2.3. Ayrımcılık Türleri
2.3.2. Etnik ve Irka Dayalı Ayrımcılık
Considerando o acima exposto, constata-se que o fenômeno da Economia Solidária é bastante recente. Mais recente ainda é sua configuração como uma estratégia de luta do movimento popular e operário com possibilidades efetivas de se estruturar em meio a redes de colaboração solidária, expressão proposta por Euclides Mance (2000:178) para designar os processos de troca de conhecimentos, tecnologias, experiências e apoio entre os atores sociais envolvidos neste campo. A Economia Solidária tem fortalecido esse perfil no Brasil, especificamente em Minas Gerais, em grande parte devido a uma demanda dos movimentos sociais organizados que pressionam constantemente alternativas que possibilitem acesso dos grupos a políticas públicas de inclusão social e transformação das estruturas e das relações sociais.
As entidades de apoio e fomento que trabalham com a temática da Economia Solidária, considerados atores pioneiros na consolidação desse campo, tentam, a despeito de alguns tropeços, avançar na elaboração de um pensamento que esteja mais próximo das necessidades e das demandas dos grupos sociais, ao lado de ações de acompanhamento e fomento aos grupos incipientes ou já consolidados. Chegando a anteceder a ação dos movimentos sociais organizados,
a igreja e alguns sindicatos deram o pontapé inicial para o surgimento de algumas iniciativas de geração de trabalho e renda e luta contra a miséria: a exemplo dos
projetos gestados pela Cáritas Brasileira12, que se denominavam PACs (projetos
alternativos comunitários) e muitos outros coordenados pelas pastorais sociais (projetos populares de geração de emprego e renda) e algumas ações dos sindicatos, preocupados com os setores atingidos pelo desemprego. Há um destaque na multiplicidade desses focos de ação que vão desde iniciativas emergenciais para a garantia da sobrevivência, até a constituição de grupos organizados coletivamente, objetivando a construção de novas relações sociais de trabalho.
Paralelamente, essas manifestações são acompanhadas, principalmente nos três últimos anos, de propostas governamentais, tanto no âmbito municipal quanto estadual e federal, operacionalizando ações, créditos, assessoria e tecnologia (mapeamento dos empreendimentos em todo o país, programa nacional de feiras e, no âmbito municipal, a criação de centros públicos de apoio) para sua viabilização. Todavia, essas intervenções ainda são incipientes e não estão suficientemente articuladas com outras políticas governamentais.
Assim, se nos primeiros anos de constituição do movimento da Economia Solidária no Brasil predominavam iniciativas pouco organizadas, com reduzida articulação, assessoramento e apoio, nos tempos atuais a realidade é outra.
Nas últimas décadas, constatamos a existência de um número cada vez maior de
Empreendimentos Econômicos Solidários (empresas autogestoras,
cooperativismo popular, redes de empreendimentos, associações, clubes de trocas, grupos etc), ligados a instâncias de apoio e fomento, como ONGs (FASE, IBASE, PACS, IMS), Universidades Incubadoras, Movimento Sindical (ADS/CUT), além do trabalho já reconhecido da Cáritas e Pastorais. Ao mesmo tempo,
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A Cáritas desenvolve o PACs desde o início da década de 80, contando para isso com o financiamento de agências de cooperação internacional.
assistimos ao surgimento de uma série de ‘novos atores’, como as ligas e uniões (ANCOSOL, UNISOL, ANTEAG, COCRAB/MST), os fóruns coletivos (Fórum Brasileiro de Economia Solidária, fóruns estaduais, Rede de Gestores Públicos, Rede de Socioeconomia Solidária etc) e as instâncias governamentais (MTE/SENAES, governos federal, estaduais e municipais).
Outras ações importantes, como a criação de programas e políticas de créditos voltadas para a Economia Solidária, têm acontecido via fortalecimento de bancos comunitários (Banco de Palmas em Fortaleza-CE) e do estímulo à articulação com linhas de crédito existentes, para estes tipos de atividades. Mas estas ações apresentam muitas limitações. A insuficiência de crédito é uma delas, bem como a tradição do aval e de olhar os pequenos com um olhar discriminatório, por parte das instituições financeiras tradicionais. Um dos grandes, desafios não só das SENAES e sim de todo o movimento de Economia Solidária, são as finanças solidárias ou como conseguir crédito para subsidiar os insumos, maquinários e principalmente a formação dos componentes dos empreendimentos.
O “Atlas da Economia Solidária no Brasil” descreve em detalhes os principais aspectos históricos e políticos que funcionaram como ingredientes na
configuração do que hoje entendemos por Economia Solidária.13 Nele encontram-
se listados dados referentes à estruturação histórica do campo no Brasil, suas formas de organização, motivo de criação, a dimensão da participação de mulheres e homens nos empreendimentos econômicos solidários, (EES), área de atuação, produtos e serviços, alguns dos principais problemas e dificuldades
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Pode-se afirmar que a própria realização do mapeamento, que deu origem ao Atlas, é um marco no processo de reconhecimento da Economia Solidária no Brasil. Atendendo a uma demanda do movimento da ES, a Secretaria nacional de Economia Solidária (MTE/SENAES), em parceria com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), realizou um levantamento amplo de informações e a criação de um banco de dados nacional sobre a Economia Solidária. A idealização do mapeamento teve início em 2003, mas o trabalho foi concluído em 2006, com a publicação do Atlas da Economia Solidária no Brasil, que tem sua versão eletrônica disponível na página do SIES na internet: www.sies.mte.gov.br. Neste endereço também é possível acessar outras informações nacionais, estaduais e municipais que, em seu conjunto, compõem o Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (SIES).
enfrentados pelos empreendimentos, localização e abrangência das entidades de apoio e fomento, atividades realizadas, dentre outras informações.
Assim, importa mencionarmos, ainda que de forma sucinta, algumas das principais considerações teóricas e achados empíricos apresentados por este instrumento.
Em primeiro lugar, o conceito Economia Solidária é compreendido no âmbito do SIES como:
“o conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito – organizadas e realizadas solidariamente por trabalhadores e trabalhadoras sob a forma coletiva e autogestionária.(...) Em relação a elas destacam-se quatro características: cooperação, autogestão, viabilidade econômica e solidariedade” (MTE/SENAES, 2006:11).
Outra definição importante é a de Empreendimentos Econômicos Solidários. Estes compreendem as organizações:
a) coletivas – organizações suprafamiliares, singulares e complexas, tais como: associações, cooperativas, empresas autogestionárias, grupos de produção, clubes de trocas, redes e centrais etc;
b) cujos participantes ou sócios(as) são trabalhadores(as) dos meios urbano e rural que exercem coletivamente a gestão das atividades, assim como a alocação dos resultados;
c) permanentes, incluindo os empreendimentos que estão em funcionamento e aqueles que estão em processo de implantação, com o grupo de participantes constituído e as atividades econômicos definidas;
d) com diversos graus de formalização, prevalecendo a existência real sobre o registro local e;
e) que realizam atividades econômicas de produção de bens, de prestação de serviços, de fundos de crédito (cooperativas de crédito e os fundos rotativos populares), de comercialização (compra, venda e troca de insumos, produtos e serviços) e de consumo solidário.
(MTE/SENAES, 2006:13).
Finalmente, as entidades de apoio, assessoria e fomento são definidas como “aquelas organizações que desenvolvem ações nas várias modalidades de apoio direto junto aos empreendimentos econômicos solidários, tais como: capacitação, assessoria, incubação, assistência técnica e organizativa e acompanhamento”. (p.13)
A partir de agora faremos alusão aos achados empíricos derivados do mapeamento, tal como relatados no Atlas, enriquecendo nossa explanação com informações derivadas do Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (SIES).