I. BÖLÜM/YEMEN VE TÜRKİYE’DE KULLANILAN ATASÖZLERİ (AİLE-AKRABALIK) ARASINDAKİ
7. KARI-KOCA İLİŞKİLERİ İLE İLGİLİ ATASÖZLERİ
7.10. Evlilikle ilgili Genel Atasözleri
Os reguladores sociais são inerentes ao ser social, dessa forma, são presentes universalmente em qualquer tipo de sociedade, pois regulam a ação humana em sua liberdade proporcionada a partir do trabalho.
Conforme apresenta Lukács (2010), os reguladores sociais cumprem papel de regulamentar os pores teleológicos mediante a extensa possibilidade de decisões relativas à teleologia. O trabalho em sua execução pode acarretar conflitos à sociedade. Nesse sentido, o ser social tem de balizar os pores teleológicos no sentido do interesse comum. Os reguladores sociais são formas de regulamentar a ação orientada humana, pôr do fim. Estes se manifestam por meio de prescrições, normas, como por exemplo, as leis e sistema jurídico e respectiva coercibilidade, as quais podem ser impostas, como também de anuência da própria sociedade, da ordem da ética, valores, princípios que são adotados pelos próprios seres sociais, o que remete à cultura. Nesse sentido, Lukács (2010) argumenta sobre a importância da ideologia para a manutenção da ordem na sociedade do capital:
a ideologia – em última análise – tem de ordenar essas decisões isoladas em um contexto de vida geral dos seres humanos e esforçar-se por esclarecer ao indivíduo como é indispensável para sua própria existência avaliar as decisões segundo os interesses coletivos da sociedade (LUKÁCS, 2010, p. 47).
Dentre as formas manifestas de regulações sociais, além do sistema jurídico e da ideologia, temos, como já mencionado, as políticas públicas, as quais são formas de regulamentação das alternativas possíveis aos seres sociais e as quais condicionam e são condicionadas pelos reguladores sociais (FERRAZ, et al. 2012). Nessa perspectiva, de acordo com Ferraz et al. (2012, p. 7):
[…] política pública é um regulador social que se manifesta pela ação concreta derivada de decisões (intenção, representada por suas diretrizes) que visam interferir
na realidade, condicionando novos reguladores sociais e estabelecendo (direta ou indiretamente) os conteúdos das necessidades sociais essenciais. Em outras palavras, as políticas públicas são manifestações do pôr teleológico, da esfera da regulamentação, que condicionam outros reguladores sociais bem como o conteúdo das necessidades sociais vitais necessárias ao desenvolvimento do ser social.
Nesse sentido, a política pública também corresponde a um pôr teleológico. Conforme descrito, se refere um por teleológico que faz uso das causalidades sociais. Dessa forma, enquanto referente a uma atividade social, envolve outras pessoas e para a consecução do pôr teleológico, deve realizar o espelhamento5 da realidade para a adequada utilização das causalidades sociais. Conforme a noção de trabalho socialmente desenvolvido, envolve uma série de pôres teleológicos, ao mesmo tempo em que existe um pôr teleológico principal.
Nesse processo de trabalho em políticas públicas, em que se estabelece o pôr teleológico central o qual envolve outros pôres teleológicos secundários, realiza-se constantemente a avaliação da realidade e dos resultados em desenvolvimento, de forma que, ao analisar se acaso as questões não estão de acordo com o esperado, se intervém utilizando-se de alternativas frente às possibilidades.
Desse modo, as políticas públicas manifestam-se como um objeto de estudo de excelência no que tange à análise dos conteúdos dos reguladores sociais já instituídos que são acionados (ou rechaçados) para, por meio de novos reguladores (manifesto na forma de uma política pública), condicionar ou reforçar os conteúdos das necessidades sociais vitais a serem atendidas, visando instituir uma nova forma de sociabilidade ou a manutenção de um determinado status quo, em suma, trata-se também de um objeto de investigação quanto às lutas de classe, posto que, o pôr teleológico estabelecido na política pública é influenciado pelas representações sociais, valores, crenças, etc., daqueles que a constituem e daqueles que a implementam, assim, as políticas públicas são carregadas de disputas de interesses, configurando-se como um espaço de luta.
5 Lukács (2013) denomina espelhamento a avaliação, observação e representação da realidade para a partir de então se realizar a intervenção conforme a análise das causalidades adequadas ao pôr do fim. No espelhamento ocorre uma reprodução da realidade na mente e a dissociação entre sujeito e objeto. Na mente, a representação é uma reprodução da realidade e não a realidade em si, o sujeito é separado na consciência do mundo objetivo, onde no espelhamento a realidade existe independentemente dos sujeitos. Constrói-se então uma nova objetividade. A separação entre sujeito e objeto é importante para o processo de trabalho, pois, se o sujeito não fosse capaz de reproduzir na mente o mundo objetivo, não existiria trabalho. Ao apreender a realidade se realiza o espelhamento, no entanto, o espelhamento permite a possibilidade de erro na apreensão. É impossível se fazer um espelhamento completo e completamente correto da realidade, tendo em vista que esta possui infinitude. Assim, o espelhamento é sempre uma projeção, mas não a realidade em si, pois “as representações jamais possam ser cópias fotográficas mecanicamente fiéis da realidade” (LUKÁCS, 2013, p. 67).
Considerando o papel do Estado burguês mediante as disputas de interesse, as políticas públicas agem mediando conflitos, a “incluir” setores marginalizados da sociedade, a responder a determinada demanda social, a dirimir problemas, o que corrobora a manutenção da ordem capitalista conciliando os interesses de classe e buscando a diminuição das tensões provenientes das desigualdades causadas pelo próprio modo de controle antagônico do sociometabolismo do capital.
Isso significa que as políticas públicas de proteção social e trabalho são formas de amenizar os conflitos sociais advindos do próprio capital, produzidos a partir da apropriação do trabalho e da concentração da riqueza. Ademais, as políticas públicas de proteção social e trabalho também são frutos da luta política de trabalhadores em prol do atendimento de suas demandas sociais numa relocalização dentro do capital (BARBOSA, 2007) ainda que a intencionalidade seja para ir além dele, posta a necessária superação da autoalienação do trabalho para a continuidade do processo de humanização do ser social.
Um exemplo ainda polêmico sobre políticas públicas, posto que ainda não há consenso se ela traz em seu bojo a possibilidade de criar as condições necessárias para a superação da autoalienação do trabalho é a denominada economia solidária. Ela é resultado das lutas dos trabalhadores organizados que perderam suas fontes de renda com a implantação da reestruturação produtiva no Brasil, em resumo, ela é dentre as políticas públicas, aquela que busca a diminuição das desigualdades sociais.
A Economia Solidária atua nesse objetivo a partir do fomento a geração de trabalho e renda. Por meio do estimulo à associação de trabalhadores, a política pública de Economia Solidária aponta para o incentivo do governo a promoção do trabalho inovando ao se fomentar o trabalho por uma via distinta a do emprego assalariado (BARBOSA, 2007), contudo, como veremos, ela pode instituir-se como uma nova possibilidade de relação com o trabalho por um lado, mas por outro, pode consolidar-se como mais um mecanismo de precarização das relações de trabalho. Para esmiuçarmos esse debate, o item a seguir apresenta algumas considerações a respeito dessa política pública.