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Evlilikte çatışma çözüm stilleri üzerine yapılmış araştırmalar

2.4 İlgili Literatür Taraması

2.4.2 Evlilikte çatışma çözüm stilleri üzerine yapılmış araştırmalar

É preciso ter em mente, principalmente para efeitos desse trabalho, que a mobilidade aqui está sendo tratada como importante mediadora da conexão entre pessoa, espaço e tempo, reforçando a afirmação o papel da mobilidade como um dos elos que possibilitam a relação recíproca entre pessoas e espaços físicos Günther (2003). As estratégias desenvolvidas e descritas pelos entrevistados para a prática dos dribles e ultrapassagens são provenientes da convivência em uma mobilidade cotidiana que, muitas vezes, necessitam antever o comportamento dos demais usuários. A liberação de espaço para ultrapassagem segue um processo de negociação não-verbal que varia de acordo com a velocidade de encontro, tendo em vista que quanto maior a somatória dessas velocidades, menor o tempo disponível para negociação. Quando interrogadas sobre como fazem para executar suas ultrapassagens, as pessoas, em geral, descrevem esse mecanismo de forma óbvia e rápida. No entanto, quando relatam aborrecimentos advindo da falha dessa negociação, ficam surpresos por perceberem que essa negociação não é tão clara para todos.

Sob a aparente desordem da cidade tradicional existe uma ordem surpreendente que garante a manutenção da segurança e a liberdade. É uma ordem complexa composta de movimento e mudança. Podemos comparar essa ordem com uma

dança, em que cada pessoa e os grupos têm papéis distintos, que por milagre se reforçam mutuamente e compõem um todo ordenado. O balé da boa calçada urbana nunca se repete em outro lugar, e em qualquer lugar está sempre repleto de novas improvisações. (Jacobs, 2000, p. 52)

A inferência de comportamento consiste em um método de percepção ambiental descrito por Gifford (1997). As táticas de linguagem não-verbal, bem como a aplicação de regras de trânsito de automóveis a movimentação de pessoas, visam evitar a redução da velocidade, que implicaria ausência de sinomorfia no setting.

A experiência da realidade cotidiana é uma experiência compartilhada. No encontro face a face temos a apreensão do outro na sua quase total plenitude, pelo menos no que diz respeito a seus sinais exteriores. Todos os sentidos estão aí disponíveis à percepção do outro. (Reyes, 2005, p.21)

Ao descrever a própria percepção, os entrevistados indicaram que prestar ou não atenção em determinados aspectos, muitas vezes é parte de um mecanismo involuntário. Se tivessem esse controle, os respondentes certamente optariam por não prestar atenção nem nas pessoas que precisam driblar, nem da presença dos carros, que foram os dois fatores mais descritos como “focos de atenção”. No entanto, em alguns momentos isso pode acontecer. Um exemplo é a entrevistada 4 que relatou “filtrar” o barulho dos carros e os odores do lixo no CAERF. Isso só é possível porque a mente é seletiva e podemos prestamos atenção naquilo que nos desperta mais interesse, conforme indica a literatura. Se é assim, também seria correto afirmar que não prestamos atenção naquilo que não nos desperta interesse, pois as diversas percepções do ambiente real são decompostas em estímulos simples captados ou não por nossos receptores sensoriais.

Mas além da percepção ambiental variar de acordo com a atividade que está sendo desempenhada e de acordo com os aspectos pessoais, foi observado que a percepção ambiental também varia conforme a dimensão do tempo futuro considerada pelos usuários para estipular a análise dos comportamentos alheios. O método consiste em otimizar as escolhas pelos percurso mais adequado para transitar, estimando de que

forma os demais usuários do CAERF irão se locomover. Mediante a observação do local e os dados extraídos dos relatos, foi possível classificar três tipos diferentes de tempos futuros: imediato, próximo e cíclico. O futuro imediato, medido em segundos, é aquele no qual estão imbuídas as reações mais curtas, quase instintivas. Um ciclista que desvia de um pedestre desatento, segundos antes de um iminente atropelamento, exemplifica esse breve espaço de tempo. Trata-se de um tempo em cuja dimensão espacial coberta é diminuta, mas muito decisiva para a ação que está sendo empregada. O futuro próximo, medido em minutos, é aquele no qual estão imersas as reações menos imediatas, ou seja, há tempo para pensar no comportamento antes de realizá-lo. Para exemplificar esse tempo mais delongado, basta imaginar a seguinte cena: um caminhante passa por um abrigo de ônibus lotado e se dá conta de que a passagem por aquele local está difícil. Para evitar reduzir o ritmo de sua caminhada, na parada de ônibus seguinte, minutos após ter se dado conta da dificuldade de passagem, o usuário vai para avenida e faz a travessia. Por último, o futuro cíclico é aquele tempo que envolve as reações dos usuários intermediadas por dias. De acordo com as experiências de locomoção acumuladas nas tentativas de ultrapassagem, ou na forma como os outros, em geral, costumam se locomover, a pessoa infere suas decisões. É aí que nascem as estratégias relatadas pelos entrevistados. Criam-se hábitos, como “correr sempre pela grama porque quase ninguém descreve essa trajetória” (entrevistado 18) ou “ultrapassar usando o mesmo conceito dos carros pelo código de trânsito” (entrevistados 5, 8 e 9).

Em cada porção do espaço do CAERF há uma configuração diferenciada de pessoas e essa configuração é modificada a cada instante, pois a maioria das pessoas está em movimento. Tendo em vista que cada pessoa pode vir a se tornar um obstáculo para os outros, percebe-se que a configuração dos obstáculos mudará no segundo seguinte. É por isso que a maioria dos entrevistados relatou formular estratégias para

locomover-se, estimando os trajetos que serão seguidos por cada um desses “obstáculos com vontade própria” (as pessoas). Perceber o ambiente e tentar prever o comportamento do outro dá mais chances de obter êxito e, embora os entrevistados não se dêem conta, eles parecem agir dessa forma.

Benzer Belgeler