2. KURAMSAL ÇERÇEVE
3.2. Etkinliklerin Geliştirilmesi ve Uygulama
Alguns questionamentos dos Educadores Sociais nos levam a retomar as concepções de socialização e identidade social. Para se discutir a atuação profissional de Educadores Sociais é preciso levar em consideração o processo de socialização profissional presente entre os jovens. Também a socialização é importante nas análises sobre a relação entre a escola e a comunidade. A categoria sociológica socialização é fundamental para se atingir os objetivos desta pesquisa. Embora muito já se tenha dito sobre socialização, essa categoria se torna cada vez mais importante no mundo de hoje devido a diversas transformações tecnológicas provadas pelas globalizações.
Não se trata aqui de falar das imposições sociais feitas às crianças para que estas obedeçam as regras sociais e se tornem jovens adultos obedientes. Pelo contrário, trata-se de pensar a socialização como processo de inserção no mundo social de forma autônoma e que essa socialização possa garantir a formação de identidades sociais. Os jovens precisam ter uma identidade social e o emprego ou trabalho pode contribuir muito para sua identidade. Por isso é preciso pensar na qualificação e formação de jovens para o mundo do trabalho.
Além da importância da abordagem piagetiana da socialização, entre outras, fiz a opção por analisar a socialização do ponto de vista sociológico. Acredito que as diversas análises se complementam e não se excluem. Dubar (1997), por exemplo, aponta que Piaget reconhece e concorda com Durkheim que
a socialização se baseia em modelos exteriores. Dubar cita as visões de Piaget e Durkheim:
Piaget e Durkheim estão de acordo no reconhecimento da individualização crescente da vida social à medida que as trocas se desenvolvem e se complexificam. A passagem de uma solidariedade mecânica por „imitação exterior‟ para a solidariedade orgânica através da „cooperação e complementariedade‟ desenvolve a individualização e a diferenciação das relações sociais. Ora, a vida social, à medida que se individualiza, torna-se mais interiorizada. É necessário, por isso, apelar para a autonomia da vontade mais do que para o medo da repressão. A socialização torna-se, assim, cada vez mais voluntária (DUBAR, 1997, p.12).
A socialização é importante e contribui para a formação da identidade social dos indivíduos. Os indivíduos vão formando suas identidades por meio do processo de socialização. Muito se tem falado atualmente sobre as identidades sociais e as crises de identidade. Quando o jovem consegue perceber que possui uma identidade e que essa identidade não tem sido afetada por exclusão, desemprego e fracasso escolar podemos dizer que esse jovem está no caminho certo. No entanto, as crises sociais podem provocar problemas nos indivíduos independente do esforço de cada um.
Por isso, não podemos separar a identidade da socialização. Não podemos reduzir a socialização a qualquer forma de integração social. A socialização se forma junto com a construção da identidade. Para se formar a identidade é preciso passar por um processo de socialização e a escola tem um papel fundamental. Assim, a socialização primária por meio da relação entre família e escola continua essencial na atualidade. A escola legitima a socialização e por esse motivo é preciso que ela, enquanto instituição socializadora, cumpra seu papel de educar, de garantir a formação de indivíduos por meio da construção de identidades sociais.
Falar de socialização implica necessariamente falar de identidade social. De modo mais específico, a identidade profissional é parte da identidade social. Apesar de correta, dizer que a identidade social é formada pela relação com o outro, pelos olhares dos outros, não descaracteriza outras formas de construção
de identidade. Para Dubar (1997), a noção de identidade numa perspectiva sociológica difere da noção de identidade na perspectiva fenomenológica da relação interindividual Eu-Outro e da perspectiva psicanalítica. Para Dubar (1997) a noção de identidade pode ser incluída na perspectiva sociológica
Se restituirmos esta relação identidade para si/identidade para outro ao interior do processo comum que a torna possível e que constitui o processo de socialização. Deste ponto de vista, a identidade não é mais do que o resultado simultaneamente estável e provisório, individual e coletivo, subjetivo e objetivo, biográfico e estrutural, dos diversos processos de socialização, que, em conjunto, constroem os indivíduos e definem as instituições (DUBAR, 1997, p. 100).
Neste contexto, abordar a atuação de Educadores Sociais nas escolas nos remete a pensar sobre o processo de socialização e de formação de identidade pelas quais esses profissionais passaram e passam. A literatura sobre trabalho e profissão é vastíssima e minha preocupação fundamental é como situar esses Educadores Sociais no contexto da comunidade em que atuam. A formação profissional torna-se um elemento chave para a identidade social. No entanto, Para Dubar (1997), não se devam reduzir as identidades sociais a estatutos de emprego e a níveis de formação.
Outro ponto fundamental na compreensão da identidade social dos Educadores Sociais trata-se da concepção de capital social. Bourdieu (2007), por exemplo, mostra a rede de relacionamentos e a origem social como fonte de análise para se compreender o sentido e as expectativas sociais. Sua definição de capital social, já clássica, nos ajuda a compreender o cenário dos Educadores Sociais.
O capital social é o conjunto de recursos atuais ou potenciais que estão ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de interconhecimento e de inter-reconhecimento ou, em outros termos, à vinculação a um grupo, como conjunto de agentes que não somente são dotados de propriedades comuns (passíveis de serem percebidas pelo observador, pelos outros ou por eles mesmos), mas também são unidos por ligações permanentes e úteis. Essas ligações são irredutíveis às relações objetivas de proximidade no espaço físico (geográfico) ou no espaço econômico e social porque são fundadas em trocas inseparavelmente materiais e simbólicas cuja instauração e perpetuação supõem o re-conhecimento dessa
proximidade. O volume de capital social que um agente individual possui depende então da extensão da rede de relações que ele pode efetivamente mobilizar e do volume do capital (econômico, cultural ou simbólico) que é posse exclusiva de cada um daqueles a quem está ligado (BOURDIEU, 2007, p. 67).
Assim, como a maior parte dos Educadores Sociais é da própria comunidade pesquisada e estudaram em escolas públicas, suas identidades sociais carregam um sentimento do tipo „se eu venci e estou na faculdade ou já conclui o curso superior, então essas crianças e jovens também podem conseguir‟. Essa percepção social está presente na maioria dos diálogos com os Educadores Sociais. Estar na comunidade e ser voluntário apontam para a formação de sua identidade social, algo como o sentimento de que „a sociedade me ofereceu uma bolsa de estudos ou uma universidade pública e por isso devo retribuir socialmente aquilo que me foi oferecido‟.
Por outro lado, existem aqueles Educadores Sociais que afirmam que nunca tiveram nenhuma oportunidade social, estão pagando a faculdade, não recebem nenhum tipo de bolsa e a universidade pública é um lugar distante em suas vidas, afirmando reiteradamente que „a sociedade sempre foi injusta com eles e que tudo que conquistaram sempre foi com seus próprios esforços e dedicação e que se dependesse de alguma política pública ou social eles já estariam no mundo das drogas e perdidos socialmente‟. Assim como os outros Educadores Sociais, estes também carregam o sentimento de contribuir na comunidade, de não deixar que as crianças e jovens passem pelas mesmas dificuldades que eles passaram.
Dessas percepções de Educadores Sociais em suas práticas cotidianas torna-se difícil apontar uma teoria da identidade social ou mesmo da categoria sociológica da socialização que responda a toda essa diversidade. No entanto, apesar do trabalho não ser o único caminho para a constituição da identidade social, a formação escolar e o trabalho constituem a preocupação fundamental dos Educadores Socais que atuam nas escolas, ou seja, tanto para eles a profissão é importante quanto para os educando que devem necessariamente se preparar para o mundo do trabalho. Ou seja, apesar do discurso da cidadania, da
inclusão, de formação para a vida, de cuidar do meio ambiente, entre outras preocupações sociais das escolas, os Educadores Sociais apostam na qualificação para o trabalho como principal caminho para a formação do caráter dos jovens e essencial para a construção da identidade social.
Pude constatar essas concepções do mundo do trabalho nos depoimentos de muitos Educadores Sociais que falavam nos corredores ou após eu ter desligado o gravador (eles não queriam falar em grupo para não se expor) alegando que muitas escolas privilegiam a área de esporte e oferecem muito conteúdo chamado por eles de “mais do mesmo”, ou seja, mais matemática, mais português, em detrimento das atividades de formação para o trabalho como empreendedorismo, informática, aulas de línguas estrangeiras, pré-ifes e artesanatos em geral. O que a escola oferece não condiz em vários bairros com o que a comunidade gostaria. Para a comunidade e para os Educadores Sociais a identidade social se forma para e no mundo do trabalho.