, não. Agora, eu já leio bastante coisa. Gaguejando, mas vai. Agora, eu não me perco mais com as datas, já pego o ônibus sozinha. Se eu estiver no ponto e alguém pedir para eu avisar quando vier o ônibus tal, eu já consigo. Quando eu não conseguia essas coisas, eu não me sentia bem. Tinha vergonha de tudo: tinha vergonha de conversar com as pessoas, tinha vergonha de ficar no meio dos outros assim, tinha vergonha de sair de casa. Até de trocar uma roupa para sair eu tinha vergonha! Achava que o povo ia ficar olhando!

3.1.4 Maria Chacon, 68 anos, nascida em Nova Cruz

(RN)

“Bota tudo na internet!

Eu quero mais é que o mundo todo me veja!”

Primeira aluna da turma matutina de alfabetização. No entanto, perdeu um ano de aula por estar cuidando do marido – com quem casou muito jovem por determinação paterna e viveu confortavelmente durante mais de cinco décadas – que teve três infartos e um derrame. Em nosso primeiro encontro, descreveu com detalhes os dias finais da vida de seu esposo, desde o último infarto, no final de 2005, até seu falecimento, em abril de 2006 – pela primeira vez, ela contou ao grupo todos os acontecimentos que determinaram seu afastamento, durante um ano, da sala de aula. Chorou48, ao final da narrativa sobre a morte do esposo.

Tão logo enviuvou, Maria Chacon voltou a estudar. Os filhos receavam que ela entrasse em depressão e ela, por sua vez, afirmou gostar de estar na sala de aula: “Quando estou sozinha, pioro”. Julga a casa grande demais para viver sozinha e, por isso, acaba passando boa parte do tempo na casa da filha, que vive na parte inferior do imóvel.

Ao contrário das colegas que passaram a infância apenas sonhando em estudar, Chacon teve a oportunidade de cursar até o curso preparatório para o Exame de Admissão. No entanto, não gostava de estudar: apenas esforçava-se para agradar ao pai que dava muito valor aos estudos e acompanhava os boletins e cadernos. Quando havia uma lição errada, ele obrigava a copiar três vezes no caderno a maneira correta.

A idéia de voltar a estudar surgiu quando uma vizinha resolveu abrir uma sala de alfabetização de adultos na Comunidade. Inicialmente, Chacon não se animou com o convite,

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Os encontros foram repletos de momentos de forte emoção que levaram as participantes às lágrimas.

Foto 10 27/09/2006

Maria Chacon em uma sala de aula da Universidade de Guarulhos durante a II Conferência Municipal do Idoso.

mas acabou sendo vencida pela insistência: Eu nem queria ir! ‘Imagina, Tiana, o que eu vou fazer na escola?’ E ela: ‘Vamos! Vamos! Vamos pra você dar uma força para os outros irem. Que os outros também não querem ir e não sei o quê...’ Aí, o meu marido falou: ‘Ah! Vai... fica aí sem fazer nada, não sei o quê...’ Aí, eu voltei com a Tiana...

Como pioneira no núcleo de alfabetização, bravamente construído por Tiana a custo de muita insistência, Chacon acompanhou a educadora popular até a formação definitiva da sala: “Ah! Tinha hora que desanimava! ‘Isso não vai dar certo! Ninguém vai vir!’ Só nós duas: entrávamos nós duas e saíamos nós duas. É tanto que dona Maria de Oliveira pensava que eu era mãe da Tiana. Porque eu sempre ia pra casa dela depois da aula.”

Em sua família, com exceção de sua mãe, todas as pessoas foram alfabetizadas. Inclusive, algumas irmãs são professoras no Nordeste para onde Chacon costuma viajar em quase todos os finais de ano, sem data para voltar.

Os filhos incentivaram sua permanência no núcleo de alfabetização: “Vai, mãe! Ao menos, a senhora sai de casa. São duas horas que a senhora passa lá fora, com pessoas diferentes, conversando...” Deram a maior força! É tanto que uma já perguntou pra mim: “Quando é que você vai passar de ano?”

Os filhos e netos sempre ocuparam um papel de grande importância em sua vida. Inclusive rendendo-lhe o maior desgosto: a mudança de religião. Tudo começou quando um dos filhos começou a namorar uma moça evangélica e foi convencido a converter-se. O dia de seu batizado às escondidas, pressentido pelo coração materno, foi um dos mais tristes da vida de Chacon. O segundo grande golpe foi a conversão do seu próprio esposo pelo filho. Ambos os episódios marcaram os limites de tolerância desta senhora.

Após o casamento, o filho convertido mudou-se com a nova família para o país de origem da mesma: Grécia. Em novas terras, tornou-se um respeitado membro da Igreja que o acolheu e deu três netas a Chacon. Em 1992, ela passou seis meses em Rhodes, visitando o filho, viagem que lhe rendeu muitas histórias para contar.

O fato de, por um lado, ter parentes vivendo em terras tão distantes e, por outro, morar no mesmo quintal de uma das filhas que têm acesso à Internet, tem possibilitado a Maria Chacon o contato com um universo de uso da escrita do qual suas colegas tinham pouquíssimas informações até o início desta pesquisa. Regularmente, ela comentava sobre as conversas que tinham (sempre mediada pela filha) pelo programa de troca de mensagens MSN e as notícias e fotos que as netas lhe enviavam pelo site de relacionamentos Orkut.

Sempre que mencionávamos algo referente à divulgação dos resultados da pesquisa, ela perguntava se estaria disponível na Internet: “você tem que botar isso tudo na Internet:

foto, o que a gente fala, o que a gente escreve, tudo! Já que eu estou aqui contando tanta coisa, quero mais é que todo mundo fique sabendo quem eu sou! Até meu filho lá na Grécia vai poder ver!”

3.1.5 Maria Oliveira, 65 anos, nascida em Bonito de

Santa Fé (PB)

Benzer Belgeler