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- FİNANSAL ARAÇLARDAN KAYNAKLANAN RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ (Devamı)

A Carta Política de 1988141 trouxe em seu art.153 a competência da União para instituir diversos impostos, dentre eles (inciso IV), o imposto sobre a propriedade rural (ITR).

139 BRITO, Lucas Galvão de. O lugar e o tributo. São Paulo: Noeses, 2014, p.51. 140 BRITO, Lucas Galvão de. O lugar e o tributo. São Paulo: Noeses, 2014, p.51-52. 141“Art.153. Compete à União instituir impostos sobre: VI – propriedade territorial rural;”

O Código Tributário Nacional (art.29142, repetido também no art.1º, da Lei nº9.393/96143) delimita o fato gerador da exação. Na verdade, o legislador infraconstinutional, ultrapassando a previsão constitucional, trouxe além da propriedade, o domicílio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizada fora da zona urbana do Município.

Aqui, já nos convém tecer uma crítica à extrapolação procedida pelo legislador ordinário aos limites constitucionais, tendo em vista que não conseguimos entender, conforme Paulo de Barros Carvalho144, o “domínio útil” e a “posse” como atributos intrínsecos a um direito maior (a propriedade).

Diante disso, não comungamos da ideia de que não estaria sendo ampliada a previsão constitucional, mas apenas desdobrando a propriedade em outras duas a ela integradas.

Retomaremos o tema um pouco mais adiante ao confrontarmos a extrafiscalidade com a proibição ao confisco. Entretanto, de antemão, verificamos um alargamento do critério material, sem qualquer respaldo constitucional.

Contudo, no presente subitem, nos propusemos a esmiuçar a RMIT do Imposto Territorial Rural, ao qual nos dedicaremos.

O critério material do ITR, se considerarmos apenas o texto constitucional, é formado pelo verbo “ser” e seu complemento “proprietário de imóvel rural”.

Todavia, se acrescentarmos as previsões da legislação infraconstitucional, devemos complementar: “titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer título”.

6.2.2 Critério temporal

No critério temporal, o instante escolhido pelo legislador para instalar o laço obrigacional é o exato momento eleito para a ocorrência do fato tributário descrito no critério material da norma.

Nesse rumo, o art.1º, da Lei nº9.393/96, explica expressamente a baliza temporal:

142“Art.29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.” 143“Art.1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.” 144 CARVALHO, Paulo de Barros. Derivação e positivação no direito tributário. Livro II. São Paulo: Noeses, 2013.

Art.1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.

Desse modo, é seguro afirmar que o marco temporal escolhido pelo legislador, definido assim como marco temporal na RMIT é “1º de janeiro de cada ano”.

6.2.3 Critério espacial

O critério espacial, por seu turno, é trazido pelo art.29, do Código Tributário Nacional, e repetido no art.1º, da Lei nº9.393/1996, que além de determinar o fato gerador da exação, também delimita seu critério especial:

Art.29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domicílio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município.

Nota-se que o dispositivo legal não delimita satisfatoriamente o critério espacial, uma vez que não determina, expressamente, o que seria a zona urbana da municipalidade.

Assim, é necessário que se socorra, mais uma vez, ao texto legal, visto que no art.32145, do Código Tributário Nacional, ao especificar o critério espacial do IPTU, foram trazidos aqueles requisitos mínimos para delimitar o que seria a zona urbana do Município.

Necessário apontar que, muito embora os dispositivos legais expressem o critério espacial, ele será determinado pela efetiva localização do imóvel. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm posicionamentos no sentido de que também poderá ser determinado em razão da sua destinação.

Sobre o tema, interessante o comentário de Leandro Paulsen146:

145“Art.32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município. §1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: I – meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II – abastecimento de água; III – sistema de esgotos sanitários; IV – rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V – escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. §2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo anterior”.

146 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2011, p.739.

Conforme já discorremos na análise do art.153, VI, da CF, o CTN se utiliza do critério da localização, mas o DL 57/66, editado quando ainda não se fazia necessária lei complementar para cuidar da matéria, estabeleceu exceção no sentido de que não se considere como urbano, para fins de pagamento de IPTU, o imóvel utilizado na atividade rural, sujeitando-o, também, ao ITR. O STF já aplicou este DL 57/66. O STJ tem destacado que o DL 57/66 foi recepcionado como lei complementar e também o tem aplicado.

Segundo Paulo de Barros Carvalho147, na identificação da natureza rural ou urbana de determinado imóvel, será necessário verificar três critérios em conjunto: (I) geográfico, com base na localização; (II) melhoramentos, sendo necessária a existência de benfeitorias urbanas; (III) destinação dada ao imóvel.

Segundo este raciocínio, o critério espacial do ITR é a zona rural, ou seja, aquela localizada fora dos limites da zona urbana do Município, de acordo com os critérios trazidos pelo art.32, do CTN, bem como a zona urbana, desde que o imóvel tenha uma destinação rural.

6.2.4 Critério pessoal

No critério pessoal, o sujeito ativo será a União e o sujeito passivo será “o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”.

6.2.5 Critério quantitativo

O critério quantitativo será um dos grandes alvos deste estudo, pois é nele que se encontram a base de cálculo e a alíquota aplicável ao Imposto Territorial Rural e, por consequência, a utilização extrafiscal do tributo. Essa a razão que nos fará confrontá-la, mais adiante, ao princípio da vedação de tributos com efeitos confiscatórios.

A base de cálculo da exação é o valor da terra nua tributável. Por sua vez, o valor da terra nua tributável, é encontrado pela multiplicação do valor da terra nua pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel.

As alíquotas do Imposto Territorial Rural variam de 0,03% a 20%, de acordo com a área total do imóvel e seu grau de utilização. Vejamos a tabela trazida na Lei nº9.393/93:

QUADRO 1 – DEMONSTRAÇÃO DE ALÍQUOTAS (Art.11)

Área total do imóvel

(em hectares) GRAU DE UTILIZAÇÃO – GU ( EM %)

Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00

Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00

Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30

Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70

Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60

Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00

6.2.6 Síntese da RMIT do imposto territorial rural (ITR)

Resumidamente, podemos apontar os seguintes elementos da regra matriz do ITR: Hipótese:

Critério material: ser proprietário, ter o domínio útil ou ter a posse de bem imóvel rural;

Critério espacial: zona rural do território brasileiro; Critério temporal: 1º de janeiro de cada ano.

Consequência:

Critério pessoal: 1) sujeito ativo: União; 2) sujeito passivo: quem for proprietário, tiver o domínio útil ou a posse do imóvel rural.

Critério quantitativo: a base de cálculo é o valor da terra nua tributável; a alíquota será de 0,03 a 20%, em função da produtividade do imóvel, medida pelo grau de utilização e sua área total.

6.3 Da regra matriz de incidência tributária do imposto predial e territorial urbano

Benzer Belgeler