5.1. Nicel Veri Analizine İlişkin Bulgular
5.1.2. Farklılık Analizler
Diante do conjunto das respostas e da analise que efetuamos, podemos apresentar um conjunto de aspectos que emergiram desse trabalho e que consideramos importantes para a Arborização Urbana e Educação Ambiental e respostas para algumas hipóteses que tínhamos em relação às perguntas. Na figura 14 observamos os aspectos que emergiram nas entrevistas quando perguntado por que a árvore é um ser vivo.
Figura 14: Aspectos que se destacaram mais nas respostas sobre árvores e arborização urbana por bairro
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Visão científica Senciente Apreciação estética Não sabe
Aqui verificamos o quanto os conhecimentos, presente dentro da Educação Ambiental aparece nas respostas dos entrevistados, devido às informações que aprendemos na escola. No entanto, no que se refere à apreciação estética, esta é pouco citada (quatro vezes). O grupo de munícipes dos bairros Arco Iris/ Floridiana não tem nenhuma citação referindo-se à questão da apreciação durante as entrevistas.
Em segundo lugar, se mostrou significativa as referências às árvores que foram comparadas aos animais, como seres que têm sentimentos e capacidade de sentirem dor, contrapondo-se ao o conhecimento científico propriamente dito.
Por isto e por outros dados analisados, inferimos que não há um total desafeto dos munícipes com relação às árvores. Mesmo assim, seria importante que essa relação pudesse ser trabalhada nas escolas e junto à comunidade, visto que envolve o despertar do ato de gostar, de querer que o objeto apreciado esteja presente para sua contemplação. Isso facilitaria a aceitação da arborização urbana, pois acreditamos que, com a educação ambiental, os valores guardados dentro de cada um sobre a natureza possam ser revelados e praticados.
Hipótese 1 : O local de infância seria o mais querido e quem passa a maior parte em sítio ou fazenda tem mais ligação com a natureza. E podemos observar os resultados na figura 15 que não é o que acontece.
Figura 15: Respostas sobre a infância correlacionadas com árvores e os tipos de bairros
Os munícipes solicitantes de corte foram os que mais relacionaram a infância com boas experiências com as árvores, o que nos chamou a atenção. O grupo Arco Éris/ Floridiana não comentou nem experiências boas, nem ruins. E apenas um entrevistado declarou não gostar de árvores no grupo Vila Paulista.
O local de maior vivência na infância pelos munícipes, -se viveu em sítio, fazenda, cidade do interior ou metrópole- não foi um fator relevante para determinar se a pessoa se tornaria um apreciador da natureza, já que duas que viveram a maior parte da infância na cidade São Paulo demonstraram contemplar a natureza. E na maioria dos casos, o local da infância foi comentado como o mais querido.
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Experiências boas com árvores Não gosta de árvore
Hipótese 2: Geralmente, quem solicita corte de árvore tem menos ligação com ela. E, provavelmente, nunca plantou uma.
Percebe-se que os grupos apresentaram números muito próximos de entrevistados que já plantaram alguma árvore na vida. Dos 7 entrevistados do Arco Éris/Floridiana 6 já plantaram uma árvore e apenas 1 cortou, dos 7 do Vila Paulista, 6 já plantaram e 2 já cortaram, e dos 6 solicitantes, todos já plantaram e 2 já cortaram.
Além disso, uma moradora solicitou o corte de árvore na calçada devido à insistência dos vizinhos, inicialmente ela não concordava com corte, isso gerou uma situação de conflito e, para não manter o mau relacionamento, acabou concordando. Destacamos aqui o fato de que, durante a entrevista, a moradora ficava emocionada ao discorrer sobre outros cortes (pedia para alguém cortar, visto que não tinha coragem de fazer o corte) de árvores que ocorrera em seu quintal por reclamações dos vizinhos.
O morador que solicitou corte por terem invadido a casa utilizando-se da árvore e a moradora do bairro Vila Alemã, aparentemente são os que plantaram árvores em maior quantidade. E foi o grupo de solicitantes o único em que surgiu um munícipe que plantou uma árvore para homenagear o nascimento de um filho e em memória a um animal de estimação.
Hipótese 4: Quem mora em bairro mais arborizado aprecia mais a natureza comparado com o grupo de bairro menos arborizado e dos solicitantes de corte
Realmente, os dados indicaram que o grupo que mora em bairro mais arborizado apresentou mais intimidade com o meio natural (não urbanizado), tendo apresentado nas entrevistas um maior número de experiências envolvendo as árvores. As entrevistas com esse grupo tiveram uma média de duração mais longa que as dos outros grupos.
Seguem-se a eles o grupo dos solicitantes de corte, demonstrando maior contato com a natureza.
O grupo do bairro menos arborizado apresentou a menor média de duração de entrevista, muitos não sabiam ou não tinham o que dizer em relação a algumas perguntas apresentadas (como por exemplo, os dois que não souberam responder por que a árvore é um ser vivo), e outros não introduziam referências à natureza, ao falarem do bairro ou local de infância.
Hipótese 5: Quem planta uma árvore não tem coragem de cortar uma e quem corta uma árvore não teria vontade de plantar.
Alguns solicitantes demonstraram não ter coragem de propriamente cortar uma árvore, outros sim. Um morador que já cortou árvore poderia ter cortado outra que ele próprio plantou, mas conseguiu realizar a construção em sua casa sem realizar o novo corte.
Os moradores do bairro mais arborizado foram enfáticos ao dizer que nunca cortariam, manifestando expressões e palavras que indicavam de que estariam matando um ser vivo.
Na figura 16, estão as opiniões sobre as árvores nas cidades dos entrevistados.
Figura 16: Opinião dos munícipes sobre a quantidade de árvores por bairro
Ao perguntar se o bairro poderia ter mais, ou ter menos árvores, ou se estava boa a quantidade das mesmas, a maioria respondeu que poderia haver mais. No trabalho de Silva (1998), foi feita uma discussão com moradores do bairro Floridiana: 98.6% disseram que gostam das áreas verdes por causa da beleza, do meio ambiente, purificação do ar, enquanto que 1,4% não gostam de áreas verdes. 90% gostariam que a cidade tivesse mais áreas verdes por faltar área de lazer. 97,2% responderam que é do agrado ter árvores nas calçadas, por causa da beleza, sombra e purificação do ar, enquanto que 1,4% não. 94% gostariam que fosse plantado mais árvores nas calçadas e 6% não. Isto nos revela a similaridade dos nossos resultados, os quais sombra beleza e ar puro estão entre os três primeiros mais destacados nos benefícios que as árvores trazem (figura 18) e também na nossa pesquisa, a maioria gostaria que tivesse mais árvores na cidade. Destacando que a população está de acordo com mais árvores nas cidades.
Outro trabalho que reforça este indício é de Silva (1998) que fez entrevistas com alunos de primeiro grau da escola Serviço Social da Indústria (SESI). 93% disseram que gostam de árvores nas calçadas e “não” 64%. Os que responderam que sim disseram por que a árvore fornece sombra, ar puro,
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Poucas Bastante Suficiente Má distribuídas
beleza, tranqüilidade, saúde e mais vida para a cidade. E 99,7% são favoráveis a aprendizagem do processo de plantio. Como essas concepções podem favorecer/desfavorecer a realização de um planejamento urbano para uma cidade ser bem arborizada?
Dois moradores, um do bairro Vila Paulista e um solicitante, comentaram que as construções é que estão atrapalhando as árvores, com destaque à rede elétrica. Vale salientar que há redes de eletricidade subterrâneas, já implementadas em muitas cidades, que além de permitir maior diversidade quanto ao plantio de espécies vegetais, promove junto o embelezamento da cidade sem a presença dos fios suspensos. Dos seis entrevistados do bairro menos arborizado (Arco Éris/Floridiana), cinco disseram que a árvore não atrapalha, em nada. Pode ser, por ser o grupo que menos teve contato com as árvores e, ao mesmo tempo, não tem conhecimento dos problemas que elas podem causar.
Quantificando o número das palavras que aparecem nas respostas de cada munícipe em todas as perguntas, elaboramos gráficos os quais explanam os motivos dos moradores gostarem do bairro (figura 17), sobre os conhecimentos dos benefícios (figura 18) e prejuízos (figura 19) que as árvores podem trazer ao ambiente urbanizado.
Figura 17: Motivos citados os quais o entrevistado gosta do local onde mora por bairro 0 1 2 3 4 5 6 7
Amizade Comércio Sem barulho Natureza Sem violência Sem prédios
“Natureza” inclui as referências à proximidade com a FEENA no bairro Vila Paulista, arborização nas ruas e presença de praças arborizadas nos outros bairros (Arco Éris/Floridiana, Wenzel, Bela Vista, Vila Alemã e Mãe Preta). É significativo identificarmos que ela aparece em 4º lugar. Mesmo assim, podemos dizer que ainda é um fator relevante para o bem estar do munícipe. Reparemos que este item não foi mencionado no grupo do bairro menos arborizado (Arco Éris/Floridiana), E foi mencionado por 3 vezes no grupo do bairro mais arborizado (Vila Paulista) e por 2 vezes no grupo dos solicitantes de corte. Confirmando novamente, a rica experiência e apreciação de quem mora próxima a uma Área Verde (FEENA) e a pouca, no caso nenhuma, importância que os moradores do Arco Éris/Floridiana deram à presença da natureza como fator de boa qualidade de vida, sendo esta atribuída por esse grupo principalmente à amizade em seu bairro.
Figura 18: Número de citações de cada benefício trazido pelas árvores por bairro e total. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
O benefício mais comentado foi a formação de sombras e o de propiciar um ar puro, filtrando a poluição. Isto pode se dever ao fato da cidade de Rio Claro apresentar temperaturas altas e pouca umidade do ar, - ela é considerada uma cidade seca com clima parecido com o de deserto,quente de dia e frio a noite – o que pode nos leva à pergunta sobre qual deve ser a opinião de quem mora em ambientes mais amenos.
Este resultado também foi observado nos estudos das percepções de munícipes de Campinas-SP por Dobbert (2015), o qual apontou que as funções mais recorrentes citadas nas entrevistas foram referentes ao conforto térmico proporcionado pela sombra das árvores; funções relacionadas a melhoria da qualidade do ar. De fato, em ambientes muito quentes, a presença da vegetação garante projeção de sombra que garante sensação de melhor conforto térmico. (SARTI, 2009). Em seguida, observamos os prejuízos que as árvores podem trazer para os entrevistados na figura 19.
Figura 19: Prejuízos que as árvores podem causar citados pelos Entrevistados. 0 1 2 3 4 5 6
Muitos munícipes, antes de citarem alguns dos empecilhos postos no gráfico, disseram que as árvores não causam problema nenhum, mas depois complementavam com “a não ser que...” e citavam os problemas presentes no gráfico.
“A fiação. Na verdade não são elas que causam empecilho, nós é que invadimos os espaços onde elas estavam"
“A não ser nas casas que estejam colocando em risco alguma coisa. Do contrário, acho que não”
“Nenhum problema. Pelo contrário. A minha [solicitação de corte] foi uma necessidade da minha segurança”.
“A única coisa que consigo ver é quando plantam em lugares errados”. Se o município apresentasse rede elétrica subterrânea e estudo urbanístico, planejamento de uma arborização urbana de qualidade, vários problemas citados seriam eliminados, e as árvores não causariam problemas, visto que o risco de cair e causar acidentes também poderia ser anulada com um bom planejamento arbóreo urbano e informação à população dos riscos, principalmente em épocas de chuvas com tempestades.
Dessa forma, permanece apenas o empecilho de causar sujeira, mencionado apenas por duas pessoas, representado por 10% do total. Já que “segurança pública”, aspecto que levou a uma solicitação de corte, não está a cargo do setor de planejamento urbano da prefeitura, mas sim a cargo da segurança pública.
É preciso lembrar que a prática do plantio de árvore pelos próprios munícipes não sofre penalização em Rio Claro. Mas, quando ocorre o plantio de espécie inadequada, qualquer pessoa pode solicitar o corte, mesmo a árvore estando na frente da casa de outro munícipe e este pode não concordar, gerando atrito. Entretanto, da mesma forma que a árvore na calçada é de responsabilidade da prefeitura, a calçada em si está sob os cuidados do morador. Uma solicitação de corte de indivíduo arbóreo pela justificativa de estar destruindo a calçada pode ser indeferida pela prefeitura, mas esta não necessita reparar, ou ajudar a consertar a calçada do solicitante. Também, quanto ao prejuízo para um munícipe que venha a
ocorrer pela queda de indivíduo arbóreo (se, por exemplo, a árvore cair sobre um bem - casa, carro) a prefeitura não tem a responsabilidade de ajudar a arcar com os prejuízos. É considerado uma catástrofe natural, e com isso o município não se responsabiliza. Estes aspectos são importantes e precisam ser apontados, conhecidos, pois são fatores que interferem na decisão de um munícipe em querer ou não uma árvore em frente à sua casa. Destacamos novamente que o devido planejamento evitaria estes transtornos.