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A Taxa de Incidência de Dengue corresponde ao número de casos novos confirmados de dengue (clássico e febre hemorrágica da dengue), por 100 mil habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado. Estima o risco de ocorrência de casos de dengue, em períodos endêmicos e epidêmicos, numa determinada população em intervalo de tempo determinado. Evidentemente, neste caso, melhora representa diminuição do número de casos.

Os gráficos de evolução temporal, Gráficos de 64 a 69, derivados da Tabela 14, mostram grande variabilidade de valores, tanto para um mesmo estado como para estados diferentes, fazendo ver que a incidência parece não depender da aplicação da % RLIT aplicada em saúde. Se, por hipótese, nenhuma parte deste dinheiro foi gasta no combate ao mosquito transmissor, a incidência crescerá, independentemente de fortunas que tenham sido gastas em outras ações de saúde.

Dada esta grande amplitude de variação (0,21 como menor valor e 739,58 como maior valor), os valores do indicador estão representados em escala logarítmica, de base 10, para melhor visualização.

Gráfico 63

% RLIT x Consultas SUS por habitante

1,00 2,00 3,00 4,00

0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00

Tabela 14 - %RLIT e Tx de incidência de dengue nos estados selecionados - Brasil 2001- 2009

Estado Bahia Ceará Goiás Pará R.G. do Sul S. Paulo

Ano %RLIT Indicador %RLIT Indicador %RLIT Indicador %RLIT Indicador %RLIT Indicador %RLIT Indicador

2001 8,40 212,64 7,54 451,71 12,39 210,42 8,88 264,13 6,59 0,63 11,15 155,74 2002 9,41 582,26 8,18 257,04 8,12 421,60 9,88 178,29 5,62 4,24 11,76 117,50 2003 10,38 315,30 8,74 429,55 10,12 161,50 10,31 148,35 4,32 0,54 12,26 43,34 2004 12,15 34,13 12,70 50,08 12,46 106,07 12,04 84,63 5,20 0,21 13,74 7,86 2005 12,15 129,44 11,97 335,90 12,05 335,40 12,41 118,35 4,80 0,39 12,95 15,80 2006 12,17 49,00 14,21 346,33 12,90 424,45 12,74 92,46 5,40 0,64 12,80 150,24 2007 12,63 68,22 12,14 414,14 12,30 257,57 12,61 199,50 5,80 3,84 13,07 275,96 2008 12,77 235,49 14,36 576,48 12,87 605,83 12,77 207,46 6,53 1,19 13,46 27,99 2009 13,89 650,30 15,80 85,81 13,13 739,58 12,44 95,03 7,24 0,49 12,66 28,80 Fonte: Datasus

Obs. O eixo das ordenadas está em escala logarítmica (base 10) para melhor visualização

Gráfico 64 - Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Bahia Gráfico 65 - Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Ceará Gráfico 66 - Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Goiás Gráfico 67 - Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Pará

Gráfico 68 - Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue RG Sul Gráfico 69 - Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue São Paulo

Gráfico 64

Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Bahia 1 10 100 1.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

% RLIT Taxa de incidência de dengue

Gráfico 65

Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Ceará 1 10 100 1.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

% RLIT Taxa de incidência de dengue

Gráfico 66

Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Goiás 1 10 100 1.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

% RLIT Taxa de incidência de dengue

Gráfico 67

Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue Pará 1 10 100 1.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

% RLIT Taxa de incidência de dengue

Gráfico 68

Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue RG Sul

0 1 10

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

% RLIT Taxa de incidência de dengue

Gráfico 69

Evolução %RLIT e Taxa de incidência de dengue São Paulo 1 10 100 1.000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

A Tabela 4 já predizia estas constatações, haja vista que não encontrava significância estatística, em nenhum dos estados observados, para a correlação entre o % da RLIT e a taxa de incidência de dengue.

O Gráfico 70 confirma estas predições e mostra o Rio Grande do Sul com os valores mais baixos, talvez por conta da quase inexistente presença do mosquito transmissor.

Gráfico 70 - %RLIT x Taxa de incidência de dengue

Gráfico 70

% RLIT x Taxa de incidência de dengue

0,10 1,00 10,00 100,00 1.000,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 % RLIT T ax a d e in ci d ên c ia d e d en g u e

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao final, depois de analisados os resultados, chega-se às conclusões na sequência delineadas.

• Quanto ao cumprimento das disposições da EC - 29, lembrando sempre que

os dados aqui analisados são os do DATASUS, conforme demonstrado, os estados analisados cumpriram a determinação legal em 66,7% dos casos e, mesmo assim, a metade dos descumprimentos se deu nos primeiros anos de vigência da emenda. Somando-se a isto o fato de que a diferença entre o exigido e o aplicado vem caindo, e levando em consideração, também, a preocupação apresentada pelos técnicos do GEFIN e da administração superior dos estados em cumprir a determinação, é de se esperar que em pouco tempo todos os estados cumpram a legislação.

• Na análise da evolução temporal dos indicadores, o resultado geral pode ser considerado bom, porquanto um número próximo de dois terços das observações revelou melhora nos indicadores de saúde no período que se seguiu à edição da EC - 29 e, portanto, um indicativo de efetiva melhora nas condições de saúde do povo brasileiro;

• Quanto à correlação entre o % da RLIT e a melhoria da saúde, embora a análise geral mostre que 41 entre 60 resultados apontem para melhoras, resta provado, pelas análises feitas e exaustivamente demonstradas para cada indicador selecionado, que a variação da % RLIT não explica, sozinha, a variação dos indicadores de saúde. Caso como o do Rio Grande do Sul, que nunca aplicou o percentual exigido e apresenta resultados, em geral, melhores do que a maioria dos estados selecionados, concede força a esta constatação, além das muitas outras evidências já descritas na análise dos dados.

Espera-se que este trabalho possa contribuir para ampliar o debate acerca das políticas públicas de saúde no Brasil e servir de ponto de partida para outros que possam responder as perguntas suscitadas no seu texto, como forma de, com outras visões – aqui invocando a intersetorialidade – contribuir para o bem-estar social do povo brasileiro como um todo e, em particular, das classes menos favorecidas.

Reiterando, o interesse deste trabalho não é propor a retirada de recursos da saúde, mas de demonstrar que somente o aporte de recursos, sem o devido cuidado na sua aplicação pode não ser suficiente para garantir melhoria da saúde de toda população. Tratou-se de demonstrar que, se o aporte financeiro é necessário, a qualidade do gasto é muito mais. A tarefa não deve ser somente de cumprir uma meta de gasto com saúde. Decisões sobre o quanto, onde, como, com quem e com o quê gastar, também devem fazer parte das preocupações dos governantes.

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Benzer Belgeler