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Farklı Akran Zorbalığı Türlerinin Yaşanma Sıklığı ve

4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.2. Yorumlar

4.2.2 Zorbalık Davranışları ve Zorbalık Statülerinin Cinsiyete Bağlı

4.2.2.3. Farklı Akran Zorbalığı Türlerinin Yaşanma Sıklığı ve

Durante todo o século XIX e início do XX, as principais vias de transporte no sul de Mato Grosso passavam pelas águas dos rios, especialmente os que compõem a Bacia Platina. O Rio da Prata e seus afluentes (Paraná, Paraguai e Uruguai) formam uma Bacia de 1,4 mil km² de extensão, área equivalente a, aproximadamente, 16% do território brasileiro. Esse amplo corredor fluvial, de águas profundas em direção ao Atlântico Sul, possibilitou o estabelecimento de

71 BORGES, Fernando T. M. Do extrativismo à pecuária. op.cit.93

72 A família Paes de Barros era proprietária das usinas Conceição, Itaicy e Maravilha; a família Corrêa da Costa, da usina Flexas (sic); a família Costa Marques, da usina Ressaca.

73 CARONE, Edgar. A República Velha. (Instituições e Classes Sociais). Vol I. São Paulo:

portos nas cidades de Corumbá e Porto Murtinho. Em virtude da importância estratégica e comercial da região, Brasil e Paraguai assinaram, em 1856, o Tratado de Comércio, Navegação e Amizade, que permitiu a livre navegação das embarcações brasileiras. A regulamentação e a melhoria das condições de comunicação possibilitaram à província de Mato Grosso dinamizar seu comércio.74

Pelos portos do sul de Mato Grosso, comercializavam-se artigos “dos mais longínquos empórios: Havre, Liverpool, Manchester, Hamburgo, Paris, Londres, Southampton, Amsterdan, Lisboa, Porto e Gênova”.75 A grande diversificação permitia o acesso a “mercadorias, desde rendas e tecidos franceses, maquinarias da Inglaterra e Alemanha, até gêneros alimentícios da Holanda, vinhos portugueses e italianos”.76 Corumbá funcionava como entreposto comercial: de lá, eram distribuídos os produtos via “transbordo para as embarcações menores, destinadas a Cuiabá, Cáceres, Miranda, Coxim”77; a produção “das demais regiões mato-grossenses, como a ipeca78, fumo, café e açúcar das usinas do norte, borracha e erva mate”79, também era escoada às praças platinas e do Rio de Janeiro.

Desde 1884, a Companhia de Navegação Lloyde Brasileiro mantinha linhas regulares, tanto de cargas como de passageiros, ligando Corumbá aos portos de Santos, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Assunção e Montevidéu. O grande afluxo comercial possibilitou, ainda, a emergência de pequenas e médias empresas de navegação organizadas por comerciantes e empresários dos portos regionais, ampliando a rede comercial por todo o alto e médio

74 CORRÊA, Lúcia Salsa. A Fronteira na História Regional: O Sul de Mato Grosso (1870- 1920). Tese (Doutorado em História), São Paulo: Universidade de São Paulo, 1997.p.29

75 SOUZA, Lécio Gomes de. História de Corumbá. [S.l.]: [s.n.], 1983, p.74 76 idem, p.74

77 idem, p.74

78 Encontrada nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, especialmente nos estados de Mato Grosso e Acre, a ipeca ou ipecacuanha (Cephaelis ipecacuanha) é um arbusto reto de, aproximadamente, 45 cm de altura. De sua raiz são extraídos vários alcalóides, como a emetina, utilizado pela indústria farmacêutica para fabricação de medicamentos expectorantes, indicados para o tratamento de doenças do aparelho respiratório. Para mais informações, ver: LIMA, Patrícia Schober Gonçalves. Divergência genética e efeito do nitrogênio total no

crescimento in vitro de ipeca [Pyschotria ipecacuanha (Brot.) Stokes]. Dissertação

(Mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas). Lavras: Universidade Federal de Lavras (UFLA), 2001

79 CORRÊA, L. S. Corumbá: um núcleo na fronteira de Mato Grosso (1870-1920). Dissertação (Mestrado em História), São Paulo: Universidade de São Paulo, 1980. p.80

Paraguai, permitindo às pequenas cidades e aos fazendeiros recém- estabelecidos comprar e vender mercadorias.80

A vultosa movimentação financeira levou a Assembléia Legislativa Provincial a criar, em 1858, a Mesa de Rendas da Alfândega, cujo objetivo era fiscalizar e arrecadar impostos nos portos do sul de Mato Grosso. Em pouco tempo, devido ao impulso do movimento fluvial e mercantil, aumentou “significativamente o número de casas comerciais e de estrangeiros atraídos pela florescente praça comercial mato-grossense”.81 Nascia em Mato Grosso uma nova elite, formada, majoritariamente, por migrantes sírios, libaneses e palestinos, tratados, genericamente, como “turcos” – famílias como Abraão, Buainain, Gazal, Gebara, Ibrahim, Gehá, Kalil, Kuri, Maluf, Radif, Nasser, Neder, Nemir, Orro, Saab, Sáfadi, Salomão, Siufi e Surugi. As casas comerciais funcionavam também como “secções bancárias” de grandes corporações, a exemplo do Citibank. Segundo Gilberto Luiz Alves,

80 Destacavam-se como as principais empresas de navegação que operavam no Porto de Corumbá: Vapor Vierci Hermanos; Empresa de Navegação Teutonia; Companhia Argentina de Navegação Nicolas Minhanovich; Empresa Corumbaense M. Cavassa Filho & Cia.; Wanderley Baís & Cia.; Stofen, Schnack, Muller e Cia.; Empresa Armadora Cacerense Jose Dulce & Cia. CORRÊA, Lúcia Salsa. Corumbá: o comércio e o Casario do Porto (1870-1920). Brasília: Gráfica do Senado, 1985.

81 ibidem, p. 85

Imagem 7: Vista da cidade e Cais do Porto de Corumbá.

Fonte: Acervo imagético do Muhpan

Imagem 8: Corumbá - Vista parcial do Porto. In: Álbum Gráfico de Mato Grosso. op. cit. p. 326.

(...) as casas comerciais dos portos exerceram um domínio econômico inconteste em Mato Grosso (...) funcionando como banco foi o único estabelecimento de crédito ao alcance do produtor, independente das elevadas taxas de juros que impunha. Daí ter o grande comerciante dos Portos carreado em seu favor o grosso da riqueza da região.82)

Corumbá, favorecida por sua posição geográfica, acessava bens de consumo e informações diretamente da Foz do Prata e do Atlântico, transformando-se em centro comercial, financista e um dos marcos fronteiriços mais avançados ao oeste do território brasileiro em meados do século XIX.

Por meio da navegação, o sul de Mato Grosso passou a ser incorporado ao mercado mundial. No entanto, mesmo diante do desenvolvimento do transporte, escoar os produtos ainda era uma dificuldade do comércio local. Em geral, das sedes das fazendas até o porto, as mercadorias seguiam em carros de bois. As perdas durante o trajeto – ocasionadas pelas condições precárias das vias, os frequentes “atoleiros”, os ataques de insetos, animais selvagens e os saques contra as comitivas – encareciam o valor final das mercadorias.83

Imagem 9: Carros de boi em frente a uma Casa Comercial na cidade de Aquidauana, por volta dos anos 1920. Fonte: Arquivo Imagético do IHGMS

82 ALVES, G. L.; A Trajetória histórica do grande comerciante dos portos de Corumbá (1857- 1929). In: CORRÊA, V. B. Casario do Porto de Corumbá. Centro Gráfico do Senado

Federal. Brasília. 1985. p. 69

A fragilidade das vias de comunicação ficou mais exposta com a eclosão da guerra contra o Paraguai (1864-1870). O conflito bloqueou a navegação na Bacia do Prata, o que prejudicou não apenas a cidade de Corumbá, mas isolou praticamente toda a província de Mato Grosso do restante do Brasil. As incipientes atividades produtivas da região foram desarticuladas.

No decorrer do pós-guerra, o Governo Imperial envia, em 1871, uma expedição para demarcar as fronteiras entre Brasil e Paraguai, na região que compreende o território entre o Rio Apa, atual Mato Grosso do Sul, e o Salto de Sete Quedas, no Paraná. A Comissão de Limites, como foi nomeada, sob o comando do Coronel de Engenharia Rufino Enéas Galvão, (Barão e Visconde de Maracajú), encerrou seus trabalhos em 1874, anexando, ao Estado de Mato Grosso, 156 mil km2 pertencentes até então ao país vizinho. O parecer da Comissão inferiu que eram necessárias ações que fixassem ali homens “brancos” e o estabelecimento de postos militares nessa área, vista como “espaço vazio” e dotada de potenciais riquezas a serem exploradas, em especial a erva mate.84