Amendments of the Provisions Regarding Adoption in Swiss Civil Code
F. Evlat Edinme, Öz Ana Baba ve Alstoyu Hakkında Bilgi
O encontro foi lindo! Essa foi a frase que nós, facilitadoras, proferimos ao final do 3º encontro que aconteceu no dia 28 de Março de 2008. Surpreendentemente, dos 12 (doze) participantes presentes neste encontro, 10 (dez) eram do sexo masculino.
Ficamos muito felizes e surpresas com a presença do Rômulo no grupo. Ele chegou à palhoça no mesmo dia e horário do grupo de arte-identidade 2007.2 para saber se os encontros já haviam começado, pois ele se ausentou do MSMCBJ por algum
período e ficou desinformado acerca do retorno do grupo, mas, como tinha interesse em participar, veio para saber se estava acontecendo. Rômulo estava fazendo o curso de vendas e cursinho para o vestibular. Explicamos quem era aquela turma, porque havia mudado o grupo, mas nada o impedia de participar e de convidar os outros jovens do grupo anterior. Ele concordou em convidar aqueles com que tinha mais contato para estarem presentes na sexta-feira seguinte (Monera e Fabrício).
Iniciamos os trabalhos com uma roda de conversa. Apresentamos Rômulo e Helton se apresentou, pois era a primeira vez que os dois vinham ao grupo. Tentamos resgatar um pouco do encontro anterior e novamente pouco foi dito. Gilson apresentou uma expressão corporal de desinteresse sempre recorrente quando propúnhamos ao grupo alguma atividade que não lhe interessa (poderíamos caracterizar essa expressão corporal como sendo “bater de ombros”). Ele fez essa expressão em dois momentos distintos: no primeiro encontro, quando pedimos para cada um se apresentar, e no segundo, quando perguntamos o que acontecia no grupo.
O silêncio se fez e o nosso incômodo cresceu. O que eles estavam fazendo ali? Por que vinham ao grupo? Eram obrigados por causa do certificado? O que eles esperavam dali? Colocamos essas provocações para os participantes, afirmando que o que quer que acontecesse no grupo dependia de todos ali presentes. Lançamos a questão: “por que estavam vindo ali?” e solicitamos que um por um respondesse.
Estávamos começando a nos familiarizar com os participantes, conhecer o nome deles e alguns personagens característicos de cada um. Sentimos uma enorme diferença em relação a esse aspecto, comparando nossa atuação com o grupo 2007.2. Do grupo passado, só memorizamos o nome de 6 (seis) jovens, com alguma dificuldade em citá-los. Acreditamos que por ter sido quinzenal e a nossa convivência menos duradoura, o vínculo foi mais fragilmente construído entre eles e entre nós e eles. No 3º encontro deste novo grupo, podíamos fechar os olhos e visualizar o rosto e o nome de quase todos. Saber o nome dos jovens nos permitiu uma maior destreza na facilitação. Pudemos nos dirigir a cada um, preservando e cuidando da sua identidade na nossa relação, bem como convidando aqueles mais calados a expressarem sua opinião, evocando-lhe o nome e a importância de sua participação no grupo.
No momento de conversamos sobre o porquê deles estarem ali, solicitamos a contribuição de Rômulo, pedindo para iniciar e comentar o que eram aqueles encontros e porque estava ali. Ele falou: “o grupo é um espaço para conhecer novas pessoas,
precisa trabalhar você mesmo. Eu vim porque eu gostei do [grupo] ano passado e porque não tinha nada pra fazer” (RV3.P5.L240-243). Seu discurso evocou uma
personagem que ressoava bem, grupo-desocupado. Para chegarmos até ela fomos um a um perguntando porque estavam ali.
Todos responderam que estavam ali porque “não tinham nada para fazer”. Lívia comentou que às vezes dava preguiça de vir e, mas quando não vinha, ficava em casa ociosa. Ali, naqueles jovens, havia a nossa chance de transformar um pouco essa realidade e inclusive de construir um sentido para participarem daquele grupo. O surgimento da personagem grupo-desocupado fez-nos compreender o macro-contexto em que estavam inseridos aqueles jovens, desprovidos de opções de esporte, entretenimento, cultura e lazer. Gusmão (2003) afirma que a compreensão da constituição dos sujeitos em diferentes grupos sociais em toda a sua dimensão e potencialidade, permite também concebê-lo como um sistema aberto, dinâmico, permeado por contradições e conflitos sociais em que os jovens que dele participam determinam e são determinados pelo processo onde estão inseridos.
De acordo com Lane e Freitas (1997, p.296), “a referência do indivíduo dentro de um sistema social dá-se mediatizada pela sua pertinência a um ou mais grupos, que têm importância fundamental na sua vida”. Portanto, observar, compreender, dialogar e conviver com os jovens somente naquele dia (sexta-feira) e horário (14h30min às 17h) permitia-nos acessar indiretamente os outros grupos sociais em que cada um estava inserido através de como eles se expressavam.
Optamos por investir na ludicidade, a fim de transformar o medo, as fantasias e a tensão advindos no início de todo processo grupal. Segundo Ribeiro (1994, p. 66), as necessidades nesse momento “são mais operativas, práticas, cuja principal finalidade é criar motivação, gerar a permissão para falar e produzir segurança”.
Assim, o nosso objetivo com este encontro foi que cada participante se apresentasse um pouco mais para o grupo, fortalecendo os vínculos e a identidade pessoal. Para isso, criamos um jogo interativo chamado de “Muito prazer!”. Ele contém 40 perguntas sobre a intimidade de cada um. Para jogá-lo, formam-se dois grupos, o representante de cada um vai ao centro, faz uma pergunta ao outro sobre sua intimidade, o outro responde com a ajuda da sua equipe e cada pergunta que o participante acerta, marca ponto. Investir na aproximação, na interação e na ludicidade, parecia-nos um bom caminho para esse momento.
Dividimos o grupo em duas equipes. Lia e Anderson se ofereceram para representar cada time e escolher o segundo componente de cada grupo, seguindo o critério de menor afinidade. Cada jovem que foi convidado a entrar foi escolhendo o próximo integrante, seguindo o mesmo critério. Com isso, misturamos os subgrupos já formados naquele grupo maior.
Então foram convidados a criar um nome e um grito de guerra, antes de explicamos como seria o jogo. Os “Desocupados” foi composto por Lailson, Wilson, Lívia, Anderson, Wills, Gilson e Helton; e o “Tornado” por Roberto (capitão Tornado), José (água), Lia (vento), Rômulo (coração), Pedro (terra) e Helton (fogo).
Ficamos facilitando o processo de criação do nome e do grito de guerra do grupo “Desocupados”, pois, por muito tempo, eles permaneceram em silêncio. O nome foi sugerido por Anderson e sua justificativa foi “já que ninguém aqui faz nada
mesmo!” (RV3.P6.L264-265). Foi aceito por unanimidade. Lívia assumiu o papel de
liderança naquele grupo tão calado, perguntando e mobilizando o grupo para aquela atividade. No silêncio, foi difícil o passo seguinte de escolher o grito de guerra. O outro grupo terminou e eles ainda ficaram decidindo. Até que, enfim, houve a criação.
Roberto assumiu a liderança do outro grupo. Sua personagem jovem-moleque deu um matiz de ludicidade a sua equipe. Tiramos uma foto de cada grupo e é visível como a postura de cada membro na foto parece revelar e identificar-se o nome do grupo.
FIGURA 3: Grupo: “Desocupados”
FIGURA 2: Grupo: “Tornado”
As respostas às 21 (vinte e uma) perguntas realizadas no jogo evidenciam o perfil do grupo, bem como algumas personagens. Observemos a seguir (RV3.P6- 7.L274-322):
P – Qual série estou fazendo? R – 1º ano.
P – Eu toco algum instrumento? R – Não.
Lívia
P – Qual estilo de música eu mais gosto? R – Forró.
Anderson
P – Qual o maior mico que já paguei?
R – Eu tenho problema quando ando de ônibus porque fico tonto e tenho vontade de vomitar. O pior mico que já paguei foi vomitar nos pés do cobrador.
Wills
P – Qual a minha cor preferida? R – Verde.
P – Eu gosto de fazer poesias? R – Não.
Gilson
P – Qual a maior loucura que já cometi?
R – Eu tava numa festa muito, mas muito bebo, e fiquei com uma dona. No outro dia, quando estava bom e fui olhar pra ela, ela era muito feia!
P – Qual a minha comida preferida? R – Pizza.
Helton
P – Para onde eu gostaria de viajar? R – Fernando de Noronha.
Roberto
P – Qual a minha religião? R – Eu não tenho religião. P – O que me deixa triste? R – Injustiça.
José
P – Eu gosto de cantar? R – Sim. (jovem-artista)
Lia
R – Conversar com minhas amigas. P – Eu gosto de pintar?
R – Sim. (jovem-que-é-uma-eterna-criança) P – Qual a melhor festa que já fui?
R – Show do Raça Negra.
Rômulo
P – Eu gosto de conversar? R – Sim.
Pedro
P – Eu pratico algum esporte? R – Sim, futebol.
P – Quem são meus melhores amigos? R – Meus pais. (jovem-amigo-dos-pais)
O jogo resgatou a espontaneidade dos participantes. Não sabemos se o objetivo de conhecer mais uns aos outros foi cumprido. O jogo aconteceu de forma muito rápida, pois, quando eles erravam a resposta, queriam logo passar para a próxima, sem nem ouvir a resposta certa. Talvez tal fato tenha se dado em função daquela emoção característica que jogar desperta. Como resgatar o que ficou de uma forma leve no próximo encontro? O que eles puderam realmente conhecer uns dos outros? Eram perguntas que, naquele dia, levávamos conosco para criar o encontro seguinte.
Os “Desocupados” venceram e anunciamos que a premiação seria entregue no final do encontro. Propomos o intervalo e fomos para a vivência. Iniciamos com a música “Ciranda de Lia – Lia de Itamaracá”, buscando que o grupo todo entrasse no mesmo ritmo, assim como quando realizávamos o jogo, nos movendo com o mesmo objetivo. Somente Roberto já havia dançado ciranda e nenhum jovem a conhecia. Falamos um pouco da origem da ciranda e contextualizamos a importância daquela dança. Dançamos para a direita e depois para a esquerda, quando Ulisses queixou-se que, por ser canhoto, ficava difícil para ele ir para a direita. No entanto, ainda assim foi difícil para ele entrar no ritmo do grupo.
Convidamos todos para um novo exercício: a dança de luta (Ofertório – Milton Nascimento), ressaltando a força que precisamos conhecer em nós mesmos e no outro para nos comunicarmos sem destruir o outro, nem nos destruirmos. Demonstramos, inicialmente, com Lia e participamos da vivência para formar par com Roberto. No
meio da vivência, sentimos que havia muita dispersão, o grupo estava “brincando” e não regulando suas forças. Roberto estava de olhos fechados, conectado com a música e com a facilitadora. Baixamos a música e demonstramos novamente o exercício com o Roberto.
Percebemos neste encontro uma característica no Roberto: a entrega. Ele sabia entrar e sabia sair da vivência, mesmo brincando (antes ou depois), mas no momento do exercício, ele se permitia viver o convite (participante-que-se-entrega). Sentimos que seu jeito interferia de forma positiva, facilitando com que o grupo entrasse na brincadeira ou na vivência. Na ciranda, por ninguém nunca ter dançado nem ouvido a Ciranda de Lia, quando a música começou o grupo começou a rir e ele disse: “- Que é
isso pessoal? É massa!” (RV3.P7.L350), então o grupo parou, ouviu, se mexeu e no
final estavam todos dançando, brincando, suados, a vitalidade ali expressa no calor saindo do corpo. Convidar o Roberto para demonstrar a dança de luta mudou a energia do grupo.
No entanto, pudemos com esse exercício perceber outra característica do grupo: nos exercícios de regressão da identidade40, principalmente os realizados de olhos fechados, havia uma maior entrega; enquanto que nos exercícios de consciência intensificada de si, que exigia que os olhos ficassem abertos, havia timidez, medo de se expor, um sentimento de se sentir observado e um movimento de observar o outro. A identidade do grupo pulsava entre as personagens grupo-que-se-entrega e grupo-que- se-esconde. Assim, na dança de luta, Roberto demonstrou de olhos fechados, mesmo convidando-o para abrir. As duplas Anderson e Gilson, Lívia e José realizaram o exercício também de olhos fechados. O grupo todo transitou entre abrir e fechar os olhos para ver o que os outros estavam fazendo, mas por alguns instantes de eternidade eles estiveram conectados com a música e o movimento.
Realizamos, posteriormente, a posição geratriz de valor (Conquiste of Paradise – Vangelis). Nos exercícios realizados individualmente, os jovens também se entregavam com mais intensidade. Lívia, Anderson, José, Helton, Rômulo e Roberto ficaram ali, de olhos fechados, realizando o movimento (participante-que-se-entrega). Pedro esteve muito emocionado (novamente surge a personagem participante- emocionado). Wilson sempre mantinha aberto os olhos em qualquer exercício de regressão.
40 Ver o tópico intitulado 3.1. CARACTERÍSTICAS DA IDENTIDADE, quando falamos da pulsação da identidade.
Colocamos uma folha em branco na frente de cada um deles. Era o momento de cada um expressar através de uma colagem o que queria construir no mundo com a sua força. Na consigna, ressaltamos que a vida nos dá, a cada dia, uma folha em branco para criarmos nossa existência. Para isso precisávamos ter força e coragem para criar. Estava em nossas mãos.
FIGURA 4: Grupo realizando colagem
O grupo realizou a colagem em silêncio. Até mesmo quando concluíram, os jovens não se juntaram para conversar. Sentaram-se isolados, cada um conectado consigo mesmo. Em roda, propomos que cada um apresentasse sua colagem dizendo a seguinte frase: “eu sou _____ e com a minha força eu quero construir ____”. Lailson iniciou uma brincadeira, mas pontuamos a importância do respeito de cada um estar atento ao que o outro iria dizer e os discursos fluíram.
“Eu sou Anderson e eu quero construir a paz”.
“Eu sou Helton e eu quero construir uma grande empresa e ser empresário”.
“Eu sou Ulisses e eu quero construir um bom emprego, ser alguém na vida”.
“Eu sou Lailson e eu quero vencer na vida”.
“Eu sou Pedro Cesar e eu quero trabalhar e ajudar meus pais”. “Eu sou Roberto e eu quero ser diferente”.
“Eu sou José e eu quero liberdade de expressão”.
“Eu sou Gilson e eu quero construir uma mansão” (RV.3.P8.L374- 381).
Fizemos uma roda de ativação progressiva com a “Dança dos meninos – Milton Nascimento” ressaltando a força masculina que tem em cada um de nós e a destacando que aquele grupo era composto em sua maioria por meninos. Finalizamos com uma celebração através do encontro de duplas com palmas com a música “Trashin´ the camp” (Phill Collins). Sentimos muita alegria e descontração (grupo-alegre-e- descontraído). Gilson dançava entre uma palma e outra. Encontramo-nos, rimos, José
criou um jeito de bater palmas diferente. Foi emocionante. A premiação do jogo foi então entregue a todos pela coragem de estarem ali. As facilitadoras foram entregando chocolates num ato de valorização da presença de cada um. Finalizamos com o lanche.
Avaliamos que o processo grupal estava caminhando mediante contradições das personagens grupo-que-se-entrega e grupo-que-se-esconde, características de um início de caminhada de vinculação. No entanto, apostávamos na personagem que emergiu no final do encontro: grupo-alegre-e-descontraído. Essa era a chance de se formar a matriz grupal.