5. TARTIŞMA VE SONUÇ
5.1. Birinci Alt Probleme İlişkin Sonuçlar ve Tartışma
Inúmeras são as pesquisas e ensaios que correlacionam futebol e identidade brasileira. Inserindo essa relação num quadro maior, Murad afirma:
[E]stamos em um mundo onde as chamadas identidades (...) atravessam um processo de desagregração, de implosão. Tendo em vista essa fragmentação é que diversos pesquisadores e ensaístas apontam os grandes rituais coletivos como produtores de um fascínio agregador incomparável. (MURAD, 2007:13)
No caso do Brasil, o futebol exerceria esse “fascínio agregador”:
O futebol, num século onde o mundo moderno fragmenta as identidades, desterritorializa as pessoas, desgeografiza (Mário de Andrade) as pessoas, é justo neste terreno que surge o futebol que tem um ethos de unidade dentro da heterogeneidade e assim este desporto ganha essa dimensão. Num mundo assim fragmentado, as pessoas podem ter uma identidade única, pelo menos durante 90 minutos. As pessoas têm certeza que estão incluídas, vêem seu pertencimento concretizado. E isso é tão importante atualmente, porque as pessoas estão fragmentadas. O paradoxo do sistema mundial contemporâneo não é mais ser ou não ser, e sim ser E não ser. (RIBEIRO apud MURAD, 2007:13)
Para Marques, o fim do período colonial não representou o fim das influências estrangeiras no Brasil, que continuou dependente dos mercados externos. “Considerada uma nação “periférica” no que diz respeito a desenvolvimento social e econômico, o Brasil, entretanto, parece reafirmar sua auto-estima por meio do futebol, esporte em que mantém supremacia mundial” (MARQUES, 2006:15). Prosseguindo nessa linha, Borges ressalta que
o futebol revelou-se não só um fenômeno de ilimitado alcance social, mas também se tornou uma das nossas riquezas como nação, assim como uma de nossas principais caixas de ressonância social. Ele é, no dizer de Armando Nogueira, algo próximo à paixão: “O futebol é assim: desperta na pessoa um sentimento virtuoso que transcende a amizade, que vai além do amor e culmina no santo desvario da paixão. Tem de tudo um pouco, porém, é mais que tudo. Torcer para uma camisa é plena entrega. É mais que ser mãe, porque não desdobra fibra por fibra o coração. Destroça-o de uma vez no desespero de uma derrota. Em compensação, remoça-o no delírio de uma vitória.” (BORGES)38
Fernandes (apud MURAD, 2007:21) explica que “os povos elaboram sua identidade através de suas paixões ou de seus recolhimentos. (...) No Brasil, nada conduz à loucura como o futebol. (...) Trata-se de um mundo no qual o profano, a magia e a religião se confundem”. Também para Soares e Bartholo (2007:364), apesar de ser um negócio com altos investimentos, o esporte, de forma geral, ainda guarda características e relações com o sagrado.
38http://www.moderna.com.br/moderna/didaticos/ef2/historia/historiacavernas/textos/arquivos/rev_futebo
DaMatta (2006:111) acredita que “foi o futebol que juntou hino e povo, que consorciou camisa e bandeira, que popularizou a idéia da pátria e da nação como algo ao alcance do homem comum e não apenas do “doutor” e do mandão”. Uma das explicações para a identificação entre Brasil e futebol seria a excelência da seleção brasileira, que “nos representa e nos engloba na sua glória e na sua inigualável excelência” (DAMATTA, 2006:92). E também em sua derrota. “Enquanto os outros esportes só produzem uma identificação coletiva na vitória, o futebol o faz na vitória e na derrota” (GUEDES, 1998). Prossegue esta autora:
As seleções nacionais [transformam-se] nos próprios países que representam, enquanto os jogadores representam, por extensão, toda a nacionalidade. Assim, a freqüente utilização das categorias Brasil e brasileiros envolve, pelo menos, dois deslocamentos que tornam o significante futebol pleno de significados. Num deles, a seleção brasileira de futebol transforma-se no Brasil. Claro está que o epônimo refere-se simultaneamente ao país e ao time de futebol que o representa. Temos, assim, referentes diversos para o mesmo significante lingüístico, o que propicia um processo de reificação, tão naturalizado que é difícil que o percebamos. Por essa via, é também a abstração Brasil que vence, é derrotada, está confiante, está tranqüila etc. Transmuda-se, portanto, num sujeito. (GUEDES: 1998, 49) Segundo DaMatta (2006:122), “para muitos, falar do Brasil como um todo equivale a produzir um discurso contra o Brasil”, mas com o futebol:
o Brasil teve uma grata e apaziguante experiência com a vitória, com a excelência, com a competência (...) o futebol que engendra essa cidadania positiva e prazerosa, profundamente sociocultural, que transforma o Brasil dos problemas, das vergonhas e das derrotas, no país encantado das lutas, das competências e das vitórias.” (DAMATTA, 2006:124)
Murad ressalta os benefícios que o futebol promove em diferentes perspectivas:
Por um ângulo sociológico, o futebol possibilita o necessário exercício entre o indivíduo e seus contextos, suas mediações e intercâmbios. Por um ângulo psicológico, também possibilita o mesmo e necessário exercício entre o racional e o emocional, bem como de suas mediações e intercâmbios. E, igualmente, por ângulo ontológico, o futebol permite, ainda, a mesma necessária experimentação entre o real e o simbólico. (MURAD, 2007:12)
Segundo Helal (apud MOLETTA JR et al.39), “o futebol no Brasil pode ser visto como um poderoso instrumento de integração social. Através do futebol, a sociedade brasileira experimenta um sentido singular de totalidade e unidade, revestindo-se de uma universalidade capaz de mobilizar e gerar paixões em milhões de pessoas”. Da Matta atribui ao futebol um outro mérito:
O futebol é importante não porque ele faça esquecer as mazelas e as mistificações rotineiras, mas porque a experiência com a vitória e a excelência, com o esforço e o sacrifício coletivos, com o entregar-se de corpo e alma a uma camisa-causa, permite voltar ao trabalho com novas disposições. Se sou vitorioso na bola, por que não ser igualmente excelente no estudo, na arte e na minha atividade profissional? (DAMATTA, 2006:126)