TARIM SANAYİ İLİŞKİSİ VE İKTİSADİ KALKINMADA TARIM SEKTÖRÜNÜN ETKİLERİ
3.4. Faktör Arz Şartlarında Ekonomik Gelişmeye Paralel Değişmeler
Os Comitês de Bacia são órgãos colegiados, constituídos por representantes dos poderes públicos, dos usuários das águas e das organizações civis56 com ações desenvolvidas para a recuperação e conservação do meio ambiente e dos recursos hídricos em uma determinada bacia hidrográfica. Sua criação formal depende de autorização do Conselho Nacional de Recursos Hídricos que editou a Resolução nº. 5/2000 - alterada pelas Resoluções n°. 18/01 e n°. 24/02 - que estabelece as diretrizes gerais para a sua formação e o seu funcionamento, e de decreto da Presidência da República (FAGANELLO, 2005). Possuem como objetivo a gestão participativa e a participação popular, colocando as informações à disposição de todos. Será proporcionado o acesso efetivo a mecanismos judiciais e administrativos, inclusive no que se refere à compensação e reparação de danos.
56 Lei 9433/97, art. 39: “Os Comitês de Bacia Hidrográfica são compostos por representantes: I – da União; II – dos
Estados e do Distrito Federal, cujos territórios se situem, ainda que parcialmente, em suas respectivas áreas de atuação; III – dos Municípios situados, no todo ou em parte, em sua área de atuação; IV – dos usuários de sua área de atuação; V – das entidades civis de recursos hídricos com atuação comprovada na bacia”.
descentralizada dos recursos hídricos naquele território, utilizando-se da implementação dos instrumentos técnicos de gestão, harmonizando os conflitos e promovendo a multiplicidade dos usos da água, respeitando a dominialidade das águas, integrando as ações de todos os governos, no âmbito dos Municípios, dos Estados e da União, propiciando o respeito aos diversos ecossistemas naturais, promovendo a conservação e recuperação dos corpos d'água, garantindo a utilização racional e sustentável dos recursos para a manutenção da boa qualidade de vida da sociedade local (SETTI, 2001 apud FAGANELLO, 2005).
Desempenham um papel fundamental na Política Nacional de Recursos Hídricos por sintetizarem os princípios da lei 9.433/97, uma vez que são os órgãos que materializam a descentralização da gestão, possuem a participação dos três setores da sociedade sua área de atuação é a bacia hidrográfica. Dessa forma, o êxito do funcionamento dos comitês significa o êxito da própria política das águas. Sua legitimidade tem sido conferida não somente pela própria lei e pelas políticas nacional e estaduais, mas também por políticas paralelas que têm sido implementadas tanto no âmbito nacional como no estadual e no municipal (CARDOSO, 2003).
Quanto à natureza jurídica, os comitês são considerados órgãos públicos, visto que, são criados por ato do Poder Público conforme art. 37, parágrafo único da Lei 9.433/9757, são mantidos administrativamente por recursos públicos de acordo com o art. 22, inciso II58 e parágrafo 1o59 da Lei 9.433/97; e são incumbidos de atribuições tipicamente estatais, de acordo
com o que dispõe os incisos II, III, VI e IX do art. 38 da Lei no. 9433/9760. Essas características qualificam os Comitês de Bacias Hidrográficas como órgãos simples (com um único centro de competência), colegiados sem personalidade jurídica própria, vinculados, portanto à estrutura administrativa de um determinado ente da Federação (União, Estado ou Distrito Federal), na forma da respectiva legislação de recursos hídricos e de organização administrativa, observada,
57 Art. 37, § único: “A instituição de Comitês de Bacia Hidrográfica em rios de domínio da União será efetivada por
ato do Presidente da República”.
58 Art. 22, inciso II: “Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão aplicados
prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão utilizados: II – no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos”.
59 Art. 22, § primeiro: “A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitada a sete e meio por cento
do total arrecadado”.
60 Art. 38: “Compete aos Comitês de Bacia Hidrográfica, no âmbito de sua área de atuação: II – arbitrar, em primeira
instância administrativa, os conflitos relacionados aos recursos hídricos; III – aprovar o Plano de Recursos Hídricos da bacia; VI – estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados; IX – estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso múltiplo, de interesse comum e coletivo”.
por forçado art. 21, XIX, da Constituição Federal61, a Lei no. 9.433/97 (MELLO, 2001). Nesse sentido, Paulo Affonso Leme Machado salienta:
Uma gestão de recursos hídricos descentralizada levará os Comitês de bacia hidrográfica a terem personalidade jurídica, o que lhe dará não somente maior autonomia, mas uma maior facilidade para caracterizar sua responsabilidade jurídica frente à eficiência ou ineficiência de sua atuação (MACHADO, 2001, p. 105).
A competência dos comitês está estabelecida no artigo 38 da Lei 9.433/97, na Lei 9.984/0062 e também nas legislações estaduais sobre recursos hídricos. As principais são: arbitrar os conflitos relacionados aos recursos hídricos naquela bacia hidrográfica; aprovar o Plano de Recursos Hídricos; acompanhar a execução do Plano e sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas; estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados; definir os investimentos a serem implementados com a aplicação dos recursos da cobrança.
As competências acima arroladas explicitam que os comitês possuem atribuições normativas, consultivas e deliberativas, sendo, por esse motivo, denominados verdadeiros “Parlamentos das Águas” ou ainda, “Condomínios de Bacia”, visto que, são muito além do que apenas um fórum de discussão de questões referentes à gestão dos recursos hídricos, sendo um conselho com poder de decisão em relação a diversas questões relativas a recursos hídricos.
Assim, os Comitês possuem ampla competência regulatória e decisória quanto aos recursos hídricos e aos interesses sobre ele incidentes no contexto da respectiva bacia. As decisões dos Comitês, caracterizadas ou não como regulamentos, são perfeitamente legítimas desde que não extrapolem a competência que lhes foi atribuída por lei (FAGANELLO, 2005). Se houver divergência entre as decisões dos Comitês e as leis, estas últimas prevalecerão, desde que legitimamente expedidas, sendo possível a manifestação de insurgência quanto a situações desta ordem no campo administrativo, conforme disposto nos art. 35, II e IV, e 38, parágrafo único da Lei 9.433/9763 e junto ao Poder Judiciário.
61 Art. 21: “Compete à União: XIX – instituir Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e definir
critérios de outorga de direitos de seu uso”.
62 Lei 9.984, de 17 de julho de 2000, dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas – ANA, entidade federal
de implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e de coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e dá outras providências.
63 Lei 9.433/97, art. 35, II: “Compete ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos: II – arbitrar, em ultima instancia
administrativa, os conflitos existentes entre Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos; IV – deliberar sobre as questões que lhe tenham sido encaminhadas pelos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos ou pelos Comitês de
Os Comitês possuem auto-gestão de suas questões internas, de acordo com o disposto em seus regimentos e no limite da Lei, não podendo extrapolar seus esses limites. Assim, não é de sua competência instituir obrigações ou condicionantes aos Conselhos Nacional ou Estadual de Recursos Hídricos ou aos órgãos gestores de recursos hídricos, como a Agência Nacional das Águas ou órgãos Estaduais (FAGANELLO, 2005).
Como se verifica, os comitês são órgãos criados para garantir a gestão participativa. Todavia, para que esta se efetive, faz-se necessário gerar o sentimento de pertencimento nos atores sociais inseridos em determinada bacia hidrográfica para que os mesmos tenham condições de exercer a cidadania.