Amendments of the Provisions Regarding Adoption in Swiss Civil Code
II. Evlat Edinmeye İlişkin İsviçre Medeni Kanunu Hükümleri A. Küçüklerin Evlat Edinilmesi
8. Ana Babanın Muvafakati a. Muvafakatin Şekli
O Grande Bom Jardim (GBJ) está localizado na quinta área administrativa do município de Fortaleza, a Secretaria Executiva Regional – SER V, e é uma das regiões mais populosas de Fortaleza. Está localizado a sudoeste da capital e conta com uma população estimada de 220 mil habitantes (RIBEIRO, 2008). Essa população está acomodada em pequenos domicílios, nos quais 45% dos entrevistados na pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) afirmaram ter cinco ou mais pessoas morando em uma mesma residência. Além desses, 23,49% revelaram que dividiam o mesmo teto com quatro familiares (TÚLIO, 2008).
Dos dez bairros com menor renda per capita de chefes de família em Fortaleza, a Regional V entra com quatro bairros do Grande Bom Jardim: Canindezinho, Granja Lisboa, Granja Portugal e Siqueira. Segundo Ribeiro (2008), o GBJ é formado pelos
bairros citados mais as seguintes comunidades: Parque Santo Amaro, Jardim Jatobá, Parque Jary, Parque São João, Parque Nazaré, Jerusalém, Parque São Vicente, Nossa Senhora Aparecida, Belém, Santa Cecília, Valverde, Nova Canudos, Granja Lisboa e Palmares.
Dentro dessa realidade está inserida a população participante do nosso estudo: o jovem do Bom Jardim. As estatísticas da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apontaram o Bom Jardim como um dos bairros mais violentos de Fortaleza, seguidos do Mondubim, Barra do Ceará, Parque Dois Irmãos, Praia do Futuro, Henrique Jorge e Antônio Bezerra. (RIBEIRO, 2007). Segundo pesquisa datada de outubro de 2008 realizada pelo Diário do Nordeste, o Bom Jardim aparece em 3º lugar em número de homicídios, ficando atrás de Messejana (2º) e Pajuçara (1º) (RIBEIRO, 2008).
Diante desses dados referentes à violência, a população jovem está inserida no perfil da maioria dos atos cometidos. Para o advogado e consultor em segurança, Laércio Macambira, é necessário haver um trabalho integrado de segurança social voltado para a juventude e a geração de emprego e renda, pois o perfil do jovem de risco é o de periferia, com idade entre 16 e 25 anos (MOURA, 2008).
Diante dessa afirmação, políticas públicas28, ações integradas, projetos sociais e ONG´s vêm sendo construídas no Grande Bom Jardim a fim de reduzir os impactos sociais da realidade na qual estão inseridos os jovens. Dentre elas gostaríamos de dar destaque à:
1. Raiz de Cidadania, vinculada à Fundação da Criança e da Família Cidadã (FUNCI), cujo objetivo geral é contribuir para o funcionamento de uma rede articulada de ações jurídico-psico-sociais junto às comunidades, visando integrá-las às políticas públicas para crianças, adolescentes e suas famílias.
2. Centro Cultural do Bom Jardim que possui uma infra-estrutura para o exercício do lazer e da arte, objetivando democratizar o acesso à cultura, gerar novos empregos e movimentar o mercado turístico cearense.
28 As políticas públicas compreendem as decisões de governo em diversas áreas que influenciam a vida de um conjunto de cidadãos. São os atos que o governo faz ou deixa de fazer e os efeitos que tais ações ou a ausência destas provocam na sociedade. Apresentam as seguintes características: são uma forma de regulação ou intervenção na sociedade; articulam diferentes sujeitos com interesses e expectativas diversas; correspondem ao que os governos decidem fazer ou não; e se organizam a partir da explicitação e intermediação de interesses sociais organizados em torno dos recursos produzidos socialmente (ARRETSHE, 2002).
3. Programa Jovem Aprendiz, voltado para a melhor qualificação técnico- profissional de jovens estudantes na qualidade de aprendizes.
4. Circo Escola que visa implantar ações educativas e de socialização voltadas à arte do circo e do teatro para crianças e adolescentes em situação de risco na periferia de Fortaleza.
5. ProJovem Adolescente, vinculados aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), onde são desenvolvidas atividades que estimulam a convivência familiar e comunitária, propiciam o desenvolvimento pessoal e social e capacitam o jovem para atuar como agente de transformação e desenvolvimento de sua comunidade, além de sensibilizá-lo e informá-lo sobre o mercado de trabalho.
6. Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), no qual o Grande Bom Jardim foi a primeira área em Fortaleza a ser beneficiada pelos projetos aprovados trabalham basicamente a prevenção da violência e da criminalidade de jovens que estão na faixa de 15 a 29 anos (BRAGA, 2008).
7. Projeto Bomjart, composto por seis instituições e coordenado pela ONG Diaconia, tem o objetivo de desenvolver ações integradas e articuladas com as instituições locais e o poder público para a promoção e a garantia de direitos de crianças, adolescentes e jovens.
8. Programa identidades da juventude brasileira, coordenado pelo Centro de Defesa da Vida Herbert de Sousa (CDVHS), cujo objetivo geral é influenciar e formular as políticas públicas de juventude com enfoque em inserção no mercado de trabalho e prevenção da violência que afetam jovens negros e mulheres, mobilizando e potencializando investimentos governamentais e privados com gestão em redes interinstitucionais urbanas e metropolitanas da região Nordeste, particularmente do semi-árido.
9. Movimento de Saúde Mental Comunitária que será mais bem abordado no capítulo seguinte quando formos caracterizar o cenário do nosso estudo, mas evidenciaremos aqui as ações voltadas para os jovens: curso de informática, projeto jovem aprendiz e o cursinho CABJ (Centro de Aprendizagem do Bom Jardim) que prepara interessados em ingressar na universidade.
Citamos as atividades acima como um pequeno recorte daquelas instituições que estivemos mais vinculadas na nossa trajetória pelo Bom Jardim, além do desejo de reafirmar a positividade e a potencialidade que esta comunidade abriga. Ressaltamos que para se enxergar o “bom” do Bom Jardim é importante mergulharmos na trama
comunitária composta por seus dramas individuais e coletivos, pois muitas vezes a mídia veicula somente uma parte desta realidade. Tal constatação deu-se quando pesquisamos reportagens no último ano nos dois jornais mais lidos no município e nos deparamos com as seguintes manchetes: “E no bairro Bom Jardim, um jovem foi baleado durante briga de gangues na rua Gustavo Barroso, mas o disparo não chegou a ser fatal”; “Dois adolescentes presos por homicídios no Bom Jardim”, “Jovem é assassinado depois de uma discussão”, “Um adolescente de 17 anos foi assassinado, à tiros, dentro de uma academia, no bairro Bom Jardim”.
Tais frases nos mostram uma realidade acerca da juventude no Bom Jardim. Nossa inserção na comunidade nos permitiu perceber e contribuir com outra, atuando na transformação positiva desta(s) realidade(s) que está em constante movimento, assim como cada identidade que habita o cenário de nosso estudo.
Ao enfocarmos o movimento/metamorfose como aspecto característico da identidade, incluímos os indivíduos em qualquer período do desenvolvimento ontológico. No entanto, corriqueiramente ouvimos falar que na juventude essas transformações são mais intensas devido ao seu próprio conceito que está no imaginário popular. Vamos compreender um pouco mais esses conceitos a partir das considerações de Quapper (2001) e Bock (2000).
A concepção de juventude, muitas vezes, vem associada à faixa etária, uma visão desenvolvimentista que prevê determinadas condutas para esse período da vida. Pensá-la a partir da definição de idades, segundo Bourdieu (1990, apud QUAPPER, 2001, p. 61), é uma visão de cunho demográfico, que também está determinada por condições sociais e é derivada do uso de sociólogos e outros cientistas sociais.
O desenvolvimento biológico também está vinculado a ela, quando se define como uma etapa da vida (infância, idade adulta e velhice). Tal concepção baseia-se na naturalização dos fenômenos da adolescência ou da juventude como decorrentes do desenvolvimento do corpo, da puberdade. Aberastury e Knobel (1989) formularam o termo “Síndrome Normal” propondo uma sintomatologia para o período da adolescência e diluindo as fronteiras entre o normal e o patológico.
A juventude também vem associada a um período de crise, que se assemelha com a definição de identidade que aqui abordamos por esperar que deva acontecer tal fenômeno neste período de preparação. A resolução dos inúmeros conflitos, provindos da infância e do início da vida adulta, de acordo com Erikson (1968), deve garantir ao indivíduo alguma noção de si mesmo.
Ou ainda, a juventude é compreendida como um período de passagem, de preparação para a vida adulta, no qual o jovem já não é criança nem adulto, desvalorizando, inclusive, a criação de um projeto de vida futuro, segundo Bock (2000), pois na base deste planejamento está um sujeito que vai passar. Deste modo, este sujeito não pode assumir responsabilidades, nem é chamado a participar da construção social. Este momento da vida orienta-se para o futuro, forjando a concepção da juventude: geração do futuro, responsável pelo que virá. Esta noção, de acordo com Quapper (2001), define-a como reformadora da sociedade, atribuindo-lhe um caráter revolucionário, contestador e empreendedor.
Buscamos com esse estudo corroborar com o olhar histórico-cultural sobre a juventude, para que se possa compreender a importância do movimento dialético entre as relações sociais a partir das quais se constitui a subjetividade humana. Assim, as transformações biológicas vividas na juventude são carregadas de significados interpretados e construídos socialmente, a partir dos quais o jovem se referencia para construir sua identidade, convertendo o social em individual.
Para Vigostki (1984), as circunstâncias primárias, ou seja, a hereditariedade, e as condições secundárias, representadas pelo meio externo e pela experiência adquirida, dão subsídio para o desenvolvimento das condições terciárias, ou seja, a capacidade de reflexão e de autoformação. A idade de transição é o momento de formação das relações que possibilitam o surgimento da reflexão, pela passagem dos processos externos para os internos. Desta forma, é possível surgir um movimento acabado e racional a partir de uma sucessão de estados psíquicos invisíveis (DIOGO, 2005, p.42).
Vigotski (1984), a partir de uma análise dos estudos de Busemann (1925,1926 apud VIGOTSKI 1984), ressalta que muitos dos estudos sobre a juventude generalizam um tipo de comportamento referente a uma classe social, sem levar em conta o fato de que um ou outro grau de bem estar material fazem diferença no desenvolvimento da autoconsciência. De acordo com Quapper (2001), não é o mesmo ser um jovem rico ou um pobre, não é o mesmo ser uma mulher jovem e ser um homem jovem, e considerar tais aspectos significa compreender a complexidade da questão.
As considerações de Quapper (2001) levaram-nos a refletir a especificidade do jovem que estaríamos investigando, inserido num bairro percebido como gerador de poucas condições positivas para a juventude. No entanto, nos movemos também na
busca e na construção desses eco-fatores29 positivos durante a pesquisa-facilitação por nós realizada. Acreditávamos, pois, que a arte-identidade atuaria de forma positiva no cenário do Bom Jardim, que será melhor apresentado na introdução à metodologia desse estudo. Era esse o instrumento que tínhamos para promover o encontro entre identidades juvenis, sendo este “encontro” o mais rico dos instrumentos.
Uma identidade encontrando-se com outra identidade em movimento... Movimento de identidades. Encontros, sem os quais
não há identidade. Eterno movimento: ir – e – vir ... Sou e já não sou! Eu sou, sendo diante de ti; Tu és, sendo diante de mim... Nesse encontro acontecemos: viramos nós, eu, tu, eles, outros... Somos e não somos quando nos perdemos e nos encontramos frente a frente.
Somos tudo e só isso: algo mais do que se vê e tudo aquilo que vemos... Parte de mim está em você e em mim, habita parte de ti... Somos partes que se mostram, se misturam, se criam e emergem: Somos todo e somos arte!
(Geísa Sombra)
Mãos à obra! Vejamos como se deu nossa pesquisa-facilitação.