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FAALĠYETLERE ĠLĠġKĠN BĠLGĠ VE DEĞERLENDĠRMELER

C) Diğer Hususlar

III- FAALĠYETLERE ĠLĠġKĠN BĠLGĠ VE DEĞERLENDĠRMELER

Márcio Mateus Barbosa Júnior57 afirma que, com a deficiência dos métodos tradicionais de cooperação jurídica internacional, os Estados depararam-se com a necessidade de criar mecanismos ainda mais arrojados de colaboração interestadual. Para o referido autor, o auxílio direto representa um meio para evitar o colapso da máquina judiciária brasileira, permitindo que o STJ cumpra seu dever institucional de dar resposta efetiva e célere aos pedidos de colaboração jurídica solicitado por outros entes estatais.

Diante dos obstáculos apontados no tópico precedente, os quais, por vezes, acabam por impedir o alcance de uma efetiva cooperação jurídica internacional por meio das cartas rogatórias, é cogitada a possibilidade de utilização do auxílio direto como mecanismo alternativo às rogatórias, o qual permitiria viabilizar a razoável duração do atendimento aos requerimentos das autoridades estrangeiras, conferindo celeridade ao processo de cooperação jurídica internacional.

Contudo, é um equívoco tratar o auxílio direto como um instrumento que sempre poderá ser utilizado em substituição às cartas rogatórias, haja vista que, conforme ressalta Antenor Madruga58, esse mecanismo não é um mero atalho para o alcance da cooperação jurídica internacional, uma vez que tem características próprias e utilização específica.

O auxílio direto foi instituído pelo parágrafo único do art. 7º da Resolução nº 9 do STJ, no qual restou estabelecido que, quando as solicitações de cooperação jurídica internacional tiverem por objeto atos que prescindam do exequatur do STJ, serão esses requerimentos encaminhados para o Ministério da Justiça para serem cumpridos por meio de auxílio direto59.

57 BARBOSA JÚNIOR, Márcio Mateus. Cooperação Jurídica Internacional em Matéria Civil e o Auxílio

Direto: Contexto do Direito Brasileiro Contemporâneo. 2011. 119 f. Dissertação (Mestrado em Direito Internacional Econômico e Tributário) – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2011.

58 MADRUGA, Antenor. Auxílio Direto não é atalho. Disponível em

<http://www.rogatoria.com.br/biblioteca/auxilio-direto-nao-e-atalho>. Acesso em 12 de outubro de 2013.

59 Art. 7º. As cartas rogatórias podem ter por objeto atos decisórios ou não decisórios.

Parágrafo único. Os pedidos de cooperação jurídica internacional que tiverem por objeto atos que não ensejem juízo de delibação pelo Superior Tribunal de Justiça, ainda que denominados como carta rogatória, serão encaminhados ou devolvidos ao Ministério da Justiça para as providências necessárias ao cumprimento por auxílio direto.

Trata-se de um mecanismo por meio do qual é requerido que seja realizada no Brasil uma diligência de natureza administrativa ou que seja prolatada uma decisão judicial brasileira relativa a litígio que tenha lugar no exterior.

Os pedidos de auxílio direto poderão ser fundamentados em tratado internacional entre o Brasil e o Estado requerente ou mediante promessa de reciprocidade, no caso dos países com os quais não há ajuste expresso em convenção internacional.

No auxílio direto, há o intercâmbio direto entre as autoridades administrativas e judiciais do país requerente e do Brasil. É dispensada a interferência do STJ, haja vista que não se faz necessário o juízo de delibação pois, mesmo quando o objeto do pedido for a obtenção de uma decisão judicial, essa será genuinamente brasileira, visto que o magistrado nacional terá plena liberdade para a apreciação e resolução da questão.

Assim, o auxílio direto não se confunde com a hipótese onde será cabível a carta rogatória, pois essa busca reconhecer e executar uma decisão estrangeira no Brasil, não sendo permitido ao judiciário nacional efetuar juízo de mérito sobre a questão.

Ocorre que, conforme explica Gilson Langaro Dipp60, a práxis de cooperação jurídica internacional está repleta de pedidos enviados pelas autoridades estrangeiras para serem cumpridos no Brasil que são rotulados como cartas rogatórias, ainda que não possam ser assim compreendidos, uma vez que, nessas hipóteses, é dispensado o prévio juízo de delibação como condição para seu atendimento. Assim, defende o autor que a autoridade central brasileira, ao receber os requerimentos de cooperação jurídica internacional e efetuar o juízo de admissibilidade, não deve se ater meramente ao rótulo do pedido, haja vista que é preciso averiguar a essência do mesmo, a fim de detectar ou não a necessidade do juízo de delibação pelo STJ.

Em síntese, haverá necessidade do pedido ser enviado através de carta rogatória quando já houver uma decisão judicial estrangeira e for requerido à autoridade brasileira que reconheça a eficácia da mesma no território nacional. Para tanto, o magistrado nacional realizará um juízo de delibação, a fim de conferir a compatibilidade da decisão estrangeira com a ordem pública nacional.

De forma diversa, quando a autoridade estrangeira apresenta-se na condição de administrador, haverá auxílio direto. Não há encaminhamento pelo país estrangeiro de decisão

60 DIPP, Gilson Langaro. Carta Rogatória e Cooperação Internacional. Revista CEJ, Brasília, v. 11, nº 38,

jul/set., 2007. p.39-43. Disponível em

<http://www2.cjf.jus.br/ojs2/index.php/revcej/article/viewArticle/929>. Acesso em 28 de outubro de 2013.

judicial para ser executada no Brasil, e sim uma solicitação de assistência jurídica à autoridade nacional para que essa tome as medidas necessárias para a satisfação do pedido.

Quanto ao trâmite do auxílio direto, o pedido será recebido pela autoridade central brasileira, a qual compete analisar se os documentos que instruem o pedido cumprem todos os requisitos formais exigidos. Se houver alguma irregularidade, o requerimento será devolvido à autoridade central estrangeira para que os defeitos sejam sanados. Atendidos os requisitos formais necessários, o trâmite será definido de acordo com o objeto do pedido.

Se o Estado requerente solicita a prolação de uma decisão judicial brasileira a respeito de demanda estrangeira, haverá o denominado auxílio direto judicial. Nesse caso, a autoridade central brasileira encaminhará os documentos à Advocacia-Geral da União (AGU), nos casos de cooperação internacional em matéria civil, que representará judicialmente perante o juízo de primeira instância competente a fim de obter a decisão judicial necessária. Atendido o pedido, a autoridade central brasileira transmitirá os documentos à autoridade central do país requerente.

Quando o pedido for referente à cooperação de natureza administrativa, o trâmite do auxílio direto dependerá da existência de um órgão administrativo competente e diverso da autoridade central. Caso exista, a autoridade central encaminhará o pedido a esse órgão, o qual atenderá o pedido e, em seguida, irá devolvê-lo para a autoridade central brasileira, que o encaminhará à autoridade central estrangeira. Se tal órgão não existir, o requerimento será atendido pela autoridade central brasileira.

Assim, em razão do trâmite simplificado dos pedidos de auxílio direto, no qual são envolvidas apenas as autoridades centrais, dispensando a intervenção dos tribunais superiores brasileiros, esse mecanismo permite o cumprimento mais célere e simplificado dos atos de cooperação jurídica internacional.

Ocorre que ainda não foi definido com precisão as espécies de pedidos que dispensam o juízo de delibação, o que faz com que, muitas vezes, os pedidos sejam enviados diretamente aos juízes de primeiro grau e esses, ao analisar a questão, remetem os pedidos para o STJ, por entenderem que se trata, na verdade, de carta rogatória que carece de juízo de delibação.

Dessa forma, pela relevância do auxílio direto como mecanismo para a concretização de uma cooperação jurídica célere e eficaz, é necessário que o instituto seja

aperfeiçoado e regulamentado. Ressalta-se que, conforme destaca Nadia de Araújo61, no projeto do novo CPC, o auxílio direto é admitido expressamente como mecanismo de cooperação jurídica internacional.

Por fim, apesar das vantagens proporcionadas pelo auxílio direto, não é possível afirmar que as cartas rogatórias são ineficientes e ultrapassadas para o alcance da cooperação jurídica internacional.

O atendimento aos pedidos enviados via rogatória é demorado por estar inserido no sistema processual brasileiro, o qual não admite que se desconsidere os princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como não é possível que esses pedidos violem a ordem pública e a soberania nacional, o que confere maior segurança não somente às partes do processo estrangeiro, como também daqueles que serão atingidos com os efeitos do atendimento do pedido no território brasileiro.

Do exposto, é preciso reconhecer que o atendimento aos pedidos estrangeiros via carta rogatória carece de eficácia e agilidade. Contudo, tais problemas não são suficientes para descaracterizar o importante papel desempenhado pelas cartas rogatórias como instrumento de cooperação jurídica internacional, haja vista que, apesar de a eficácia dessas estar relacionada ao atendimento das solicitações estrangeiras, a obtenção desse resultado depende de outros fatores, tais como a correta instrução da solicitação enviada e a rapidez com que a mesma é enviada ao STJ pela autoridade central ou pela via diplomática.

4.4 Cartas Rogatórias e Cooperação Jurídica Internacional no Projeto do Novo Código

Benzer Belgeler