5. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.1. Sonuç ve Tartışma
5.2.2. Öğretmenlere Yönelik Öneriler
Vejo que a educação social já funciona no nível superior e dentro de uma universidade pública você já percebe a prática principalmente naqueles cursos ofertados para a área de humanas, então existe uma separação que já vem da academia principalmente das grandes Universidades como a UFES, USP, UNICAMP, UNB, PUC e outras federais. Nessas universidades existe sim educação social, ela é trabalhada sim, só que está muito distante da realidade da educação básica, então precisa trazer a prática da educação social que existe nas universidades para trabalhar na educação infantil, no ensino fundamental e médio (Educador Social-DR).
No Brasil vários são os pesquisadores que estão refletindo sobre a pedagogia no social. Machado (2009) mostra que o primeiro diálogo é com a própria pedagogia social. Aponta que para Nohl a pedagogia social não se refere a toda a pedagogia, mas à parte relacionada à educação popular. Afirma também que na década de 70 do século passado a pedagogia social,enquanto disciplina, foi confundida com a sociologia da educação. Outro ponto é a nomenclatura sobre o profissional.
No Brasil há um consenso que é preciso pesquisar mais sobre pedagogia social seja nas reflexões teóricas como nas práticas de intervenção.
Para mim primeiro a educação social tem que partir do princípio da educação libertadora. A gente vê a educação tecnicista, que é formal, a gente tem a educação mais voltada e formada para o tradicionalismo, já a educação social é uma educação onde você tem uma relação horizontal, além disso você tende a buscar primeiro a necessidade do aluno antes de querer mudar o ambiente dele, então você leva em conta a questão cultural, familiar, essas coisas, também a educação social é aquela educação onde atua em presídios, atua em hospitais, periferias, projetos sociais, seja eles governamentais ou de ONGs, a educação social tende a ir onde os sujeitos estão excluídos da sociedade, então a educação social tem essa finalidade (Educador Social-DR).
Caro (2009) busca definir educação social. Aponta que a escola não é a única instituição educadora. Os outros espaços devem ser considerados como
alternativas para se promover uma educação integral do indivíduo. “A Educação Social é um caminho que não devemos desprezar, pois seu conteúdo é riquíssimo para a ação do educador e o desenvolvimento do educando” (2009, p. 156).
Para mim educação social independe de classe social. Há necessidade de se ter educação social como indispensável na grade escolar. Nem sempre os pais tomam conhecimento pleno de suas responsabilidades em educar um filho para a sociedade e assim acompanhamos cada vez mais um crescimento populacional desordenado e sem valores e respeito ao próximo (Educadora Social-ARB).
Ribeiro (2009) relaciona a exclusão com a educação social e afirma que o conceito de educação social está indissociavelmente vinculado ao de exclusão. Cita Graciani que diz que a pedagogia do Educador Social é uma contra pedagogia.
Vejo que a educação social envolve atenção, além de trabalhar com objetividade no intuito de mudar expectativas para o positivo, envolvendo o pessoal na formação de caráter das pessoas. É um apoio para o aluno (Educadora Social-ARB).
Penso que educação social seja um projeto voltado para ajudar pessoas com dificuldades em tudo e que é voltado para a sociedade (educadora Social-ARB).
Silva (2009) contrapõe as noções de educação formal e educação não- formal. Ele começa contextualizando a crise da educação formal e da escola e aponta três fatores responsáveis pela crise: a crise sistêmica do princípio da autoridade; a emergência de novos sujeitos de direitos após a redemocratização do país; a supressão de modelos em que fundamentar a educação, todos situados temporalmente a partir de meados da década de 1980.
Silva (2009) aponta que além da crise da autoridade o Brasil também passou por um descrédito em relação às instituições o que representou um duro golpe para a escola pública brasileira.
Segundo Silva (2009, p. 183)
Em uma educação que se queira plural, laica, pública, que respeite e que contemple as diferenças e as experiências individuais, as instituições tradicionais como família, igreja, nação e Estado, que até então forneceram os modelos educacionais, dão lugar à democratização das formas de pensar, de sentir e de agir e requerem cada vez mais a busca de consensos quanto ao que devam ser os objetivos e as metas da Educação e da escola.
Silva (2009) aponta mais três pontos importantes para superar os desafios educacionais: a educação inclusiva; o projeto político-pedagógico; a gestão democrática da escola pública. O debate educacional brasileiro em torno desses três pontos tem sido, segundo Silva (2009), o que de melhor e mais específico temos construído no Brasil. Esse debate em muito tem contribuído para a pedagogia social. No entanto, Silva (2009, p. 185), alerta que “a revalorização das práticas de educação social só em parte pode ser atribuída à crise da escola.”
Eu ainda não consigo interagir com os conteúdos de sala de aula. Quando a gente fala de projetos, como Mais Educação, Escola Aberta, por incrível que pareça ainda não são bem vindos pelos professores, principalmente por aqueles efetivos de muito tempo na escola, tradicionalistas, aqueles professores cheios de tabus, muito ridículo ainda nos dias atuais você ver professores criticando a diversidade sexual e de gênero dentro da escola, então são coisas que você enfrenta dentro do ambiente escolar que realmente não condiz com os dias atuais (Educador Social-DR).
Nesse sentido, para Silva (2009, p. 186)
Se for verdade que estes novos espaços de educação se originaram de processos que pouco ou nada tem a ver com a crise da escola, também é verdade que eles poderão vir a acentuar e aprofundar a crise dessa mesma escola, sobretudo se forem ocupados e controlados por interesses econômicos e dominantes em nível nacional e global. Por estas e outras razões, e diante do potencial de inclusão social que oferece, há que se refletir mais aprofundadamente sobre os dilemas e desafios futuros que derivam do fato de o campo da Educação não- escolar ser hoje disputado por muitos e diferentes interesses e contraditórias racionalidades políticas e pedagógicas.
Costa (2009) também traz uma relevante contribuição para a pedagogia social: a necessidade de parceria entre pedagogos e juristas. Discute o adolescente enquanto autor de ato infracional. Essa aproximação é necessária
para a educação social. Não basta que a educação se aproxime dos juristas, é preciso também se aproximar de psicólogos, de assistentes sociais, de enfermeiros, médicos, militares, enfim é preciso toda uma aldeia para educar um aluno.
É preciso sempre destacar que o principal campo da pedagogia social é o seu viés como prática da pedagogia social de rua. Graciani (2009), referência nos debates sobre o tema no Brasil, discute a pedagogia social no trabalho com crianças e adolescentes em situação de rua. Constata que cerca de 30 anos atrás os temas mais pesquisados eram ligados ao desenvolvimento econômico, à modernização, à participação política, à democracia, entre outros.
Para mim quando se fala em social penso que é a união entre a escola, a igreja, a casa dos alunos, a rua, enfim para mim social é o todo, a realidade e a educação social para mim é a fusão entre a escola e o bairro (Educadora Social-ARB).
Hoje, pobreza e exclusão social são temas urgentes para a pauta de pesquisa. Relacionar a educação nesse contexto é fundamental e mais ainda quando se trata de educação social. No entanto, a má qualidade da educação e falta de Educadores Sociais formados para atuar tem sido um desafio a ser superado.
Eu sou bolsista do PROUNI e faço engenharia civil e nem sei como eu vim parar aqui e eu gosto do que faço, gosto de lidar com as crianças e eu não sei se serei professora porque eu não gosto de dar aula para adulto, eu gosto de criança e acho muito difícil ter domínio de adulto e eu acho que não estou preparada para lidar com alunos adolescentes, de impor a ordem, porque um professor tem que se impor, ele tem que estar preparado para qualquer coisa e acho que eu não estou preparada, eu acho que até dez anos você consegue se impor, mas depois disso não, os alunos do ensino médio são terríveis (Educadora Social-DR).
Graciani (2009) aponta duas contribuições positivas da educação para a sociedade: a reorganização da cidadania e o desenvolvimento de habilidades. “A educação é uma atividade para a vida, que ocorre na família, na rua, na igreja, no trabalho, na escola e em todos os espaços sociais.” (2009, p. 209). Nesse sentido, para Graciani, a pedagogia social caracteriza-se como um projeto radical
de transformação política e social.
A única dificuldade que encontro na escola é a falta de um espaço adequado para poder desenvolver uma boa aula. Às vezes até tem espaço mas quando fala que o Mais Educação vai usar eles logo dão um jeito de dizer que não tem espaço (Educadora Social-ARB).
As dificuldades são muitas. Falta espaço físico, os profissionais do ensino regular são muito intolerantes, existe separação dos materiais de uso do ensino regular e do Mais Educação, falta de trabalho em conjunto com os profissionais da escola (Educadora Social-NDB).
Souza Neto (2009) mostra como era tratado o „menor‟ e sua família e as políticas sociais de proteção. “A criança e o adolescente são criança e adolescente; só são carentes abandonados ou delinqüentes dentro das relações sociais estabelecidas” (2009, p. 260).
Problema é o que mais tem na escola: falta de espaço, discriminação, falta de material, não chamam a família para ver o que seu filho está fazendo, falta apoio de alguns diretores, entre outros problemas (Educador Social-TRÊS).
Para buscar resolver essas questões impostas pela situação de desigualdade e exclusão, Souza Neto (2009, p. 264) afirma que
Crianças e adolescentes que têm os direitos violados ou que se encontram em situação de vulnerabilidade pessoal e social, dependentes de abrigos ou de outros serviços sociais, requerem um orientador, educador ou liderança comunitária, com uma boa formação humana, que possa compreender os emaranhados da situação de abandono e de privação.
O aluno que chega à escola já chega derrotado pela sociedade, são os tidos pobres coitados e acabam encontrando na escola um espaço degradado e não tem aquele prazer de estudar, de melhorar, eles encontram uma realidade dentro da escola que não deveriam encontrar fora de casa. Na escola eles encontram a mesma realidade que está dentro da casa deles, uma realidade que na escola deveria ser defende da sua casa e na verdade eles encontram na escola a mesma situação de sua casa, então esse aluno não vê diferença entre a escola e a rua, entre a escola e a sua casa, então na rua alguém fala assim “leva essa droga ali que eu te dou uma grana, faz um favorzinho que te dou um refrigerante”, então isso acaba sendo mais atrativo do que esse aluno freqüentar um projeto social, então antes de se implantar um projeto numa escola deveriam pensar antes, pensar nas condições, nos espaços (Educador Social-DUAS).
Já Moura (2009) enfatiza as políticas, programas e ações para a juventude na Alemanha e as compara com o Brasil. Expõe a organização das Secretarias para a assistência à juventude e a importância das organizações da sociedade civil. Sobre essas organizações, Moura, diz que
Sendo espaços privilegiados de atuação de pedagogos sociais, essas organizações contribuem enormemente para a legitimação deste tipo de trabalhador social. São estes trabalhadores, na maior parte das vezes, que fazem a mediação entre o jovem e a família, ou entre aquele e o mestre de ofícios nas oficinas de formação. O trabalhador social formado pela Pedagogia Social é, portanto, junto com a consolidação das Secretarias de juventude e da LACJ, uma peça chave na construção de um Direito da Juventude (2009, p. 285).
Para mim educação social serve para preparar o aluno para a vida social e profissional (Educadora Social-ARB).
Educação social é uma forma de educar o aluno para aprender a viver na sociedade na qual vivemos (Educadora Social-NDB).
Tanto Silva, Souza Neto e Moura (2009) apontam a Alemanha e o Uruguai como parceiros para o desenvolvimento da pedagogia social no Brasil. Concordam também que a profissão do pedagogo social é distinta do psicólogo ou assistente social.
Por fim, questionando o quadro sócio-econômico-cultural, Graciani aponta que,
Neste amplo cenário sócio-econômico-cultural, reaparece a educação, cuja má qualidade, a falta de formação de seus agentes, a pouca infra- estrutura onde ocorre, dentre outros inúmeros fatores, também é responsável pela pobreza, pela desigualdade e exclusão social, não só no Brasil, mas em todas as regiões latino-americanas, reafirmadas em estudos e pesquisas que comprovam esta relação, seja por falta de recursos, instrumentos e ou mecanismos para a melhora de qualidade da educação e o pleno êxito do aprendiz no que se refere ao seu espírito crítico, criativo e participativo, a partir de uma aprendizagem competente e conseqüente, ampla e inquietante, questionadora e discernida. Há um movimento em marcha, na sociedade global, onde as manifestações da sociedade civil, se propõe, a novas crenças e capacidades de organizar- se, mobilizar-se e conquistar, por si própria, aquilo que os setores públicos não conseguem proporcionar, frente a pobreza e a exclusão (GRACIANI, 2006, p. 2)
Acredito que a educação social ajuda o aluno a entender o quanto ele é importante na sociedade e que as atitudes dele pode mudar no seu dia a dia (Educador Social-TRÊS).
Denomino educação social o conhecimento adquirido para formar cidadãos (Educadora Social-NDB).
Graciani (2006) destaca que os níveis de exclusão e desigualdade no Brasil são os piores do mundo e que a pobreza é urbana e localizada nas periferias das grandes cidades.
Eu acho que a educação social é educar para a vida, para a cidadania, aprender a viver e conviver com as pessoas. Os conteúdos que nós ensinamos é um diferencial. Daí precisamos nos unir com os professores e falar a mesma língua. Dá a impressão que somos estranhos na escola, que ensinamos coisas diferentes, mas o conteúdo é o mesmo, ou seja, ensinamos de forma diferente mas a intenção é a mesma (Educadora Social-NDB).
Falta um espaço melhor para desenvolver as atividades. Apesar da escola ter espaço, tem muita coisa dentro da escola e a gente fica assim: hoje pode fazer isso, amanhã não pode, depois pode, depois não pode, então você fica muito restrito a algumas coisas, apesar da estrutura física da escola ser boa (Educador Social-CDLF).
Percebemos que no Brasil se faz pedagogia social em várias intervenções nas comunidades. É preciso, para avançar, sistematizar e organizar essas abordagens por meio de teoria e método. Muitas ONGs e políticas públicas aparecem no cenário e torna-se necessário refletir sobre essas abordagens nas comunidades, buscando verificar onde existem as dificuldades para podermos avançar.
5 TRABALHO E EDUCAÇÃO
Só fica mesmo quem gosta, só fica quem se apega ao projeto porque o vencimento é baixo e às vezes você vem até três dias na escola e embora seja um “semi-voluntariado”, porque eles pagam uma ajuda de custo, deveria se remunerar melhor. Os Educadores Sociais que vem doar seu tempo, isso mesmo “doar” porque são voluntários que vem ajudar a comunidade, deveriam ser mais valorizados e a seleção dos alunos é muito injusta, ou seja, pegam os piores alunos da escola e colocam no projeto e nós Educadores Sociais temos que dar conta (Educador Social-DUAS).