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- FİNANSAL ARAÇLAR VE FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ

feitas no mandado 2004 a 2009. O enunciador destaca o que considera de melhorias nas diversas esferas: educação, saúde, economia, agricultura, energia, entre outras, que são fundamentais na vida da população.

Em todo o programa a narração é coberta de imagens sobre o país e os vários setores (agricultura, indústria, comércio, construção, educação, saúde, entre outros) que contextualizam o que está sendo contado pelo narrador em off, direcionando o olhar do enunciatário para o balanço sobre o que foi feito e explicando o que Guebuza e a Frelimo querem continuar a desenvolver em cada setor.

Para evitar monotonia da narração, o enunciador preferiu inserir diversas imagens de atores políticos e populares que dão o seu apoio e testemunham os referidos avanços. Podemos ver essa estratégia nesse trecho que relata as realizações na área de energia:

Narrador em off: com a Frelimo, Cabo Delgado avança.

A presidência Aberta de Guebuza e da Frelimo estendeu a rede elétrica de Cahora Bassa a vários distritos.

Guebuza em comício: Cahora Bassa chegou.

Narrador em off: essas ações da Frelimo Fortalecem e

asseguram o desenvolvimento das comunidades e estão a surtir ganhos cada vez maiores para a população de Cabo Delgado.

Governador de Cabo Delgado discursa em apoio: este

trabalho veio permitir que a população pudesse ter os seus filhos a estudarem e com o ensino secundário e o ensino superior perto. Já temos o ensino secundário do 2º grau em todas as sedes dos distritos.

Narrador em off: o povo quer a Frelimo para progredir e

desenvolver em todos os setores.

1º Secretário da Província discursa em apoio: as

realizações que nós tivemos e aquilo que nós temos que fazer achamos que é importante que a população da província de Cabo Delgado continue a depositar voto de confiança na Frelimo.

Eneas Comiche, cabeça de lista, apela ao eleitor: caro

eleitor, é com o seu voto que vamos continuar a trabalhar para dar boas condições de vida aos nossos compatriotas: jovens, combatentes de luta de liberdade nacional, trabalhadores e mulheres chefes de seus agregados familiares, o seu voto vai fazer com que o distrito continue a crescer como Polo de Desenvolvimento do país (...).

Outra estratégia muito usada pelo programa com intuito de evitar monotonia da narrativa foi a inserção maciça de vinhetas: “a Frelimo é que fez, a Frelimo é que faz, a Frelimo é que fez” e slogans: “Frelimo, a força da mudança; Moçambique está a crescer; Moçambique vota Guebuza; Moçambique vota Frelimo”

Na agricultura e pesca o enunciador apresenta o texto acompanhado de imagens do candidato Guebuza caminhando em área de produção agrícola no Vale do Chókwe, considerado um dos maiores celeiros do país:

Narrador em off: a produção de alimentos está a

crescer na província de gaza. Durante a presidência aberta inclusiva, Guebuza visitou plantações e machambas: o arroz, a batata Reno e as frutas são grandes potenciais desta província.

1º Secretario de Gaza discursa em apoio: com

Guebuza neste mandato conseguimos tornar o Chókwe num grande produtor de arroz.

Narrador em off: em Gaza, o governo da Frelimo

incentivou a produção de energias renováveis.

Neste instante o narrador faz um link para o setor de energia. É uma conexão direta que muda de um tema a outro de forma brusca e voltando ao tema de energia que já tinha sido referenciado quando se falou da província de Cabo Delgado.

Narrador em off: em Massingir, Guebuza expandiu a

rede elétrica de Cahora Bassa que se traduz no orgulho da governação da Frelimo e responde os anseios do seu povo.

Guebuza discursando em comício: o vosso trabalho fez

com que Cahora Bassa chegasse aqui.

Governador de Gaza em apoio: É Armando Emílio

Guebuza que trouxe a situação atual da nossa província, que garante que a população consiga ter energia elétrica nas casas, nas barracas, nas lojas, em toda a parte.

De novo o narrador realiza repentinamente a mudança de assunto, da área de energia para a da educação:

Narrador em off: Gaza já conta com escolas a

funcionar com material tecnológico adequado e a educação está a chegar mais longe.

Em seguida liga-se ao testemunho de uma eleitora que fala dos benefícios que a região obteve com esses avanços:

Cidadã dá testemunho: hoje as mulheres têm

rendimento nos mercados; temos condições de construir nossas casas melhoradas.

Narrador em off: Guebuza promete, Guebuza cumpre! Entra jingle: a Frelimo é que fez, a Frelimo é que faz.

Do princípio ao fim, o programa adotou esse estilo de apresentação dos temas da campanha sempre retratando de forma dinâmica, intercalando com discursos e imagens de pessoas comuns, de atores políticos, e de diferentes locais do país, o que aconteceu em cada área e o que o partido pretende realizar para dar seguimento a essas realizações. Assim o manifesto eleitoral traz detalhes do que se fez durante o mandato 2004-2009 e que é reiterado na propaganda do HGPE.

Na saúde: o aumento do número de médicos nos distritos e a redução de números de doenças bem como o número de mortes;

No desenvolvimento rural: o estímulo ao empreendedorismo e a criação da riqueza no campo, com os sete milhões de meticais alocados às populações registrou-se a melhoria de vida nas mesmas. Com esse valor são criados negócios com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das populações;

Na indústria e comércio: a criação de diversas fábricas de processamento de castanha de caju e a revitalização de muitas outras; valorização da produção nacional através da campanha “Made in Mozambique”;

Nas obras públicas: o programa aponta a construção de estradas e a reabilitação de outras, bem como a conclusão de algumas pontes importantes, destacando a ponte Armando Guebuza; na educação: a campanha sinaliza o aumento do número de alunos no ensino primário e bem como o de escolas técnicas profissionais e de ensino superior.

Por meio do percurso narrativo do programa, o enunciador transmitia um saber fazer, mostrando-se como um sujeito competente e, por isso, o seu discurso era direcionado ao fazer interpretativo do enunciatário, orientando-o, dessa forma, a um dever fazer (crer e confiar) no enunciador que propunha determinados valores (segurança, prosperidade e estabilidade) que apareciam como sendo possíveis de serem alcançados pelo enunciatário apenas com o governo da Frelimo e sutilmente passava a ideia de que os outros candidatos não teriam essa capacidade de garanti-los.

Ademais, a propaganda da Frelimo envolveu diversas figuras de todos os quadrantes do país desde as camadas sociais mais simples de vários setores até às elites simulando uma integração, proximidade e ausência de diferenças de toda a ordem entre as elites e as pessoas humildes, no seio da hierarquia do partido.

Os simulacros de integração de seus militantes e simpatizantes foram usados como estratégia de convencimento e manipulação dos eleitores, por meio de sedução, pois é uma forma de mostrar que os membros do partido falam a mesma linguagem, ou seja, que a unidade que pregam aos eleitores também é vivida no seio do partido Frelimo. Esse recurso é reforçado com a fala de militantes que exercem algum cargo político ou administrativo no país nos diversos âmbitos (local, distrital, provincial e nacional).

Baudrillard (1981:13) define simulacro como algo “nunca mais passível de ser trocado por real, mas trocando-se em si mesmo, num circuito ininterrupto cujas referências e circunstâncias se encontram em lado nenhum.” Em suma, isto quer dizer que o real e o ficcional ocupam o mesmo lugar, ou seja, se a ação é uma simulação, o resultado é um simulacro. Assim, o simulacro não é algo que está fora da realidade, mas faz parte do real e é embasado nele que pode ser classificado como tal.

Em suas análises, Baudrillard destaca a televisão, através dela há a produção e reprodução exagerada de imagens, signos e mensagens que criam uma sucessão infinita de simulacros e simulação, e isso, na sua ótica, causa a perda da noção de uma realidade concreta. É nesse sentido que o autor argumenta que

dissimular é fingir não ter o que se tem. Simular é fingir ter o que não se tem. O primeiro refere-se a uma presença, o segundo a uma ausência. Mas é mais complicado, pois simular não é fingir. [...] Logo fingir, ou dissimular, deixam intacto o princípio da realidade: a diferença continua a ser clara, está apenas disfarçada, enquanto que a dissimulação põe em causa a diferença do verdadeiro e do falso, do real e do imaginário (BAUDRILLARD, 1981: 9-10).

Tomando como base a ideia de Baudrillard podemos perceber que na propaganda eleitoral finge-se o que não se tem, que é a realidade espetacularizada, mostrando aspectos que não existem ou que não ocorrem da maneira como são retratados nas peças.

Benzer Belgeler