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Evlat Edinmenin Hükümleri 1. Genel Olarak

Amendments of the Provisions Regarding Adoption in Swiss Civil Code

C. Evlat Edinmenin Hükümleri 1. Genel Olarak

Era o primeiro encontro e estava o grupo-ansioso. O nosso coração estava acelerado, pois iríamos utilizar com um grupo desconhecido o método dialógico- vivencial, ousando não programar o encontro, mas, a partir das nossas sensações, sentimentos, impressões, leituras, conhecimento e experiência acumulada, iríamos construir a sessão no momento da facilitação. Estávamos, portanto, seguras de que o diálogo inicial com os participantes nos traria os elementos para a vivência biocêntrica e havíamos também preparado algumas estratégias de facilitação.

Os jovens foram chegando e alguns subgrupos foram se formando (grupo- dividido): Lia, Lívia, Wilson e Glória; Joyce, Fernanda e Pâmela. O único jovem que havia participado do grupo 2007.2 era o Ricardo, que não conhecia ninguém.

Alguns participantes cursavam informática na mesma turma, e outros em turmas diferentes, o que nos fez perceber que muitos dos jovens ali presentes pouco se conheciam, portanto seria importante, naquele momento, estimular a aproximação e a troca de idéias de uma maneira que os deixassem à vontade. Optamos, então, por realizar encontros temáticos35 com as seguintes perguntas: “o que é auto-estima?” e “o

35 Os encontros temáticos é uma das atividades propostas pela Educação Biocêntrica, a partir da qual “os participantes progressivamente se encontravam [...] e conversavam sobre as palavras [geradoras]. O

que eu gostaria que tivesse em um grupo de auto-estima?”. Para que os temas fossem discutidos, foi necessária a formação de subgrupos e, como o nosso objetivo era iniciar a construção dos vínculos e criar de um clima de segurança para o processo grupal desdobrar-se, optamos por diluir os subgrupos já existentes.

Convidamos, então, o grupo para caminhar pelo salão e colocamos a música “Doctor Jazz”, interpretada por “Trad Jazz Band”. A música, quando iniciada, causou um grande estranhamento nos jovens; alguns ficaram se entreolhando, alguns riam com a mão na boca, outros ficaram sérios. Ninguém se moveu, ninguém caminhou. O que acontecia ali? Seria o medo? A timidez? A música nova, diferente? Ficamos todos, participantes e facilitadoras, parados por um intervalo de tempo que transcendeu a prolepse musical.

Desligamos o som e pedimos para que caminhassem livremente, sem música. Quando todos se moveram, introduzimos o som. Os jovens que já se conheciam caminhavam próximos, assim quando paramos a música e os convidamos para formarem 5 (cinco) subgrupos de 4 (quatro) pessoas, eles ficaram unidos por afinidade e não aleatoriamente como o objetivo do exercício (grupo-dividido). Sentaram-se no chão em diferentes lugares do salão e a discussão sobre as perguntas geradoras propostas começou entre eles com certa dificuldade. Passeamos em cada subgrupo, problematizando alguns pontos a fim de movimentar o diálogo.

De acordo com Diógenes (2007, p. 208), as personagens grupo-ansioso e grupo-dividido são comuns no início, uma vez que este é um momento delicado, pois “a maioria das pessoas está tensa, ansiosa, confusa, com medo e cheia de expectativas”. Nesse primeiro contato com o grupo, complementa a autora, é muito importante para o facilitador dar o suporte necessário para que se inicie a formação da matriz grupal, através de uma “observação interativa” (DIÓGENES, 2007, p.209), referindo-se importância de o mesmo estar atendo às comunicações verbais e corporais.

Quando retornamos todos para a grande roda, fizemos uma apresentação geral antes de iniciarmos a discussão. Para facilitar esse momento de apresentação inicial, Pâmela sugeriu que cada participante, além do nome, dissesse algo que gostava de fazer, revelando-se como uma participante-propositiva diante de um grupo que estava

objetivo era dar oportunidade a todos de falar, descontrair e se fazer presente. Deflagra um sentimento de valorização em si, em saber que cada pessoa tem algo a contribuir” (ANDRADE; ARRAES, 2007, p.155).

se conhecendo. Assim foi feito e, para dinamizar a apresentação, sugerimos que, ao concluir a fala, cada jovem apontasse para outra pessoa fazer o mesmo.

Após essa fase, os subgrupos foram apresentar suas propostas, falando o que gostariam que tivesse no grupo e assim construímos nosso acordo de convivência36. Convidamos um participante para escrever numa cartolina as frases que foram brotando da discussão e Lívia tomou a iniciativa. O fruto dessa discussão foi:

- Horário: 2:30 à 5:00 da tarde - Avisar se for faltar

- Lanche no final do grupo - Manter o sigilo - Roupas leves - Respeito - Passeio - Interagir - Dinâmicas - Relaxamento

Nesse momento foi interessante que tanto os participantes falaram o que queriam viver no grupo como também o que não queriam. Lívia revelou a personagem participante-contestadora, quando comentou que a música que colocamos para caminhar foi “mó paia, aquela música não tinha nada a vê, tinha que ser uma mais

leve, relaxante” (RV1.P1.L43-4437). Pedimos sugestões e o Wilson sugeriu “Créu” e forró. Alguns contestaram, dizendo que essas não seriam músicas de relaxamento. Então, utilizamos esse mote para iniciarmos a vivência biocêntica: relaxar.

Sugerimos um pequeno intervalo e iniciamos a vivência com um momento de integração e canto coletivo, numa roda com as mãos na cintura, embalados pela música “como é grande o meu amor por você” que estava sendo cantada, com o auxílio do violão, no jardim do CAPS38 pelos usuários da instituição e, como os espaços eram bem próximos, convivemos, naquela tarde, com mais de uma música no ar.

36 O acordo de convivência, construído conjuntamente com o grupo, é uma espécie de contrato que expressa o que se deseja viver durante o processo grupal, o que inclui tanto a dimensão prática das atividades a serem realizadas, como a dimensão psicológica (sigilo, respeito).

37

Lê-se Relato de Vivência 1, Página 1, Linhas 43 a 44.

38 O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Comunitário do Bom jardim é uma instituição de referência no trabalho com saúde mental na Regional V de Fortaleza. Atua em regime de co-gestão com o Movimento de Saúde Mental Comunitária do bairro desde sua fundação. Além de ações em comum, as instituições compartilham o mesmo espaço para a realização de seus trabalhos.

Posteriormente, convidamos o grupo para um caminhar pela vida39 com a música “Somewhere over the rainbow”, interpretada por “Ismael Kamakawiwo´ole” que foi bem aceita pelo grupo. No entanto, aos poucos, no meio da execução, cada um foi parando de caminhar, encostando-se nas cadeiras, sentando-se no batente da palhoça. Percebemos que se deixássemos a música tocar até o fim, encontraríamos o grupo completamente sentado e disperso pelo salão. Baixamos, então, o volume, convidando os que estavam sentados a ficarem em pé, e fizemos um segmentar de ombros (George Harisson – Ooh baby). Com muita dificuldade eles moviam os ombros, abriam os olhos, com pouca entrega e com receio de algum colega rir do outro. Em pares, com a mesma música, fizemos um segmentar de ombros em duplas, onde um ajudou o outro a experimentar um movimento mais ampliado. As duplas, Wilson e Ricardo, Maria e Lívia ficaram rindo, brincando (participantes-brincalhões). Chegamos perto deles, ajudamos, ficamos ali próximas, cuidando para não interferir no processo do restante do grupo.

Em um dado momento, todos do grupo, como numa mágica bela e encantadora estavam conectados com o exercício. Um pequeno e expressivo flash. E logo voltaram ao padrão de brincadeiras. As duplas Suzane e Tião, José e Carlos se permitiram viver aquele exercício, como participantes-abertos, respirando juntos, na melodia da canção, com boca aberta, numa profunda entrega para um primeiro momento.

Fomos para a posição geratriz de intimidade, com “Eric´s theme - Vangelis”. O grupo inteiro ficou de olhos fechados, sentindo a música numa harmonia uníssona. Aos poucos, a maioria foi se permitindo, se entregando. Pedro ficou emocionado e enxugou, discretamente, uma furtiva lágrima ao final do exercício.

Após o término, convidamos o grupo para ficar um pouco mais na posição de intimidade, com a mão no peito, se conectando com o sentimento de dar e receber. Solicitamos que focassem naquele sentimento que estivesse mais presente. Fizemos, assim, o exercício de dar e receber com a música “Le Moulin – Yann Tierson”. Com as mãos ora abertas, ora fechadas, os jovens foram trocando o que teriam a dar ou o que gostariam de receber do grupo. Permaneceram em roda, pouco fluxo no centro; muitos ficaram parados no lugar, aguardando alguém chegar próximo.

Logo em seguida a esse momento, propomos ao grupo o exercício abraço fraternal com a música “A paz – Gilberto Gil” e, na metade da canção, introduzimos

39 Todos os exercícios de Biodança que foram citados estão descritos no anexo 4. Aqueles que, por ventura, não estiverem descritos no anexo não são de Biodança e/ou o nome é auto-explicativo.

uma roda de ativação progressiva. Finalizamos a vivência com uma roda de despedida com “O princípio do prazer – Geraldo Azevedo”. Posteriormente, lanchamos e, durante esse momento, os jovens estiveram em harmonia, falando pouco e baixo.

Ao final do encontro, Suzane veio falar conosco. Comentou que não teria condições financeiras para ficar vindo toda sexta-feira (jovem-desprovida-de-recursos- financeiros), pois não tinha carteira de estudante, morava no Parque Santa Maria e seu pai era quem lhe custeava as passagens de ônibus com muita dificuldade para que ela não faltasse as aulas de informática. Sentimos seu genuíno interesse em participar regularmente do grupo (participante-interessada), o que foi confirmado quando perguntamos o que ela tinha achado da experiência: “Gostei muito... gostaria de ficar

vindo” (RV1.P2.L76). Ao lermos seu questionário, sentimos que aquele grupo seria um

bom espaço de crescimento pessoal por ter relatado que “meu grande defeito é que eu

mudo de humor constantemente [...] eu não queria ser assim, mas isso é mais forte do que eu” (Q5.R1), revelando outra personagem: jovem-que-muda-de-humor.

Conversamos com a coordenadora dos cursos de informática e conseguimos uma ajuda de custo para Suzane freqüentar o grupo de arte-identidade. Na semana seguinte, foi falar com a coordenadora e levou uma amiga para que se conseguisse ajuda de custo para as duas, o que não seria possível para a instituição. Fechou-se então a possibilidade de abrirmos aquela exceção para 2 (duas) jovens. Perdemos todos aquela chance.