2. YARARLANILAN YÖNTEMLERE ĠLĠġKĠN LĠTERATÜR
1.3. FĠNANSAL PĠYASALARIN SINIFLANDIRILMASI
Em muitas democracias modernas as instituições políticas definidas por Dahl (2001), se mostram insatisfatórias para o público, levando-o a crer na decadência do sistema democrático. Nesse sentido, surge uma alternativa democrática como solução, a democracia deliberativa. Para Werle (2007), essa democracia se fundamenta no processo de tomada de decisão feito através da deliberação dos cidadãos em fóruns públicos de amplo debate e negociação nos quais se utiliza a razão e a argumentação para opinar e escolher políticas.
Na concepção deliberativa, a democracia é uma estrutura de condições sociais e institucionais que facilita a discussão livre entre cidadãos iguais – proporcionando condições favoráveis de participação, associação e expressão – e vincula autorização para exercer o poder público[...] (Werle, 2007; p. 122)
40
Assim, a democracia deliberativa é similar em essência à democracia participativa de Sartori, conforme foi apresentada anteriormente. Contudo, a democracia deliberativa respeita as instituições democráticas e procura garantir um processo político justo, inclusivo e igualitário entre cidadãos. Os espaços para deliberação são de uso livre e inclusivos onde todos os cidadãos podem ter o mesmo direito de participar na tomada de decisões.
Para a democracia deliberativa a legislação tem que se derivar da deliberação pública dos cidadãos livres e iguais. Dessa maneira, as leis não são feitas por uma minoria que representa o povo, mas na realidade é o povo que é incumbido de escolher as leis através do processo deliberativo. Por fim, a decisão da maioria continua se impondo sobre a decisão das minorias, o que é uma consequência do processo democrático. Porém, para resolver estas questões e gerar transformação social, as minorias devem contar com mecanismos alternativos que facilitem o respeito à suas particularidades ou singularidades, com isso a organização em grupos ou a coletividade deve ser formada em favor da mudança social.
Em consequência a democracia deliberativa implica na reivindicação da cidadania por parte dos cidadãos, se afastando do antigo conceito estabelecido pelo capitalismo liberal. Conforme destaca Santos (1996 apud CÉSAR, 2012) a importância de se apropriar do conceito de ‘cidadania social’ concebida através dos novos movimentos sociais. A cidadania vai além dos direitos e deveres definidos pelo estado, procurando a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. O cidadão social participa ativamente tanto da relação vertical entre ele e o estado quanto da horizontal entre os cidadãos da esfera pública.
Para Dagnino (1994), a cidadania é uma estratégia política que expressa e responde a um conjunto de interesses, desejos e aspirações de uma parte significativa da sociedade. O autor afirma que a cidadania na esfera pública é definida em duas dimensões: a primeira ligada a movimentos sociais (luta por direitos, igualdade, diversidade, etc.) e a segunda focada na construção de um novo paradigma democrático, uma sociedade democrática que tenderá a transformar as relações sociais existentes, constituídas como naturais.
Portanto, as dimensões de cidadania expressadas por Dagnino (1994), concordam com os fundamentos da democracia deliberativa ao tentar transformar o paradigma social e político existente na sociedade, eliminar as diferenças sociais e a exclusão por meio da reivindicação dos direitos através dos movimentos sociais ou coletividades.
A democracia deliberativa e a cidadania social encontram resposta na esfera pública, que por sua vez, pode ser definida como um espaço onde os diferentes atores do sistema
41
democrático estabelecem comunicações efetivas, ou seja, um espaço aberto e democrático de comunicação, accessível a todos e propiciador de iguais possibilidades de debate.
Conforme Costa (1997), existem duas formas de entendimento da esfera pública, uma que privilegia os meios de comunicação social e uma que se fundamenta na comunicação interpessoal. A primeira forma de entendimento coloca os meios de comunicação no centro da formação da esfera pública, como elemento organizador das massas manipuladas por seu conteúdo, existindo uma grande intenção de controle de tais instrumentos pelos centros de poder político e econômico das sociedades. Neste contexto se contraria a concepção de esfera pública como um espaço de acesso igualitário para cada ator. Desse modo, os cidadãos se tornam receptores passivos sem oportunidades de debate. A mídia, os interesses políticos e econômicos são os principais atores e o público atuando como plateia, sem voz pública efetiva, deve se organizar para reivindicar um tratamento adequado. Através de movimentos sociais o público procura tentar resgatar seu papel como agente transformador participativo e cidadão.
Ilustração 1-Esquema da primeira concepção da esfera pública segundo Costa (1997)
Fonte: elaboração própria
A outra concepção define espaços de comunicação direta e interpessoal junto das redes colaborativas e informais de intercâmbio como elementos formadores da esfera pública. Com a comunicação efetiva entre cada membro do grupo a manipulação dos meios de comunicação pode ser reduzida, já que existe a possibilidade de formas discursivas de comunicação na esfera pública. Neste caso, o público é um ator ativo da esfera pública que critica, analisa, avalia e discute as mensagens dos mesmos atores. Quando as redes sociais informais se
42
estruturam e organizam, tornando-se mais complexas passam a atuar como movimentos sociais ou associações civis e assumem, assim, maior visibilidade nesse contexto.
Ilustração 2- Esquema da segunda concepção da esfera pública segundo Costa (1997).
Fonte: elaboração própria
Levando em conta a última concepção de Costa, Habermas (2012), afirma que na atualidade existe uma nova esfera pública que é mais plebeia e menos burguesa, formada a partir da influência da comunicação moderna. Essa nova esfera pública é plural e multicultural, formada no contexto de uma nova cultura política popular que, apesar de excluída do poder dominante, encontra formas legítimas de representação.
A esfera pública moderna se fundamenta em três princípios de democracia deliberativa: ampla e irrestrita agenda de discussões, foco nos interesses da sociedade civil sem restrições e preconceitos, e a importância da valorização do processo de discussão. Desta forma, a democracia deliberativa se constitui como fonte de cidadania, pois permite levar a discussão pública direta a maior parte das questões que afetam os cidadãos, dando a importância que estes processos merecem dentro de um estado que pretende atingir ou chegar perto do ideal democrático.
1.1.4. Cidadania e movimentos sociais: uma aproximação aos regimes democráticos