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D- Fosfolipidler ve kalsiyum iyonları E-Koagülasyon inhibitörler

4. Faktör XIII:

O termo competência é usual, quando se faz referência ao que se espera de alguém, na realização de alguma tarefa, seja essa de natureza intelectual, procedimental e/ou experimental. Apesar disso, a discussão de um referencial de competência é ampla e continua sendo um caminho árido (PERRENOUD, 2000) e difícil de se circunscrever (PERRENOUD, 1999; JOBERT; 2003), principalmente, no que se refere à discussão sobre competência no campo da formação profissional.

Mesmo assim, a discussão realizada por Perrenoud (1999, 2000), Machado (2000), Pozo (2002) e outros autores, contribui para uma aproximação do entendimento e abordagem desse conceito e sua aplicação, na discussão do que seria ter competência, em Geomorfologia. Entenda-se, Geomorfologia não como uma profissionalização, mas como campo de conhecimento específico e, também, disciplinar mobilizado durante o estudo e/ ou o ensino da ação de interpretar o relevo.

No senso comum, pode-se dizer que a competência esteja associada a um conjunto de elementos inter-relacionados, que possibilitam a uma pessoa abordar uma questão complexa e resolvê-la satisfatoriamente (MORETTO, 2002). Granger9 ([1968] 1988 apud

JOBERT, 2003) afirma que a competência expressa a capacidade de obter um desempenho em situação real de produção, ou seja, em efetiva atividade prática envolvida em seu contexto complexo, em que ocorrem as condições sociais, que lhe dão significação em um mundo efetivamente vivido.

As duas considerações acima contemplam, na noção de competência, a ideia de ser capaz de fazer algo com sucesso, levando-se em consideração o contexto social no qual a questão é posta e o contexto pessoal de o quem o faz. No contexto pessoal, fala-se da dimensão cognitiva, emocional e social do sujeito, que se põe a fazer algo.

No universo educacional, muitos autores, como Perrenoud (1999), têm discutido esse conceito, na mesma linha de pensamento apresentada acima, porém com atenção especial para os recursos cognitivos. Assim, para Perrenoud (1999, p. 7), competência é definida como “uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles”.

Moretto (2002, p. 10), a partir da perspectiva de Perrenoud (1999), considera que o conceito de competência compreende e relaciona três aspectos importantes referentes ao sujeito: (a) “ser capaz de”; (b) “mobilizar” forças interiores e (c) utilizar os recursos

cognitivos e emocionais. Esses aspectos inter-relacionados são operacionalizados com

a finalidade de abordar e resolver situações complexas. Dessa forma, pode-se dizer que “o conceito de competência está ligado à sua finalidade”. (Grifo nosso).

Cada um dos três aspectos pode ser abordado, individualmente, a fim de se compreender sua própria dimensão e a relação desta com as demais. Na interpretação de Moretto (2003) e Perrenoud (2000), a dimensão do terceiro aspecto o “utilizar os recursos cognitivos e emocionais”, compreende, dentro de recursos, outros cinco tipos: conteúdos específicos, habilidades e procedimentos, linguagens, valores culturais e administração das emoções. Sendo assim, a abordagem, aqui, dá ênfase ao aspecto cognitivo que compõe, também, a ideia de competência.

Os conteúdos específicos referem-se ao conhecimento do conteúdo que se encontra na questão a ser resolvida, seja essa de natureza teórica e/ou prática e nas diferentes áreas 9 GRANGER, G. G. Essai d’une philosophie du style. Paris: A. Colin. [1968] 1988.

como exatas, naturais, humanas, etc. (MORETTO, 2003).

No caso da Geomorfologia, esse conteúdo, inicialmente, refere-se ao entendimento e à interpretação do relevo. Portanto, é preciso ter disponíveis os demais conhecimentos específicos ligados à natureza, à tipologia, às nomenclaturas e aos parâmetros explicativos, os quais compreendem a abordagem teórica e metodológica do relevo, enquanto a natureza do relevo refere-se à sua dimensão física e metafísica. Por sua vez, as tipologias referem-se às formas definidas, segundo seus atributos internos e externos e sua gênese, e às escalas espacial e temporal. Cada conteúdo específico desdobra-se em outros que o antecedem como numa rede conceitual. Pode-se, então, dizer que mobilizar os conteúdos específicos, como aspectos da competência, implica em mobilizar uma rede conceitual construída com a aprendizagem. Assim sendo, para o raciocínio geomorfológico, é importante que se tenha, na rede conceitual, clareza dos conceitos- chave ou estruturantes (relevo, processos geomorfológicos e escalas temporal e espacial).

As habilidades e os procedimentos, como recurso cognitivo, entendidos também como o “saber fazer” algo específico (MORETTO, 2003), estão associados a uma ação física ou mental, como identificar, relacionar, correlacionar, aplicar, analisar, avaliar, manipular, interpretar, representar, etc. Esses são verbos que, a princípio, indicam a habilidade do sujeito em campos específicos (MORETTO, 2003). Essas ações são adquiridas durante a formação formal e não-formal; portanto, não são habilidades inatas, e sim trabalhadas e construídas, nos sujeitos, para que eles sejam capazes de fazer com consciência do significado e não como mera repetição. É, ainda, nesse aspecto que Perrenoud (1999) afirma que, para se fazer uma análise de um texto, traduzir o conteúdo de uma língua para outra, construir uma hipótese, identificar, enunciar e resolver um problema científico, são necessários conhecimentos profundos. Entretanto, essas ações não são, em si, conhecimentos, apesar de os mobilizarem.

Em Geomorfologia, pode-se dizer que as habilidades, para possíveis competências10,

compreendem o saber fazer: (a) a identificação das formas de relevo, no campo e nas diferentes linguagens; (b) a correlação de processos geomorfológicos/formas/escalas espacial e temporal; (c) a análise das formas, segundo um arcabouço teórico; (d) a 10 Sabe-se que não existe uma postura neutra quanto à concepção de competência

(PERRENOUD, 2000), inclusive quanto à concepção de competência em Geomorfologia, uma vez que por detrás das escolhas supõem-se opções teóricas e ideológicas. Dessa forma, optou-se, neste trabalho, por apresentar e discutir competência em Geomorfologia, tomando como referencial, a trajetória de edificação desse campo do conhecimento, que contém um objeto bem definido, conceitos-chave e metodologia própria.

interpretação do relevo, à luz da visão integrada, sistêmica e dinâmica, independente das escalas espacial e temporal, (e) a representação do fenômeno geomorfológico considerado.

Em todas essas habilidades, o conteúdo específico encontra-se como o meio que possibilita a ação do saber fazer. Cada uma dessas habilidades demanda outros conteúdos específicos, por exemplo: o saber identificar implica conhecer os atributos e as nomenclaturas, que identificam um determinado objeto socialmente concebido; para o saber correlacionar é importante conhecer os diferentes objetos, alvos de observação, em seu aspecto físico (atributos), dinâmico e funcional e o nível e tipo de interação dos objetos.

Pode acontecer de o sujeito saber identificar uma forma e um processo, mas não saber analisá-los nem interpretá-los, porque ficou condicionado a reconhecer e reproduzir modelos, com base nos seus atributos visíveis, concretos e objetivos, construídos a partir da dimensão estática do relevo, da observação primeira, da generalização e da associação mecânica.

O estudo do objeto da Geomorfologia processa-se por meio de observação direta, in loco, durante os chamados trabalhos em campo (RHOADS e COLIN, 1996), e de observação indireta, por intermédio da carta topográfica, do mapa geomorfológico, dos blocos- diagramas, das maquetes e de outras formas imagéticas, como fotografias aéreas e imagens obtidas por satélite. Cada um desses recursos apresenta sua especificidade quanto ao tipo, finalidade e semiologia utilizada.

Na formação acadêmica em Geografia, todos os recursos acima relacionados são utilizados em várias disciplinas, mas, principalmente, na Geomorfologia, durante o desenvolvimento de seus conteúdos. Independentemente da relação e da organização dos conteúdos de geomorfologia, na estrutura curricular do curso, o uso de cartas topográficas, de mapas geomorfológicos, geológicos e de blocos-diagramas, sempre, esteve presente nas pesquisas e no ensino desse conhecimento.

Esses recursos imagéticos podem ser agrupados em duas categorias (bi e tridimensionais), que se subdividem em duas classes (representação e reprodução), conforme Quadro 1.

Quadro 1

Categorias e classes de recursos imagéticos (linguagem simbólica) utilizados em Geomorfologia

Categorias Classes

Bidimensional

Representação Reprodução

Carta topográfica Imagem obtida por Radar Perfil topográfico Imagem obtida por Satélite Mapa geomorfológico

Mapa geológico

Fotografia aérea Fotografia panorâmica Croqui

Tridimensional Bloco-diagrama Fotografia aérea - aerofotogrametria

By Fly - sobrevôos

Maquete

Modelo digital do terreno

Fonte: Dados da Pesquisa, 2009.

Cada categoria guarda sua especificidade quanto à semiótica e à habilidade necessária ao sujeito observador, que terá de decodificar os signos, ou seja, relacionar significante e significado, a fim de identificar, analisar e interpretar os elementos registrados.

Diante disso, verifica-se que conteúdos de outros campos do saber, como o da Cartografia, são fundamentais no “saber fazer” na Geomorfologia. Para o sujeito realizar a identificação das formas de relevo, em uma carta topográfica, deve antes, ser capaz de decodificar os símbolos e códigos comuns na linguagem cartográfica, bem como conhecer conceitualmente as formas representadas. Liben e Downs (1993 apud ISHIKAWA; KASTENS, 2005) chamam o reconhecimento do símbolo, na representação, como Representational Correspondence. Pode-se dizer que, além dessa habilidade de correspondência representacional, demanda-se, também, a habilidade de visualização espacial11.

Os demais valores, referentes à habilidade – valores culturais e administração das emoções – têm grande influência do universo social (externo) e psíquico (interno) que, indiretamente, podem ser trabalhados concomitantemente aos demais aspectos. Isso não significa dizer que a abordagem disciplinar da Geomorfologia, presente nas matrizes curriculares dos Cursos de Geografia, objetiva trabalhar, diretamente, os aspectos culturais e emocionais, mas os professores não podem esquecer que eles existem e podem interferir na aprendizagem de seus alunos.

A capacidade de mobilizar e utilizar esses conhecimentos possibilita ao sujeito resolver algo com competência. Desse modo, considerando-se o pensamento geomorfológico, seus conceitos e as habilidades necessárias, espera-se que o aluno de Geografia, em 11 Esse assunto será retomado no Capítulo 3, desta Tese.

seu processo de formação, seja capaz de mobilizar diversos recursos cognitivos para os conhecimentos geomorfológicos, a fim de enfrentar um tipo de situação: a de interpretar a gênese do relevo. Portanto, para isso, o graduando deverá demonstrar ter conhecimento dos conteúdos específicos, das habilidades e procedimentos, e da linguagem própria da Geomorfologia.

Como a competência designa a capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar uma situação (PERRENOUD, 2000) e que esses recursos compreendem a dimensão dos conteúdos específicos, das habilidades e procedimentos e da linguagem, definem-se, neste trabalho, um “Guia Referencial de Habilidades para Competência em Geomorfologia” (Quadro 2). Esse guia é uma proposta deste trabalho e resulta de leituras, reflexões e experiências pessoais. Portanto, constitui um importante instrumento para esta pesquisa e, também, uma contribuição para futuras discussões a respeito do ensino de geomorfologia, uma vez que não existe tal abordagem no campo da Geomorfologia.

Quadro 2

Guia Referencial de Habilidades para Competência em Geomorfologia

I – Habilidades referentes ao entendimento conceitual e raciocínio geomorfológico

• Identificar as tipologias de formas e conhecer as suas nomenclaturas;

• Comparar formas e diferenciar nomenclaturas;

• Diferenciar os conceitos: agente, processo, forma e condicionante;

• Identificar os diferentes processos dinâmicos;

• Entender a relação nomenclaturas-conceitos-contexto teórico-geomorfológico;

• Analisar a relação forma-escala espacial e temporal;

• Explicar a gênese do relevo, a partir da interação dos processos geomorfológicos, processos geológicos, condicionantes nas escalas espacial e temporal;

• Interpretar a forma de relevo, entendendo a sua natureza metafísica e física, que se expressa em tipologia de formas de diferentes escalas espaciais e temporais e, cuja explicação apóia-se, na concepção evolucionista (morfogênese) para a macro e a mesounidades de relevo (planaltos, planícies e depressões), e na concepção dinâmica (morfodinâmica) para a microunidade de relevo como formas de acumulação e de degradação, além das vertentes;

• Aplicar o raciocínio geomorfológico na discussão e na resolução de questões socioambientais.

II – Habilidades referentes à representação geomorfológica: linguagem

imagética

• Reconhecer as diferentes tipologias de formas em carta topográfica;

• Reconhecer as diferentes tipologias de formas em desenhos e modelos tridimensionais;

• Reconhecer as diferentes tipologias de formas no espaço real, quando possível;

• Representar (gráfica ou mentalmente) as diferentes tipologias de formas de relevo, a partir da linguagem imagética, utilizando-se do croqui, perfil, bloco-diagrama e modelos;

• Visualizar as formas de relevo, a partir das representações e do real;

• Empregar o conhecimento cartográfico, a favor da visualização e representação espacial das formas;

• Representar diferentes formas de relevo, a partir da linguagem verbal.

III - Linguagem

Em cada campo do conhecimento, a comunicação faz-se por meio de linguagens específicas, que podem utilizar símbolos (numéricos, verbais, imagéticos), expressões corporais (gestos, mímica) ou a combinação de todas. Conhecer a linguagem, a fim de saber fazer uso dela, implica em conhecer, também, o conteúdo específico, uma vez que a linguagem está, diretamente, ligada ao contexto em que ela é utilizada (MORETTO, 2003). Um mesmo traço, ou palavra, ou figura pode significar coisas diferentes de acordo com o contexto.

Desde o princípio, a Geomorfologia buscou a síntese do fenômeno relevo (VITTE, 2004) e, à medida que a linguagem e a abordagem tornaram-se complexas, alcançar a síntese implicou a capacidade de lidar com um número maior de variáveis conceituais e, ainda, com a interdisciplinaridade e suas linguagens. Assim, de acordo com Moretto (2003), conhecer a linguagem específica, para resolver uma situação complexa é indicador, também, de competência.

Fonte: Dados da pesquisa, 2009.

O procedimento de levantar os aspectos, que dizem respeito às formas de relevo como características e localização, não significa pensar e fazer geomorfologia, embora seja um procedimento e uma habilidade básica e necessária, no processo de interpretação geomorfológica.

Em síntese, a competência resulta da interação de vários aspectos do saber fazer, no qual se verificam as habilidades, os conteúdos específicos e as linguagens, que podem ser construídas com o sujeito, durante seu processo de formação. O saber fazer, manifesta-se, também, durante o desenvolvimento de uma disciplina, referente a um campo do conhecimento, dentro de um contexto de aprendizagem, em educação formal.

Benzer Belgeler