1. MUSTAFA KUTLU’NUN HAYATI VE HİKÂYELERİ
3.2. Geçiş Dönemleri
3.2.2.1. Evlenme Öncesi
Em se tratando das perspectivas que o Estado adota para o enfrentamento da prostituição, tanto os países Europeus, quanto os Estados Unidos e a América Latina têm adotado modelos distintos de lidar com aspectos relacionados tanto as prostitutas quanto a prostituição. Esse modelo é adotado nos Estados Unidos (exceto Nevada) em Cuba, Rússia e na China. O modelo
proibicionista, se constitui no modelo mais repressivo, sendo a prática
prostitucional considerada um delito e as atividades a ela vinculadas são penalizadas, bem como as partes envolvidas, inclusive as prostitutas, que são consideradas criminosas. Em razão dessa ilegalidade atribuída à prostituição, é
bastante recorrente a interferência de agenciadores para mediar a negociação entre prostituta e cliente.
Outro modelo bastante difundido tanto na União Européia quanto nos países da América do Sul, é o abolicionista32. Nesse modelo, penaliza-se a
exploração da prostituição admitindo que as prostitutas, mais do que criminosas, são consideradas vítimas. Portanto, “a idéia postula que, para abolir a prostituição e proteger as mulheres, o caminho seria penalizar a todos os que recrutam, organizam e se beneficiam da prostituição” (PISCITELLI, 2007, p.184). Esse modelo é bastante criticado, haja vista a presente dualidade existente, no sentido de que penalizando todos os envolvidos, a prostituição torna-se ilegal, ou seja, as prostitutas podem exercer a atividade, no entanto, tudo que a cerca é tido como ilícito, os (as) cafetões, as casas de prostituição, o que na prática a invisibilizariam.
Há, contudo, segundo Roberts (1992), um equívoco acerca do real interesse para o surgimento do movimento abolicionista. A princípio a intenção de sua fundadora, Josephine Buttler, na Inglaterra do século XIX, não era acabar com a prostituição, mas sim acabar com a regulamentação dos bordéis que abusavam das prostitutas33. Entretanto, seus seguidores alteraram-no, passando a agir contra a
prostituição, considerando-a uma violência contra a mulher e uma violação dos seus direitos humanos34.
Apesar do modelo abolicionista prevalecer na maioria dos países, alguns têm regulamentado a prática da prostituição, outros retomaram recentemente as discussões, como é o caso do Brasil, que desde 1940, quando entrou em vigor o Código Penal, adota o referido modelo, tendo passado por algumas experiências com o modelo regulamentarista, criado na França, no qual a atividade prostitucional era regulada e as prostitutas recebiam uma carteira da polícia.
Recentemente, tem se apresentado para o cenário mundial o que denominaram de o "novo abolicionismo do século XXI", impulsionado principalmente pela Suécia. Esse modelo assentaria nos seguintes pressupostos: luta contra o "sistema que sustenta a prostituição" e não propriamente contra a prostituição; proteção jurídica da pessoa prostituída (no caso de mulheres imigrantes colocá-las
32Em países como Brasil e Argentina, ele foi adotado na Convenção para a Supressão do Tráfico de
pessoas e da prostituição e exploração da prostituição, de 1949 (PISCITELLI, 2007, p.184).
33Esse período foi marcado pelo processo de higienização aos quais as prostitutas eram consideradas
como esgotos seminais (RAGO, 1985).
34A Suécia constitui um caso extremo de abolicionismo porque, desde 1999, castiga penalmente os
sob o sistema de refugiados políticos); penalização do proxenetismo ou qualquer tipo de exploração comercial de prostituição; penalização e conscientização dos clientes, passando o cliente a sofrer as sansões penais como: multas, prisão, educação sexual (TAVARES, 2006).
A idéia central defendida por este movimento é que no abolicionismo do século passado, o cliente ficava invisível, dado que os homens são educados para dominar pela força, pelo dinheiro e pelo sexo. Nesta nova forma de abolicionismo, seriam eles o alvo fundamental, pois se não existissem clientes, não haveria prostituição. Reconheça-se que, apesar de ainda não existir uma avaliação aprofundada destas medidas, surgem alguns indicadores de que a clandestinidade aumentou, com conseqüências graves para a vida das mulheres que se prostituem e, ainda, que muitos homens suecos vão procurar este serviço a outros países (TAVARES, 2006, p. 04).
No modelo regulamentarista, denominado também de legalização, adotado no Peru, Uruguai e em alguns países da Europa35 a prostituição é
explicitamente aceita, com algumas restrições que perpassam por aspectos, como o controle estatal, que é relacionado principalmente a saúde e a ordem pública. A regulamentação geralmente é seguida de regras aplicadas pelo Estado, visando garantir a ordem, a proteção da família e sociedade, através de controles médicos,
35 Na Holanda, a prostituição é atividade legal há doze anos. Em tese, as prostitutas maiores de 18 anos têm os mesmos direitos e deveres de qualquer trabalhador, ou seja, pagam impostos, atuam com carteira assinada, plano de saúde e direito à aposentadoria. Os bordéis devem obedecer a rígidas normas de vigilância sanitária e existem até mesmo jornais dirigidos à categoria. Mas, na prática, a teoria é outra. A imagem de tolerância que atrai turistas do mundo inteiro ao Red Light District (Bairro da Luz Vermelha), onde se concentram as moças que exibem seus dotes em vitrines) não é assim tão cintilante. Estima-se que pelo menos 80% das 40 mil prostitutas do país sejam imigrantes em situação ilegal, incluindo as brasileiras, e apenas uma minoria desfruta de benefícios. Atuando na clandestinidade, a maioria submete-se a péssimas condições de trabalho e depende cada vez mais de intermediários. Os resultados pouco animadores levantaram a suspeita de que a legalização não passou de uma estratégia para expulsar as imigrantes. As autoridades negam, mas o Ministério da Justiça reconhece que a lei ainda não aboliu práticas trabalhistas criminosas, como o aliciamento de menores. No embate global sobre o tema, a Holanda, que também instituiu as tipplezones (zonas fechadas de prostituição), faz parte, ao lado da Alemanha, da frente, da chamada 'prostituição cidadã'. Segundo essa visão, da qual são simpatizantes ainda a Áustria, o Reino Unido e a Irlanda, é responsabilidade do Estado legalizar uma atividade da qual os próprios cidadãos têm necessidade. Do outro lado, como partidários que consideram a atividade similar à escravidão, alinham-se países como a França, Itália, Espanha, Portugal, Finlândia, Dinamarca e Luxemburgo. Todos são signatários da Convenção das Nações Unidas, de 1949, que julga a prostituição como incompatível com a dignidade humana. Em 1999, a Suécia assumiu postura ainda mais radical para inibir a atividade, penalizando clientes com multa e prisão de até seis meses (BOCCIA, 2004, s/p).
registros obrigatórios, licenças, bem como controle das áreas em que a prostituição pode ser desenvolvida. Vale destacar que essa intervenção do Estado não garante direitos trabalhistas, nem tampouco se responsabiliza pelas condições em que as prostitutas desenvolvem a atividade.
Desde a sua origem, o modelo regulamentarista objetivou institucionalizar a prostituição por intermédio de um disciplinamento das prostitutas, impedindo-as de manifestarem excessos ante o comportamento sexual preestabelecidos na sociedade. Segundo Rago (1985, p.92), “as casas de tolerância e os bordéis deveriam ser registrados na polícia, vigiados pela administração e pelas autoridades sanitárias”.
O “regulamentarismo” definia a prostituição como uma “doença”, um “mal” que não obstante era necessário tolerar, dentro de certos limites, uma vez que “tinha como função social canalizar os resíduos seminais masculinos, como os lixos e excrementos nos esgotos” (RAGO, 1991, p.112).
Em muitos países europeus, permeou o pensamento de Duchâtelet até o final do século XIX, só passando a ser revisto quando os abolicionistas, juntamente com outros grupos radicais, passaram a questionar as condições de clausura da “sexualidade vagabunda”, das prostitutas.
No marco desses modelos, encontra o denominado “trabalhista” ou de
autodeterminação das prostitutas, estando ligado a uma crescente corrente de
questionamento acerca do direito dos Estados de dispor de ações que regulam aspectos vinculados à moral sexual, e a ação das “trabalhadoras do sexo” que lutam pela conquista dos direitos conferidos a outros trabalhadores na sociedade, Piscitelli (2007). Vale ressaltar que sua manifestação vem ocorrendo, em nível nacional, num contexto ainda embrionário.
O enfoque central desse modelo está na reivindicação dos direitos trabalhistas, bem como nas condições de trabalho, sendo, reivindicado o trabalho sexual como atividade legítima. Nesse sentido, busca-se a despenalização dos aspectos ligados a tal prática, “exigindo-se que ela seja regulada por leis civis e laborais e não penais” (PISCITELLI, 2007, p.186).
Aqueles (as) que defendem o modelo “trabalhista” acreditam que o principal fator que dificulta a obtenção desses direitos, está ancorado no estigma da prostituta reforçado pelos outros modelos, regulamentarista, abolicionista e proibicionista.
Segundo Piscitelli (2007):
A idéia preconiza que, reconhecendo o trabalho das mulheres em setores informais (incluindo o trabalho sexual) como trabalho legitimo, seria possível uma maior proteção legal trabalhista e melhores condições de trabalho. Considerar o trabalho sexual dessa maneira possibilitaria acabar com condições abusivas e de exploração. Para isto, seria necessário utilizar os mesmos mecanismos, utilizados desde início do século XX, para combater abusos em outras indústrias. Além disto, como em outros trabalhos, poderiam ter proteção legal em caso de doença e desemprego (p.186).
Destarte, os aspectos que compõem as discussões acerca da prostituição, na contemporaneidade, na perspectiva de reconhecê-la ou não como profissão, têm suscitado grandes contestações. Alguns países já adotam essa perspectiva da regulamentação. No Brasil, os debates no terreno das instâncias representativas, seguem, sem grandes avanços, permeados por posicionamentos distintos e conflituosos no sentido de compreender a prática prostitucional como uma profissão que deve ser regulamentada pelo Estado.