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2. KURAMSAL TEMELLER

2.5. Fen Eğitimi ve Tartışma

Segundo Aquino (2002:11), “são tantas as pessoas – mulheres, homens, crianças das mais variadas idades – amantes do futebol que seu número ultrapassa a soma total dos envolvidos com as demais competições existentes no mundo”.

Esporte de popularidade planetária, com 240 milhões de praticantes (MURAD, 2007:49), o futebol movimentou 255 bilhões de dólares em 1999, superando até mesmo a General Motors, maior indústria do planeta, que movimentou 170 bilhões de dólares no mesmo ano. Essa informação, fornecida pelo brasileiro João Havelange, ex- presidente da Fifa, revela os extraordinários números do futebol no conjunto da economia mundial. Essas cifras chegaram a 300 bilhões de dólares em 2006, segundo dados da revista alemã Der Spiegel (MURAD, 2007:14).

O sociólogo Mauricio Murad conta que, após 1989, com a queda do Muro de Berlim, na Alemanha, e a posterior desagregação do Leste Europeu, os países que faziam parte da Federação Iugoslava pediram ingresso primeiramente na Fifa e depois nas Organizações das Nações Unidas (ONU)33. Há mais países filiados à Fifa do que à ONU: são 208 contra 200 da ONU e 192 do COI. A Copa do Mundo o maior evento televisivo já registrado, tendo reunido 44 bilhões de espectadores em 2002, na Copa da Coréia/Japão, e 50 bilhões em 2006, na da Alemanha (MURAD, 2007:15).

Norbert Elias assinala que “nenhuma [forma de desporto] foi adotada e absorvida pelos outros países com tanta intensidade e, em muitos casos, com tanta rapidez, como se deles fizessem parte, como o futebol. Nem gozaram de tanta popularidade” (1992:187). Elias cita o autor alemão Agnes Bain Stiven, que, em 1936, escreveu:

Como bem sabemos, a Inglaterra foi o berço e a “mãe” devota do desporto... Parece que os termos que se referem a este campo se tornaram propriedade comum de todas as nações, da mesma maneira que os termos técnicos italianos no campo da música. É raro, provavelmente, que uma peça de cultura tenha migrado com tão poucas mudanças de um país para outro. (apud ELIAS, 1992:188) Scaglia, por sua vez, assinala que o futebol é uma construção histórica. Segundo ele,

[O futebol] não foi criado de repente, por alguma entidade que reuniu pessoas e combinou estrutura e regras. Ele é dinâmico e continua sendo construído nos jogos/brincadeiras. Ou melhor, o futebol, hoje emancipado como esporte, não foi inventado ao acaso, da vontade de alguns jovens ingleses chutarem uma bola de couro inflada com ar, mas surgiu por influência e evolução de inúmeros jogos/brincadeiras de bola com os pés construídos em meio à cultura lúdica. (...) Ao mesmo tempo em que o futebol se originou de um processo de ressignificação cultural de jogos populares com a bola (...) depois que

ascendeu à categoria de esporte, passou a ser constantemente re- significado em outros jogos. (SCAGLIA, 2003:9)

Não há como precisar a origem do futebol. O jogo de bola era praticado em diversos lugares, com características diferentes. De acordo com Tubino (2007:74), os registros mais remotos vêm da China, onde, entre 3000 a.C. a 2500 a.C., durante o Império Huang-Ti, havia um jogo com bola que terminava com a morte dos derrotados. Segundo Aquino, na dinastia Han (202 a.C. – 226 d.C.), os chineses jogavam o tsutchu, que significa “golpe na bola com os pés” e, em uma de suas modalidades, “opunha duas equipes empenhadas em arremessar a bola em algo parecido com gols colocados em cada canto do campo” (AQUINO, 2002:11). No Japão, havia um jogo semelhante: o kemari, praticado pela nobreza da Corte Imperial.

Outro precursor do futebol, o epyskiros, jogo grego do século I a.C., era praticado por equipes de nove jogadores em um campo retangular, com objetivos militares. Inspirados neste jogo, os romanos criaram o harpastum ou soule, disputado com as mãos e os pés em um campo retangular, dividido por uma linha, e que utilizava uma bola de couro semelhante à atual (TUBINO, 2007; AQUINO, 2002).

Na América, o jogo de bola era conhecido pelas populações indígenas pré- colombianas, entre as quais os mais e os astecas. Para essas civilizações, os jogos eram práticas ritualísticas, sendo os perdedores decapitados. Na Europa medieval, mais precisamente na Itália, surgiu o calcio, jogado por 27 jogadores em cada time e que tinha na violência uma das suas principais características, “havendo braços, pernas e dentes quebrados” (AQUINO, 2002:13).

Na Inglaterra, a violência fez com que o Rei Eduardo III proibisse a prática do soule no início do século XIV. Segundo Tubino (2007:75), “o Futebol, pela violência da sua prática, reconhecida pela intelectualidade da época, passou por vários momentos históricos de proibição. Entretanto, mesmo suspenso, era praticado até com jogos entre cidades inglesas”. Apenas no século XVIII o jogo de bola começaria a passar por mudanças, com a consolidação do governo parlamentar e a Revolução Industrial, representando a vitória do capitalismo (AQUINO, 2002:17). A partir de 1820, com a codificação dos jogos existentes organizada por Thomas Arnold, o futebol foi dissociado do rugby e, em 1857, surgiu o primeiro clube de futebol, o Sheffield Club. Em 1863, é criada a Football Association, que estabeleceu as regras do futebol em 1866 (TUBINO, 2007; AQUINO, 2002).

Em 1871 foi disputada pela primeira vez a Copa da Inglaterra e, em 1872, aconteceu a primeira partida internacional, entre a Inglaterra e a Escócia. O futebol começava então a ser disseminado para outros países, chegando à França neste mesmo ano, à Suíça em 1879, à Bélgica em 1880, à Alemanha, Dinamarca e Holanda em 1894, à Itália em 1893, e ao Brasil em 1894 (TUBINO, 2007:75). Em 1900, o futebol é incluído nos Jogos Olímpicos; em 1904 foi criada a Fédération Internationale de Football Association (Fifa) e, em 1930, por iniciativa de Jules Rimet, presidente da Fifa, foi realizada a primeira Copa do Mundo, no Uruguai.

No Brasil, o futebol moderno foi introduzido por Charles Miller, filho de ingleses que foi estudar na Inglaterra aos nove anos de idade e voltou para São Paulo com “duas bolas de couro, camisas, chuteiras e calções” (AQUINO, 2002:25). Antes de Miller, no entanto, o futebol já era mencionado de forma esporádica.

Uma das primeiras referências ao futebol no Brasil data de 1746, quando a Câmara Municipal de São Paulo proibiu o jogo com bola porque causava desordem. Consta que, em 1864, tripulantes de navios ingleses jogavam bola nas praias e capinzais brasileiros. Por volta de 1875, funcionários de empresas britânicas jogavam futebol no Payssandu Cricket Club, no Rio de Janeiro; em 1882, na cidade de Jundiaí, em São Paulo, havia torneios dos funcionários da São Paulo Railway. Em 1892, o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, já mencionava o futebol no seu regulamento. O futebol foi ganhando adeptos por todo o Brasil, multiplicando-se clubes, federações, ligas e campeonatos, e experimentando mudanças. Segundo Scaglia

(...) quem pensa que o futebol moderno sobrevive até hoje está muito enganado. O futebol moderno, principalmente durante o longo período de sua estada em território nacional, sofreu um processo de transformação. Nossas crianças, inconformadas com a obrigatoriedade de se jogar sempre da mesma maneira, metamorfosearam o futebol moderno, reinventaram um novo futebol a partir de uma infinidade de jogos que utilizavam para brincar nos campinhos e terrenos baldios. (...) Resultado disso, o Brasil reinventou o futebol, deixou para trás o moderno, para rebatizá-lo de futebol Arte. (SCAGLIA, 2003:35)

Uma das mudanças mais recentemente experimentadas pelo futebol foi a adesão das mulheres. No Brasil, o futebol feminino, segundo Darido (2006), foi institucionalizado na década de 80, depois de um longo período de proibição pelo Conselho Nacional de Desporto (CND), durante a ditadura militar. A primeira liga de

futebol feminino foi fundada no Rio de Janeiro, em 1981. O time carioca Radar conquistou títulos importantes, como a Women's Cup of Spain e, em 1987, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já tinha cadastrado dois mil clubes e 40 mil jogadoras.

Benzer Belgeler