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Sinais preparatórios similares aos RPs são registrados em diferentes situações, como opções de múltiplas respostas, decisões abstratas, decisões valorativas e escolhas perceptuais. O registro destes sinais é feito através de métodos diferentes, como EEG extra e intracraniano e o fMRI.

Haynes põe duas possibilidades que podem se seguir ao disparo do RP: uma possibilidade é que o RP dispare uma cadeia causal que se desenvolve e que depois não pode ser cancelada (ele usa o exemplo do dominó; em uma queda de dominó, se não houver nenhuma intervenção, os dominós irão cair gradualmente até o último). Outra possibilidade é a de que o indivíduo possa parar o processo (tirar uma peça do dominó). Esta última foi a possibilidade testada por Haynes. Foi dito aos participantes que eles ganhariam pontos se apertassem o pedal na luz verde e perderiam pontos se apertassem na luz vermelha. E em outro estágio, Haynes avisou que o computador tentaria prever os movimentos.

O teste da segunda possibilidade tinha três estágios. Em todos eles, os participantes ficavam olhando uma tela onde aparecia uma luz verde ou vermelha. Havia um botão no chão que eles podiam pressionar com o pé direito. Eles ganhavam pontos se pressionassem o botão quando a luz estava verde e perdiam pontos quando a luz estava vermelha. No primeiro estágio o tempo de mudança entre as cores era randômico, de modo que eles não podiam prever qual cor iria aparecer. Ao mesmo tempo sua atividade cerebral era registrada por um EEG. Os dados do EEG eram usados para treinar um classificador (BCI)

que deveria predizer os movimentos dos estágios seguintes. Nos estágios II e III a mudança de cor era feita pelo BCI. O BCI acendia a luz vermelha assim que o RP era iniciado. A diferença entre os estágios II e III era que os participantes não sabiam que seus movimentos estavam sendo previstos pelo BCI no estágio II, enquanto que no estágio III eles recebiam esta informação (cf. Ibidem, p.1-2).

Haynes classificou os achados em quatro casos:

1. pressionamento de botão perdido: S aperta o botão na luz verde sem a detecção do RP. 2. pressionamento de botão previsto: S aperta o botão na luz vermelha depois da detecção do RP.

3. pressionamento de botão abortado: O RP é detectado e a luz vermelha é acesa, S inicia o movimento, mas o aborta antes de concretizar o movimento.

4. falso alarme/ cancelamento prévio (casos ambíguos): O RP é detectado e a luz vermelha é acesa, mas S não esboça movimento. Isso pode acontecer tanto porque S cancelou o movimento preparado como porque o BCI detectou um falso positivo.

Além dessa classificação, Haynes também estudou a relação entre os tempos de predição/sinais de parada e o início do movimento. E ele distingue três casos: pressionamento de botão previsto, pressionamento de botão abortado e predições silenciosas. Nas predições silenciosas o preditor fazia a previsão, mas não exibia a luz vermelha. Isso tinha por objetivo avaliar o próprio preditor e o modo como as previsões dependiam apenas do RP. Os casos de pressionamento do botão previsto acontecem próximo ao início do movimento, mas são mais frequentes depois desse início. No caso do pressionamento do botão abortado: também acontecem todos próximos ao início do movimento, mas são mais frequentes até 200ms depois do início do movimento. Comparando as proporções de casos abortados e casos previstos, vê-se que a proporção dos primeiros é maior antes do movimento e a proporção dos últimos é maior depois. Isso parece mostrar que fica cada vez mais difícil abortar o movimento quanto mais tarde o sinal de parada é exibido. Casos abortados e previstos não são observados nas previsões feitas próximas ao início do RP. Daí surge um problema: um movimento não é feito porque é cancelado prematuramente ou porque a previsão estava errada? Para resolver esses casos ambíguos, Haynes selecionou outro indicador de preparação de movimento103, o ERD (event-related desynchronization), e treinou o preditor para detectá-

lo. Segundo os pesquisadores, observou-se que o ERD também era detectado nos casos ambíguos, o que fornecia evidência de que esses casos eram, de fato, cancelamentos prematuros e não alarmes falsos (cf. Ibidem, p.2-3).

No final do artigo, Haynes faz algumas observações importes sobre os seus experimentos. Primeiro ele observa que a forma do RP não foi afetada em nenhum momento nem mesmo no estágio 3, quando os participantes foram avisados que os seus movimentos estavam sendo previstos. Apesar dessa forma estereotipada do RP, Haynes destaca que os participantes eram capazes de cancelar o movimento até 200ms antes do seu início. Mesmo depois do início do movimento, eles podem ainda abortar o pressionamento do botão. Ele chama esse tempo de 200ms de SSRT (stop signal reaction time).

Haynes ressalta que a capacidade do sujeito de cancelar movimentos auto- iniciados tem sido denominada de veto por Libet e que a possibilidade de um veto tem implicações para a questão do livre-arbítrio, e, principalmente, que o veto de Libet foi interpretado como tendo consequências dualista por muitos pesquisadores e filósofos, mas ele interpreta o veto apenas como um “cancelamento”. Além disso, baseado em alguns estudos sobre a inibição de sinais de parada, ele sugere que, pelo menos, nos casos de movimentos internamente iniciados, o sinal de preparação de movimento é acompanhado por uma atividade neural que pode inibir o movimento. Muitos estudos mostram que essa atividade inibitória surge em múltiplas regiões pré-frontais, mas a área principal está localizada no córtex pré-frontal inferior direito (cf. Ibidem, p.4-5).

Por fim, ele conclui afirmando que os resultados da pesquisa sugerem que é possível cancelar ou vetar um movimento mesmo depois do início do RP. Levando em conta que não seja ultrapassado 200ms antes do início do movimento.