EGELİ & CO GİRİŞİM SERMAYESİ YATIRIM ORTAKLIĞI A.Ş
FİNANSAL TABLOLARA İLİŞKİN AÇIKLAYICI DİPNOTLAR 71-116
19. FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ (Devamı)
A abertura como arquitetura e a flexibilidade são características narradas por Castells (2003) que permitiram a globalização, a rápida difusão, a diversidade e a força do uso da internet como ferramenta de aprendizagem e produção, num feedback intenso entre difusão e o aperfeiçoamento da tecnologia. Colabora, com a visão de Lévy e Lemos (2010), no sentido de impingir a internet princípios norteadores que a conformaram, que denomina abertura, descentralização e cooperação. Reconhece que a invenção da internet encontrou na contracultura utópica e na preservação do espírito de liberdade sua fonte. Castells (2003, p. 29) afirma ainda que “a internet é, acima de tudo, uma criação cultural”.
Nesse sentido, a construção da governança eletrônica, como brevemente historiado aqui, sinaliza para a cooperação e participação, conexão, transparência, oralidade, abertura, automação. Portanto, o uso atual das novas tecnologias vai além de uma técnica, construiu uma nova cultura, a cibercultura, novos princípios e valores, ou no mínimo, revisita e constrói novos significados e alcance a velhos princípios, como a cooperação, participação e transparência e impôs outros, como a conexão, a oralidade e automação.
Assim, de acordo com Medina (2010) o governo aberto, ou governo em rede inclui a participação, transparência e a cooperação. Poderiam ser acrescentadas a essas a conexão, oralidade e automação. Será abordado inicialmente os princípios mais gerais que inovam na governança eletrônica, quais sejam: a cooperação, participação, conexão e transparência. Os princípios inovadores para o Sistema de Justiça, de forma mais específica, como o da automação, oralidade, hiperealidade e conexão no processo serão abordados no capítulo de análise do Judiciário.
1.5.1 Princípios da Colaboração e Participação
A colaboração constitui numa filosofia mais ligada a atividades gerais de solidariedade, sendo a cooperação uma espécie de colaboração situada em um âmbito mais específico, com objetivos comuns, mais próximos, mais palpáveis. Sem dúvida, constitui um princípio preenchendo de valores de solidariedade cada ato de compartilhamento efetuado no ciberespaço. O sem número de postagens que varia de informações pessoais, notícias, opiniões, críticas e sugestões, denúncias e questionamentos, são difundidos para serem vistos e provocarem a solidariedade e debate.
O ciberespaço torna visível uma atitude humana natural e responsável pelo avanço e desenvolvimento: a colaboração. No entanto tal atitude vem sendo obscurecida pela mídia de massa que divulga de forma exacerbada a violência como forma de alcançar audiência. Poucas são as matérias jornalísticas que enfatizam a colaboração e gentileza, nesse sentido destaca-se a matéria jornalística que constatou por meio da análise das câmaras de segurança instaladas na cidade de Recife em Pernambuco, mais de 600 (seiscentos) gestos de colaboração em apenas dois meses. As câmaras foram instaladas para flagrar crimes, no entanto mostraram outra coisa.21
A cultura do compartilhamento se mostra e se consolida nas redes sociais, cada sítio atualmente dispõe de botões de compartilhamento, bem como de espaços para comentários, traduz assim o espírito do cibercidadão que reproduz e complementa conteúdos criando uma rede de cooperação sobre seus assuntos e interesses. Um exemplo, marcante na história dos julgamentos do país, ocorreu por ocasião do julgamento da união civil de pessoas do mesmo sexo. As redes sociais reproduziram e comentaram exaustivamente o julgamento. O twitter (rede social de maior aceitação atualmente) registrou durante todo o dia o nome dos ministros do STF e o tema nos seus assuntos mais comentados (trending topics).
Percebe-se a capacidade de cooperação na rede ao visualizar as campanhas de solidariedade e ação cidadãs capitaneadas no ciberespaço. Em 2012 a campanha Kony, engendrada pela organização não governamental (ONG) Invisible Children, alcançou 52 (cinquenta e dois) milhões de visualizações em quatro dias e mais de 100 (cem) milhões de visualizações em uma semana. O documentário viral postado pela ONG tratava de uma denúncia contra um sequestrador e traficante de crianças na África. A capacidade de cooperação nas mobilizações registra na eleição de Barack Obama nos Estados Unidos um turning point, perfazendo não só uma rede de cooperação de pessoas, artistas, instituições, como ainda, atingindo recordes de arrecadação difusas, de pequenos contribuintes, emprestou, assim, legitimidade e força popular ao candidato, Freire e Feitosa (2009, p. 710) :
Anônimos e famosos, como Black Eyed Peys, engajaram-se na campanha de Obama e criaram diversos videos de apoio à sua candidatura, o que foi marcante para que Obama vencesse as eleições. Grupos voluntários como a MoveOn.org também mobilizaram-se e fizeram com que Obama arrecadasse mais de U$$ 150 mi apenas em Set/08, recorde de arrecadação mensal por um candidato à presidência.
21
Matéria do Jornal da TV de Pernambuco. Disponível em: <http://eprarir.net/watch.php?vid=30eb7ba16#_>. Acesso em: 09 ago. 2013
O princípio da cooperação apresenta novas cores à participação, pois a qualifica e a torna coletiva, dialógica e mais atrativa. A participação amplia-se ao incorporar a informação e o diálogo ao seu exercício. Um exemplo de resultados para a administração pública, que confirma o princípio da cooperação como divisor de águas na relação entre o Estado e a Sociedade e entre os diversos segmentos da administração público, por condensar e aprofundar seus efeitos positivos e promover uma responsividade, encontra-se na análise do programa de combate ao desmatamento no Brasil, conhecido como PCCDAM (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia). São notáveis as experiências de colaboração na elaboração de políticas públicas que melhoram o resultado de seus objetivos.
Lévy e Lemos (2010, p. 28) demarcam a colaboração como uma característica da sociedade atual que insere-se na construção da ciberdemocracia:
O ciberespaço, cenário privilegiado da cibercultura, é em sua essência político e o futuro da Internet aponta para novas modalidades de emissão livre, de formas de compartilhamento de informação, de cooperação. O que se espera são mudanças da esfera política em direção a uma ciberdemocracia.
Portanto, situam a construção da ciberdemocracia sob o pilar da cooperação e compartilhamento, novos valores que emergem com força na sociedade mediada pelas novas tecnologias. Com o compromisso firmado na colaboração ocorre a participação cidadã na construção de uma esfera pública dinâmica e atualizada.
1.5.2 Princípio da Conexão
A conexão configura a interligação imediata de diversos assuntos, pessoas, instituições, seja por links, seja por botões de compartilhamento, serviços automatizados conhecidos como web services. Atinge, ainda, a capacidade de diálogo, permitida nos diferentes espaços de interação, chats, fóruns, mensagens, que permeiam o constante uso da internet. A mobilidade e novos gadgets, utilizados em celulares e tablets, permitem ainda uma conexão ubíqua e imediata, favorecendo a permanente interação com o ciberespaço, em qualquer lugar e a qualquer hora, ao alcance de um clique no celular.
A constante conexão reconfigura as práticas sociais e modifica velhos institutos. No campo do trabalho, por exemplo, foi reconhecido pela legislação brasileira o teletrabalho, ou seja, a ampliação da jornada de trabalho devido a constante conexão foi incluída como uma nova forma de trabalho. Como princípio a conexão consagra a permanente ligação ao virtual,
a existência de territórios informacionais e redes wi-fi que propiciam o acesso imediato a uma infinidade de informações, pessoas, instituições, dados etc.
A conexão planetária tem impulso com a emergência do computador coletivo e móvel, o uso dos celulares e tablets ligados a redes sem fio, essa explosão interconecta pessoas, grupos, instituições, coisas e lugares, cidades e eventos. Essa mobilidade caracteriza o que Lemos (2010) denomina Internet das Coisas, ou seja uma terceira fase do uso da internet, que passou de apenas download e leituras (recepção), para uma fase de produção de conteúdo com os uploads e interoperabilidade (web 2.0) e caminha para a internet das coisas em que a conexão envolve os lugares, objetos e a mobilidade.
A conexão começa a estabelecer um paralelo entre os universos físicos e semânticos, Lévy (2010) fala de uma quarta camada de universal de endereçamentos dos conceitos, o espaço semântico, ordenado pelo uso de tags e também pelos motores de pesquisa, agentes inteligentes que permitem filtrar e tratar as informações. A construção dos espaços semânticos se baseia na interconexão colaborativa, assim a maioria das comunicações e transações humanas deixará rastros e estatísticas no ciberespaço, uma memória mundial (LÉVY, 2010).
1.5.3 Princípio da Transparência
Tornou-se comum as reclamações a cerca da crescente perda de privacidade, princípio que necessita ter um tratamento urgente em relação a vida civil com medidas para a proteção contra a invasão do mercado que bisbilhota as vidas, tendências, interesses e utiliza toda gama de relações e informações para mapear nossos gostos e impingir um consumo direcionado e desenfreado. No entanto, no aspecto público a informação que antes precisava ser demandada, era um direito raramente exercido devido aos obstáculos e burocracia que se interpunha entre o cidadão e a administração, se encontra em franca expansão e movimentação. Atualmente, o princípio da transparência impõe uma atitude ativa da administração, que informa, relaciona- se pelas redes sociais, responde imediatamente e disponibiliza os dados em tempo real.
Para Lévy e Lemos (2010) o último estágio do Estado universal será o Estado Transparente, animado pela ideia de justiça, mediado pela inteligência coletiva global, em que a justiça é condição indispensável à manutenção da paz. O Estado transparente contribui para a governança da biosfera, para o desenvolvimento durável. O Estado transparente inspira a confiança e combate a corrupção, pois nada tem a esconder.
Pequenos passos apontam para a construção da transparência governamental, a Lei de Acesso à Informação (LAI), sem dúvida a mais ampla e completa, recentemente aprovada no País em 18 de novembro de 2011, bem como legislações mais antigas como a Lei de Informações Ambientais, nº 10.650, de 16 de abril de 2003, que determina a disponibilização na internet de todas as informações ambientais, são índices da consolidação da cultura da transparência em detrimento da cultura do segredo.
A LAI sinaliza para a renovação do princípio da transparência, ao incumbir a administração de alimentar constantemente de dados abertos a internet, caracterizando uma transparência ativa e aberta. O Decreto nº 5.481, de 30 de Junho de 2005, que dispõe sobre a divulgação de dados e informações pelos órgãos e entidades da administração pública federal, por meio da Rede Mundial de Computadores - Internet, inclusive indicando o Portal da Transparência como plataforma de difusão dos dados financeiros.
A Lei nº 9.755, de 16 de dezembro de 1998, dispõe sobre a criação de um portal na internet pelo Tribunal de Contas da União, conferindo maior celeridade na disponibilização de dados da arrecadação e relatórios financeiros, além da acessibilidade dos dados e transparência. Em 2005, o Decreto nº 5.481 de 30 de junho, dispõe sobre a transparência em relação às auditorias no Controle Interno da Administração (BRASIL, 2005, online):
Art. 20-B. Os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal, sujeitos a tomada e prestação de contas, darão ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público, ao relatório de gestão, ao relatório e ao certificado de auditoria, com parecer do órgão de controle interno, e ao pronunciamento do Ministro de Estado supervisor da área ou da autoridade de nível hierárquico equivalente, em até trinta dias após envio ao Tribunal de Contas da União.
A Portaria Interministerial nº 140, de 16 de março de 2006, disciplina a divulgação de dados e informações pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, por meio da Rede Mundial de Computadores – Internet, dispondo que o banner para os dados estará na primeira página do sítio Portal da Transparência, determina ainda prazo para divulgação de dados, sendo de 30 (trinta) dias para a Administração Direta e 60 (sessenta) dias para a Indireta. Inclui, ainda, a informação obrigatória das licitações e contratações.
A norma mais conhecida ao impor a transparência e uso intensivo da internet como forma de transparência é a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000) que afirma:
I – incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos;
II – liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público;
O processo judicial há muito vem inovando e permitindo diversos atos e provas mediados pela internet, cita-se inicialmente a Lei nº 11.341, de 7 de agosto de 2006, que modificou o Código de Processo Civil, inserindo o seguinte parágrafo
:
Parágrafo único. Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência mediante certidão, cópia autenticada ou pela citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução de julgado disponível na Internet, com indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados.
Alguns exemplos de transparência expandem o interesse na política e no exercício da cidadania, como os sítios Transparência Brasil, o sítio governamental Portal da Transparência e o mais recente e inovador Portal de Dados Abertos.22
Mas a norma instituidora dos mais importantes rompimentos com a lógica tradicional de funcionamento do Judiciário, objeto deste trabalho, encontra-se nas Resoluções do CNJ, Relatórios e Metas estabelecidas pelo Judiciário, bem como na Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de 2006, e seus inúmeros desdobramentos e inovações implementados em diversos Tribunais pelo país, que perfazem e consolidam o processo de virtualização do Judiciário, cujos novos valores serão analisados no ao longo deste trabalho. São as políticas públicas judiciais implementadas para tornar o Judiciário virtual e mais democrático como será analisado nos próximos capítulos.