Armando Emílio Guebuza nasceu a 20 de janeiro de 1943, em Murrupula, Província de Nampula, norte de Moçambique. Na época seu pai exercia a função
de enfermeiro. Em 1948, seu pai é transferido para então Lourenço Marques (atual cidade de Maputo), capital do país.
Aos seis anos, Armando Guebuza iniciou os estudos no Centro Associativo dos Negros da Colônia de Moçambique, que se localizava no bairro de Xipamanine, periferia da cidade de Maputo. Desde pequeno frequentava a Igreja Missão Suíça onde participava de algumas atividades que envolviam os jovens e adolescentes.
Durante o ensino secundário fez parte do Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos de Moçambique (NESAM), mais conhecido como “Núcleo”, uma organização cívica fundada por Eduardo Mondlane em 1949. O Núcleo tinha como actividades principais, a realização de aulas de compensação, educação cívica e cultural e, de forma discreta, fazia a mobilização política. Em 1963 foi eleito Presidente do Núcleo, que com a sua liderança se tornou em centro de referência para muitos jovens de sua época. Nesse mesmo ano juntou-se à rede clandestina da FRELIMO, na então Cidade de Lourenço Marques e trabalhou na mobilização de jovens estudantes a se filiarem a este movimento revolucionário que tinha sede em Dar-es-salam, na Tanzania.
Após uma tentativa frustrada de prisão pela PIDE (Polícia Secreta da Administração Colonial), em Março de 1964, Guebuza e outros colegas deixaram Moçambique para se juntarem à FRELIMO na Tanzania, onde receberam treinamento militar em Bagamoyo. Depois fez parte do grupo de combatentes que abriu o Campo de Preparação Político Militar de Nachingweya também na Tanzania.
Na FRELIMO, Guebuza ocupou sucessivamente, os seguintes cargos: membro do Comitê Central e Secretário Particular do Presidente Mondlane, em substituição de Joaquim Chissano que se preparava para ir à formação na então URSS (1966); inspetor das escolas da FRELIMO (1968) e Comissário Político Nacional. (1970); eleito Secretário Geral em 2002 e Presidente em 2005.
No Governo Guebuza assumiu os cargos de: Ministro da Administração Interna do Governo de Transição que marcou a transição do regime colonial á Independência Nacional (1974); Ministro do Interior do primeiro Governo após a independência nacional (1975); Vice-Ministro da Defesa Nacional (1977), cargo que acumulou, no ano seguinte, com o de substituto legal do Governador da
Província de Cabo Delgado; Governador da Província de Sofala (1981); de novo Ministro do interior, em 1983. Em 1984 assumiu o cargo de Ministro na Presidência, responsável pela coordenação das áreas da Agricultura, Comércio, Indústria Ligeira e Turismo, assim como a cooperação com a China, Coreia do Norte, Paquistão e Vietnã; em 1986 assumiu a pasta do Ministério dos Transportes e Comunicações e a Presidência do Comitê de Ministros dos Transportes e Comunicações da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC); Em 1990 foi designado chefe da delegação do Governo nas conversações de Roma, com a oposição armada (RENAMO), que terminaram com a assinatura do Acordo Geral de Paz, em outubro de 1992. Guebuza foi Chefe da bancada da Frelimo desde o primeiro parlamento multipartidário saído das Eleições Gerais de 1994.
Armando Guebuza ganhou as eleições presidenciais de 2004 e 2009. Nas últimas venceu os seus concorrentes com uma diferença de mais de 60% dos votos. O governo Guebuza tem sido muito criticado tanto pela imprensa local quanto por parte de representantes de países financiadores do orçamento geral do estado e de programas sociais do governo. As críticas giram em torno da falta de transparência na gestão pública, da corrupção na administração estatal, da falta de melhorias nas políticas públicas, e também nas tendências de partidarização do Estado, que se manifesta pelas relações promíscuas entre o partido Frelimo e o Estado.
Existe, no país, um clima de descontentamento da maioria da população que não está satisfeita com a forma de Guebuza governar, pois tem tendências autoritárias que não favorecem a criação de espaços de diálogo entre os proponentes. Em razão deste cenário, durante o primeiro mandato de seu governo, aconteceram diversas manifestações violentas de multidões pelos principais centros urbanos do país. Elas revindicavam contra as medidas administrativas impostas pelo governo que resultaram na elevação dos níveis do custo de vida para o cidadão comum e pobre (subida dos preços de alimentos básicos, do valor de transporte coletivo que já é precário, entre outras situações). Associado a isso, muitas informações sobre os gastos do seu governo, sobretudo, com as viagens pelo país, em cumprimento do programa da Presidência Aberta provocaram indignação da maioria que vive uma realidade de pobreza absoluta.
Desde a sua fundação em 1962 até ao momento, a Frelimo (que antes era frente revolucionária e agora é partido político) está no comando do país. Somente tem mudado as figuras que assumem o cargo de presidente. Apesar dos graves problemas que se vivem no país sob a direção da Frelimo, é um partido que se tem mostrado consistente e maduro politicamente tanto na organização interna quanto na realização de seus projetos políticos. Periodicamente realiza seu congresso para “estabelecer o seu programa político, atualizar os estatutos e eleger os órgãos da sua direção” (Jornal Notícias de 18/09/2012: Suplemento referente ao 10º Congresso, pag. 2).
Assim, pode-se perceber como em cada congresso, há uma ideia central, norteadora do programa político que é implementado em um período de cinco anos, duração do mandato do presidente da república.
Nº Ano Lugar Ideia Central Líder/Presidente
1º 1962 Dar-Es-Salaam
(Tanzania) Congresso da Unidade
Eduardo Mondlane 2º 1968 Matchedje
(Niassa)
Congresso da Vitória Eduardo Mondlane
3º 1977 Maputo A terra e as
nacionalizações Samora Machel
4º 1983 Maputo O virar do cano para
dentro Samora Machel
5º 1989 Maputo A luta pela paz Joaquim Chissano
6º 1991 Maputo Adequação à nova
realidade Joaquim Chissano
7º 1997 Matola (Maputo) Privatizações e unidade Joaquim Chissano 8° 2002 Matola (Maputo) Fortalecer a ação do
partido Joaquim Chissano
9º 2004 Quelimane Desenvolvimento
econômico Armando Guebuza
10º 2012 Pemba 50 Anos da Frelimo Armando Guebuza
Tabela: 5 Congressos do Partido Frelimo.
4.1.2. Propostas de governo do candidato Armando Guebuza e da Frelimo