Para determinar como educação, qualificação e trabalho influenciam o apenado e o seu processo de ressocialização, foram coletadas informações das empresas estudadas e dos próprios apenados.
Durante a pesquisa, foram entrevistados três apenados e um egresso, todos contratados pela Galvão Engenharia por intermédio do Programa Mãos que Constroem, instituído pela Sejus. Neste tópico, destacar-se-á as principais características dos sujeitos, tais como idade, regime de cumprimento, sua função na empresa, sua escolaridade e qualificação, como consta no Quadro 16.
Quadro 16 – Perfil dos apenados e egressos entrevistados
SUJEITOS IDADE REGIME DE
CUMPRIMETO
FUNÇÃO
EMPRESARIAL ESCOLARIDADE QUALIFICAÇÃO
E4 33 Regime aberto. Ajudante de carpinteiro. Primeiro grau completo. Porteiro, zelador, balconista, servente, ajudante. E5 49 Regime semiaberto. Ajudante de
carpinteiro. Quarta série. Auxiliar de pedreiro.
E6 36 Regime aberto. Sinaleiro de grua. Sexta série incompleta.
Diversas funções desde os seus 18 anos, com carteira
assinada.
E7 28 Pena extinta. Ajudante de
pedreiro. Primeiro ano. Alguns “bicos”. Fonte: Elaborado pelo autor a partir das Entrevistas.
A educação é umas das questões discutidas na teoria como essenciais para o processo de ressocialização de um apenado. Julião (2010), em seu estudo, detectou que com educação e trabalho os apenados apresentam maior predisposição à ressocialização, com a educação exercendo uma menor influência do que o trabalho nesse processo.
Com isso, a educação será discutida no âmbito das organizações envolvidas e no ponto de vista do apenado/egresso. Assim, será possível identificar como isso afeta os apenados e a sua ressocialização.
De acordo com o E10, o nível de escolaridade da maioria dos apenados e egressos é semianalfabeto ou analfabeto funcional. Para o Responsável, essa carência dificulta a sua inclusão no mercado de trabalho e, em consequência, tem a chance de reincidir:
[...]a instituição deseja pelo menos que ele seja alfabetizado, que tenha pelo menos o fundamental completo ou incompleto, e por eles não terem às vezes isso é impeditivo.
Apesar do que Seron (2009) afirma, propondo que a baixa escolaridade é um dos aspectos que dificultam o apenado de conseguir uma oportunidade de trabalho, no setor de construção civil, as exigências não são altas quanto ao nível de escolaridade, podendo haver mais oportunidades para o apenado e egresso com baixa qualificação.
A Sejus, juntamente com a Seduc, estabeleceu uma parceria para que as unidades prisionais fossem capacitadas com escolas com o intuito de formar os apenados interessados. Para os apenados e egressos que já não se encontram em regime de reclusão total, existe a proposta do “Educação de Jovens e Adultos” (EJA), tendo a Sejus também o papel de encaminhá-los para a instituição mais próxima para aqueles interessados em dar continuidade à sua educação. O E10 descreveu como Sejus e Seduc fazem esse acompanhamento educacional:
Na verdade, a educação é uma parceria com a Seduc, ela não é uma ação direta da Sejus, mas é da Seduc. Então, a Seduc ela trabalha dentro das penitenciárias, no regime EJA, desde a alfabetização ao ensino médio, vamos dizer assim, ao médio completo, né. Então, aquele que quer estudar ele pode ser alfabetizado bem como fazer até mesmo o Enem, né, e ter ingresso na Universidade. E quando eles tão aqui fora, como é que acontece? Bom, aqui fora acontece da seguinte forma: quando ele chega até nós, na Cispe, ele passa pelo serviço social, e das atribuições das nossas assistentes, técnicos do serviço social, é justamente saber a sua escolaridade, saber se eles querem estudar, e se ele disser “Não, quero estudar”, então elas tem um mapa, tem todos os endereços dos EJAs de Fortaleza, e aí ela encaminha, identifica o endereço dele e encaminha ao EJA mais próximo, ao EJA mais próximo da sua residência e dá a ele o encaminhamento pra que ele se dirija até lá e possa ser matriculado.
Pelo relato apresentado, observa-se que existem oportunidades para os apenados darem continuidade aos seus estudos, interna e externamente ao ambiente prisional, ficando a critério do sujeito a iniciativa para tanto.
No âmbito empresarial, mas precisamente na Galvão Engenharia, os apenados contratados também têm a oportunidade de darem continuidade aos seus estudos. Como discutido nos tópicos acima, a empresa tem uma parceria com o SESI para a instituição do Programa Construindo o Saber, cujo objetivo está em formar seus operários no ensino fundamental, inclusive os apenados. Como a E1 afirmou,
[...]alguns deles, eles estão aqui na turma, ou seja, até pra eles, além de tá tendo oportunidade de trabalhar, né, ter uma possibilidade de crescer, tem também a possibilidade de elevar e escolaridade, enfim.
Dessa forma, evidencia-se que tanto em nível público como privado, a educação entre apenados e egressos é impulsionada, partindo da iniciativa do sujeito dar continuidade e qualificar-se para o mercado de trabalho.
Como os apenados e egressos foram analisados em três momentos diferentes, antes de ser inserido no sistema penitenciário, durante o cumprimento da sua pena, e depois da sua progressão de pena, no Quadro 17 são apresentadas as suas situações educacionais para cada um desses instantes.
Quadro 17 – Situação educacional dos apenados e egressos no decorrer do tempo
SUJEITOS ANTES DURANTE DEPOIS
E4
Antes de ser preso? Ah, eu antes de ser preso estudava muito, ai foi a companhia de amigos, né, ai eu me misturei, e comecei, abandonei o estudo, mas eu tenho o primeiro grau.
-
Olha que nem eu, eu gosto de trabalhar eu, eu num gosto de ficar parado não, mas se eu pudesse estudar, eu queria estudar de novo.
E5 Fiz até a quarta série. - -
E6
Eu fiz só até a sexta série. Mas não concluí, estudei até o meio do ano e parei.
- -
E7
Eu parei até a quinta série, aí depois continuei, fiz o Projovem, concluí só até o primeiro ano.
Não. Teve oportunidade no outro local que eu fui, aí foi muito pouco tempo também.
-
Fonte: Elaborado pelo autor a partir das Entrevistas.
Dessa forma, torna-se patente a dificuldade social do acesso a educação antes mesmo de entrar no sistema penitenciário. Apesar de todas as oportunidades elencadas
anteriormente, nenhum dos sujeitos entrevistados teve aproveitamento, dificultando o seu processo de ressocialização, pois como foi relatado, muitas empresas exigem um determinado nível de escolaridade para sua contratação.
A Sejus oferece qualificação dentro e fora dos estabelecimentos prisionais para seus assistidos. Para inserir os apenados e egressos no mercado de trabalho, a Sejus realiza alguns convênios com empresas para a sua instalação dentro das unidades prisionais, como também para o incentivo à contratação de sua mão de obra. Como a E8 sustenta:
Temos convênios firmados e algumas empresas estão sendo instaladas dentro dos presídios, mas isso é pra gente levar uma qualificação profissional pra o interno, pra ele sair mais qualificado, pra gente possibilitar uma renda enquanto ele tá recolhido. Quando ele sai, aí a gente recebe ele também qualificado, que a gente leva vários cursos de qualificação pra dentro do presídio, exatamente pra gente num receber uma pessoa totalmente sem qualificação, a gente sabe que 70% do preso que a gente prende hoje é a pessoa que num tem nenhuma qualificação profissional, que num tem remuneração, né, que vem da periferia e tudo mais, então a gente tenta reconstruir alguns fundamentos importantes pra gente empregar. Então, a gente tá levando muito qualificação profissional pra dentro das unidades.
O incentivo à qualificação do assistido após a progressão da pena constitui-se por meio da parceria da Sejus com o Pronatec. Como o E10 declarou, o Pronatec é
[..]uma ação do governo federal, que é uma parceria com o sistema S, também tem sido uma porta muito boa de entrada dos nossos apenados, né, em que eles fazem cursos pelo SENAI e pelo SENAC, e que no decorrer desse processo eles são capacitados e são, consequentemente, captados por nós, posteriormente, ou por alguma outra instituição pro trabalho.
Pela dificuldade de contratação dos assistidos, principalmente pela falta de qualificação, a Sejus promove as suas inscrições no Pronatec, tornando evidente a sua importância para adquirir maiores possibilidades de encaminhamento à uma empresa.
Para Pastore (2011) e Pozzebon (2007), o ambiente de trabalho deve ser satisfatório, constituído por profissões úteis e correspondentes às exigências do mercado de trabalho.
A Sejus, percebendo o crescimento da construção civil na capital de Fortaleza, procurou oferecer cursos profissionalizantes que capacitassem os apenados e egressos para essa área, com cursos de bombeiro hidráulico, eletricista predial e pedreiro. Para o E10, também é importante que os assistidos tenham interesse naquilo que irão se capacitar e executar:
pra que a gente possa já iniciar o trabalho dele com pelo menos um foco de, assim, “ele tem interesse nisso?”, porque às vezes num é interesse dele, ele nunca vai se vê como um trabalhador da construção civil. Então, assim, se no presídio ele já não se interessa pelo curso, dificilmente ele vai se interessar aqui, mas é onde a gente mais tem oportunidade de trabalho, é na construção civil, né, porque é o trabalhador que exige pouquíssima qualificação, ele entra logo como servente, né, então como servente ele vai crescendo dentro da construtora e aí vai se qualificando, como pedreiro e aí crescendo dentro da construtora.
Entretanto, a realidade de muitos assistidos não permite essa escolha. Os mais determinados a retornarem de forma positiva ao convívio social, aceitam trabalhos que não lhe interessam, mas que não podem ser perdidos, com a esperança de que um dia o esforço tenha valido a pena e a devida oportunidade seja alcançada. O E10 deixa isso patente:
A única dificuldade é justamente a questão, assim, eles chegam, eles passam por exemplo por uma capacitação de eletricista, mas aí a instituição tá precisando de servente, o que que acontece? Ah, eu só tenho um pra servente, então muitas vezes eles já têm uma capacitação pra eletricista, mas ele acaba entrando por conta da necessidade. Tem que pagar água, luz, telefone, tem os filhos, então ele acaba sendo um servente. E aí, o desenvolver dele muitas das vezes nós não acompanhamos se ele vai amanhã assumir a capacitação que ele teve, né. E às vezes ele tem até um curso de pedreiro, mas entra como servente, mas isso é porque ele quer, porque é uma forma de entrar, ele quer entrar e lá ele vai desenvolver seu trabalho. Mas assim, acontece muito disso, ele tá num subemprego, embora tenha capacitação, pela necessidade que a vida exige.
Um dos apenados entrevistados teve a oportunidade de se qualificar como pintor por meio de uma parceria entre Sejus e Casa Cor. O E5 declara com bastante lamento não ter a possibilidade de trabalhar nessa área, pois sente muito prazer em exercê-la. Fala com muito prazer sobre sua capacitação:
Eu tenho o curso de pintor, né, mas ainda não surgiu a oportunidade.
Gosto, gosto. Trabalho com látex, textura. Eu tenho meu certificado em casa. Trabalhei na Casa Cor.
Foi, eu tenho até o crachazinho de lá ainda.
No momento, o E5 está na Galvão Engenharia como ajudante de carpinteiro. Entretanto, a função foi assumida por ser irrecusável em sua situação. Se pudesse escolher, seria pintor.
Então, torna-se comum essa atitude dos assistidos. A Sejus preocupa-se em capacitá-los de acordo com as exigências do mercado de trabalho, muitos qualificam-se e encontram uma atividade que lhes interessam, mas a dificuldade marcada pelo seu passado
impede que o assistido tenha qualquer liberdade de escolha, tendo que assumir um emprego por necessidade.
A proposta da Galvão Engenharia está alinhada com o discurso da Sejus. As empresas exigem, em seu processo seletivo, experiência e qualificação na área para haver a contratação dos apenados. A Galvão Engenharia questionou todos os assistidos sobre suas experiências na área de construção civil, como sustentou a E1:
Sim, a gente, na realidade, nas entrevistas eu fui colhendo algumas informações, que a grande maioria não tem carteira assinada, então a gente foi verificando pelo menos se tinha alguma vivência, experiência, mesmo sem ser carteira assinada, né, na construção, ou como pedreiro, carpinteiro, enfim, pintor, até como servente, na construção. E aí, a gente tinha também a questão de analisar de acordo com a descrição de cargos que a gente tinha aqui na Galvão Engenharia, né, e aí a gente, todos eles selecionados, né. Foi de acordo com esse critério, tá certo, de já ter atuado, trabalhado, [...]
É importante destacar que a empresa não só exigiu experiência na área, mas também tinha que haver o devido espaço para aquele sujeito, indicando a pretensão de contratação de uma mão de obra como outra qualquer, e não por uma ação filantrópica.
Com relação à qualificação, destaca-se a evolução de um dos apenados entrevistados. Declarando ter cometido um crime por falta de conhecimento, fica evidente em suas palavras a vontade de não retornar à criminalidade. Sua pena foi logo firmada no regime aberto. O E6 apresenta muita motivação e ambição, e por isso destacou-se na Galvão Engenharia. Desde as obras da Arena Castelão, até a sua nova contratação para trabalhar no Centro de Formação Olímpica, a Galvão Engenharia aproveitou sua ambição, promovendo sua qualificação, até que se tornou sinaleiro de grua:
E, aqui, a Galvão Engenharia ela tem me dado uma oportunidade que nenhuma outra empresa me deu, né. Aqui eles pagaram curso pra mim, eu me qualifiquei, né, e hoje eu tô trabalhando como profissional, não sou mais ajudante, isso pra mim, só Deus sabe a felicidade que eu tô sentindo. E sou muito grato primeiramente a Deus, à Galvão Engenharia, onde eu puder falar do nome dela, do benefício que ela trouxe pra mim, né, e eu tô muito feliz de tá aqui na Galvão Engenharia (E6).
O E6 também não pretende encerrar seu crescimento, afirmando que
Num pretendo parar aqui não, tô como sinaleiro de grua, futuramente eu quero fazer um curso pra operador de grua, né, (...). Mas a minha vontade é essa, fazer um curso pra operador de grua.
Então, é possível haver a profissionalização do assistido. É uma questão que envolve motivação do lado do apenado e oportunidade do lado empresarial.
O E6 não é o único caso bem sucedido. A E9 relata outros êxitos:
A gente tem pessoas que entraram como servente que no decorrer do trabalho eles conseguiram, como eles chamam no meio da construção civil, se profissionalizar. E ai, hoje, eles são pedreiros, sinaleiros, marteleteiros, já tem uma profissão definida dentro da construção civil.
Quanto à qualificação, os apenados e egressos também foram analisados em três momentos diferentes, antes de ser inserido no sistema penitenciário, durante o cumprimento da sua pena, e depois da sua progressão de pena. No Quadro 18 são apresentadas as suas qualificações para cada um desses instantes.
Quadro 18 – Qualificação dos apenados e egressos no decorrer do tempo
SUJEITOS ANTES DURANTE DEPOIS
E4
Porteiro, zelador, balconista, servente,
ajudante.
- Ajudante de carpinteiro.
E5 Auxiliar de pedreiro. Hidracor – curso de
pintor. Ajudante de carpinteiro. E6
Diversas funções desde os seus 18 anos, com
carteira assinada.
- Ajudante.
Sinaleiro de grua.
E7 Alguns “bicos”. - Ajudante de pedreiro.
Fonte: Elaborado pelo autor a partir das Entrevistas.
Pastore (2011) defende que o trabalho do apenado tenha que ser produtivo. Seron (2009) elenca a ausência de qualificação como um dos impeditivos de inserção no mercado de trabalho. Julião (2010) defende que a profissionalização pode permitir condições para a sua ressocialização. A partir dessas constatações teóricas, evidencia-se que na prática a qualificação é uma exigência patente nas empresas, independente das condições do candidato, e que é necessário esse vínculo da Sejus, permitindo que a qualificação esteja ao alcance de todos; que a atividade profissional a ser exercida também é importante para o apenado, cuja ambição gera interesses e motivação para crescimento e; que a profissionalização pode beneficiar o seu retorno à sociedade.
O trabalho é citado inúmeras vezes como o principal meio para o alcance da ressocialização do apenado. Madeira (2004) afirma que o trabalho ainda é uma das poucas alternativas para a ressocialização. A legislação brasileira, por meio da LEP, define o trabalho como um meio educativo e produtivo (BRASIL, 1984, arts. 28, 31). De acordo com Silva
(2001) e Pastore (2011), o trabalho dignifica, satisfaz, e diminui as possibilidades de reincidência criminal. Pastore (2011) defende a existência de oportunidades de trabalho dentro e fora dos presídios. Partindo dessas afirmações teóricas, fica evidente a importância do trabalho para um apenado. Ainda, pelas conclusões anteriores, torna-se patente as exigências educacionais e de capacitação para se almejar o trabalho.
A Galvão Engenharia, juntamente à Sejus, por intermédio do Programa Mãos que Constroem, contratou um grupo de apenados como mão de obra. Inicialmente, tiveram que percorrer uma fase de experiência, categorizados pela LEP, ou seja, tendo direito apenas aos ¾ do salário mínimo e nada mais. Após a curta fase de experiências – apenas três meses – a empresa decidiu por contratá-los sob o regime celetista, com todos recebendo pelo piso da categoria e outros inúmeros benefícios que a empresa disponibiliza para todos os seus colaboradores.
A E11 trata como surpreendente essa ação da Galvão Engenharia, indicando a importância dessa atitude para os assistidos:
Que isso é muito bom, até estimula os nossos internos, nossos presos do regime aberto e semiaberto, a darem continuidade, a focarem nisso, entendeu, ou seja, na ressocialização, que é o que a gente quer.
Assim, torna-se digno de consideração o ângulo do apenado. Todos os assistidos entrevistados estavam à disposição da Sejus para serem recrutados para qualquer seleção. Todos que aguardavam estavam com outra oportunidade de trabalho, todavia de cunho informal.
Como os apenados e egressos foram analisados em três momentos diferentes, antes de ser inserido no sistema penitenciário, durante o cumprimento da sua pena, e depois da sua progressão de pena, no Quadro 19 são apresentadas as suas condições de trabalho para cada um desses instantes.
Quadro 19 – Trabalho dos apenados e egressos no decorrer do tempo
SUJEITOS ANTES DURANTE DEPOIS
E4
Porteiro, zelador, balconista, servente,
ajudante.
Quando a gente trabalha dentro da cadeia a gente é
muito mal visto.
Ajudante de carpinteiro.
E5 Auxiliar de Pedreiro.
Carrapicho. Pintor na sua unidade
prisional. Copati – Setor de
manutenção.
Ajudante de carpinteiro.
E6
Diversas funções desde os seus 18 anos, com
carteira assinada.
- Ajudante.
Sinaleiro de grua.
E7
Bicos no Centro de Eventos, vendia lanche, fazia bicos também com meu tio limpando piscina,
reformando piscina.
Não, não porque já tinha certa gente pra colocar
pra trabalhar lá.
Ajudante de pedreiro.
Fonte: Elaborado pelo autor a partir das Entrevistas.
Analisando o Quadro 19, nota-se que todos trabalhavam antes de entrar para o sistema penitenciário. É um indício que trabalho, não necessariamente, possa manter o sujeito alinhado com a sociedade. Talvez a informalidade e a falta de segurança nas atividades exercidas desmotivaram os sujeitos, levando-os à criminalidade.
Durante a execução da pena, apenas um dos sujeitos valeu-se das oportunidades de trabalho dentro do sistema. De acordo com o E4, a sua movimentação dentro do presídio não foi bem vista por seus colegas, pois não sabiam as reais pretensões desse deslocamento. Como o E4 discutiu, tornou-se inviável trabalhar sob ameaças:
Porque os pessoal passa na rua e fica chamando a gente de alma, cabuete, aí eu não queria, mas sempre eles me chamavam, “Jorge Luis vem trabalhar na cozinha, vem trabalhar na frente da cadeia capinar”, aí eu fui, aí depois um colega meu: “Ei, macho, os cara aí num tá gostando não, má, tu sai pra trabalhar e volta, tá pensando que tu tá levando história de dentro da cadeia pro diretor”,
Apesar do pouco aproveitamento e da situação negativa relatada, todos os apenados estão empregados no momento. Com uma visão de futuro positiva, torna-se possível sair da sua realidade anterior, não reincidir e retornar de forma positiva ao convívio social.
Cada um deles apresentam visões e ambições diferentes, entretanto, todos têm em comum a opinião de que o trabalho é essencial para o seu retorno ao convívio social. A seguir encontram-se as respostas dos apenados e egressos quanto à essencialidade do trabalho em seu processo de ressocialização (QUADRO 20).
Quadro 20 – Importância do trabalho no processo de ressocialização
SUJEITO RESSOCIALIZAÇÃO
E4
É. Porque o que é que vou fazer em casa enchendo a cabeça de bobagem, faltar dinheiro no bolso.
É, trabalho é.
Pode, se todas empresas seguissem que nem ela, não ia ter mais...
E5 Significa tudo. É prazeroso pra mim chegar em casa cansado e tudo, mas agradeço a Deus por ter essa oportunidade e estou muito feliz por tá concluindo esse trabalho.
E6
[...]hoje eu tô trabalhando como profissional, não sou mais ajudante, isso pra mim, só Deus sabe a felicidade que eu tô sentindo. E sou muito grato primeiramente a Deus, à Galvão Engenharia, onde eu puder falar do nome dela, do benefício que ela trouxe pra mim, né, e eu tô muito feliz de tá aqui na Galvão Engenharia.
E7
Através desse trabalho que eu posso arrumar outro quando esse terminar, né, pra não ficar