IDB VERİ TOPLAMA
2.5. Ev Kazalarında Halk Sağlığı Hemşiresinin Görevler
Se as discussões anteriores confirmam a não alteração do conteúdo escrito dos livros didáticos analisados, as seções destinadas às Atividades demonstram que há diferenças consideráveis entre os livros da primeira e da segunda geração. Assim como no caso do Manual do Professor existe um progresso nas Atividades no que tange à função e conteúdo. Mas vale lembrar que paira sobre o Manual do Professor a dúvida a respeito da participação ou não do autor do livro didático na sua elaboração, o que justifica a exigência presente no Edital do PNLD 2008 de que “O manual do professor deve ser elaborado com a participação do autor do livro”117, logo, a mesma dúvida pode atingir outras seções do livro, como é o caso dos exercícios por eles propostos. Mesmo assim, visualizar essas alterações é um exercício útil quando se tem em mente que os livros didáticos cada vez mais são resultado do esforço do autor e de sua equipe editorial.
O livro da primeira geração de Gilberto Cotrim possui dois tópicos de atividades – Monitorando o Estudo e Reflexão – dispostos ao longo do capítulo e, geralmente, em mais de uma oportunidade por capítulo. Encontram-se também exercícios de vestibulares no final do livro, objetivando uma revisão geral do conteúdo da obra. A seção Monitorando o Estudo tem por função a memorização dos conteúdos abordados no capítulo e considerados mais importantes. O objetivo de memorização é claro, pois as respostas a tais perguntas não exigem reflexão, já que elas são encontradas ao longo do texto. A seção denominada Reflexão 113 FRAGA FILHO, Walter. Op.cit., p.122.
114 FRAGA FILHO, Walter. Op.cit., p.133. 115 FRAGA FILHO, Walter. Op.cit., p.163. 116 FRAGA FILHO, Walter. Op.cit., p.228.
também parece não superar a revisão de conteúdo, mas há tentativas nesse sentido guiando o aluno para elaboração de textos ou comentário de determinados assuntos, ora de acordo com o conteúdo ora pautado em sua opinião.
Em 2005, os momentos destinados às atividades estão dispostos ao longo dos capítulos (seção Monitorando) e no final de cada capítulo (seção Monitorando e Oficina da História), além de exercícios de vestibulares no final das unidades. Observou-se que as atividades que compõe o Monitorando são semelhantes às da primeira geração; em geral, correspondem a questões que reforçam o conteúdo estudado, mas estão presentes em menor quantidade. Entretanto, a seção Oficina da História – que se divide em outros tópicos como: relacionando conteúdos; relacionando passado e presente; mudanças e permanências; desenvolvimento de atitudes; e integração disciplinar – muda o sentido até então empregado para as atividades. Longe de mero reduto de memorização e reprodução, essas atividades são situações privilegiadas para emergir conhecimentos prévios dos alunos, opiniões sobre novos conteúdos, bem como trazer à tona as realidades dos alunos e provocá-los a pensar na comparação passado e presente (ver apêndice B, Metodologia de ensino-aprendizagem).
De posse dessas informações, a seguir citam-se dois exercícios referentes ao pós- abolição presentes nas obras de Cotrim:
[1997-Reflexão] Elabore um pequeno texto sobre o tema: A situação do negro após a abolição da escravatura.118
[2005-Oficina da História: Desenvolvendo Atitudes] Identifique no seu dia- a-dia, ao menos uma situação que confirme a seguinte frase: “Mais de um século depois da abolição da escravatura do Brasil, ainda pesa sobre os negros e seus descendentes uma série de problemas e discriminações sociais”.119
O primeiro exercício limita o aluno ao conteúdo do livro, o que, de acordo com análise efetivada anteriormente, é falho; o segundo, apesar das críticas que podem ser feitas, inclusive com relação à redação do enunciado – afinal discriminações sociais não se encaixam no critério série de problemas? –, oferece ao aluno maiores chances de percepção do presente e amplitude de significados daquilo que aprendeu em relação ao passado.
Mario Schmidt, na década de 1990, apresenta atividades no final do capítulo na seguinte ordem: texto complementar, com autores renomados, caso de Jacob Gorender no capítulo Abolição; trabalhando com o texto, cujas respostas são encontradas no texto 118 COTRIM, Gilberto. Op.cit., 1997, p.344.
complementar; exercícios de revisão e reflexões críticas. Numericamente, trata-se de uma grande quantidade de perguntas – 38 no capítulo analisado – em geral preocupados com a memorização do conteúdo abordado no capítulo. Mesmo na seção Reflexões críticas os temas que a compõem possuem discussões e respostas ao longo do capítulo. Existe no capítulo analisado cerca de seis perguntas diretamente relacionadas com o negro escravizado, abolição ou pós-abolição. Alguns podem ser instrumentos de debate dento da sala de aula, por exemplo:
[Reflexões críticas] 2. A Abolição não foi acompanhada de uma reforma agrária. A situação atual dos negros é pior do que naquela época?
3. Existe racismo contra os negros aqui no Brasil?120
Outras, no entanto, são confusas e podem dificultar a compreensão do aluno, carecendo de melhor elaboração de seu enunciado:
[Reflexões críticas] 4. Se os negros foram tão ativos na luta pela libertação, por que hoje eles “aceitam” (aceitam mesmo?) a discriminação racial e as péssimas condições de trabalho?121
O livro de segunda geração de Schmidt reduziu significativamente a quantidade de exercícios. Assim, estes aparecem no final de cada capítulo no tópico Oficina da História. No que tange ao capítulo Abolição, encontram-se 4 exercícios, sendo 2 deles readaptações de atividades existentes no livro de 1997. A diminuição de exercícios não configura por si só um demérito da obra mais recente, pois aparentemente a preocupação de tal seção não parece mais representar somente memorização, mas sim favorecer a reflexão do aluno, incluindo nesse sentido charge e gráfico como instrumento para tal intuito. Todavia, tais exercícios não contribuem para a comparação entre passado e presente, tampouco levam em consideração o universo do aluno, não existindo exercícios no capítulo que favoreçam posicionamento ou observação do discente. Em 2005 também não existe um exercício que aborde diretamente o tema pós-abolição, a não ser o critério econômico desse processo, isto é, que, ao contrário do que acreditava a elite brasileira, a abolição não significou o colapso econômico esperado.
Com relação a Antonio Pedro, pode-se afirmar que o livro da primeira geração possui atividades no final de cada capítulo, objetivando com essas Questões – nome da seção – rememorar os principais assuntos estudados. Em geral, trata-se de 5 a 8 questões. Em 2005, a localização das atividades é a mesma, mas a quantidade aumenta, o que é natural, pois, além 120 SCHMIDT, Mario Furley. Op.cit., 1997, p.200.
de abordar o texto principal do capítulo, há também questões referentes aos textos complementares, nesta obra utilizada amplamente como meio de garantir interdisciplinaridade. Existe também, ao findar das Unidades, exercícios especiais que se dedicam ao trabalho com textos, imagens e mapas. Essas Atividades – nome do tópico – são subdivididas de acordo com a função desejada. Portanto, existem exercícios que direcionam os discentes na formulação de: identificações; relações; comparações; explicações; produções de textos; interpretações de textos; entre outros menos frequentes. Porém, nota-se que não há preocupação com o conhecimento prévio do aluno ou atividades que estimulem a observação de seu cotidiano favorecendo uma possível relação passado presente. No geral, os exercícios das duas gerações objetivam revisão dos pontos mais importantes do capítulo, mas isso não significa inexistência de possíveis leituras distintas nas duas obras. Para exemplificar, citam- se abaixo três questões referentes à abolição e ao pós-abolição:
[1997 Questões] 6. Por que podemos afirmar que a abolição não resolveu os problemas da população negra?122
[2005 Atividades] 5. A abolição da escravatura relacionou-se diretamente com a expansão de atividades econômicas mais dinâmicas no país. Mostre como.
9. Explique por que a Inglaterra era favorável à abolição da escravatura no Brasil.123
Para responder as questões os leitores de Pedro deveriam recorrer ao conteúdo do livro. Dessa forma, o discente da década de 1990, em resposta à questão, teria reforçado em sua formação a idéia de ociosidade do negro. Afinal é essa explicação dada por Antonio Pedro para a marginalização do negro na sociedade, além de estar de acordo com a resposta presente no Livro do Professor:
6. Analfabetos, sem nenhum patrimônio, embrutecidos pela escravidão, eles tinham poucas chances de competir no mercado de trabalho com o imigrante ou de conseguir ganhar a sua subsistência com uma atividade econômica independente. Além disso, os ex-escravos e seus descendentes estavam marcados pelo estigma inferiorizante da cor e, portanto, sujeitos ao preconceito e à discriminação social.124
Por sua vez, o discente da última década teria, por intermédio do texto e das questões, reforçado a concepção de que o processo de abolição deveu-se a um avanço necessário para o 122 PEDRO, Antonio. Op.cit., 1997, p. 257.
123 PEDRO, Antonio; LIMA, Lizânias de Souza e; CARVALHO, Yone de. Op.cit., 2005, p. 347. 124 PEDRO, Antonio. Op.cit., 1997, Manual do Professor, p.40.
desenvolvimento capitalista inglês e brasileiro. Essa abordagem, que leva em consideração o “entrave econômico da escravidão”, possui amplo respaldo na literatura didática, mas ambas as explicações – primeira e segunda geração – não se configuram em instrumento de valorização da cultura negra brasileira.
Para o Edital de Convocação do PNLEM 2007:
as atividades devem não apenas buscar a realização dos objetivos, mas também estar plenamente integradas aos conteúdos, possibilitando o desenvolvimento de diferentes habilidades, estimulando a observação, a investigação, a análise, a síntese, a criatividade, a comparação, a interpretação e a avaliação;125
Portanto, o expresso nessa breve análise e na resenha dos livros – ver Apêndice B, tópico Atividades – demonstra que esta é uma seção ainda a ser melhorada, visto que não há um trabalho que premie o desenvolvimento das diversas habilidades indicadas. No entanto, em comparação com os livros da década de 1990 de mesmos autores, existe uma evolução nos objetivos e formulações dessas atividades; as orientações ou exigências do Estado parecem ter sido um fator de influência nessa melhora.
Por último, vale apontar que, a despeito do preconizado no Catálogo de Livros Didáticos que afirma a padronização das Resenhas, no que concerne às considerações sobre Atividades, o Catálogo não apresenta as informações sobre a obra de Cotrim. O mesmo erro, mas no tópico Texto Didático, ocorreu com o autor Mario Schmidt. Tal fato é um grave problema, pois dificulta a comparação das obras por parte dos docentes que devem selecionar o livro a ser utilizado.