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Önemli, yararlı, değerli şeylere sahip olarak bunları gelecek hedefleri doğrultusunda kullanmak

Uma perspectiva de narração das atuais transformações da sociedade imersa nos fluxos de informação, cada vez mais potentes, complexos e ubíquos, se situa na tessitura de uma sociedade do conhecimento, em que as trocas de saberes, competências e informações redesenham valores e comportamentos, possibilitam maior desenvolvimento humano e econômico. Nessa vertente, se situam diversos autores, tais como Castells (1999), Lévy (2003), Lemos (2004) e Rover (2009). Descrevem, assim, o surgimento de uma cibercultura, permeando as antigas práticas e renovando o fazer, a política e o pensamento. Na economia, funda-se a economia criativa e economia das ideias, e não apenas de produtos e serviços; na religião ocorrem sincretismos; no conhecimento, a omnivisão e produção coletiva; no espaço, os novos territórios informacionais ou semânticos (ciberespaço); no tempo, o tempo real, a ubiquidade; e, por fim, na política, a ciberdemocracia mundial (LÉVY, 2010, p. 225).

Segundo Lemos (2010), a cibercultura opera uma aceleração da emancipação humana, pela velocidade nas trocas de informação e pavimentação de caminhos de cooperação,

possibilitadas pelo uso da internet. Nesse sentido, a aprendizagem coletiva em rede configura uma nova organização cultural, política, social e econômica, alicerçada em três princípios básicos: liberação da emissão ou liberação da palavra, conexão generalizada e reconfiguração social, econômica, cultural e política (LEMOS, 2010).

A liberação da palavra permite a confluência de uma diversidade de vozes e interesses, enriquecendo o diálogo, diminuindo os intermediários tradicionais do mass media e democratizando os acessos à produção do conhecimento. Pode-se citar como consequências dessa liberação da palavras os movimentos autorais, a ativação da esfera pública, agora aberta à livre participação de todos por meio da internet, de forma ubíqua e com baixos custos. Produz-se, assim, uma emancipação por meio da expressão, da produção de conhecimento e de articulações, catalisando em cada um suas potencialidades e poder de realização.

A conexão generalizada induz a quebra de hierarquias, o protagonismo dos indivíduos e a democratização das relações e acessos, cria ainda o fortalecimento das comunidades semânticas. Em outras palavras, comunidades com interesses comuns se encontram pela rede de computadores e fortalecem seus objetivos, compartilham interesses e conhecimento, realizam a inteligência coletiva. As comunidades semânticas se alimentam do alto poder de colaboração propiciado pelo uso da internet.

Sobre este capítulo da história da internet, que permeia a construção de redes, Castells (2003, p. 25) comenta, associando o fenômeno à cooperação, solidariedade e cultura libertária individual das décadas de 1960 e 1970:

Essas sementes germinaram numa variedade de formas. A cultura da liberdade individual que floresceu nos campi universitários nas décadas de 1960 e 1970 usou a interconexão de computadores para seus próprios fins - na maioria dos casos buscando a inovação tecnológica pelo puro prazer da descoberta. As próprias universidades desempenharam papel importante ao manter redes comunitárias [...] Sem a contribuição dessas redes pioneiras, de bases comunitárias, a Internet teria tido uma aparência muito diferente, e provavelmente não teria abarcado o mundo inteiro.

A conexão integra, ainda, uma confluência de linguagens e mídias, chama de convergência, ampliando a capacidade de percepção e compreensão, seja pelo uso simultâneo de imagens, sons, movimento, mapas e texto, seja pelo uso do hipertexto, ou a interligação dos conhecimentos, numa miríade de relações e complexidades. Assim, uma simples notícia de jornal permite uma verdadeira viagem a determinado país, desabre o conhecimento, permite uma leitura pessoal, num ritmo e circuito elaborado pelo leitor. Lévy (1996, p.36),

afirma em seu livro intitulado “O que é virtual?”, que a virtualização do texto permite que ele seja "recortado, pulverizado, distribuído, avaliado segundo critérios de uma subjetividade que produz a si mesma", ou seja as conexões reafirmam e reconstroem a identidade, ampliam a expressão da subjetividade.

As interações sociais, antes limitadas pelo convívio territorial, espraiam-se pelo ciberespaço sem limitações territoriais, mediadas pelos meios de comunicação online, a sociabilidade avança apesar da ausência corporal ou das relações face a face. Esse fenômeno, muito criticado ou mal compreendido, seja pela imprensa ou por parte da academia, não permite abordagens simplistas ou reducionistas, mas o fato é que a maior parte das informações e interações atuais são repetidas ou difundidas nas redes sociais ou mediadas por elas. A sociedade líquida prevista por Bauman (2001) retrata a superficialidade e pouca efetividade dos movimentos na internet, numa visão que menospreza o poder da colaboração e articulação em rede, afirma, ainda, que “o poder navega para longe da rua e do mercado, das assembleias e dos parlamentos, dos governos locais e nacionais, para além do alcance do controle dos cidadãos, para a extraterritorialidade das redes eletrônicas” (BAUMAN, 2001, p.50). Uma visão que vem sendo contraposta à realidade das ruas que se levantam em sintonia com os cliques e postagens nas redes sociais, promovendo revoluções na primavera e no outono, ao redor do planeta. Seja no Brasil com as manifestações de junho de 2013 ou no Egito, Líbia e Tunísia em 2011, ou ainda com o movimento Occupy nos Estados Unidos, todos têm em comum a horizontalidade e ubiquidade proporcionados pela organização via internet.

Apesar do desenvolvimento científico ter sido acusado por diversos autores de reduzir o significado da política, ou distanciar e atomizar as relações, conforme afirma McLuhan (1969, p. 12): “toda tecnologia nova cria um ambiente que é logo considerado corrupto e degradante”. Alguns pensadores apostam no esvaziamento do espaço público e das questões públicas, na limitação da liberdade e aumento da vigilância, o consumismo e o “não lugar” dos espaços de compra como características da modernidade, que Bauman (2001) chama de líquida.

Há por outro lado, a articulação de ferramentas capazes de acentuar por meio do ciberespaço a construção coletiva de conhecimentos e a colaboração, ampliando as capacidades humanas, a liberdade, voltada para o fim da pobreza, para o desenvolvimento humano e para o cuidado com a biosfera. Portanto, as divergências sobre o papel das

tecnologias são encontradas nas diversas correntes de pensamento e de conhecimento.

Castells (2003) descobre ao analisar pesquisas das Universidades de Stanford e Carnegie Mellon, que não há sustentação na tese que afirma que a internet diminui a interação social ou leva a um isolamento. As pesquisas indicaram o início do uso das ferramentas da internet provocam uma sensação de estresse e insatisfação, mas ao mesmo tempo, maior interação com a família e com amigos do que ocorre com não usuários (CASTELLS, 2003). Portanto, a internet foi incorporada como uma prática social comum e que aproxima pessoas distanciadas pelo tempo, território ou ainda de forma irreversível, aproxima a sociedade de seus governantes e instituições. Como afirma, ainda sobre o assunto, Castells (2003, p. 107):

As redes são montadas pelas escolhas e estratégias de atores sociais, sejam indivíduos, famílias ou grupos. Dessa forma, a grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição de comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade.

Os novos comportamentos e expressões advindos do uso das novas tecnologias criam um ambiente, o ciberespaço, de conexão e manifestação coletivas, nesse sentido, inaugura uma configuração da cultura, denominada de cibercultura por Lévy e Lemos (2010, p. 22):

A cibercultura é o conjunto tecnocultural emergente no final do século XX, impulsionado pela sociabilidade pós-moderna em sinergia com a microinformática e o surgimento das redes telemáticas mundiais; uma forma sociocultural que modifica hábitos sociais, práticas de consumo cultural; ritmos de produção e distribuição da informação, criando novas relações no trabalho e no lazer, novas formas de sociabilidade e de comunicação social.

Alguns autores denominam de sociedade da informação, ou do conhecimento, o modelo pós-industrial que predomina na atualidade, baseadas na valorização da informação, como comenta Werthein (2000, p. 71):

A realidade que os conceitos das ciências sociais procuram expressar refere-se às transformações técnicas, organizacionais e administrativas que têm como ‘fator- chave’ não mais os insumos baratos de energia – como na sociedade industrial – mas os insumos baratos de informação propiciados pelos avanços tecnológicos na microeletrônica e telecomunicações.

Castells (1999, p. 51) ensina: “[...] pela primeira vez na história, a mente humana é uma força direta de produção, não apenas um elemento decisivo no sistema produtivo”. Um importante benefício trazido pela utilização das novas tecnologias é a transparência das ações públicas. Desse modo, é possível acompanhar relatórios, dados, ações e politicas públicas realizadas, culminando na maior interatividade entre a sociedade e o Estado, bem como na

capacidade de pressioná-lo e promover movimentos para a efetivação dos direitos dos cidadãos. Barreto Júnior (2007, p. 65-66) ensina ainda, que “a chamada Sociedade de Informação propicia um novo passo nas relações entre as nações, influenciando sistemas políticos e econômicos e a própria soberania de cada povo”.

A Sociedade da Informação se caracteriza pela centralidade que a comunicação e a informação, baseadas no desenvolvimento tecnológico, assumem na vida cotidiana, se tornando responsável por conectar e desconectar indivíduos, grupos, regiões e países em fluxo contínuo de decisões estratégicas (OLIVEIRA, 2002). A conexão da sociedade demanda uma resposta dos governos, incluindo a transformação dos governos e das políticas públicas.

Guerra Filho (1997, p. 22) afirma "trata-se de uma sociedade baseada na circulação de informações, de forma cada vez mais intensa e sofisticada, em que a circulação de informações computadorizada é imprescindível a todas as áreas, da produção e do conhecimento". Guerra Filho (2009, p. 280) explica, ainda, a sociedade pós industrial e a imbricação com outras narrativas, fragmentadas e mais complexas:

Estas são sociedades onde os processos cibernéticos de informação tornam-se absolutamente necessários para a produção tanto de bens quanto do conhecimento tecnológico (ou das tecnologias do conhecimento). Eles representam o principal fator de aceleração e circulação do capital, causando a ‘flexibilização’ da acumulação que é típica da fase presente do capitalismo ‘pósfordista’ (cf. David Harvey). A grande quantidade de informação disponível – e a velocidade de sua circulação –, com sua substituição cada vez mais rápida por novas informações, devido à maneira com que elas são transmitidas pelas mídias, além da natureza mesma de tais informações, fazem-nas incompatíveis com a preservação da memória e dos valores individuais e coletivos. É por isso também que é impossível ocorrer qualquer coordenação ideológica da ação num ‘sentido histórico’ determinado. Assim, nós vivemos na ‘condição pósmoderna’ quer dizer, num mundo altamente complexo e diferente daquele de um passado recente, onde não há mais lugar para ‘Grandes Teorias’ ou ‘grandes narrativas’ (grandrécits), fórmulas simples para resolver qualquer problema social baseadas numa pretensa verdade científica (ou crença religiosa).

Sem dúvida a acumulação de informações e a velocidade de acesso às informações, dados e diversidade de formatos, incentiva a criação, induz a uma maior produção. Esse fenômeno chamado de sociedade em rede por Castells (1999), contém a semente da expansão de uma sociedade do conhecimento, ou seja, só a ampliação real do acesso às informações com a diminuição da brecha digital poderá consolidar uma sociedade do conhecimento. Uma sociedade em que a produção do saber se democratiza desdobrando-se em uma sociedade mais igualitária, e ao mesmo tempo com maior diversidade.

manifestações ocorridas pelo ciberespaço, demonstrada no ressurgimento e fortalecimento de movimentos das minorias, como a articulação do movimentos indígena, o fortalecimento do ambientalismo em suas diversas correntes, movimento de gênero, todos rearticulados e ativos pela mediação no ciberespaço. 2

A mudança na produção, nas relações e no pensamento filosófico transfere a capacidade de conexão, controles e comunicação para a esfera política, fomenta assim novas formas de organização e estruturas da esfera governamental. São os chamados governo eletrônicos. Sérgio Amadeu da Silveira (2002, p. 74) afirma sobre estes governos:

Os governos eletrônicos que estão se formando devem preocupar-se em organizar políticas de inclusão social que viabilizem o acesso da sociedade ao cotidiano de uma sociedade em rede. As políticas de modernização administrativa, informatização do Estado e ‘internetização’ precisam caminhar juntas com a abertura de pontos de acesso e orientação básica à população socialmente excluída. As transformações impulsionam o repensar da produção científica e a democratização do saber, o que levou a UNESCO na Declaração de Santo Domingo (1999), firmada na Conferência Mundial sobre Ciência para o Século XXI, a preconizar uma sociedade do conhecimento, voltada para diminuição do hiato entre as sociedades pós industriais e sociedades em desenvolvimento, por meio da democratização da ciência que perpassa a ampliação do acesso à ciência e tecnologia, aumento dos beneficiados, e controle social. Para tanto afirma: “A sociedade do conhecimento implica a realização do pleno potencial de capacidade tecnológica, aliando metodologias tradicionais e modernas que estimulem a criação científica e conduzam a um desenvolvimento humano sustentável”.

Os diversos autores citados (Lévy, Lemos, Castells, Werthein, Guerra) confluem para a importância em observar e conformar as mudanças advindas com as novas tecnologias, as denominações são próximas e muito semelhantes: Sociedade da Informação, do Conhecimento, em Rede, enfim, o fato é que essa mediação das novas tecnologias configura novos valores e comportamentos e exige um repensar das práticas e conhecimentos nas diversas áreas.

Há uma convergência sobre a centralidade das transformações cumuladas pelo uso das

2

Exemplos de mobilizações planetárias mediadas pela internet: http://www.earthhour.org/; http://www.womensnet.org.za/;

http://www.iwhc.org/index.php?option=com_content&task=view&id=2927&Itemid=284; http://cwis.org/publications/FWE/2008/08/07/world-indigenous-movement/

novas tecnologias. Esta centralidade transforma as relações sociais e, sobretudo, influencia e transforma o Direito, por impor novas sociabilidades e interações, uma outra velocidade e valores, outras visibilidades e transparências, nesse sentido será analisado o reflexo dessas transformações no Sistema de Justiça brasileiro. Consequência de uma nova forma de tecer as políticas públicas imbricadas ao agendamento, à esfera publica e aos debates abertos.

A base para a proposição de novos princípios e cultura da colaboração e compartilhamento que impactem positivamente nas relações e no modo de fazer do Sistema de Justiça, dependem da compreensão do conceito de uma renovação da democracia pelo uso das novas tecnologias e descoberta de espaços coletivos (ciberespaço). Nesse sentido, faz-se necessário a compreensão dos conceitos: a ciberdemocracia e virtualização. A visão crítica e catalizadora do espanto com as novas tecnologias, que desagua numa imobilidade e desesperança, medo e falta de ousadia, são frutos de um pensamento que estaca nas dificuldades e limitações das novas tecnologias como determinantes de sua constituição. Para superar o desafio negativista e imobilizador é importante analisar os conceitos construídos por essa visão mais limitante que serão abordados no item “Novas tecnologias: velocidade, perdas e alienação”.

1.1.1 A virtualização

A sociedade do conhecimento se acopla a um fenômeno abrangente que modifica as relações espaço temporais e acelera os fluxos de informação. O uso do computador, segundo Lévy (1999) tem o poder de potencializar as informações e espalhar o fenômeno da virtualização. A virtualização é um fenômeno não muito bem compreendido na atualidade. Enquanto a imprensa e a linguagem comum insistem em utilizar o termo como oposto ao real, na verdade a virtualização se opõe ao atual. Na obra intitulada “O que é virtual?”, Lévy (1996), demonstra que a virtualização se caracteriza pela potência e utiliza a metáfora da semente como virtualização da árvore e dos fósforos como a virtualização do fogo. De acordo com o latim medieval, Virtualis significa potência. Nesse sentido, as novas tecnologias ampliaram como nunca antes na história as potencialidades e a modificação da relação espaço-tempo, agora infinitamente remodelada.

Os processos virtuais abrangem desde a economia, os corpos até a escrita, não se restringindo ao meios de comunicação, mas transformando a vida cotidiana com outras dimensões do real. Segundo Lévy (1999), o processo virtual é um processo pelo qual um ser

passa para que se transforme em outro. A virtualização de uma entidade consiste em encontrar uma questão geral a que ela se relaciona e em fazer mutar a referida entidade em direção à esta interrogação e em redefinir a atualidade de partida como resposta a uma questão particular. O virtual problematiza, busca a fase ontológica, é um processo de mudança.

Lévy (1999) explica que a virtualização é um dos principais vetores da realidade, que não desrealiza, pois amplia os graus de liberdade e implica no mesmo grau de irreverssibilidade nos seus efeitos. O virtual é o não presente, o disperso nômade, ubíquo no ciberespaço, que se materializa aqui ou lá. O efeito Moebius, ou passagem do interior ao exterior e do exterior ao interior, é descrito por Lévy (1996, p. 24) como um dos efeitos declinados pela virtualização, “esse efeito Moebius declina-se em vários registros: o das relações entre o público e o privado, entre o próprio e o comum, subjetivo e objetivo, mapa e território, autor e leitor etc”.

O caminho da teoria para a prática, reflexão, ação, conhecimento, todos característicos do efeito Moebius, cujo símbolo é a fita em anel, se comunica com a teoria sistêmica, em que o ser e o fazer se encontram e se complementam, como define Maturana e Varela (1995) e será tratado ao fim deste capítulo. O encontro da teoria e prática, do sentir e agir, construindo uma visão que não aparta o singular e o todo.

Lévy (1999) denomina de inteligência coletiva a multiplicidade de interesses, conhecimento, expertise e competências reunidas pelo ciberespaço por meio da virtualização. Ele denomina, ainda, de utopia tecno-política a ideia do coletivo pensante que abrange a inteligência coletiva em rede, fundada na reciprocidade e no respeito das singularidades. Rover (2006, p. 16) afirma no conceito de virtualização que esta "não é mais apenas uma forma de representação do mundo (conhecer), mas é também um estado de ação no mundo, pressuposto para sua transformação".

Nesse sentido, a virtualização opera mudanças no corpo, as atuais modificações como exames ultrassom, cirurgias plásticas e próteses, descrevem transformações no corpo, que se atualiza por meio de uma potencialização de suas características. Lévy (1999) descreve a virtualização do corpo, ainda na transmudação das percepções, como a realidade aumentada, virtual, ou percepção sensorial remota.

Santaella (2009, p. 107) denomina de pós humanismo a transformação do corpo e identidade impactadas pelas novas tecnologias:

[...] estrategicamente forte de modo a nos levar a enfrentar a necessidade presente e agudamente desafiante de repensarmos a condição humana na pluralidade de suas facetas, na medida em que são agora afetadas em intensidade pelas tecnologias, a saber, a faceta molecular, a corpórea, a psíquica, a social, a antropológica e a filosófica.

A autora afirma também uma inegável remodelagem do corpo e da consciência, que precisa ser assumida e discutida “sob pena de cairmos em um conservadorismo disfarçado sob o álibi de uma crítica queixosa da perda de uma essência humana imutável, uma crítica que, aliás, se esquece de que transformando a natureza o homem transforma a sua própria natureza” (SANTAELLA, 2009, p. 107).

Sobre o corpo e a virtualidade, Lévy (1996, p. 33) descreve a resplandescência em que o corpo “sai de si mesmo, adquire novas velocidades, conquista novos espaços”. O texto se virtualiza percorrendo caminhos não lineares na leitura, enriquecido pelo hipertexto, provoca um retorno a oralidade, dialogo e interação. O texto tece relações com outros textos, com imagens, sons e mapas, diferentes linguagens se fundem na virtualização.

O sentido dos lugares ganha novos contornos com a soma de outros espaços ao cotidiano, com a mesma realidade e força dos lugares físicos. Nesse sentido, Negroponte (1995, p. 160) descreve o endereço virtual:

Considering that in the era of post-information, you can live and work in one place or in different places, the concept of address takes on new meaning. If you have an account on America Online, Compuserve or Prodigy, you know what is your email address, but do not know where it has its physical existence [...] The address becomes more like the number of identity than with a street name. This is the virtual address. 3