4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.2. Enzim Analizleri Sonuçları
4.2.6. Fenil Alanin Amonyum Liyaz (PAL) Enzim Analizi Sonuçları
Os três artigos sobre silêncio, apesar de cada um deles buscar diferentes teorias para dar suporte à explicação do fenômeno, guardam semelhanças entre si e representam um saber ideológico produzido nos ditames da ciência, como procuramos mostrar, na medida em que ajudam na dominação do capital sobre o trabalho. Os modos e estratégias de operação da ideologia apresentados por Thompson (1995) estiveram, em maior ou menor grau, presentes em cada um dos textos, servindo para legitimar, dissimular, unificar, fragmentar e reificar
80[…] managers and coworkers pay particular attention to nonverbal cues in forming their judgments of employee motives for silence. This could include facial expressions, gestures, posture, gazing, physical spacing, and eye contact (DePaulo and Friedman, 1998). In addition, observers would gain a better understanding of employee motives by discussing the situation and interacting with the employee.
relações sociais tal como proposto pelo autor. Durante nossa análise, foi necessário que incluíssemos a estratégia do anacronismo ao modo da legitimação quando Morrison e Milliken (2000) apresentaram um conto que aludia à “Roupa Nova do Rei” (ANDERSEN, 1995).
É interessante observar a padronização do silêncio como ameaça aos objetivos das organizações e a necessidade de unificar trabalhadores e a gerência para vencê-los. Ao mesmo tempo em que é necessário unir superiores e subordinados nessa tarefa, é necessário também fragmentá-los para entender o comportamento de cada um deles. Outro “vilão” a ser
expurgado é o “medo”, que pode impedir que os trabalhadores rompam com o silêncio que é
prejudicial para a “organização” ao mesmo tempo que o medo é naturalizado quando existe a ameaça de que eles sejam trocados caso não cooperem.
As injustiças são estudadas na medida em que podem impactar os resultados da
“organização”, mas como é necessário que os trabalhadores também se engajem nesse
combate à injustiça, outro vilão a ser expurgado, é necessário que se universalize o interesse
da “organização” por melhorias em seus processos e controle do trabalho como sendo algo
que será também benéfico para os trabalhadores. Se, na aparência, os trabalhadores poderão diminuir o assédio que sofrem, na essência, eles acabam por aumentar a violência a que são submetidos. É como se os trabalhadores estivessem em uma armadilha que, independente da escolha que façam, a pelo menos uma injustiça eles serão submetidos, isto é, aquela a que Pinder e Harlos (2001) diretamente se referem, mas também àquela que os autores silenciam, ou seja, o aumento da exploração no ambiente de trabalho.
O uso do termo “organização” para substituir quem é o agente responsável pelas ações ocorre em todos os artigos. A “organização” chega a ser reificada, podendo resistir a tentativas de
mudança e sendo inclusive portadora de características positivas que nem mesmo os gerentes às vezes possuem, como bem indicam Morrison e Milliken (2000) em suas proposições. Acrescente-se também que a “organização” funciona, nos três artigos, como um símbolo de unidade que estaria além de gerentes e trabalhadores, algo que ambos os grupos devem trabalhar para satisfazer. Acontece que ser mais produtivo para a “organização” não é nenhuma sorte, senão um azar, pois mais do tempo de trabalho será destinado ao mais trabalho a ser expropriado pelos proprietários/acionistas que controlam a organização.
Interessante observar que, tal reificação desloca a discussão da constituição da categoria trabalhador coletivo apresentado por Marx, que é portadora das contradições entre capital e
trabalho, para a categoria neutra, conciliatória e não conflitiva “organização”.
Van Dyne, Ang e Botero (2003), ao recuperarem as contribuições de Morrison e Milliken (2000) e Pinder e Harlos (2001), tentam diminuir algumas dubiedades dos trabalhos de seus
antecessores. O que era considerado “inconsciente” por Morrison e Milliken (2000) torna-se “descomprometimento” para Van Dyne, Ang e Botero (2003). As tipologias ambíguas sobre
silêncio de Pinder e Harlos (2001), que eufemizam quem seria o agente responsável por fazer as mudanças ou retificações, já são legitimados rapidamente por Van Dyne, Ang e Botero
(2003), ou seja, só é silêncio aquilo que prejudica a “organização”. Os outros autores também indicam isso, mas o trio o faz de maneira mais direta já no começo de seu artigo. A “cidadania organizacional”, que fica latente no trabalho de Pinder e Harlos (2001), é trazida para a
discussão para legitimar um silêncio que não deve ser quebrado; muito pelo contrário, é bom que seja mantido, pois leva os trabalhadores a produzirem mais trabalho e a cederem seu
tempo livre para a “organização” como se fosse algo natural. Tão natural quanto a
heterogestão, legitimada em cada um dos três artigos.
O capital mesmo não foi citado por nenhum dos pesquisadores, pelo contrário, sua dominação e exploração do trabalho foram consideradas culpa do próprio trabalho por Van Dyne, Ang e Botero (2003), que tocaram em um termo-chave: a cooperação. Os três artigos buscam formas de melhorar a cooperação dos trabalhadores durante o processo de trabalho. Morrison e Milliken (2000) precisam atacar alguns pressupostos relativos ao fordismo que ainda pode haver nas organizações. Pinder e Harlos (2001) precisam legitimar tanto os sistemas de voz quanto alertar que, caso não se atente para os problemas relativos ao assédio, poderá haver perdas de produtividade e aumento dos custos para controlar a força de trabalho. Van Dyne, Ang e Botero (2003) objetivam o mesmo quando tentam compreender e ensinar a colegas de trabalho e gerentes quando alguém tem algo a dizer e como tentar fazer com que esse algo, desde que contribua para o processo de trabalho, seja dito. Cada um deles vai usar diferentes modos e estratégias ideológicas para legitimar essa necessidade de maior cooperação via aumento da participação dos trabalhadores nas decisões relativas ao processo de trabalho e ao próprio controle deste. O que nossos autores silenciam, para legitimar seu argumento, é que estão transferindo parte do controle do processo de trabalho aos próprios trabalhadores sem
nada lhes dar de recompensa, a não ser uma promessa de que não serão tratados injustamente ou que poderão melhorar seu trabalho, seja lá o que significa essa justiça em uma sociedade dominada pela ética do capital, pela valorização do valor, ainda que isso resulte da desumanização da humanidade.
Diante disso, podemos afirmar que o conhecimento produzido sobre silêncio organizacional é ideológico, pois, em última instância, visa a manter a exploração do trabalho pelo capital. Para tanto, os pesquisadores lançam mão de uma série de estratégias que legitimam, dissimulam etc. os interesses do capital como sendo também dos trabalhadores. Em nenhum momento é discutida a questão do estranhamento do trabalho, tampouco se discute a forma histórica de cooperação no capitalismo baseada no trabalho assalariado. Não se trata de mero acaso, pois, como lembra Chauí (1981), o discurso ideológico possui lacunas e silêncios que se fossem preenchidos destruiriam sua coerência. As funções de direção e controle da força de trabalho são também naturalizadas e o silêncio como resistência é desconsiderado pelos pesquisadores. O silêncio que os pesquisadores objetivam combater é, ao mesmo tempo, uma das estratégias mais utilizadas por eles para dar coerência ao seu discurso para legitimar os interesses do capital em sua fase de acumulação flexível, e, por esse motivo, nos restam ainda algumas considerações que não podem ser silenciadas.