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FEDERAL IRAK'TA GELİR BÖLÜNMESİ UYUŞMAZLIĞININ GİDERİLMESİ

1.1.1.PASTA:CONJUNTO TOMBADO (2 PASTAS)

Em 21/03/1959, foi proposto o levantamento do tombamento de uma área vizinha à incendiada pelo Arcebispo. O Presidente da República o nega por ser de competência do Diretor do PHAN. Mesmo assim, o prefeito da cidade insiste na proposta de levantar o tombamento junto ao Diretor, que avisado pelo chefe do 3º Distrito, responde ao ofício em 30/03/1959, alertando sobre o descalabro da solicitação.

Em 22/06/1959, Sílvio Felício dos Santos, prefeito de Diamantina, propõe ao Diretor do PHAN, Rodrigo de Andrade, levantar o tombamento de quatro edificações vizinhas ao incêndio. O Conselho Consultivo indeferiu o pedido de cancelamento do tombamento no dia 24/09/1959.

1.1.2.PASTA:INFORMAÇÕES HISTÓRICAS

A Folha de Minas publica, em 27/07/1941, um artigo no qual o Prefeito de Diamantina, Luís Kubitscheck, reclama que, por ser a cidade tombada, não permitindo a demolição das edificações para a construção de prédios no local, a ampliação da arrecadação municipal fica prejudicada.

Em 27/06/1949, Sylvio de Vasconcellos Chefe do 3º Distrito, envia a João Brandão Costa o mapa com a “nova” delimitação da área tombada de Diamantina. Alerta que, mesmo fora deste limite, é de competência da SPHAN aprovar os projetos, para que as novas edificações não perturbem a imagem da área preservada.

Em 31/10/1949, é promulgada a Lei nº 69 que “delimita o perímetro sobre que recai, nesta Cidade, a proteção de que fala o Decreto-Lei Federal nº 25, de 30 de novembro de 1937 e dá outras providências”. Prefeito J. Machado Freire.

Em 14/12/1949, João Brandão Costa envia ofício ao Chefe do 3º Distrito, Sylvio de Vasconcellos, comunicando a promulgação da lei e o encurtamento efetivado por ela do perímetro tombado estabelecido pela PHAN.

Em 14/03/1950, Rodrigo de Andrade, diretor do PHAN, em resposta a Sylvio de Vasconcellos, por ofício, confirma contato com o prefeito da cidade de Diamantina no qual solicita a retificação da lei, incluindo na área o trecho de proteção instituído pelo Decreto-Lei nº 25.

Em 16/02/1969, o Estado de Minas publica matéria sobre o Beco do Mota. Demonstra com nitidez a divergência entre a prefeitura municipal e a SPHAN, pois, enquanto num comunicado da associação comercial à SPHAN diz que: “o prefeito de Diamantina estaria querendo demolir as casas do Beco do Mota, para construir praças e arranha-céus em seu lugar”, o prefeito Sílvio Felício dos Santos afirma que irá conservá-lo, colocando calçamento, iluminação, dando novos usos às edificações, já que as “mulheres de vida fácil” que ali residiam foram expulsas da cidade.

Em 22/02/1972, o Jornal O Globo publica uma reportagem sobre a falta de bombeiros na cidade de Diamantina. O incêndio, que queimou o Hotel São Geraldo, foi debelado por soldados e pela sociedade civil. O caminhão pipa do DER se reabasteceu na piscina da casa do vice-prefeito. Os bombeiros, enviados da capital para apagar o incêndio, chegaram tarde demais, devido à distância de 300 quilômetros.

O incêndio, foco de muitas reportagens, divulga o descaso com o patrimônio cultural de Diamantina, que não possuía uma unidade do Corpo de Bombeiros. No jornal Tribuna da Imprensa, em 24/02/1972, o diretor do IPHAN, Roberto de Lacerda, protesta contra a falta de recursos nas cidades históricas, alerta ainda que, mais de 70% do acervo barroco se localiza em Minas Gerais, principalmente em Ouro Preto e Diamantina.

No dia 25/02/1972, o jornal Correio da Manhã publica uma reportagem com o título: Preservação. Nela se descortina a falta de unidade do Corpo de Bombeiros, presente em apenas sete das 722 cidades mineiras, portanto, não apenas em Diamantina. Dentre as dez cidades históricas somente Ouro Preto possui uma unidade.

Em 23/02/1973, o prefeito Antônio de Carvalho Cruz questiona o IPHAN sobre a destinação de verbas para conservação de alguns dos monumentos de Diamantina. Em 24/10/1973, Roberto Lacerda chefe do 3º Distrito do IPHAN, em ofício à Prefeitura, solicita o envio do projeto de uma rua, que já se encontrava em obra de abertura na cidade, sem a devida aprovação pelo IPHAN.

Em 03/12/1973, o prefeito Antônio de Carvalho Cruz solicita à Fundação João Pinheiro – FJP o desenvolvimento de um estudo semelhante ao realizado em Ouro Preto e Mariana, intitulado de Plano de Recuperação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana. Enviando cópia deste ofício ao chefe do 3º Distrito do IPHAN, o prefeito solicita o apoio financeiro ao estudo da FJP, assim como o fez nas referidas cidades.

Diamantina foi palco da novela Xica da Silva. Na época de sua filmagem, a retirada dos fios foi solicitada à Companhia Luz e Força, para permitir melhor simulação dos aspectos antigos de Diamantina. Este fato despertou nos políticos e na população o desejo de uma rede elétrica subterrânea para a cidade, o que tornaria Diamantina mais atrativa turisticamente. Assim, em 20/03/1975, o prefeito Antônio de Carvalho Cruz solicita o estudo da viabilidade do projeto ao chefe do 3º Distrito do IPHAN, Roberto Lacerda. Em 12/09/1977, Roberto Lacerda, diretor da 6ª Diretoria Regional do IPHAN, reitera a informação ao prefeito da cidade, Sílvio Felício dos Santos quanto à obrigatoriedade do IPHAN aprovar projetos públicos e privados. Propõe até mesmo a mão-de-obra do IPHAN em alguns projetos para evitar a desfiguração da cidade.

Em 22/05/1978, Roberto Lacerda, comunica ao prefeito da cidade, Sílvio Felício dos Santos que a Fundação João Pinheiro fará um trabalho de levantamento, cadastramento e inventário de bens de valor histórico e ou artístico.

Em Julho/Agosto de 1981 sai a publicação “SPHAN pró Memória 13” editada pela Fundação Nacional Pró-Memória, Subsecretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Secretaria da Cultura e Ministério da Educação e Cultura”. Esta publicação tem como foco a cidade de Diamantina e narra parte do Seminário sobre Patrimônio Cultural

de Diamantina: Sua Preservação e Valorização, realizado nos dias 29 e 30 de julho,

durante o XIV Festival de Inverno. Versa também sobre a evolução histórica e urbana de Diamantina.

Este jornal publica o discurso de Leandro da Costa: “vamos convencer os desinformados,

que nós somos procurados, somos visitados e ganhamos até um Festival, pelo que temos de arte, somos arquitetura e representamos de história”.

Em 03/08/1981, Roberto Lacerda solicita informações ao prefeito Sílvio Felício dos Santos sobre o loteamento no terreno da Santa Casa de Misericórdia, sitio dentro do perímetro urbano tombado. Em 26/08/1981 envia cópia a Fundação Nacional Pró Memória notificando sobre os expedientes relativos ao tal loteamento, já em execução, sem aprovação do SPHAN.

Em 07/07/1982, foi realizada uma reunião com a GEIPOT com o objetivo de iniciar um “Programa de Obras e Estudos sobre a Circulação de Veículos em Núcleos Históricos”.

Este estudo prioriza as cidades de Diamantina, Serro, São João Del Rei, Tiradentes e Congonhas.

Em 16/12/1982, o diretor regional Dimas Dario Guedes envia ao prefeito Sílvio Felício dos Santos uma notificação referente às obras irregulares, com cópia para o Ministério Público.

Em 23/06/1983, Lívia Romanelli d’Assumpção solicita ao diretor da SPHAN o envio dos processos de obras irregulares ao Ministério Público. Relata que as recomendações feitas pela Comissão de Avaliação de Projetos não são seguidas e que a prefeitura auxilia pouco na fiscalização de obras.

Em 08/08/1983, o diretor regional Dimas Dario Guedes, em correspondência ao Superintendente de Distribuição Leste, confirma o recebimento do projeto da Rede Subterrânea da cidade de Diamantina e solicita o envio do posicionamento dos lampiões parietais nos imóveis, para estudos segundo as particularidades arquitetônicas.

Em 26/12/1983, a União dos Voluntários Aposentados de Diamantina – UVA em carta ao SPHAN objetiva envidar esforços conjuntos para preservação do patrimônio. Na correspondência são mencionados problemas como: Mercado Municipal, antigo Fórum, chafarizes, novas edificações que não respeitam o contexto, faixas de propagandas, placas comerciais e trânsito de veículos pesados. A UVA almeja que Diamantina seja vista como Ouro Preto, uma cidade grandiosa.

Em 21/08/1984, o Diretor Regional Dimas Dario Guedes envia ofício ao prefeito Antônio de Carvalho Cruz no qual solicita providências de regularização de um loteamento e reitera, que tanto o projeto do loteamento, como os das edificações na área tombada ou em sua vizinhança, devem ser enviados ao SPHAN para sua aprovação.

Num documento do Ministério da Educação e Saúde que se refere às cidades tombadas lê-se o seguinte: “Além das inspecções efetuadas em monumentos, outras foram feitas para os efeitos dos arts. 17 e 18 do Decreto-Lei nº 25 de 30 de Novembro de 1937, com relação às obras particulares. Lamentamos verificar que continua difícil a execução do decreto citado nesta parte, devido principalmente, à ação negativa dos Prefeitos, quase sempre ligada aos interesses dos capitalistas locais, interessados nas obras. Por outro lado, a inexistência de Códigos de Obras e a longa prática de construções não fiscalizadas, faz com que seja mal recebida a atuação da Diretoria. Quando, porém, os Prefeitos colaboram, o problema torna-se de fácil solução.” Quanto à Diamantina o documento diz que as piores situações localizam-se no centro com o uso de óleos nas fachadas. Mais grave ainda, nos arredores do centro, onde os terrenos são mais baratos, é a demolição das edificações para a construção de uma nova, em outro estilo. Diz ainda que “a prefeitura mais ou menos tem colaborado com a Diretoria e não há casos graves a encarar”. O documento conclui: “Depreende-se do exposto que as dificuldades são as seguintes em ordem de importância: Colaboração das Prefeituras; Maior fiscalização, eficiente e capaz; maior tempo para que a população se acostume com as exigências; falta de Códigos de Obras. Outra dificuldade explorada é a que se refere à demora na aprovação dos projetos. Com adoção da praxe de sua aprovação pelo Distrito ficou em grande parte anulada esta alegação”. Para que a população se acostume com as normas da SPHAN a estratégia utilizada é a tentativa de aprovar os projetos solicitando, quando necessárias, algumas modificações, assim, a comunidade vai se adaptando às exigências e satisfazendo suas necessidades.

Numa cartilha da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do Departamento de Divulgação Estatística sobre Diamantina – Minas Gerais são publicados vários dados sobre a mesma. Dentre estes, destaca-se para fins desta pesquisa os aspectos urbanos descritos da seguinte maneira: “98 ruas, 6 avenidas, 28 praças, 10 jardins e 43 outros; 3.825 prédios, 2.402 ligações elétricas domiciliares, 1.320 focos de

iluminação pública, 480 aparelhos telefônicos; 7 hotéis, 4 pensões, 12 restaurantes, 1 boate, 91 bares e botequins”. No item urbanização, sobre os aspectos sociais argumenta ainda: “Situada na serra do Espinhaço, figura entre as cidades de maiores altitudes do País, e oferece aspectos topográficos de grande beleza. É das mais antigas do Estado, impressionando pelo traçado das ruas, ladeiras pitorescas e pela imponência e severidade de suas construções, em sua maioria erguidas na época da Coroa Portuguesa, onde se vêem varandas e janelas gradeadas e telhados barrocos.”