EMEKLİLİK İŞLEMLERİNDE DEĞERLENDİRİLMESİ
II- Fiili Hizmet Süresi Zammından Yararlanma Şartları:
Conforme já mencionamos, na contratação integrada não são permitidos aditivos (exceto em condições excepcionalíssimas) e, portanto, necessariamente a Administração Pública transfere risco para o contratado. Considerando que a assunção de riscos pelo
170 A título de exemplo, cf. BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n. 1.465/2013, Plenário, Rel. Min.
José Múcio Monteiro, DOU 116, 19.06.2013. No mesmo sentido: BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n. 2.163/2015, Plenário, Rel. Min. André Luís de Carvalho, DOU 171, 08.09.2015; BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n. 3.415/2014, Plenário, Rel. Min. Weder de Oliveira, DOU 240, 11.12.2014.
particular que tradicionalmente seriam assumidos pela Administração, elevam os custos do contrato, é possível afirmar que o contrato oriundo da contratação integrada será menos econômico, naturalmente, que aquele fundamentado nos demais regimes de execução. A Administração Pública Federal tem olvidado esforços no sentido de reduzir os custos do contrato. Uma das iniciativas foi exigir, para fins de contratação, a apresentação de apólice de seguro risco de engenharia. Contudo, ao demandar a referida apólice, não detalhou especificamente os riscos das coberturas previstas no edital para o seguro.
Nesse sentido, vale mencionar a disciplina do Tribunal de Contas da União, prolatada no Acórdão n. 1.465/2013, Plenário, referente à auditoria de fiscalização na licitação relativa ao Edital RDC Presencial n. 608/2012-00, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT),172cujo objeto é a contratação integrada de empresa para elaborar projeto básico e projeto executivo de engenharia, além da execução das obras de restauração da pista existente, de adequação de capacidade, melhoria da segurança com eliminação de pontos críticos, duplicação e construção de obras de arte especiais da rodovia BR-163/364/MT. Aduziu-se no relatório que “seguindo o objetivo de se evitar ou minimizar riscos para a Administração, decorrentes de eventos futuros, com reflexos em alterações do preço contratado, o DNIT exigiu, de forma inovadora, do futuro contratado, a inclusão de ‘seguro risco de engenharia’ para o empreendimento”. No entanto, a caracterização desse seguro no instrumento convocatório foi ampla e não previu detalhes delimitadores da apólice pretendida, situação que, na opinião dos técnicos, poderia frustrar a intenção inicial da Autarquia. “O anteprojeto do empreendimento adotou como referência para remuneração do seguro montante correspondente a 2% do orçamento das obras e serviços a serem contratados.” A cobertura previa, inclusive, indenização em caso de erro de projeto e risco de fabricante, ocasião em que cobriria danos causados à obra decorrentes de erro de projeto mais prejuízos ocorridos durante reposição, reparo ou retificação. A falta de informações, considerando que “não se encontraram no instrumento convocatório os dados fundamentais para esclarecer, delimitar e garantir que o seguro pretendido, com todas essas coberturas, será o fornecido pelo contratado”,173 impedirá que as pretensões do gestor de minimização dos riscos deem
resultado.174
172 Disponível em: <http://www1.dnit.gov.br/anexo/Edital/Edital_edital0608_12-00_1.pdf>. Acesso em: 13 dez.
2015.
173 BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n. 1.465/2013, Plenário, Rel. Min. José Múcio Monteiro,
DOU 116, 19.06.2013.
174 A título de exemplo, o edital não esclarece quais os valores do risco declarado (valor integral das coisas
Ou seja, a almejada estabilidade contratual com o seguro risco de engenharia pode ser comprometida pela falta de disciplina da utilização desse produto. A existência desses elementos, na opinião do Tribunal de Contas da União, é condição básica para que as pretensões do gestor de minimização dos riscos possam ser reais, in verbis:
Verifica-se que algumas situações de risco previstas no seguro estão, em tese, também resguardadas na Lei do RDC, a exemplo do caso fortuito e da força maior. Esses tipos de ocorrência foram elencados como passíveis de serem segurados (eventos naturais, sabotagens, greves, tumultos, acidentes, etc.) e, ao mesmo tempo, estão previstos no RDC nas possibilidades de reequilíbrio econômico-financeiro (art. 9.º, § 4.º, I). Essa carência de informação, tanto no edital quanto na minuta do contrato, faz com que, na ocorrência de fatos dessa natureza, surja a incerteza de a qual instrumento recorrer – ao seguro ou à lei.
No mais, as informações gerais apresentadas no edital para o tópico seguro riscos de engenharia não possibilitam visualizar, além de outras condições gerais, circunstâncias específicas ao empreendimento rodoviário, que deverão compor a respectiva apólice de seguro, situação que, mais uma vez, deixa em dúvida a concretização da vontade da Administração de se resguardar de riscos intrínsecos à contratação da obra.
Na hipótese, concluiu-se, em atenção aos princípios da isonomia do certame (art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal; art. 1.º, § 1.º, inciso IV, da Lei n. 12.462/2011) e da segurança jurídica do contrato (art. 5.º, inciso XXXVI, da Constituição Federal), pela “necessidade de a Autarquia estabelecer, precisamente, nos instrumentos convocatórios de contratação integrada, uma matriz de alocação dos riscos envolvidos no processo de execução da obra, a serem assumidos pelos contratantes”, e, da mesma maneira que vêm disciplinando acerca da matriz de riscos, “acrescentar aos respectivos editais documento que bem reflita, nos termos da apólice de seguro, riscos de engenharia, conforme as características de cada empreendimento que será licitado”.175
É nesse sentido também o Acórdão n. 1.310/2013, que determinou ao DNIT que acrescente aos editais de obras que contemplem “seguro risco de engenharia” documento que reflita de forma fidedigna os vários aspectos e particularidades que deverão compor as condições que a apólice abarcará, em cada caso concreto a ser assegurado; ou seja, vedou a remissão genérica ao supracitado seguro, exigindo do DNIT o detalhamento dos itens que deverão constar da apólice.176
seguradora em decorrência de um sinistro), nem se posiciona em relação aos possíveis eventos que venham ultrapassar os limites máximos de indenização a serem contratados.
175 BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n. 1.465/2013, Plenário, Rel. Min. José Múcio Monteiro,
DOU 116, 19.06.2013.
176 BRASIL. Tribunal de Contas da União. Acórdão n. 1.310/2013, Plenário, Rel. Min. Walton Alencar
Ao decidir pela utilização do Regime Diferenciado de Contratações, a Administração ganha um incremento à discricionariedade para formatar o procedimento licitatório. A modelagem da licitação permite uma gama de variações, em contrapartida, caberá ao gestor justificar suas escolhas, principalmente aquelas que, por sua própria natureza, têm o condão de interferir na competição do certame ou nos valores a serem desembolsados pelo Poder Público. A iniciativa de prever a obrigação de aquisição de seguro risco engenharia poderá ser interessante para determinados casos e, em outras situações, poderá restar demonstrado tratar- se de uma cautela que não se justifica. Trocando em miúdos, mais uma vez a administração deverá motivar adequadamente sua escolha e detalhar as hipóteses de utilização do referido seguro, sob pena de incorrer em contratação que não satisfaça os princípios da economicidade e eficiência.
Além da iniciativa de prever nos editais e contratos a obrigação de contratação do seguro risco engenharia, foi regulamentada em 2013 a taxa de risco (reserva de contingência) a ser considerada nas contratações integradas, no âmbito do RDC. Em 20 de agosto de 2013, foi publicado o Decreto n. 8.080/2013, que altera o Decreto n. 7.581/2013, o qual regulamenta o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) no âmbito da União.177 Entre as alterações instituídas, foram inseridos os §§ 1.º e 2.º no art. 75, prevendo expressamente a possibilidade de inserção da taxa de risco (reserva de contingência) nos orçamentos estimados das contratações integradas, conforme trecho transcrito a seguir:
§ 1.º Na elaboração do orçamento estimado na forma prevista no caput, poderá ser considerada taxa de risco compatível com o objeto da licitação e as contingências atribuídas ao contratado, devendo a referida taxa ser motivada de acordo com metodologia definida em ato do Ministério supervisor ou da entidade contratante.
§ 2.º A taxa de risco a que se refere o § 1.º não integrará a parcela de benefícios e despesas indiretas – BDI do orçamento estimado, devendo ser considerada apenas para efeito de análise de aceitabilidade das propostas ofertadas no processo licitatório.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) desenvolveu uma metodologia de gerenciamento de riscos elaborada para aplicação nas contratações integradas, com o objetivo de identificar, quantificar e remunerar os riscos que serão transferidos ao
177 O autor deste trabalho optou por não apresentar detalhes constantes do Decreto que regulamenta a aplicação
do Regime Diferenciado de Contratações no âmbito da União, considerando que cada ente tem autonomia para regulamentar a Lei n. 12.462, de 2011, e não seria possível trazer à colação todos os dispositivos existentes. No entanto, pareceu pertinente abrir exceção para tratar da matéria em comento.
contratado,178 estabelecendo, contudo, uma taxa predeterminada, aplicável aos contratos. Há severas críticas à possibilidade de remuneração dos riscos assumidos pelo particular na contratação integrada, por intermédio de uma taxa (equacionada com base em experiências de modificações contratuais anteriores) acrescida ao valor do orçamento. A natureza do Regime Diferenciado de Contratações é voltada à redução dos preços e, no caso da contratação integrada, a evitar aditivos contratuais, sendo incongruente criar um adicional de risco parametrizado pela oscilação dos mesmos aditivos que o novo regime buscou extinguir.179 Em artigo especializado acerca do tema, Gabriela Lira Borges defende a possibilidade de determinação de taxa de risco, para que haja equivalência entre encargo e remuneração. No entanto, tem entendimento contrário a fixação do adicional de risco em patamares fixos e não específicos, sem correlação direta com os riscos pertinentes ao objeto do contrato. Cogita a existência de uma possível inconstitucionalidade nesse caso, por afronta ao princípio da eficiência, uma vez que assegura remuneração certa a encargo potencial.180
O autor desta pesquisa se filia ao entendimento crítico das citadas autoras, na medida em que a estipulação prévia de um percentual fixo aplicável indistintamente aos contratos com objetos semelhantes não parece atender aos princípios da economicidade e eficiência, considerando que a remuneração paga ao particular poderá ser superior ao encargo suportado por ele, onerando de forma indevida o Poder Público. É, portanto, necessário avaliar em cada caso qual será o percentual reservado para a taxa de risco. Vale ressaltar que o Tribunal de Contas da União, até o momento, não se pronunciou a respeito do tema.