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V. İDARİ VERGİ SUÇLARI

2.1. Fatura, Gider Pusulası, Müstahsil Makbuzu İle Serbest Meslek Makbuzlarının Verilmemesi, Alınmaması Veya

2.1.4. Eylemin Faili , Tespiti ve Değerlendirme

Compreendemos que existe uma significativa permeabilidade entre ambas disciplinas que constituem o referencial teórico desta investigação, que podemos apresentar de forma sistemática nos seguintes pontos:

interação entre desenvolvimento humano e social; foco nas potencialidades humanas;

relevância da dimensão social e objetiva para a construção da dimensão pessoal e subjetiva;

indivíduos com potencial de desempenhar papel ativo sobre a construção e transformação da realidade.

Além dos pontos acima enumerados, percebemos também a presença da elevada integração que tais obras mantiveram com seus respectivos contextos históricos, com vistas à superação de seus principais desafios sociais e culturais.

Um aspecto que confere especial consistência à coerência entre a Psicologia Comunitária e a Educação Libertadora é seu horizonte ético-social, situado sob o que podemos chamar de Paradigma da Libertação na América Latina (GÓIS, 2005, 2008; PORTO DE OLIVEIRA et al, 2008; NEPOMUCENO et al, 2008).

Por “paradigma”, compreendemos um conjunto histórica e coerentemente articulado de valores, concepções, ideologias e proposições, constituindo muitas vezes uma cosmovisão, servindo de base para atuações e transformações da realidade a partir da prática humana. Segundo Maritza Montero, por paradigma “se entiende un modelo o modo de conocer, que incluye tanto una concepción del individuo o sujeito cognoscente como uma concepción del mundo en que éste vive y de las relaciones entre ambos” (2004, p. 91)3.

Para fundamentar nossas considerações sobre esse arranjo ético-político- científico que parece ser o Paradigma da Libertação, trazemos as contribuições do psicólogo espano-salvadorenho Martin-Baró, por apontar, com consistência e rigor científico, para um horizonte de transformação libertadora. Martin-Baró nasceu na Espanha, mas escolheu viver e atuar na América Latina, mais especificamente em El Salvador, onde foi assassinado por suas opções em favor da promoção da vida e da libertação dos oprimidos. Partindo de dentro desta realidade específica, propõe a constituição de uma Psicologia da Libertação (MARTIN-BARÓ, 1988).

Para tanto, o autor desenvolverá uma profunda crítica ao que-fazer da Psicologia na América Latina, deflagrada pela posta em cena de uma questão: “Quais as contribuições que a Psicologia tem dado à realidade latino-americana?” (idem).

Tal crítica envolverá a dimensão epistemológica e a metodológica, bem como a dimensão ético-política, além da acadêmico-profissional, tanto da produção como da atuação em Psicologia. De modo amplo e concreto, Martin-Baró (1988) empreende uma consistente problematização em torno da práxis psicológica, evidenciando seus fundamentos sócio-ideológicos.

Assim, proporá que para construirmos uma Psicologia na direção da emancipação social, da superação das relações de opressão e desumanização, ou seja, uma Psicologia da Libertação, é necessário primeiramente libertarmos a própria Psicologia de sua “escravidão” frente aos centros norte-americanos e europeus de produção científica (MARTIN-BARÓ, 1988, p.295).

Martin-Baró propõe ainda três tarefas e desafios à construção de uma Psicologia da Libertação, que seguem abaixo (idem, p. 300-302):

I - A recuperação da memória histórica das grandes maiorias populares da América Latina, encontrando e fortalecendo as “raízes da própria identidade, tanto para interpretar o sentido do que atualmente se é como para vislumbrar possibilidades alternativas sobre o que se pode ser”, identificando inclusive potencialidades do povo verificadas no passado através da memória coletiva.

II - A desideologização da experiência cotidiana, que significa “resgatar a experiência original dos povos e pessoas e desenvolvê-la como dado objetivo, o que lhes permitirá formalizar a consciência de sua própria realidade, verificando a validez do próprio conhecimento adquirido”, a partir da participação crítica dos setores populares em suas realidades vividas.

III - A potencialização das virtudes populares, expressas na inesgotável capacidade de solidariedade, senso coletivo, de atuação e transformação da realidade e em sua esperança de viver em um mundo melhor, que possibilitam ao povo superar e sobreviver às mais adversas condições de opressão e negação.

Tais princípios ético-políticos do autor da Psicologia da Libertação também são vislumbrados por ele como se estendendo e envolvendo outras disciplinas na América Latina, especialmente aquelas da área das ciências humanas e sociais. Martin-Baró identifica, assim, iniciativas de uma práxis libertadora oriundas da sociologia, com o colombiano Fals Borda; da pedagogia, com Paulo Freire; da teologia, com Leonardo Boff e da filosofia, com Enrique Dussel, para citar apenas os representantes mais emblemáticos de cada um desses campos.

Nesta perspectiva, a partir de Góis (2005, 2008), podemos encontrar bases consistentes para apontar na direção de uma Escola da Libertação Latino-americana, alicerçada sobre o Paradigma da Libertação, que se constituiria para as abordagens, teorias e campos de saber que a integram, a um só tempo, como um solo teórico-epistemológico e também um horizonte ético-político de atuação – ou seja, uma práxis libertadora.

Passemos agora à caracterização das duas abordagens teórico-metodológicas que constituem as bases fundamentais sobre as quais nos apoiaremos para procedermos à interpretação e problematização dos fenômenos investigados no contexto desta pesquisa.

Primeiramente, trataremos da Psicologia Comunitária, remontando inclusive a alguns elementos que marcam seu surgimento, a fim de evidenciarmos seu diferencial na América Latina e no Ceará. Destacamos também aspectos básicos para delimitarmos sua identidade teórico-metodológica dentro da área da Psicologia, distinguindo-a de outros campos deste saber.

Em seguida, traremos algumas das principais características que para nós definem significativamente a Educação Libertadora proposta e desenvolvida por Paulo Freire.

2.2. A Psicologia Comunitária: uma práxis sócio-psicológica de libertação

Benzer Belgeler