2.3. Mülazemet Yolları
2.3.5. Fetva Eminliğinden Mülâzemet
A presente tese de doutorado foi desenvolvida com base em uma lacuna encontrada na literatura acadêmica sobre a falta de pesquisa que investigasse de forma aprofundada e dedicada as relações intercorrentes entre a temática do trabalho e da sustentabilidade. Em particular, investigou-se como as questões do trabalho no contexto da sustentabilidade são divulgadas, como são desdobradas dentro da organização, e como são consideradas na fase de projeto de trabalho, instante em que é planejado e prescrito o trabalho de cada trabalhador dentro da organização. Através da confirmação de sete proposições de pesquisa chegou-se a confirmar a tese da pesquisa que afirma que, embora sejam divulgadas como incluídas, não existem evidências explicitas de que mudanças no trabalho sejam consideradas durante a introdução de políticas de sustentabilidade.
Se colocando como pesquisa no campo da Engenharia de Produção, as temáticas escolhidas como principais são as de sustentabilidade e de ergonomia, apoiadas por outras quais estratégia de produção, gestão do desempenho, cultura organizacional, projetos, organização do trabalho e projeto de trabalho. A metodologia utilizada foi de tipo qualitativo, sendo que as informações foram levantadas através de estudos de caso suportados por observações e entrevistas. Assim, a tese não pode ser considerada de ergonomia. Essa temática foi fonte de vários conceitos, introduzindo sua "visão do mundo" e permitindo uma reflexão sobre os resultados.
As contribuições deste trabalho de pesquisa foram diversas. Primeiramente ampliou-se o campo de conhecimento na literatura acadêmica da temática de sustentabilidade. Alguns trabalhos acadêmicos já discutem a temática do trabalho no contexto da sustentabilidade, porém inseridos em circunstâncias específicas. O presente trabalho quis investigar empresas engajadas em sustentabilidade com a finalidade de generalizar a relação que as organizações têm com as questões de trabalho incluídas no mainframe da sustentabilidade. A tese mostrou alguns pontos fracos que se espera que sejam preenchidos no futuro para que as organizações consigam alinhar suas intenções divulgadas com suas práticas. O trabalho de tese contribui também para a literatura acadêmica da ergonomia. Foram encontradas novas relações entre sustentabilidade corporativa e ergonomia, sendo que
ambas podem usufruir de benefícios a partir de uma parceria recíproca. Em particular, sob o ponto de vista da ergonomia, podem existir grandes benefícios para que a disciplina ganhe novo espaço e uma visão mais estratégica dentro da organização. A macroergonomia mostrou a importância de "fazer propaganda" dos benefícios econômicos derivados de sua introdução nas organizações. Agora é possível justificar sua introdução pela possibilidade de aumentar ainda mais a sustentabilidade corporativa. Outra contribuição da tese é o incentivo para que o trabalho volte a estabelecer seu papel central dentro das organizações. São as pessoas e seu trabalho que criam serviços e produtos, e seu desempenho é crucial para o desempenho das organizações. Não considerar esses sujeitos na introdução efetiva da sustentabilidade pode ser um risco. Acredita-se que o engajamento das pessoas é o melhor jeito para que as organizações possam contínuar ser sustentáveis no tempo, nas soluções implementadas e no seu sucesso econômico no mercado.
Uma das limitações de pesquisas da área de sustentabilidade baseadas em percepções é o possível viés do entrevistado em buscar respostas que sejam politicamente corretas e que não necessariamente retratem a realidade da empresa. Para tentar reduzir esse efeito, a coleta de dados foi conduzida de forma a triangular perspectivas de diferentes pontos de vista, bem como dados publicados e dados referentes a projetos concretos e específicos. Outra limitação foi a existência de grande dificuldade do pesquisador em conseguir ter acesso às informações e às pessoas das organizações. Tentou-se entrar nas empresas por meios formais (sobretudo contatando os departamentos responsáveis para gerenciar as pesquisas acadêmicas na organização) divulgando a pesquisa através de um documento dedicado (ANEXO B). Em nenhum caso foi possibilitada a entrada, assim que todas as empresas foram analisadas a partir de contatos pessoais do pesquisador ou do grupo de pesquisa. Esta dificuldade limitou o número de empresas analisadas, a abertura para entrevistar mais departamentos dentro das organizações, a acessibilidade a trabalhadores da área operacional e a acessibilidade a trabalhadores de empresas terceirizadas. Sobre o número de empresas, acredita-se que uma pesquisa com um número maior de empresas, incluindo outros setores industriais, teria aumentado a riqueza de detalhes, e ao mesmo tempo melhoraria a generalização dos resultados. Teria sido interessante aos fins da pesquisa desenvolver casos de estudos também em empresas com capital p úblico e de empresas do setor de serviços (como, por exemplo, empresas financeiras ou empresas de
consultoria). A limitada acessibilidade para entrevistar mais departamentos dentro das organizações causou a falta de determinadas informações que seriam valiosas. Em particular, a análise sobre a fase de projeto do trabalho dentro das empresas poderia ter sido muito mais aprofundada. Os estudos de caso trazem muitos resultados, mas as questões não se esgotaram; de forma que algumas questões ficaram em aberto, pois o pesquisador não podia mais voltar às empresas. Em geral, não foi possível ter a oportunidade de conversar livremente com trabalhadores da área operacional, existindo sempre um "controle" presencial de algum gerente, ou coordenador de área, sobre as entrevistas desenvolvidas. Acredita-se que no aprofundamento da conversa com esses trabalhadores poderia ter sido extraídas informações muito preciosas, eventualmente possibilitando uma análise ergonômica das atividades para analisar as diferenças existentes entre o trabalho prescrito através da introdução de mudanças por sustentabilidade e o trabalho real. Enfim, não existiu a possibilidade de conversar com os terceirizados. Durante a pesquisa foi percebido em pelo menos duas empresas a grandíssima diferença entre ser contratado internamente à empresa, ou trabalhar em uma empresa terceirizada. Teria sido muito interessante investigar os motivos dessa diferença e do porque as empresas que divulgam ser sustentáveis não cuidem igualmente das questões de trabalho entre trabalhadores internos e externos que atuam em seus processos.
Nessa pesquisa de doutorado pesquisou-se de que forma as pessoas colaboram para que a empresa se torne mais sustentável. A presença de mudanças nos processos de trabalho é obvia, mas o que foi observado é que essas mudanças foram introduzidas sem uma ampla consulta aos trabalhadores das áreas modificadas. Os trabalhadores foram envolvidos só para levantar informações funcionais à otimização econômica dos novos processos. A pesquisa trouxe muitos elementos novos, mostrando as potencialidades de contribuição dos trabalhadores. Essa contribuição acredita-se assim ser central, sobretudo dentro de um contexto declarado de sustentabilidade das organizações. A pesquisa não conseguiu levantar essa mesma preocupação nas ações das empresas. Futuros estudos devem ser desenvolvidos para pesquisar como as empresas podem efetivamente introduzir todas as questões relacionadas ao trabalho em suas práticas diárias. Em particular seria possível estudar com mais detalhe o papel da ergonomia. Hoje essa disciplina atua predominantemente em nível local das organizações, longe do nível em que a
sustentabilidade atua. Seria interessante criar possibilidades para que ações de macroergonomia possam ser introduzidas em nível estratégico das organizações, incluindo plenamente as questões de trabalho nas práticas de sustentabilidade da empresa. Além disso, a introdução prática da temática de sustentabilidade dentro das empresas através do conceito de TBL está mostrando limitações, como observamos nas questões de trabalho. Introduzir outros conceitos como "o modelo de desenvolvimento sustentável com paradigma axiológico" proposto pelo autor (BOLIS; MORIOKA; SZNELWAR, 2014) dentro das organizações poderia levar a grandes avanços em toda a discussão introduzida na tese de doutorado. Ligado a esse modelo, seria importante analisar o papel do mercado em relação ao discurso de sustentabilidade. Acredita-se que mudanças maiores poderiam ser alcançadas para as questões inseridas no mainframe da sustentabilidade se o mercado incluísse mais limitações sobre a predominância de aspectos econômico-financeiros.