A produção dos programas do HGPE dos três candidatos conta, em geral, com os mesmos recursos enunciativos que visam à construção de efeitos de sentido de verdade. Na perspectiva da semiótica, esses recursos são responsáveis pela instauração de pessoa, lugar e tempo no discurso.
Nos programas eleitorais os candidatos e outros atores participantes exercem papeis distintos, isto é, são dotados do saber-fazer de forma distinta que é projetado no discurso. Os primeiros aparecem como protagonistas da ação e os restantes como coadjuvantes. De uma ou de outra forma, todos ocupam um lugar de fala que influencia no processo de interação entre candidatos e eleitores.
O candidato é apresentado no HGPE como um sujeito-ator que é apresentado tanto coletivamente (governo e/ou partido político) quanto individualmente (candidato). Assim, o candidato é para a ação de fazer acontecer o programa de governo que está sendo apresentado aos eleitores. Nesse sentido, Barros (2005:54) argumenta que “é nas estruturas discursivas que a enunciação mais se revela e onde mais facilmente se apreendem os valores sobre os quais e para os quais o texto foi construído”. No programa de Guebuza, referindo-se sobre o balanço das atividades na área da saúde podemos ver essa projeção actancial do candidato nesse trecho:
Narrador em off: (...) as iniciativas do Presidente
Guebuza no combate ao HIV/Sida e pela saúde da mãe e da criança tem um impacto positivo na sociedade e promove maior consciencialização entre os diferentes segmentos sociais. Nos últimos cinco anos, essas iniciativas replicaram-se nas províncias e nos distritos tendo influenciado no aumento de partos atendidos em unidades sanitárias cuja taxa de cobertura em 2008 chegou a 55%. Guebuza e o governo expandiram o acesso ao tratamento antirretroviral de 19 distritos em 2004 para um total de 128 distritos do país em 2009.
Testemunho de Ana Maria (médica) que fala de um hospital: veio melhorar bastante; muitos doentes que
estavam em estado avançado da doença, nós conseguimos controlar localmente, tratar e voltaram à vida normal.
Entrada do Slogan: a Frelimo é que fez
Armando Guebuza, em estúdio: a saúde é um direito
extensivo a todo o cidadão, por isso, nos últimos cinco anos eu e meu governo empenhamo-nos na expansão da rede sanitária e na melhoria do atendimento ao cidadão. Aquilo que prometo, cumpro.
Vê-se que a intenção é produzir efeito de sentido de realidade, uma vez que se mostra o objeto (dados de avanços na saúde) como verdadeiro e isso é confirmado e reiterado pela voz da médica e de populares que se trataram e melhoraram pelo atendimento médico. O enunciador também usa o recurso testemunhal ao selecionar atores diretamente implicados com o objeto, neste caso, a médica, que entra como sujeito operador competente do saber-fazer (tratar e curar os doentes).
Esse procedimento ocorre também no jornalismo em que o testemunho visa dar visibilidade a pessoas que não estão representadas na cena midiática. Para Charadeau (2006: 63), as declarações das fontes podem ter diversos efeitos valorativos como: de decisão (performativa), de saber (autoridade pelo saber), de opinião (julgamento). De maneira geral, o testemunho tem a função de demonstrar uma situação, o fato, de ser uma prova cabal, em que alguém relata o que vivenciou. Em suma, Rodrigues (1997:1) argumenta que quem testemunha “possui o privilégio exclusivo de deter o poder de controlar a veracidade de sua mensagem, pelo fato de ter experienciado direta e imediatamente os fenômenos e os acontecimentos que narra”.
No programa de Guebuza, o narrador ocupa o lugar de testemunha ao relatar sobre as realizações do governo, mas, trata-se de um tipo de testemunho que possui o poder também de organizar a narração, escolher quem fala, o que fala e como fala. A mesma dinâmica é usada também pelo programa de Dhlakama, mas fazendo o contrário, tecendo críticas em relação ao que é apresentado pelo programa de Guebuza:
Dhlakama em estúdio: o melhor de Moçambique são os
moçambicanos. O melhor de Moçambique é Dhlakama. Moçambicanas, Moçambicanos, 28 de outubro, as eleições. Portanto, sabem que são muitos candidatos. Cada pessoa vai pedir votos. Eu estou a pedir voto para uma mudança em Moçambique; para uma boa governação que irá servir para que todos os moçambicanos, idosos, jovens, sobretudo, senhoras. Muita gente sofre nos hospitais, mortes e tudo, por falta de medicamento, falta de boa governação, falta de justiça. Este jovem Afonso Dhlakama, de certeza, durante cinco anos vamos poder demonstrar, governar com a democracia, governar com a liberdade, governar com os direitos humanos e governar com a vontade do povo de Moçambique.
Apoiante 1 em estúdio: o melhor de Moçambique são
os moçambicanos. Meus pais, minhas mães. É chegado o momento, aquele momento crucial, de mostrarmos com força que nós pensamos que nós somos pessoas que pertencemos a este povo amável de Moçambique. O presidente Dhlakama é o nosso representante; o presidente Dhlakama representa a nós; nós todos estamos dentro dele; ele exterioriza as nossas vontades daí que todos os inimigos tentam todo o possível de ofuscar, não lhe deixar falar, mas vocês são os donos deste partido; são vocês que representam a ele e vocês digam sempre: nós queremos Afonso Marceta Dhlakama e continuem assim meus irmãos.
Entra slogan: A Renamo é o maior partido de
Moçambique, eu vou votar nela!
No programa de Simango, o enunciador usa a mesma estratégia, mas a grande diferença é que em muitas ocasiões não é o próprio candidato que tece críticas aos concorrentes. Essa função foi delegada a outros atores políticos do seu partido, principalmente a membros seniores, colaboradores e populares como aparece nesses trechos:
Apoiante (membro sênior do MDM): esta é a última e
única oportunidade que temos para que o país não volte ao sistema monopartidário. Acredito que vamos ter um novo inquilino na Ponta Vermelha.
Testemunho 1 (morador) em comício na presença do candidato: o partido no poder descarrega as suas
“bombas”, engana o povo e discrimina o povo na base da opção política, no apoio aos que sofrem com as calamidades naturais, na concessão dos 7 milhões do Fundo de Iniciativa Local para o combate à pobreza absoluta.
Testemunho 2 (morador) em comício na presença do candidato: a população é escravizada, descriminada;
sofre uma perseguição política e somos obrigados a estar a favor do comunismo (...).
Notamos nesses textos como os dois candidatos (Guebuza e Dhlakama) se projetam nos enunciados. Guebuza declara: “quando prometo cumpro”; “eu e meu governo”. Dhlakama afirma: “o melhor de Moçambique é Dhlakama”; “este jovem Dhlakama”. Esses são recursos discursivos que buscam produzir efeitos de proximidade com o eleitor a partir da posição social do candidato que também busca criar uma identificação do eleitor com o candidato.
Nos programas de Guebuza e de Dhlakama a intenção foi dar visibilidade ao candidato fazendo aparecer explicitamente no discurso político o seu pensamento e marcando a idéia da sua responsabilidade pelo que enuncia. E esse procedimento predomina na fala de aliados, colaboradores e simpatizantes. No caso de Simango, o enunciador buscou construir um lugar de fala coletivo (nós) em que o candidato era sempre incluído com os demais na competência do saber- fazer com intenção de ampliar o sentido de participação e de ação conjunta (dele com os eleitores).
O transcorrer das cenas e o modo são inseridas nos enquadramentos de câmera, determina a intencionalidade do enunciador que propõe certos efeitos de sentido, ou significados que constituem o plano de conteúdo. Na visão de Barros (2003), os efeitos de sentido de subjetividade-afetiva e sensorial, que essa construção discursiva gera, tem função predominante nos discursos de campanha para estabelecer, na interação com o eleitor, laço de simpatia, admiração, confiança, credibilidade, parceria ou cumplicidade.
Para se criar este tipo de subjetividade exibem-se imagens do país, de figuras políticas conhecidas, do povo simples, tanto do meio urbano como rural, e associa-se tais imagens àquela de um povo trabalhador e guerreiro. A essas imagens são associados sons, ritmos, música, dança que são elementos que caracterizam a população na sua diversidade étnica e sociocultural.
Com estes recursos, o enunciador da propaganda da Frelimo buscava provocar empatia nos eleitores e através dessas imagens reforçar a idéia de um país que está dando passos largos para sair da pobreza, o que será possível com o envolvimento de todos trabalhando nos diversos setores figurativizados pelas máquinas, pela produção agrícola, hidrelétricas, construção, entre outros, como mostram as imagens a seguir:
A propaganda da oposição faz o oposto que a da Frelimo, ou seja, mostra o que falta à população. Elenca os problemas que afetam a maioria da população como a falta de transporte, dos serviços básicos de saúde, de saneamento do meio e de outras condições de vida e constrói uma imagem de país onde falta tudo. Essa visão é enfatizada através de imagens de bairros da periferia com construções desordenadas, ruas sem asfalto, esgotos a céu aberto. São imagens que contradizem o sucesso apregoado pela propaganda da administração em curso:
A campanha eleitoral é marcada por comícios, caravanas, cantos revolucionários e dança. Através de sincretismo de linguagens (visual e sonora), o HGPE reproduz esse ambiente de festa com a finalidade de provocar emoções e criar empatia entre enunciadores e enunciatários. A exploração de recursos técnicos e estéticos nos vídeos de campanha busca criar aproximações com a realidade vivida pelos eleitores no seu dia-a-dia em que os momentos de alegria da sua vida são comemorados com música, dança e confraternização entre amigos, familiares e vizinhos.
Na propaganda dos três candidatos, ao se “contar a história” do candidato e seu partido, o enunciador usa elementos da linguagem teatral (cenários, direção, cenografia), da linguagem musical (jingles e trilhas sonoras), da linguagem verbal (fala de personalidades conhecidas e desconhecidas da cena política nacional e relatos do narrador) e da linguagem visual (imagens de pessoas e do país). A forma como o HGPE organiza e articula essas linguagens é que se difere de cada concorrente e é nesses aspectos que se revela a identidade de cada candidato e seu partido.
Em geral percebe-se que a câmera privilegia o plano geral para mostrar a presença das multidões na cena da campanha, enquanto os jingles descrevem, resumidamente, através da letra, melodia e ritmo, os ideais do partido e a sua meta, que é ganhar o pleito e exercer o poder.
Em vários momentos, quando se quer evidenciar as palavras do candidato, ele aparece em primeiro plano, discursando na primeira pessoa. O posicionamento do candidato e de seus aliados, no meio da tela e situado em frente à câmera faz com que ele se dirija diretamente ao enunciatário. É o que Yvana Fechine (2001) chama de modelo enunciativo interpelativo, próprio da linguagem televisual. Fechine explica que através deste modelo, o enunciador “(...) reconhece um interlocutor do outro lado da tela, seja por meio de um olhar dirigido diretamente à câmera ou por meio de uma menção verbal direta ao espectador (...)” (FECHINE, 2001:394).
Os programas do HGPE dos três candidatos exploraram muito este recurso. Nas gravações em estúdio, o candidato Guebuza aparece na frente da tela olhando para o telespectador e dirigindo-lhe palavras de convencimento. O cenário em
estúdio é coberto pela bandeira do partido e no canto superior esquerdo se destaca o símbolo de campanha da Frelimo.
O mesmo cenário também é adotado para trazer o depoimento dos militantes, os grandes aliados do candidato:
Em certos momentos, este cenário é trocado, revelando contextos onde se encontram outros militantes seniores que apoiam o candidato. Eles são identificados através de legenda que sinaliza o seu cargo na administração pública e a sua responsabilidade dentro do partido:
A presença de populares no programa de Guebuza seguiu este mesmo tipo de procedimento estético, isto é, trazendo em close a sua imagem e dando declarações sobre o candidato e as razões pelas quais irão votá-lo. São cidadãos comuns que foram entrevistados na rua, em seus locais de trabalho:
A fusão de imagens de pessoas, da voz, da música, dos seus gestos, que são apresentados de forma repetitiva, criando efeitos de redundância, revela a importância do sincretismo da linguagem audiovisual adotada nos programas, que é potencializada pelos enunciadores, com intuito de ampliar o leque de informações políticas para o telespectador.
A predominância desses recursos audiovisuais é associada aos efeitos de montagem gráfica, que dá movimento e velocidade rápida aos vídeos. Na propaganda da Frelimo, por exemplo, constantemente aparece na tela uma estrelinha vermelha que emerge de um canto da tela, movimenta-se para outro canto, acompanhada de reflexos rápidos de luz que ilumina as imagens do país, do mar, dos campos cultivados, dos edifícios, das hidrelétricas, das pessoas. Estes efeitos, aliados à própria organização verbal dos enunciados, e particularmente das vinhetas: Moçambique está a crescer, Moçambique vota Guebuza, e Moçambique
velocidade com que o país está a crescer. O som de fundo é recoberto por imagens de uma criança sorridente, casas, pontes, belas praias, escolas, hospitais, que buscam enfatizar o quanto a Frelimo já fez pelo país. Com este procedimento busca-se criar a ideia de que só este partido pode continuar a fazer crescer o país.
O programa de Dhlakama construiu de forma similar a campanha aproveitando-se da dimensão sincrética do audiovisual. Assim, em vários momentos, o candidato e os seus aliados seniores aparecem na tela do programa falando no olho do telespectador, para convencê-lo a votar na sua legenda partidária.
A construção do cenário é que se apresenta muito simples. A bandeira do partido ocupa o cenário de fundo do estúdio e o candidato fala em pé e de frente para o telespetador e faz gestos de vitória com os dedos. Aliás, Dhlakama é o candidato que mais usa o recurso de dramatização e essa é uma característica marcante do seu perfil político.
Alguns aliados, membros veteranos do partido, falam a partir do mesmo cenário em que o candidato discursou. Eles discursam sentados e de frente para a câmera e para o telespetador como mostram as imagens a seguir. Aqui se aproveitou de um recurso do telejornalismo, a fala da bancada, usada pelos apresentadores. Estes dois apelam aos eleitores para saberem votar. O apelo é transmitido tanto em português quanto em língua local (Macua19), o que permite que a maioria dos telespetadores compreenda a essência da mensagem política.
Em outros momentos, os aliados aparecem em estúdio, composto com outro tipo de cenário, com a foto do candidato no canto direito da tela e a bandeira do partido à esquerda. Os membros seniores da Renamo falam em pé e de frente para o telespectador:
A forma teatral com que o candidato se apresenta em público favorece a sua interação com os eleitores pelo país. A propaganda mostra-o, muitas vezes, discursando em meio a multidões, apertando a mão dos eleitores, dançando com eles, desfilando em caravana e dando entrevista aos jornalistas. A sua imagem
aparece com muita frequência em primeiro plano em meio a multidões que o cercam.
O cenário a partir do qual alguns militantes discursam é diferente de onde fala o candidato. É um lugar neutro, sem nenhum símbolo do partido e nem do candidato. Tudo dá a entender que se tratou de uma gravação não preparada, com antecedência, pela equipe coordenação da campanha. A falta de detalhes visuais sobre o candidato e o seu partido podem confundir o eleitor ao não oferecer informações ampliadas sobre a proposta política que está sendo apresentada.
À semelhança da propaganda de Guebuza, na de Dhlakama, os populares também dão o seu testemunho e apresentam argumentos de sua escolha. São interpelados na rua, durante o comício.
O programa de Daviz Simango explorou pouco os dispositivos técnicos e estéticos que a linguagem audiovisual dispõe. Por exemplo, este recurso de falar frente a frente, no olho do telespetador através da tela. O programa optou por adotar a fala do trono, em que o candidato aparece discursando sentado, com o olhar direcionado não para o telespectador, mas para o texto (manifesto eleitoral) que ele estava lendo. A sua postura se mostra tímida, fechada, não confiante. Em alguns momentos da sua apresentação projeta-se o texto na tela através do
lettering sobrescrito na imagem da bandeira do partido que flutua. É nesses
instantes que se intercala a voz off do candidato com o surgimento da sua imagem na tela que em outros momentos funde-se com a da bandeira flutuante.
O cenário do lugar em que se apresenta possui um fundo pintado de cores neutras e isso não favoreceu a criação de um ambiente alegre, festivo que a campanha sugeria. O candidato lê o manifesto eleitoral em um ritmo monótono e
tom baixo. Esses procedimentos não são apropriados para a televisão porque não despertam facilmente o interesse do telespetador para assistir ao programa.
Na propaganda do HGPE de Daviz, diferentemente de seus concorrentes, os aliados, militantes e populares não aparecem em destaque. Essa ausência deve-se, a nosso ver, pelo pouco tempo de antena que o partido obteve. Mas, mesmo assim, os militantes ganharam visibilidade na televisão e na imprensa em geral, ao proferirem seus depoimentos em torno do manifesto eleitoral, do programa do partido e das qualidades do seu candidato e de outras lideranças. Em seus pronunciamentos faziam o balanço da campanha pelas diferentes regiões do país e comentavam sobre a reação dos eleitores.
Quanto a essas estratégias, em geral, percebemos que a tendência dos três candidatos foi de adequarem os seus discursos à lógica da produção e de formatos da televisão, dessa forma, facilita a solidificação do contrato fiduciário entre o destinador (programa eleitoral) e destinatário (eleitores). Isso mostra que o espaço da comunicação não é isolado do espaço cotidiano onde se formalizam as práticas sociais.
A campanha porta-a-porta é noticiada pela imprensa que por sua vez reforça a propaganda oficial do horário gratuito como mostram estas imagens da TV Miramar. É com este recurso de visita domiciliar que os mobilizadores de campanha buscavam convencer os eleitores a votarem no seu candidato e partido político.
A presença dos personagens que intervêm na propaganda do HGPE dos três candidatos revela o lugar de fala que ocupam no partido e na sociedade. É determinado pelo saber a respeito dos acontecimentos, pode variar ao longo da
narrativa, mesmo sendo encarregado dela um único narrador (FIORIN, 1996:105). Essa estratégia é reforçada por outros recursos para imprimir modos de presença singulares que são facilitados pelos arranjos plásticos usados na montagem e nas edições dos programas, os enquadramentos, as variações do tom de voz, a sequência dos discursos dos atores envolvidos nos programas narrativos.
O ator da enunciação é figurativizado e ele se apresenta através dos modos
de dizer, ou seja, é apresentado como um sujeito de competências. Os programas
eleitorais possuem um programa narrativo e neles existe um sujeito (S1) enunciador que se dirige a outro sujeito (S2) enunciatário e o convida a entrar em conjunção com determinado objeto de valor desejado por ele. Em última análise esse objeto de valor corresponde ao voto que é exercido livremente e que, no caso de Moçambique significa democracia, soberania e independência do país em todos os sentidos.
No percurso narrativo dos programas eleitorais, o enunciador constrói modos de dizer num tom enfático projetando a imagem desse ator da enunciação como sujeito competente para governar. Esse ator tem corpo, voz e caráter próprios e tem competência de saber-fazer e poder fazer como podemos ver nesse tipo de modalizações. No programa de Guebuza procurou-se construir a imagem do estadista e observamos isso sempre que o candidato se pronunciava em primeira pessoa, a sua imagem aparece em primeiro plano, ou seja, em destaque olhando para o seu interlocutor (a multidão em comício) ou telespectador (na tela) a quem declara em um tom de seriedade e de autoridade: “aquilo que prometo
cumpro. Vamos acabar com a pobreza. Acabamos com o colonialismo, acabamos com a guerra, nós vamos acabar com a pobreza:
Por outro lado, para que o eleitor também se identificasse com o candidato, o enunciador buscou reforçar a imagem de um líder político que está próximo das massas, ou seja, um presidente que é humano e pensa no seu povo. Aliás, essa característica foi desenvolvida durante o programa denominado Presidência Aberta que Guebuza criou e desenvolveu durante o exercício do mandato em que realiza visitas de trabalho a todos os cantos do país para conhecer de perto os projetos em curso e as principais dificuldades da população.
Nos programas do HGPE cada concorrente desenvolve uma performance pessoal que o possibilita conquistar a atenção e a adesão dos eleitores. Todos os recursos discursivos concorrem para a produção de efeitos de sentido de verdade da enunciação que levem o eleitor a acreditar e a confiar no candidato e no que ele