Ainda nos dias que correm existe uma grande desinformação quanto ao regime jurídico pertinente às cooperativas. A situação se agrava mais quando se está diante de uma cooperativa de crédito, pois, não raras vezes, as pessoas a chamam de banco, confundindo-a com este.
É evidente que as cooperativas de crédito, apesar de serem instituições financeiras, definitivamente não são bancos, conforme ressai do artigo 5º, da Lei n. 5.764/71:
Art. 5° As sociedades cooperativas poderão adotar por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, assegurando-se- lhes o direito exclusivo e exigindo-se-lhes a obrigação do uso da expressão “cooperativa” em sua denominação.
Parágrafo único. É vedado às cooperativas o uso da expressão
Esta espécie de cooperativa é constituída nos moldes da Lei Geral do Cooperativismo e segue os mesmos princípios e características das demais, havendo como diferencial unicamente o seu objeto social que é o fomento do crédito para os seus associados. Em outras palavras, as pessoas se reúnem nos moldes da legislação em vigor, para ter acesso a linhas de crédito e, tudo aquilo que for apurado dentro de um determinado período como resultado positivo, é restituído para o próprio associado, na medida da sua participação no fomento deste crédito.
Prevê a Lei Complementar n. 130, de 17 de abril de 2009 que:
Art. 1o As instituições financeiras constituídas sob a forma de
cooperativas de crédito submetem-se a esta Lei Complementar, bem como à legislação do Sistema Financeiro Nacional - SFN e das sociedades cooperativas.
Art. 2o - As cooperativas de crédito destinam-se, precipuamente, a
prover, por meio da mutualidade, a prestação de serviços financeiros a seus associados, sendo-lhes assegurado o acesso aos instrumentos do mercado financeiro.
Apesar de serem instituições financeiras, as cooperativas de crédito definitivamente não são bancos e não podem ser tratadas como estes. A única coisa que lhes aproxima é o fato de lidarem com o crédito. Fora isso, não há qualquer semelhança entre o modelo de cooperativismo de crédito e os bancos.
Conforme dados do site da Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB, as cooperativas de crédito quantitativamente se apresentam da seguinte forma78:
Portanto, um importante segmento do modelo cooperativo, no qual os associados têm a possibilidade de receber por tudo aquilo que contribuem para o fomento do crédito, ao final de cada balanço, na apuração das sobras.
3.7.5 Cooperativas de trabalho
O Decreto-Lei n. 22.232, de 19 de dezembro de 1932, vigorou até a edição do Decreto-Lei n. 59, de 21 de novembro de 1966. Hoje, basicamente, o tema está regulado pela Lei n. 5.764/71. Todavia, vale a pena conferir o artigo 24, do revogado Decreto-Lei n. 22.232/32, que estabelecia que as cooperativas de trabalho eram constituídas mediante as seguintes determinações:
Art. 24. São cooperativas de trabalho aquelas que, constituídas entre operários de uma determinada profissão ou oficio, ou de ofícios vários de uma mesma classe, têm como finalidade primordial melhorar os salários e as condições do trabalho pessoal de seus associados, e, dispensando a intervenção de um patrão ou empresário, se propõem contratar e executar obras, tarefas, trabalhos ou serviços, públicos ou particulares, coletivamente por todos os por grupos de alguns.
Com o advento da Constituição Federal de 1988 o sistema cooperativo passou a contar com uma proteção especial em relação ao seu objetivo social ou à natureza jurídica da atividade desenvolvida. O constituinte não fez qualquer ressalva ou restrição quanto à natureza jurídica das cooperativas, de modo que quaisquer atividades podem ser organizadas por meio desta sociedade.
O relevante a ser analisado quanto a esta modalidade de cooperativa é a tríplice relação mantida entre cooperado, cooperativa e tomador dos serviços. De pronto já é possível dizer que em nenhum caso há vínculo empregatício. Isto porque, pela própria natureza jurídica das sociedades cooperativas não existe qualquer vínculo de emprego entre estas e os seus associados. Em verdade, as cooperativas prestam serviços aos seus cooperados. Também não existe relação de emprego entre as cooperativas e os tomadores de serviços, por não estarem presentes os requisitos da legislação trabalhista, especialmente porque a cooperativa é uma pessoa jurídica, não havendo relação de emprego nesta condição. Por último, não há relação de emprego entre o cooperado e o tomador de serviço, pela total ausência dos pressupostos da legislação do trabalho.
Mas, como forma de precaver qualquer forma de litígio, a Lei Geral das Cooperativas, desde o seu nascedouro, já propugna que não há relação de emprego entre as cooperativas e os seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços.79Posterior à Lei n. 5.764/71, veio a Lei n. 8.949, de 09 de dezembro de 1994, que acresceu ao artigo 442, da Consolidação das Leis do Trabalho, o parágrafo único, dispondo que “qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela”.
Nitidamente o parágrafo único, do artigo 442, da CLT, reproduziu o quanto já estava consignado no artigo 90, da Lei n. 5.764/71, não trazendo nenhuma novidade para o universo jurídico. Em outros dizeres, o legislador ´choveu no molhado´, sendo sua atuação totalmente despicienda quanto a esta matéria.
Não obstante à relevante importância da relação jurídica contratual mantida entre a cooperativa, o cooperado e os tomadores de serviço, existem outros aspectos inerentes à constituição desta modalidade de sociedade, que não podem passar sem a devida análise. Estamos fazendo menção à Lei Ordinária n. 12.690, de 19 de julho de 2012, por meio da qual se dispôs a respeito da organização e funcionamento das cooperativas de trabalho.
Estabelece o artigo 2º, da lei em referência que:
Art. 2o - Considera-se Cooperativa de Trabalho a sociedade
constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação socioeconômica e condições gerais de trabalho.
§ 1o - A autonomia de que trata o caput deste artigo deve ser
exercida de forma coletiva e coordenada, mediante a fixação, em Assembleia Geral, das regras de funcionamento da cooperativa e da forma de execução dos trabalhos, nos termos desta Lei.
§ 2o - Considera-se autogestão o processo democrático no qual a
Assembleia Geral define as diretrizes para o funcionamento e as operações da cooperativa, e os sócios decidem sobre a forma de execução dos trabalhos, nos termos da lei.
79 Art. 90. Qualquer que seja o tipo de cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados.
Ao mesmo tempo em que a legislação faz a classificação das sociedades cooperativas de trabalho, também traz inúmeras previsões a respeito do seu funcionamento, excluindo expressamente a constituição de cooperativas de trabalho nos seguintes casos:
Art. 1º - [...]
Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei:
I - as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar;
II - as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho;
III - as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e
IV - as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento.
Essas cooperativas podem ser criadas tanto para o fomento da produção, seja qual for o segmento econômico eleito pelos associados, como também, para a prestação de serviço, todavia, neste caso, sempre respeitando a previsão do § único, incisos I, II, III e IV, do artigo 1º, da Lei n. 12.690/2012, senão vejamos:
Art. 4o - A Cooperativa de Trabalho pode ser:
I - de produção, quando constituída por sócios que contribuem com trabalho para a produção em comum de bens e a cooperativa detém, a qualquer título, os meios de produção; e
II - de serviço, quando constituída por sócios para a prestação de serviços especializados a terceiros, sem a presença dos pressupostos da relação de emprego.
Fato importante que chama atenção é a preocupação do legislador quanto ao mau uso destas sociedades. Sabe-se que nem sempre as pessoas desfrutam adequadamente o direito que possuem. Atento a esta situação, a legislação em vigor faz clara imputação ao desvio de finalidades das sociedades cooperativas de trabalho. Por outros torneios, as falsas cooperativas de trabalho, aquelas que visam unicamente burlar a legislação do trabalho e previdenciária, deverão ser extirpadas, até mesmo para que não prejudique as verdadeiras cooperações de trabalho.
De acordo com o artigo 5º, da Lei Ordinária n. 12.690/2012: “a cooperativa de trabalho não pode ser utilizada para intermediação de mão de obra subordinada”.
E mais, prevê a legislação em comento que:
Art. 17 - Cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, no âmbito de sua competência, a fiscalização do cumprimento do disposto nesta Lei.
§ 1o - A Cooperativa de Trabalho que intermediar mão de obra
subordinada e os contratantes de seus serviços estarão sujeitos à multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) por trabalhador prejudicado, dobrada na reincidência, a ser revertida em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT.
§ 2o - Presumir-se-á intermediação de mão de obra subordinada a
relação contratual estabelecida entre a empresa contratante e as Cooperativas de Trabalho que não cumprirem o disposto no § 6o do
art. 7o desta Lei.
§ 3o - As penalidades serão aplicadas pela autoridade competente do
Ministério do Trabalho e Emprego, de acordo com o estabelecido no Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.
Art. 18 - A constituição ou utilização de Cooperativa de Trabalho para fraudar deliberadamente a legislação trabalhista, previdenciária e o disposto nesta Lei acarretará aos responsáveis as sanções penais, cíveis e administrativas cabíveis, sem prejuízo da ação judicial visando à dissolução da Cooperativa.
Encontramos no sítio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) artigo de autoria de Paul Singer contendo uma excelente apresentação a respeito das falsas e verdadeiras cooperativas de trabalho, in verbis:
A cooperativa de trabalho surgiu assim como forma conveniente de substituição de trabalho assalariado regular por trabalho contratado autônomo. Algumas vezes, os trabalhadores são convidados a abrir micro-empresas para se transformar em prestadores autônomos de serviços. Outro subterfúgio muito usado é assalariar trabalhadores sem assinar-lhes a carteira de trabalho, sob o pretexto de que estão em experiência. Mas, quando se trata de mudar o status legal dum grande grupo de trabalhadores, a contratação coletiva sob a forma de cooperativa deve ser mais conveniente.
Esta é uma das origens do surto de cooperativas de trabalho. Empresas criam cooperativas de trabalho, com seus estatutos e demais apanágios legais, as registram devidamente e depois mandam seus empregados se tornarem membros delas, sob pena de ficar sem trabalho. Os empregados são demitidos, muitas vezes de forma regular, e continuam a trabalhar como antes, ganhando o mesmo salário direto, mas sem o usufruto dos demais direitos trabalhistas. Estas são as falsas cooperativas também conhecidas como cooperfraudes e outros epítetos. São cooperativas apenas no nome, arapucas especialmente criadas para espoliar os trabalhadores forçados a se inscrever nelas.
A outra origem das cooperativas de trabalho resulta de iniciativas de trabalhadores marginalizados, sem chance de obter emprego regular
ou ainda em perigo de perder o trabalho que têm. Este é, por exemplo, o caso dos trabalhadores de empresas em crise, que se organizam em cooperativa ora para tentar recuperar a sua ex- empregadora (comprando-a com seus créditos trabalhistas e eventualmente com financiamento) ora para disputar o mercado de serviços terceirizados, tendo como arma sua proficiência profissional. Formam também cooperativas de trabalho trabalhadoras e trabalhadores muito pobres, que sobrevivem vendendo seus serviços individualmente e tentam obter melhores condições de ganho unindo- se em cooperativas de trabalho. Estas cooperativas são obviamente verdadeiras, frutos da livre vontade dos que nelas se associam, que não espoliam ninguém e são criadas como armas na luta contra a pobreza.80
O que não podemos admitir nessas modalidades de cooperativas de trabalho é a generalização. Evidentemente, existem várias cooperativas de trabalho atuando com muita seriedade, seja na área médica, odontológica, transporte de cargas, entre tantas outras. Cabe ao Ministério do Trabalho fiscalizar e punir aqueles que se utilizam incorretamente deste modelo societário, apenas com a intenção de burlar a legislação trabalhista e previdenciária.
De acordo com a jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, in verbis:
CONTRATAÇÃO POR COOPERATIVA. FRAUDE À RELAÇÃO DE EMPREGO. VÍNCULO RECONHECIDO. O direito constitucional brasileiro valoriza e reconhece o cooperativismo como um modo alternativo de produção de bens e serviços. Por conseguinte, as cooperativas de trabalho devem ser reconhecidas como modos singulares de produção sem objetivo de apropriação de excedentes da força de trabalho, e como mecanismo solidário de inclusão social e de união de esforços pessoais para a melhoria das condições de vida e de trabalho dos cooperados. É por tal motivo que desde há muito Godinho Delgado propôs o critério da dupla qualidade como elemento relevante para separar o joio do trigo, as verdadeiras cooperativas e as empresas que se utilizam desta forma jurídica de modo fraudulento. Afinal, sem adesão voluntária e livre, gestão democrática, participação econômica de todos os membros, autonomia e independência, intercooperação, respeito aos direitos sociais, não precarização do trabalho e participação na gestão não há verdadeira cooperativa de trabalho. A intermediação de mão de obra é incompatível com o cooperativismo de trabalho, pois, suprime a possibilidade de os cooperados laborarem com verdadeira independência e autonomia. Quando a força de trabalho é dirigida por outrem e o trabalhador submete-se – ainda que nos limites do contrato – aos preceitos, regras, diretrizes e poder de comando
80 SINGER, Paul. Cooperativas de trabalho. s/d. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/data/files/ FF8080812BCB27 90012BCF0F046C68D9/prog_cooperativatrabalho2.pdf>.
empresarial, há subordinação e não autonomia. Foi o que ocorreu no caso dos autos, no qual, ademais, provou-se a pessoalidade direta entre a empresa dita tomadora de serviços e trabalhadores arregimentados pela falsa cooperativa. Demonstrada a participação integrativa da atividade do trabalhador cooperado na atividade do credor de trabalho e caracterizada a fraude na contratação mediante a intermediação da mão de obra pela cooperativa (art. 9º da CLT), tem-se pela existência de efetivo vínculo de emprego, porquanto presentes os elementos instituídos nos arts. 2º e 3º da CLT.81
Segundo informações levantadas diretamente no site da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB Sescoop), existem hoje 966 cooperativas de trabalho, gerando 2.738 empregos diretos, contando, ainda, com 188.644 associados. Não há dúvida da importância desta modalidade de associativismo para a economia.82
3.7.6 Cooperativas habitacionais
Outra forma de cooperativismo é aquele destinado à habitação. De acordo com a legislação em vigor, a criação e o funcionamento de cooperativas habitacionais é totalmente permitida, havendo, inclusive, algumas delas em pleno funcionamento dentro do território brasileiro. Assim, as cooperativas habitacionais devem se atentar ao disposto na Lei n. 5.764/71 e também às previsões do Código Civil de 2002.
Essas cooperativas são constituídas com a finalidade específica de proporcionar aos seus associados a construção e aquisição de imóveis. De acordo com o levantamento feito pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB Sescoop), atualmente existem 226 cooperativas habitacionais, que geram 1.829 empregos diretos e contam com 99.474 associados.83
Para melhor visualização de como funcionam estas cooperativas na prática, vejamos o passo a passo apresentado pela Cooperativa Habitacional Central do Brasil (COOHABRAS)84:
81 Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. RECURSO ORDINÁRIO
– TRT/RO - 0000161- 69.2011.5.01.0002 – RTOrd. Relatora Desembargadora do Trabalho Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da Silva. Julgado por unanimidade em 25 de novembro de 2013. 7ª Turma. Publicado no Diário da Justiça da União em 11/02/2014
82 http://www.ocb.org.br/site/ramos/trabalho_numeros.asp. 83 http://www.ocb.org.br/site/ramos/habitacional_numeros.asp. 84 http://www.coohabras.org.br/site/index.php/como-funciona.
PASSO 1 PASSO 2 1. Poupança coletiva: É um fundo feito com as
contribuições dos próprios participantes que serve para a compra do terreno e o projeto de engenharia e arquitetura.
2. Projeto arquitetônico: Na cooperativa você
e os colegas de grupo que determinam como vai ser a sua casa. Vocês vão ajudar a fazer o desenho do projeto.
3. Compra coletiva do terreno: Comprar o
terreno de forma coletiva barateia o custo do lote e dá possibilidade de compra para todas as famílias participantes.
4. Financiamento para construção: Os
Educadores Populares85
vão orientar os participantes quanto ao melhor tipo de financiamento habitacional disponível.
5. Construir a preço de custo: Cooperativa não
tem lucro, é um projeto social, por isso, os imóveis são repassados aos participantes dos grupos pelo preço de produção.
6. Escritura da moradia: Quando a obra estiver
pronta a casa será escriturada em nome do cooperativado/a, para sua garantia e segurança plena.
Enfim, as cooperativas habitacionais devem fomentar a construção e aquisição de imóveis para os seus associados, sendo que o desvirtuamento das suas finalidades certamente descaracterizará o modelo cooperativista.
3.7.7 Cooperativas de produtores
As cooperativas de produtores aparecem em grande quantidade dentro do cenário econômico brasileiro. Dedicadas às mais variadas áreas de produção, permitem a associação de vários produtores. Compulsando a Lei n. 10.666, de 08 de maio de 2003, verificamos que o § 3º, do artigo 1º define as cooperativas de produção nos seguintes moldes:
§ 3o - Considera-se cooperativa de produção aquela em que seus
associados contribuem com serviços laborativos ou profissionais para a produção em comum de bens, quando a cooperativa detenha por qualquer forma os meios de produção.
85 O Educador Popular é um agente social fomentador e mobilizador do cooperativismo habitacional que motiva, organiza e assessora os Círculos de Cooperação da COOHABRAS. Para executar essa tarefa educativa, o Educador Popular é capacitado no Curso de Educador Popular ministrado pela Diretoria Pedagógica a fim de aglutinar os conhecimentos necessários para seu trabalho.
A função do Educador Popular na COOHABRAS é dar assessoria sistemática aos grupos organizados pela cooperativa, indicando-lhes as melhores práticas cooperativistas, bem como, desenvolver o diálogo sobre os temas para os quais foi capacitado em seu treinamento, junto a estes grupos.
A COOHABRAS valoriza muito o trabalho destes profissionais, já que o perfil deles vai além de seu trabalho remunerado, mas necessita ter um compromisso social muito forte para contribuir na construção de um projeto cooperativista como o nosso que visa à construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Por sua vez, o artigo 29, § 2º, da Lei n. 5.764/71 estabelece a forma de constituição das cooperativas de produtores, prevendo que:
Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei.
§ 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas.
E mais, estabelecem os artigos 83 e 85, da Lei Geral do Cooperativismo que:
Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravá-la e dá-la em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo.
Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem.
Importante anotar que as cooperativas de produção, mesmo recebendo um tratamento legal específico, não podem ser analisadas fora do contexto do cooperativismo de trabalho. As cooperativas de trabalho assumem dentro do cenário jurídico vigente um gênero, onde as cooperativas de produção podem ser classificadas como espécie. Ressai do artigo 4º, I, da Lei Ordinária n. 12.690/2012 que as cooperativas de trabalho podem ser de produção.
Neste diapasão, os produtores associados à cooperativa não podem ser diretamente subordinados à empresa adquirente da sua produção. Para que as cooperativas de produtores funcionem de forma regular, algumas dicas são dadas pela doutrina.
Vejamos o entendimento do professor de Estenio Campelo:
Assim, verificada a subordinação jurídica do associado com a empresa contratante dos serviços, estará configurado o vínculo empregatício e será constatada fraude entre esta e a sociedade
cooperativa, que, então, terá participado como mera intermediária de mão-de-obra. Dessa forma, fica caracterizada a relação empregatícia com a empresa tomadora dos serviços, valendo lembrar, entretanto, que tais situações são especialíssimas e que não se constituem pelo simples fato da prestação do serviço referir-se à atividade fim, mas