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Farklı Conta Bölgesi Geometri Etkisi Deneyler

4. DENEYSEL ÇALI Ş MALAR

4.2.6. Farklı Conta Bölgesi Geometri Etkisi Deneyler

A utilização da oralidade em pesquisas cientificas é algo recente, como nos

explica José Carlos Sebe Bom Meihy. Seu uso teve início no ano de 1947, na

Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, anos mais tarde (1952 e 1959) foi

169 CHARTIER, Roger. À beira da falésia: a história entre incertezas e inquietude. Porto Alegre: Ed.

desenvolvida no Canadá, Inglaterra e França

170

. No princípio recebeu muita resistência

por parte dos pesquisadores, pois a ciência havia se consagrado à palavra grafada,

desvalorizando, conseqüentemente, a oralidade

171

. A relação entre a palavra oral e a

escrita sempre foi conflituosa, devido suas distintas finalidades.

O oral tem uma finalidade diversa, que é marcada pelo contato

persuasivo mais direto entre os locutores, sendo um texto que pode ser

reelaborado no ato de sua produção/recepção; contrariamente, a escrita,

ao se enquadrar na durabilidade do tempo e espaço, se destina muito

mais ao canônico, podendo transitar entre varias culturas com a

autoridade de quem a impõe como elemento ordenador, claro que do

ponto de vista hegemônico. Por isso, que a escrita serve com melhor

aproveitamento à concepção clássica de ciência porque ordena mais

coersivamente o sintagma, coisa que a oralidade não se adequa por seu

caráter digressivo e performático

172

.

Com o advento da escola dos Annales, no inicio do século XX e, portanto, com

uma nova postura historiográfica, os pesquisadores passaram a se interessar pelo

cotidiano vivido de personagens anônimos. Para tanto, foi necessário se debruçar sobre os

relatos orais, com objetivo de preencher as lacunas deixadas por análises que só se

utilizavam de documentos oficiais e/ou textuais.

No Brasil, a História Oral ganhou visibilidade na década de 1970. Com a queda

da ditadura militar e com a abertura política, houve manifestações por parte de vários

grupos (academias, arquivos, etc.), por entenderem ser importante travar debates em torno

da História Oral. Foi se percebendo a necessidade de novas metodologias de pesquisa

historiográfica. Com isso, foram identificando a importância de recuperar as experiências

individuais e situações singulares, privilegiando a dimensão do vivido e do cotidiano de

pessoas silenciadas pela história, como por exemplo, os presos da ditadura, os negros, as

mulheres, os operários e os demais grupos que, até então, não tinham ganhado espaço e

nem despertado o interesse da academia.

Um programa pioneiro de Historia Oral brasileira, dos mais importantes em

vigor desde os anos 70, é o Centro de Pesquisa e Documentação de História

170

MEIHY, José Carlos Sebe Bom. História Oral: 10 itens para uma arqueologia conceitual. Oralidades,

São Paulo, v.1, n.1, p.13-20, jan./jun. 2007, p. 20.

171 MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de história oral. São Paulo: Edições Loyola, 1996.

172 FERNANDES, José G. Do Oral ao escrito: Implicações e complicações na transcrição de narrativas

orais. Outros tempos. Maranhão, v.2, n.2, 2005. p.156-167. Disponível em: www.outrostempo.uema.br. Acesso em: 16 abril 2006.

Contemporânea do Brasil, que pertence à Fundação Getúlio Vargas (CPDOCO) no Rio

de Janeiro. Iniciou o projeto recolhendo depoimentos da elite política nacional.

O uso da História Oral no Brasil toma impulso nos anos 90. Um dos

responsáveis por sua visibilidade foi a Associação Brasileira de História Oral, criada em

1994, iniciando muitos pesquisadores ao estudo da oralidade.

A metodologia da História Oral será nosso ponto de partida, tanto por mediar

nossa produção de documentos quanto por nos ajudar na análise do material produzido.

A escolha deste método se fez pertinente por se tratar de um recurso que nos possibilita

escrever e analisar a história do tempo presente. E, por conseguinte, permite uma

produção historiográfica distinta da convencional, privilegiando os excluídos, dando luz a

personage ns que até então eram invisíveis para historiografia oficial, dando voz a

segmentos sociais que não tiveram acesso à produção de documentos escritos e cuja

cultura e cotidianidade podem ser facilmente captados através da oralidade.

Esta metodologia permite nuevos patrones de relación, capaces de

facilitar la aproximación y el contacto del investigador con la colonia

investigada, a la vez que estimula una relación entre sujetos sociales que

se abren más espontáneamente al diálogo y a la producción negociada

de entrevistas y testimonios, en un espacio-tempo que intenta oír y

entender al entrevistado según su visión del mundo. Así, este nuevo

referente muestra un grupo social diferente y una nueva forma de sentir-

pensar-actuar que el investigador sólo presiente, pero no conoce ni

experimenta

173

.

As fontes orais possuem uma credibilidade diferente da fonte escrita. Embora

uma não exclua a outra, cada uma tem sua característica autônoma e função especifica.

Por isso, requerem instrumentos interpretativos diferentes e peculiares. Bom Meihy ainda

realça que as fontes orais, por serem originais não roubam espaço, tão pouco competem

com outras fontes. O processo de sua feitura comunga a vontade de quem produz com a

de quem colabora com sua produção.

173 ATAIDE, Yara Dulce Bandeira de. “Género, etnias y grupos excluidos en Salvador de Bahía.” In:

Historia Antropologia y fuentes orales. Barcelona, v.3, n.25, 2001, pp. 105-115. Tradução da autora:

Esta metodologia permite novos padrões de relação, capazes de facilitar a aproximação e o contato entre o investigador e a comunidade investigada, uma vez que estimula uma relação entre sujeitos sociais que se abrem mais espontaneamente ao diálogo e a produção negociada de entrevistas e testemunhos, em um tempo-espaço que tenta ouvir e entender o entrevistado segundo sua própria visão de mundo. Assim, este novo referente deixa transparecer um grupo social diferente e uma nova forma de sentir-pensar-agir que o investigador somente presente, mas não conhece nem experimenta.

As fontes orais dão conta dos significados mais do que dos eventos factuais. O

testemunho oral explora a imaginação e o simbolismo, dando luz às áreas inexploradas da

vida diária. Por essa razão, Alessandro Portelli acredita que as fontes orais são

importantes para tornarem visíveis às classes não hegemônicas.

Fontes orais são condição necessária (não suficiente) para a história das

classes não hegemônicas, elas são menos necessárias (embora de

nenhum modo inúteis) para a história das classes dominantes, que têm

tido controle sobre a escrita e deixaram atrás de si um registro escrito

muito mais abundante

174

.

As fontes orais propõem variações de olhares que merecem ser contempladas, se

colocando, inclusive, em diálogo com outras fontes documentais, como a escrita.

Trabalharemos a metodologia da Historia Oral, mantendo sintonia com o modelo

proposto pelo Núcleo de Historia Oral da Universidade de São Paulo (NEHO), que se

propõe um esquema político diretamente preocupado com as questões da cidadania,

fazendo opção por visibilizar os analfabetos, os iletrados, os que foram silenciados pela

historiografia tradicional, e por tanto, excluídos da sociedade da escrita. Levantamos

nossas questões a respeito do negro batista da comunidade Maranata, com intenção

militante e preocupação política. Almejamos que os resultados desta pesquisa sirvam para

a comunidade como um meio de reflexão e problematização da questão racial, que é tão

cara para a sociedade por envolver questões de cidadania e inclusão social.

Benzer Belgeler